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Rezai sempre, sem jamais desistir (16-10-2016)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 17
(8) Amalec veio atacar Israel em Rafidim. (9) Moisés disse a Josué: “Escolhe-nos homens e vai combater Amalec. Amanhã estarei no alto da colina com a vara de Deus na mão.” (10) Josué obedeceu Moisés e foi combater Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiam ao alto da colina. (11) E, quando Moisés tinha a mão levantada, Israel vencia, mas logo que a abaixava, Amalec triunfava. (12) Mas como se fatigassem os braços de Moisés, puseram-lhe uma pedra por baixo e ele assentou-se nela, enquanto Aarão e Hur lhe sustentavam as mãos de cada lado: suas mãos puderam assim conservar-se levantadas até o pôr-do-sol, (13) e Josué derrotou Amalec e seu povo ao fio da espada.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola a Timóteo (2Tm), capítulo 3
(14) Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e creste. Sabes de quem aprendeste.
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola a Timóteo (2Tm), capítulo 4
(1) Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: (2) prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 18
(1) Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.
(2) Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma.
(3) Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário.
(4) Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens,
(5) todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar.
(6) Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto?
(7) Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?
(8) Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

29.º Domingo do Tempo Comum - Rezar sempre e sem jamais desanimar

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
18, 1-8)

Naquele tempo, Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo:

"Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: 'Faze-me justiça contra o meu adversário!'

Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: 'Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!'"

E o Senhor acrescentou: "Escutai o que diz este juiz injusto. E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar?

Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?"

No Evangelho deste domingo, o Senhor conta a seus discípulos a Parábola do Juiz Iníquo e da Viúva Inoportuna, a fim de ilustrar a necessidade da oração humilde e perseverante. Se um juiz mau decide, importunado pelas súplicas de uma viúva, fazer-lhe justiça contra um adversário seu, quanto mais Deus não fará justiça "aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele"!

De que se trata essa "justiça", a que faz referência Nosso Senhor, é o que precisa ser bem explicado, sob o risco de que as pessoas desconfiem da promessa de Cristo ou suspeitem estar reservado apenas para a vida eterna o triunfo dos bons. Afinal, não é evidente, a quem quer que olhe para as vidas dos santos, o fracasso terreno em que terminaram muitas de suas vidas? Como acreditar que Deus faz justiça aos seus eleitos, se tantos deles morrem injustamente, devorados por feras selvagens, torrados no fogo ou mesmo decapitados?

A resposta se encontra no fim do Evangelho deste domingo: "Mas o Filho do homem, quando vier", pergunta Jesus, "será que ainda vai encontrar sobre a terra?" É da fé afinal que vivem os justos, diz o profeta Habacuc (2, 4), e é naqueles que crêem que "se revela a justiça de Deus" (Rm 1, 17), confirma o Apóstolo, comentando aquela passagem. A justiça que Ele fará portanto aos seus filhos não é senão o aumento dessa virtude sobrenatural, que vai crescendo, ex fide in fide, até que a alma chegue à visão beatífica no Céu.

e oração estão, pois, intimamente conectadas entre si. Quem não traz consigo na alma um princípio de fé, ainda que seja pequena como um grão de mostarda (cf. Lc 17, 6), não reservará um tempo do seu dia para a oração e o diálogo com Deus. Do mesmo modo, quem não se comunica com Aquele em quem diz crer, por mais que tenha fé, pode até mesmo chegar a perdê-la.

Por isso, é preciso "rezar sempre, e nunca desistir", suplicar de verdade a Deus que venha em auxílio de nossa fraqueza, que esteja sempre conosco, pois sem o socorro da sua graça realmente "ninguém é forte, ninguém é santo". Seja nosso exemplo, neste verdadeiro combate que é a vida de oração, não só a viúva insistente do Evangelho, mas também a bem-aventurada Elisabete da Trindade, jovem carmelita que o Papa Francisco eleva à honra dos altares neste dia 16 de outubro. Possamos todos nós, fiados em sua intercessão, chegar um dia ao "carmelo do Céu" que ela procurou com tanta humildade e perseverança em sua passagem por este exílio.

Padre Paulo Ricardo


Rezar sempre, sem jamais desistir

Hoje, a Palavra de Deus nos fala sobre a oração. Mais ainda: manda-nos “rezar sempre, sem jamais desistir” . A primeira leitura mostra-nos Moisés de braços abertos, como os de Cristo na cruz, intercedendo pelo seu povo. Como Moisés, assim também o Cristo, nosso intercessor e mediador junto do Pai: ” Enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando baixava a mão, vencia Amalec”. Assim também com Cristo: ele intercede continuamente junto ao Pai por nós: “Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que a tua fé não desfaleça” (Lc 22,31). Na Última Ceia, o Senhor, mais uma vez, rezou por nós: “Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim!” (Jo 17,20). Que consolo, saber que o Senhor Jesus continuamente ora por nós e, se nos deixarmos invadir por essa oração de Jesus, nossa fé não desfalecerá, nossa vida não desmoronará, nossa existência não sucumbirá. Se Pedro caiu e negou Jesus, foi porque confiou em si, nas suas forças e não na graça da oração de Jesus…

Pois bem, o Senhor orou, pediu por nós e também pediu ao Pai por ele mesmo. Como esquecer aquelas palavras impressionantes da Escritura sobre Jesus? “É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão. E embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento” (Hb 5,7s). É este mesmo Jesus que, no Evangelho de hoje nos ensina a rezar sempre sem jamais desfalecer!

Hoje, diante das dores do mundo, diante do progresso da ciência que explica tantas coisas que antes pareciam um mistério, diante do nosso próprio sofrimento, somos tentados a não mais confiar na oração nem ver a sua necessidade. No entanto, o Senhor nos manda rezar! Vejamos o porquê.

Primeiro, a oração nos abre para Deus; faz-nos experimentar com todo o nosso ser – sentimentos, inteligência, afeto, alma e corpo – que dependemos de Deus, que ele está presente no mais íntimo da nossa vida, da nossa história, do nosso mundo. É na oração que percebemos vivamente que ele não é somente o Deus de longe, mas também o Deus de perto. Nenhuma outra realidade deste mundo tem a capacidade de nos colocar imediatamente na presença de Deus, como a oração. Se não rezarmos, Deus irá deixando de ser Alguém para ser algo; vamos deixando de experimentá-lo como Pessoa para experimentá-lo simplesmente como uma idéia fria, estéril e distante.

Em segundo lugar, a oração feita em nome de Jesus – isto é, com os sentimentos de Jesus, as atitudes de Jesus -, nos faz enfrentar todos os desafios da vida com paz, liberdade e maturidade. Se rezei, se supliquei, se coloquei nas mãos de Deus, haja o que houver, sei que posso acolher confiando no seu amor. Foi assim a oração de Jesus: buscou simplesmente e em tudo a vontade do Pai e, por isso, a o fracasso e a cruz não o destruíram. Foi ouvido – ele sabia, ele mesmo dissera: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves!” (Jo 11,41s) – pois bem: mesmo diante da cruz e da morte, o Filho permaneceu em paz, abandonado amorosamente nas mãos do Pai! A oração faz isso conosco: elimina nosso temor e nos joga nos braços de Deus.

Em terceiro lugar, a oração quebra nosso orgulho, nossa auto-suficiência, nosso engano de pensar que somos capazes de algo por nós mesmos. Rezando, experimentamos a alegria indizível de sermos crianças nos braços do Pai.

Então, é engano pensar que a oração é sem importância ou inútil. Pelo contrário: sem ela, é impossível permanecer firmes na fé. E, compreendamos de uma vez por todas: Deus nos escuta sempre: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus vos fará justiça bem depressa”. Sim, Deus não nos abandona jamais. O problema é que queremos que ele aja como esperamos, nos tempos e nos modos nossos. E aí erramos! Não foi assim que Jesus procedeu e quem faz assim, faz diferente de Jesus e, portanto, não reza em nome de Jesus! Compreendamos bem: reza em nome de Jesus quem reza como Jesus: “Não a minha vontade, mas a tua seja feita” (Lc 22,42). É esta a verdadeira oração do cristão, é essa a oração em nome de Jesus. Por isso mesmo, ele hoje nos desafia e pergunta, com franqueza: “Quando o Filho do homem vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Em outras palavras: Quando o Pai, através de mim, atende vossos pedidos, não como queríeis, mas como ele quer vos dar, encontra fé em vós para reconhecer o dom e ser agradecidos?

Rezemos sem desfalecer. Estejamos atentos à nossa vida de oração. Foi isto que aprendemos nas Escrituras Sagradas, foi isto que os Apóstolos nos ensinaram e os santos santas de Deus vivenciaram. Pois bem, “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade!” Num tempo de tantos falsos mestres, de tantos que se desviam da verdade, sigamos o este conselho de São Paulo! Como dizia Santa Teresa: “Que ninguém vos mostre outro caminho que não o da oração!”

Terminemos esta meditação com as palavras do Salmo 16, colocado como antífona de entrada da Missa de hoje: “Clamo por vós, ó Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me!” Que sejam sempre estes os nossos sentimentos. Amém.

Dom Henrique Soares