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Reconhecimento e Gratidão! (09-10-2016)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Segundo Livro dos Reis (2Rs), capítulo 5
(14) Naamã desceu ao Jordão e banhou-se ali sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e sua carne tornou-se tenra como a de uma criança. (15) Voltando então para o homem de Deus, com toda a sua comitiva, entrou, apresentou-se diante dele e disse: Reconheço que não há outro Deus em toda a terra, senão o de Israel. Aceita este presente do teu servo. (16) Pela vida do Senhor a quem sirvo, replicou Eliseu, não aceitarei nada. E apesar da instância de Naamã, ele recusou. (17) Então Naamã disse: Se não o aceitas, permite ao menos que se dê ao teu servo da terra deste país, tanto quanto possam carregar duas mulas, porque doravante este teu servo não oferecerá mais holocausto nem sacrifício a outros deuses, mas só ao Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola a Timóteo (2Tm), capítulo 2
(8) Lembra-te de Jesus Cristo, saído da estirpe de Davi e ressuscitado dos mortos, segundo o meu Evangelho, (9) pelo qual estou sofrendo até as cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus, esta não se deixa acorrentar. (10) Pelo que tudo suporto por amor dos escolhidos, para que também eles consigam a salvação em Jesus Cristo, com a glória eterna. (11) Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com ele, com ele viveremos. (12) Se soubermos perseverar, com ele reinaremos. (13) Se, porém, o renegarmos, ele nos renegará. Se formos infiéis... ele continua fiel, e não pode desdizer-se.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 17
(11) Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia.
(12) Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:
(13) Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!
(14) Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados.
(15) Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.
(16) Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano.
(17) Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?
(18) Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?!
(19) E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

28.º Domingo do Tempo Comum - Os leprosos curados por Cristo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 17, 11-19)

Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, e gritaram: "Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!"

Ao vê-los, Jesus disse: "Ide apresentar-vos aos sacerdotes".

Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano.

Então Jesus lhe perguntou: "Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?" E disse-lhe: "Levanta-te e vai! Tua fé te salvou".

Em profundo contraste com a mentalidade relativista do homem moderno, para quem o importante é "acreditar em alguma coisa" — ainda que seja em si mesmo, em opiniões falsas ou em deuses fantasiosos —, o Evangelho de São Lucas, relatando-nos a cura de dez leprosos, alude àmediação universal exercida por Cristo na salvação humana: é a humanidade do Verbo encarnado o instrumento próprio de que Deus se serve para agraciar os homens, e não há outro (cf. 1Tm 2, 5;Suma Teológica, III, q. 26). Ainda que sejam poucos os cristãos — ou seja, que só uma pequena porção do mundo volte para atirar-se aos pés de Jesus e reconhecer o seu senhorio —, a verdade não depende de "maioria de votos". Assim como os nove leprosos do Evangelho também foram curados, é também de Cristo que recebem graças aqueles que estão fora da Igreja, mesmo que não o saibam, mesmo que não creiam.

A ouvidos desatentos, uma mensagem como essa pode soar intolerante ou extremista, mas, é forçoso reconhecer, não pode dizer-se verdadeiramente cristão quem negocia o senhorio absoluto de Cristo sobre todos os homens e sobre todos os povos. Ele veio, por exemplo, para os astecas, e os missionários católicos bem o sabiam. Tão logo pisaram em continente americano, de fato, não hesitaram um só instante em converter os corações desses homens a Cristo, substituindo os sacrifícios humanos que eles ofereciam pelo único sacrifício capaz de, ao mesmo tempo, aplacar a ira dos céus e satisfazer a inquietude das almas. Ele veio para os povos indígenas que viviam no Brasil à época do Descobrimento, e São José de Anchieta bem o sabia. Por isso, esse santo missionário não mediu esforços para cruzar grandes extensões de terra e formar para o Redentor, também entre os nativos que aqui viviam, "sacerdotes e povo de reis" (Ap 5, 10). Ele veio, por fim, para redimir todas as culturas que existiram, existem e virão a existir, a fim de pacificá-las "pelo sangue de sua cruz" (Cl 1, 20) e transportar os homens todos "para o reino de seu Filho bem-amado" (Cl 1, 13).

É evidente que uma fé assim tão exclusiva constitui "pedra de escândalo". Em uma de suas poesias, Santa Teresinha do Menino Jesus recorda que a mesma mãozinha do Menino Jesus, que acariciava o rosto de Nossa Senhora, é a mão poderosa de Deus a sustentar o universo inteiro. E, no entanto, mesmo que pareça difícil de aceitar, é isto o que desde sempre ensina a santa Igreja Católica: que a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Palavra eterna e incriada de Deus, em um momento específico da história e em um lugar concreto do espaço, se fez carne, habitou no meio dos homens, morreu, ressuscitou, subiu aos céus e, agora, está sentado à direita de Deus Pai, de onde distribui a todos as graças do Céu.

Na vida diária de todo cristão, essa verdade significa bem concretamente que, ainda hoje, nós podemos ser tocados e verdadeiramente curados de nossas lepras por meio da humanidade de Cristo. Presente no Céu e sob o véu do sacramento da Eucaristia, Jesus de Nazaré age com poder nas almas que crêem nEle, alimentando-as com o pão da sua graça, a fim de que permaneçam de pé e cresçam, dia após dia, no seu amor. Peçamos pois a Ele, neste domingo, que nos ajude acomungar bem e a transformar toda a nossa existência em uma "ação de graças" ininterrupta. Mais do que uma lepra física, Cristo livra-nos das doenças do espírito — muito mais perigosas e corrosivas que as da carne —, e nós jamais lhe seremos suficientemente agradecidos por tão grande misericórdia.

Padre Paulo Ricardo


Meu Senhor e meu Deus, obrigado!

Salta aos olhos a mensagem da Palavra de Deus neste Domingo: a gratidão, o reconhecimento cheio de amor pela ação benéfica de Deus na nossa vida. Gratidão e ingratidão – eis o que aparece nas leituras de hoje. Primeiro, a gratidão de Naamã, um pagão, inimigo de Israel, que, no entanto, sabe ser agradecido a Deus. Curado de sua lepra, voltou para agradecer ao profeta Eliseu e, como sinal de conversão ao Deus verdadeiro, levou terra de Israel para Damasco, sua cidade, para, sobre essa terra, adorar a Deus. O reocnhecimento pelo benefício de Deus fez desse pagão um amigo do Senhor e salvou a sua existência de um caminho sem sentido. Também a gratidão de outro pagão, o leproso samaritano que soube, reconhecido, voltar a Jesus “para dar glória a Deus”. Mas também, hoje, aparece a ingratidão. Nove leprosos, filhos do povo de Israel, que curados, não retornam para agradecer o dom… Dez foram curados, somente um foi salvo, o leproso pagão e estrangeiro:“Levanta-te e vai! Tua fé te salvou!”

Estejamos atentos! Hoje, temos tudo… Chegamos a um alto grau de desenvolvimento tecnológico e científico, compreendemos tantos dos processos e dinamismos da natureza e, num mundo ativista e auto-suficiente, temos a sensação ilusória que nos bastamos, que tudo é nosso, que tudo é fruto de nossos esforços, que tudo foi conquista nossa, simplesmente. Vamos nos tornando cegos para a presença cuidadosa, providencial e cheia de amor de um Deus que sempre vela por nós. Vamos nos tornando gravemente insensíveis para perceber a vida como dom, como graça, como presente. É impressionante como o mundo nos vai tornando dormentes, insensíveis mesmo, para Deus! Se avida já não mais é percebida como um dom, também do nosso coração já não mais brota a ação de graças. Mas, uma vida assim é ela mesma, sem graça, ela mesma uma “des-graça”! Somente quando abrimos o coração e os olhos da fé, podemos perceber que tudo é graça, imenso dom de um Amor sem fim e, então, seremos realmente curados de uma vida sem sentido e libertos para correr livres nos caminhos da existência. Poderemos ouvir a palavra de Jesus: “Levanta-te e vai! A tua fé te salvou! Salvou-te de uma vida mesquinha, fechada, incapaz de olhar as estrelas, incapaz de comunhão com o Pai do céu, incapaz de dizer “Pai nosso”  e de reconhecer nos outros teus irmãos…” Mas, para isso – nunca esqueçamos – é necessário um coração de pobre, um coração humilde, que reconheça que tudo quanto possuímos foi recebido de Deus.

Vale, então, para nós, no corre-corre da vida, a advertência de São Paulo, na segunda leitura de hoje: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos!” Lembrar-se de Cristo é tê-lo como palavra última e total de amor que o Pai nos pronunciou. Lembrar-se de Jesus é nunca esquecer que Deus está conosco, amando-nos, perdoando-nos e acolhendo-nos como Deus providente e misericordioso. Lembrar-se de Jesus morto e ressuscitado é nunca duvidar da misericórdia de Deus e de seu compromisso na nossa existência e na existência do mundo. “Lembra-te de Jesus Cristo ressuscitado! Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o renegarmos, também ele nos negará. Se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo!” Aqui está o motivo último e irrevogável de toda a nossa gratidão a Deus: Jesus Cristo, dado-nos como carinho e fidelidade do Pai! É de tal modo este dom, tão irrevogável, tão absoluto, que vale a pena morrer com ele para, nele, viver uma vida nova; vale a pena sofrer com ele para, nele, reinarmos. É interessante como o Apóstolo sublinha a fidelidade amorosa de Deus em Jesus: “Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel!”Eis um Deus que não se escandaliza com nossas debilidades, mas é sempre disposto a recomeçar conosco. “Se nós o negamos, também ele nos negará”… Esta é a única atitude que nos faz perdê-lo para sempre: a ingratidão de negá-lo em nossa vida, de fechar-se de tal modo para ele, que já não mais o reconheçamos, que já não mais deixemos que ele seja o Senhor de nossa existência, que já não mais percebamos que tudo é graça, tudo é presente de amor.

Cuidemos, então do modo como estamos construindo a nossa existência: como um fechar-se sobre nós mesmos, na auto-suficiência, ou como uma abertura livre e filial, pronta a acolher e viver a vida como um dom do Senhor. Como cantam os focolares: “Se um dia perguntares quem sou, não direi o meu nome. Direi: ‘Obrigado’, por tudo e pra sempre, ‘obrigado, obrigado’”!

Dom Henrique Soares