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O Rico e o Pobre (25-09-2016)

Primeira Leitura:
PROFETAS MENORES: Livro de Amós (Am), capítulo 6
(1) Ai daqueles que vivem comodamente em Sião, e daqueles que vivem tranqüilos no monte da Samaria, ai dos nobres do primeiro dos povos, aos quais acorre a casa de Israel. (2) Passai a Calne e contemplai, e ide dali a Hamat, a Grande, descei a Get dos filisteus, serão aquelas cidades mais prósperas que estes reinos? Seu território será mais vasto que o vosso? (3) Pretendeis retardar o dia do infortúnio, e, no entanto, apressais a chegada do reino da violência. (4) Deitados em leitos de marfim, estendidos em sofás, comem os cordeiros do rebanho e os novilhos do estábulo. (5) Deliram ao som da harpa, e, como Davi, inventam para si instrumentos de música, (6) bebem o vinho em grandes copos, perfumam-se com óleos preciosos, sem se compadecerem da ruína de José. (7) Por isso serão deportados à frente dos cativos, e terão fim os banquetes dos voluptuosos.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola a Timóteo (1Tm), capítulo 6
(11) Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e procura com todo empenho a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão. (12) Combate o bom combate da fé. Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e fizeste aquela nobre profissão de fé perante muitas testemunhas. (13) Em presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que ante Pôncio Pilatos abertamente testemunhou a verdade, (14) recomendo-te que guardes o mandamento sem mácula, irrepreensível, até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo, (15) a qual a seu tempo será realizada pelo bem-aventurado e único Soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, (16) o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível, a quem nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno! Amém.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 16
(19) Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava.
(20) Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico.
(21) Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas.
(22) Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.
(23) E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.
(24) Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas.
(25) Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males, por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento.
(26) Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá.
(27) O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos,
(28) para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos.
(29) Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas, ouçam-nos!
(30) O rico replicou: - Não, pai Abraão, mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão.
(31) Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

26.º Domingo do Tempo Comum - O pobre Lázaro e o rico banqueteador

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 16, 19-31)

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: "Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.

Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.

Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado.

Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado.

Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'.

Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'.

O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'.

Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!'

O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'.

Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'".

Dois domingos atrás, nós ouvimos o Senhor contar aos discípulos parábolas que retratavam amisericórdia divina: na moeda perdida, na ovelha desgarrada e no filho pródigo — todos narrados no capítulo 15 do Evangelho de São Lucas — estava representado o ser humano, que se tinha extraviado após a Queda e que Deus mesmo viera resgatar atravessando os céus e se fazendo homem. Hoje, com a parábola do pobre Lázaro e do rico epulão, Cristo apela à compaixão humana, como se dissesse: Estote misericordes sicut et Pater vester misericors est, "Sede misericordiosos como o vosso Pai o é" (Lc 6, 36) — frase escolhida como lema para este Ano da Misericórdia que celebramos.

Já era possível vislumbrar essa ligação, na verdade, entre a misericórdia de Deus e a dos homens,ainda no Evangelho de semana passada, quando o Senhor exortava: "Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas" (Lc 16, 9). São Gregório Magno, de fato, comentando esse versículo, indicava que "os homens, para encontrarem após a morte alguma coisa em suas mãos, devem pôr antes da morte as suas riquezas nas mãos dos pobres" (Catena Aurea in Lucam, XVI, 2).

Essa lição do Papa Gregório condensa, na verdade, toda a parábola que nos é narrada no dia de hoje. Enquanto o rico anônimo recebeu todos os seus bens durante a vida, o pobre Lázaro só suportou males; aquele se vestia com roupas finas e era rodeado de fartos banquetes, ao passo que este trazia as feridas como roupas e as migalhas como alimento. No fim de seus dias, os destinos dessas duas personagens se inverteram por completo: Lázaro, cuja miséria sequer uma alma humana tinha ousado acudir, carregado pelos próprios anjos de Deus foi para junto de Abraão; o rico, porém, só se conta que foi enterrado e, logo depois, o Autor Sagrado já o descreve no meio dos tormentos do inferno.

Duas realidades, portanto, se oferecem à nossa meditação: a vida terrena, ante mortem, a vida eterna, post mortem.

Na primeira, diz São Gregório Magno, é preciso que ponhamos nossas riquezas nas mãos dos pobres. Ninguém se assuste com essa afirmação porque, à parte o que pregam as ideologias materialistas de nosso tempo, o dever de dar esmolas é uma constante na doutrina moral da Igreja (cf. Rerum Novarum, 12), nas Escrituras (cf. Dt 15, 11; Tb 4, 7; Mt 25, 4; 1Jo 3, 17-18) e no próprio direito natural (cf. Royo Marín, Teología moral de los seglares, 526-529). Ao mesmo tempo, porém, acudir às necessidades dos outros nem sempre se resume a uma assistência meramente material. Uma glosa antiga ao Evangelho de São Lucas diz que "de dois modos é possível carregarmos a cruz de Cristo: ou quando pela abstinência se aflige a carne, ou quando pela compaixão ao próximo se aflige nosso espírito". Ter compaixão quer dizer, literalmente, "sofrer com o outro", e o dinheiro é apenas parte periférica desse preceito.

Depois desta vida, enfim, dois lugares estão reservados aos homens: o Céu aos justos e o inferno aos maus, tertium non datur. O purgatório trata-se de uma realidade transitória, uma purificação por que passam as pessoas que foram salvas sem, no entanto, terem atingido a perfeição de vida. Céu e inferno, além disso, são moradas definitivas: embora o Senhor tenha posto na boca do rico condenado uma espécie de "súplica arrependida", não há arrependimento nenhum para os réprobos. Após a morte, a decisão que eles tomaram de apartar-se de Deus é, como a dos anjos rebeldes, irrevogável. O "grande abismo" de que fala Abraão na parábola nada mais é, portanto, que a rejeição consciente e deliberada do Criadorque acontece já nesta vida com o drama do pecado mortal. Por isso, o inferno realmente existe, mas como invenção angélica, não criação divina: o Senhor não nos criou, afinal, para sermos condenados à infelicidade eterna; fez-nos livres para que pudéssemos ou aceitar ou negar o seu amor, cabendo a nós, portanto, pronunciar-lhe a última palavra.

Meditar sobre essas realidades escatológicas é o grande segredo para nos livrarmos do pecado da avareza e do apego aos bens deste mundo, causas por que foi condenado o rico da parábola de hoje. Tendo sempre diante dos olhos que, como diz o Apóstolo, "a figura deste mundo passa" (1Cor7, 31), mais fácil nos será abrir as mãos para socorrermos e aliviarmos as misérias de nossos semelhantes e recebermos, por fim, uma recompensa na eternidade.

Padre Paulo Ricardo


O Rico e o Pobre

Antes de entrar no tema próprio da Palavra de Deus deste Domingo, convém chamar atenção para três idéias do Evangelho que desmentem três erros que se pregam por aí a fora:

(1) Jesus hoje desmente os que afirmam que os mortos estão dormindo. É verdade que, antes do Exílio de Babilônia, quando ainda não se sabia em Israel que havia ressurreição, os judeus e seus textos bíblicos diziam que quem morria ia dormir junto com os pais no sheol. Tal idéia foi superada já no próprio Antigo Testamento, quando Israel compreendeu que o Senhor nos reserva a ressurreição. Então, os judeus pensavam que quem morresse, ficava bem vivo, na mansão dos mortos, à espera do Julgamento Final. Já aí, havia uma mansão dos mortos de refrigério e paz e uma mansão dos mortos de tormento. É esta crença que Jesus supõe ao contar a parábola do mau rico e do pobre Lázaro. Então, nem mesmo para os judeus, que não conheciam o Messias, os mortos ficavam dormindo! Quanto mais para nós, cristãos, que sabemos que “nem a morte nem a vida nos poderão separar do amor de Cristo” (Rm 8,38-39). Afirmar que os mortos em Cristo ficam dormindo é desconhecer o poder da ressurreição de Nosso Senhor. Muito pelo contrário, como para São Paulo, o desejo do cristão é “partir para estar com Cristo” (Fl 1,23). Deus nos livre da miséria de pensar que os mortos em Cristo ficam presos no sono da morte!

(2) Outro erro que a parábola corrige é o de quem prega que o inferno não é eterno. Muitas vezes nas Escrituras – e aqui também – Jesus deixou claro que o céu e o inferno são por toda a eternidade. Na parábola, aparece claro que “há um grande abismo” entre um e outro! Assim, cuidemos bem de viver unidos ao Senhor nesta única vida que temos, pois “é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9,27). Que ninguém se iluda com falsas esperanças e vãs ilusões, como a reencarnação!

(3) Note-se também como os mortos não podem voltar, para se comunicarem com os vivos. O cristão deve viver orientado pela Palavra de Deus e não pela doutrina dos mortos! Morto não tem doutrina, morto não volta, morto não se comunica com os vivos! Além do mais, os judeus não pensavam que os espíritos se comunicassem com os vivos. Observe-se que o que o rico pede é que Lázaro ressuscite, não que apareça aos vivos como um espírito desencarnado. Daí, a resposta de Jesus: “Eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”!

Com estes esclarecimentos, vamos à mensagem da Palavra para este hoje. Jesus continua o tema de domingo passado, quando nos exortou a fazer amigos com o dinheiro injusto. Este é o pecado do rico do Evangelho de hoje: não fez amigos com suas riquezas. Se tivesse aberto o coração para Lázaro, teria um amigo a recebê-lo no céu! É importante notar que esse rico não roubou, não ganhou seu dinheiro matando ou fazendo mal aos outros. Seu pecado foi unicamente viver somente para si: “se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias”. Ele foi incapaz de enxergar o “pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava no chão”, à sua porta. “Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas”. O rico nunca se incomodou com aquele pobre, nunca perguntou o seu nome, nunca procurou saber sua história, nunca abriu a mão para ajudá-lo, nunca deu-lhe um pouco de seu tempo. O rico jamais pensou que aquele pobre, cujo nome ninguém importante conhecia, era conhecido e amado por Deus. Não deixa de ser impressionante que Jesus chama o miserável pelo nome, mas ignora o nome do rico! É que o Senhor se inclina para o pobre, mas olha o rico de longe! Afinal, os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos!

É esta falta de compaixão e de solidariedade que Jesus não suporta, sobretudo nos seus discípulos; não suporta em nós. Já no Antigo Testamento, Deus recrimina duramente os ricos de Israel: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que s e sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho; os que cantam ao som da harpa, bebem vinho em taças, se perfumam com os mais finos ungüentos e não se preocupam com a ruína de José”. É necessário que compreendamos isso: não podemos ser cristãos sem nos dar conta da dor dos irmãos, seja em âmbito pessoal seja em âmbito social. Olhemos em volta: a enorme parábola do mau rico e do pobre Lázaro se repetindo nos tantos e tantos pobres do nosso País, do nosso Estado, da nossa Cidade, muitas vezes bem ao lado da nossa indiferença. Como o mau rico, estamos nos acostumando com os meninos de rua, com os cheira-colas, com os miseráveis e os favelados, com o assassinato dos moradores de rua… A advertência do Senhor é duríssima: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião… e não se preocupam com a ruína de José!”

Talvez, ouvindo essas palavras, alguém pergunte: mas, que posso eu fazer? Pois eu digo: comece por votar com vergonha nestas eleições municipais! Não vote nos ladrões, não vote por interesse, não vote nos corruptos, não vote nos descomprometidos com os mais fracos, não vote em que não tem nada além de palavras e promessas vazias! Vote com sua consciência, vote buscando o bem comum. Dê-se ao trabalho de escolher com cuidado seus candidatos, dê-se ao trabalho, por amor aos pobres, de pensar bem em quem votar! Só isso? Não! Olhe quem está ao seu lado: no trabalho, na rua, no sinal de trânsito, no seu caminho. Olhe quem precisa de você: abra o coração, abra os olhos, abras as mãos, faça-se próximo do seu irmão e ele o receberá nas moradas eternas.

Durante dois domingos seguidos o Senhor nos alertou para nosso modo de usar nossos bens. Fomos avisados! Um dia, ele nos pedirá contas! Que pela sua graça, nós tenhamos, um dia, amigos que nos recebam nas moradas eternas. Amém.

Dom Henrique Soares