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A graça de um coração humilde (23-10-2016)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiástico (Eclo), capítulo 35
(15) Nada esperes de um sacrifício injusto, porque o Senhor é teu juiz, e ele não faz distinção de pessoas. (16) O Senhor não faz acepção de pessoa em detrimento do pobre, e ouve a oração do ofendido. (17) Não despreza a oração do órfão, nem os gemidos da viúva. (18) As lágrimas da viúva não correm pela sua face, e seu grito não atinge aquele que as faz derramar? (19) Pois da sua face sobem até o céu, o Senhor que a ouve, não se compraz em vê-la chorar. (20) Aquele que adora a Deus na alegria será bem recebido, e sua oração se elevará até as nuvens. (21) A oração do humilde penetra as nuvens, ele não se consolará, enquanto ela não chegar (a Deus), e não se afastará, enquanto o Altíssimo não puser nela os olhos. (22) O Senhor não concederá prazo: ele julgará os justos e fará justiça. O fortíssimo não terá paciência com (os opressores), mas esmagar-lhes-á os rins.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola a Timóteo (2Tm), capítulo 4
(6) Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. (7) Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. (8) Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição. (9) Procura vir ter comigo quanto antes. (10) Demas me abandonou, por amor das coisas do século presente, e se foi para Tessalônica. Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. (11) Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério. (12) Tíquico enviei-o para Éfeso. (13) Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade na casa de Carpo, e também os livros, principalmente os pergaminhos. (14) Alexandre, o ferreiro, me tratou muito mal. O Senhor há de lhe pagar pela sua conduta. (15) Tu também guarda-te dele, porque fez oposição cerrada à nossa pregação. (16) Em minha primeira defesa não houve quem me assistisse, todos me desampararam! (Que isto não seja imputado.) (17) Contudo, o Senhor me assistiu e me deu forças, para que, por meu intermédio, a boa mensagem fosse plenamente anunciada e chegasse aos ouvidos de todos os pagãos. E fui salvo das fauces do leão. (18) O Senhor me salvará de todo mal e me preservará para o seu Reino celestial. A ele a glória por toda a eternidade! Amém.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 18
(9) Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros:
(10) Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu, o outro, publicano.
(11) O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros, nem como o publicano que está ali.
(12) Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros.
(13) O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!
(14) Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

30.º Domingo do Tempo Comum - Deus resiste aos soberbos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
 18, 9-14)

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: "Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 

O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. 

O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!' 

Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado".

Neste domingo, com a parábola do fariseu e do publicano, Nosso Senhor quer precaver-nos contra o orgulho, que é a raiz de todos os pecados. Profundamente arraigado no coração humano, este vício é mais difícil de vencer que aqueles outros tradicionalmente chamados de "carnais" — a saber, a gula, a luxúria e a avareza. Sua luta exige, mais que uma mudança de atitudes e pensamentos, uma "conversão de finalidade": para uma alma que queira empunhar armas contra a soberba, não basta fazer as coisas corretas; é preciso, também, fazer o certo pelos motivos certos.

O fariseu descrito no Evangelho, por exemplo, parecia irrepreensível em seu proceder: não roubava, não pecava contra o sexto mandamento, fazia os seus jejuns e dava o dízimo de toda a sua renda, conforme a Lei. Dentro de seu coração, no entanto, ele trazia oculta a soberba, que tirava o valor de tudo, inclusive de suas boas ações.

Sempre à espreita, de fato, a tentação do orgulho é capaz de macular até mesmo os nossos atos de virtude. Com o arrependimento, por exemplo, pode acontecer de lamentarmos os nossos pecados não tanto pela ofensa que fizemos a Deus, mas pela dor de vermos a nossa imagem ferida — o "deus" a que nós voltamos, neste caso, é o nosso próprio umbigo. A correção fraterna é outro exemplo disso, pois podemos muito bem ver os defeitos dos outros "de cima" — como alguém que usurpa o poder divino e se senta no trono do Altíssimo para julgar —, ao invés de atentar-nos à verdade de que, perante o Senhor, estamos todos no banco dos réus e, não fossem a sua graça e misericórdia, estaríamos todos perdidos, sem exceção.

"Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes": nessa lição se condensa todo o Evangelho deste domingo. Repitamos com o publicano da parábola a sua oração humilde e, não ousando elevarmos os olhos ao Céu, peçamos confiadamente a Deus que perdoe os nossos pecados e ilumine a nossa miséria com a luz da sua graça.

Recomendação

Padre Paulo Ricardo


A graça de um coração humilde

No Domingo passado, a Palavra de Deus nos falava da oração. Vimos, naquela ocasião, que rezar nos coloca diante de Deus com toda a nossa vida: a oração é a atitude fundamental do homem de fé. Quem não reza é ateu, fechado em si, na sua auto-suficiência. Para quem não reza – ou não reza de verdade, com espírito de orante -, Deus na passa de um objeto. Neste sentido, Santo Agostinho dizia que “a fé não é para os soberbos, mas para os humildes”. Somente aquele que se sabe pequeno e frágil, imperfeito e limitado diante de Deus reza de verdade. Por isso o Eclesiástico afirma que “a prece do humilde atravessa as nuvens”. E aqui não se trata simplesmente de uma oração de momento, mas de uma atitude de vida: atravessa as nuvens os desejos do coração daquele que vive a vida diante de Deus e não fechado em si mesmo: “Bendirei o Senhor Deus em todo tempo, seu louvor estará sempre em minha boca!” – Vejam: é este o verdadeiro orante, porque é este o verdadeiro crente: aquele que sabe bendizer a Deus em todo o tempo – seja no tempo bom, seja no mau. “Seu louvor estará sempre em minha boca!”

Pensando nisso, meditemos na parábola de Jesus, sobre a atitude dos dois homens que sobem ao Templo para rezar… Por que Jesus a contou? Contou-a “para alguns que confiavam na sua própria justiça, isto é, na sua própria retidão, nos seus próprios méritos, na sua própria santidade e desprezavam os outros”. Como reza o fariseu? Santo Agostinho explica que ele nem sequer reza: “Procura nas suas palavras o que ele pediu. Não encontras nada! Foi para rezar, mas não rezou a Deus; só louvou a si próprio! Mais ainda: não lhe bastou não rezar, não lhe bastou louvar a si próprio e ainda insultou aquele que rezava de verdade!” O fariseu, na verdade, é incapaz de uma verdadeira comunhão com Deus: ele somente tem a si próprio ante seus olhos, ele é o seu próprio Deus, a sua própria satisfação e, quando se mede com os outros, é para insultar e desprezar interiormente… Bem diferente de Jesus, que tinha tudo para nos acusar e, no entanto, quando nos olha, é para ter compaixão, para perdoar, para nos estender a mão.

E o publicano? Qual a sua atitude? “Ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!”’ De modo poético, diz Santo Agostinho que “o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava”. Eis a atitude do homem aberto para Deus, daquele que se vê na luz do Senhor: tem consciência do seu nada, da sua miséria, do seu pecado, mas sabe que é amado por Deus; sabe que o que de bom possui e faz é dom da graça do Senhor! E porque assim vive e assim procede, esse pobre pecador experimenta a misericórdia de Deus, daquele que, como diz o Salmo, “volta sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido” . Como termina a parábola? Deixem-me ainda citar Santo Agostinho: “Escutaste o contraste entre o fariseu e o publicano; escuta agora a sentença. Escutaste o soberbo acusador e o réu humilde. Escuta, agora, o Juiz: ‘Em verdade eu vos digo: aquele publicano saiu do templo justificado, não o fariseu’. Senhor, dize-nos o motivo! Perguntas o por quê? Eis: ‘ Porque quem se exalta, será humilhado, e quem se humilha, será exaltado’. Ouviste a sentença; guarda-te bem de caíres no motivo; ouviste a sentença; preserva-te da soberba!”

Meus caros, não é esta a nossa grande tentação? Achar que somos bons, que somos justos diante de Deus, que mereceríamos um prêmio de honra ao mérito. E, ainda mais: do alto da nossa auto-suficiência, quantas e quantas vezes julgamos, condenamos e executamos os outros! No entanto, se nos recordássemos os nossos pecados com sinceridade, como o publicano, não nos acharíamos grandes diante de Deus e não julgaríamos nem condenaríamos, como o fariseu. Pensemos nos tantos benefícios que do Senhor recebemos, pensemos nos nossos pecados e na nossa preguiça para amá-lo como ele deve ser amado, pensemos nas nossas incoerências e infidelidades, pensemos nas nossas fraquezas… Se assim o fizermos, não teremos a pretensão de merecer nada diante de Deus, seremos humildes e também mais compreensivos com as fraquezas dos irmãos. Nunca percamos de vista o seguinte: aquele que se acha merecedor diante do Senhor, merece, na verdade somente a sua repreensão, pois ainda não compreendeu de fato que Deus nos amou primeiro e não só nos chamou à vida, como também deu-nos o seu Filho quando ainda estávamos nos nossos pecados! Estejamos atentos ao exemplo de São Paulo, na segunda leitura de hoje. Ele, que tinha tanto de se gloriar, porque combateu o bom combate, com toda humildade esperou do Senhor o prêmio da coroa da justiça. Que diferença do fariseu! Este, confiava na sua própria justiça; o Apóstolo esperou na justiça do Senhor. Por isso, na fraqueza experimentou a força do Senhor e, na tribulação, experimentou que o Senhor lutou por ele…

Que este mesmo Senhor nos dê a graça de um coração humilde, que coloque somente nele a confiança, o repouso e a esperança da salvação. Assim, seremos livres da soberba e justos diante de Deus. Amém.

Dom Henrique Soares