Católicos Online

     ||  Início  ->  Ser santo: ficção ou realidade?

Ser santo: ficção ou realidade? (06-11-2016)

Primeira Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 7
(2) Vi ainda outro anjo subir do oriente, trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo: (3) Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes. (4) Ouvi então o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel, (5) da tribo de Judá, doze mil assinalados, da tribo de Rubem, doze mil, (6) da tribo de Aser, doze mil, da tribo de Neftali, doze mil, da tribo de Manassés, doze mil, (7) da tribo de Simeão, doze mil, da tribo de Levi, doze mil, da tribo de Issacar, doze mil, (8) da tribo de Zabulon, doze mil, da tribo de José, doze mil, da tribo de Benjamim, doze mil assinalados. (9) Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, (10) e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro. (11) E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais, prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: (12) Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém. (13) Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm? (14) Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação, lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São João (1Jo), capítulo 3
(1) Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. (2) Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. (3) E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 5
(1) Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
(2) Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
(3) Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
(4) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
(5) Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
(6) Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
(7) Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
(8) Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
(9) Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
(10) Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
(11) Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
(12) Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
(13) Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
(14) Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha
(15) nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
(16) Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.
(17) Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.
(18) Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.
(19) Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.
(20) Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.
(21) Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal.
(22) Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade de Todos os Santos - Ser santo: ficção ou realidade?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
5, 1-12a)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus".

Infelizmente nem todos os cristãos acreditam na santidade, pelo menos não do modo como a Igreja Católica sempre a entendeu e ensinou aos seus filhos. É com grande desconfiança, de fato, que a maior parte dos protestantes enxerga a veneração dos santos e os pedidos de intercessão que os católicos fazem com tanta frequência àqueles que morreram em Cristo depois de terem levado uma vida exemplar de virtudes. Assim é porque, na visão do revolucionário Martinho Lutero, pai do movimento protestante, a justificação pela fé (cf. Rm 1, 16) não operaria uma verdadeira transformação no ser humano: permanecendo profundamente pecador, aquele que crê seria justificado por uma sentença divina que tão somente encobre as suas faltas. Ser santo não passaria, portanto de uma ficção, como uma "maquiagem" ou uma máscara; no fundo, todos são como sempre foram, "abomináveis, rebeldes e incapazes de qualquer boa obra" (Tt 1, 16).

Que somos "incapazes de qualquer boa obra", no entanto, qualquer pessoa com o mínimo senso de realidade, ainda que não seja cristã, é capaz de admitir e proclamar de cima dos telhados. O filósofo existencialista e ateu Jean-Paul Sartre, por exemplo, em uma peça intitulada Le Diable et le Bon Dieu ("O Diabo e o Bom Deus"), retrata com vivas cores o desespero que sente todo homem diante de sua profunda miséria e incapacidade de amar. Extrair disso porém a mesma conclusão fatalista de Lutero — que a santidade é impossível — significa desesperar do próprio auxílio divino, que realmente vem em socorro à nossa fraqueza, operando em nós o querer e o fazer (cf. Fl 2, 13). Somos justificados portanto pela fé, mas também pelas obras, pois são elas o fruto maduro de nossa união com Deus, o resultado de nossa cooperação com a graça que vem do alto.

Deus não pede a seus filhos, além disso, que cumpram coisas impossíveis. Se no Antigo Testamento Ele ordena: "Sede santos, porque eu sou santo" (Lv 20, 7), e depois repete pela boca de seu divino Filho o mesmo apelo: "Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5, 48), é porque a santidade, longe de ser um ideal inalcançável, trata-se realmente de um caminho real e possível. Nesse processo, como já dito, o grande protagonista não somos nós, mas Deus mesmo, que intervém nas coisas humanas com a sua graça. Disso advém a necessidade de rezarmos sempre e sem jamais desanimar, pedindo a Deus que nos dê "o pão nosso de cada dia". Só fortalecidos por Ele poderemos responder-lhe o grande amor manifestado por nós na Paixão, Morte e Ressurreição de seu divino Filho.

Determinemo-nos pois a buscar com afinco a vida de perfeição, como a empresa mais importante de nossa vida. Desesperemos de nós mesmos, assim como fizeram os santos e, com profunda humildade, recorramos sempre ao bom Deus, com confiança filial. Ele, que não se deixa vencer em misericórdia e generosidade, "quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2, 4). Se nem todos alcançam o mesmo destino de glória, é por culpa própria que não o fazem. O Céu é verdadeiramente nosso amigo e, se correspondermos a essa amizade, é lá que moraremos por toda a eternidade, com todos os santos e santas da Igreja.

Padre Paulo Ricardo


Ser santo, ficção ou realidade?

Hoje, a Igreja volta seu olhar e seu coração para o céu e enche-se de alegria ao contemplar uma multidão que participa da glória e da plenitude do Deus Santo.

A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, “santo” significa, literalmente, “separado”. Deus é aquele que é separado, absolutamente diferente de tudo quanto exista no céu e na terra: Ele é único, Ele é absoluto, Ele sozinho se basta, sozinho é pleno, sozinho é infinitamente feliz. Ele é Deus! Por isso, Santo, em sentido absoluto, é somente o Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A Jesus, o Filho eterno feito homem, nós proclamamos em cada missa: “Só vós sois o Santo”; ao Pai nós dizemos: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade”; ao Espírito nós chamamos de Santo.

Mas, a nossa fé também nos ensina que este Deus santo e pleno, dobra-se carinhosamente sobre a humanidade – sobre cada um de nós – para nos dar a sua própria vida, para nos fazer participantes de sua própria plenitude, sua própria santidade. Foi assim que o Pai, cheio de imenso amor, enviou-nos seu Filho único até nós, e este, morto e ressuscitado, infundiu no mais íntimo de nós e de toda a Igreja o seu Espírito de santidade. Eis, quanta misericórdia: Deus, o único Santo, nos santifica pelo Filho no Espírito: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” É isto a santidade para nós: participar da vida do próprio Deus, sermos separados, consagrados por ele e para ele desde o nosso Batismo, para vivermos sua própria vida, vida de filhos no Filho Jesus! É assim que todo cristão é um santificado, um separado para Deus. Mas, esta santidade que já possuímos deve, contudo, aparecer no nosso modo de viver, nas nossas ações e atitudes. E o modelo de toda santidade é Jesus, o Bem-aventurado. Ele, o Filho, foi totalmente aberto para o Pai no Espírito Santo e, por isso, foi totalmente pobre, totalmente manso, totalmente puro e abandonado a Deus no pranto, na fome de justiça e na misericórdia. Então, ser santo, é ser como Jesus, deixando-se guiar e transformar pelo seu Espírito em direção ao Pai. Esta santidade é um processo que dura a vida toda e somente será pleno na glória. São João nos fala disso na segunda leitura de hoje: “Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é”.

Nesta perspectiva, podemos contemplar a estupenda leitura do Apocalipse que escutamos como primeira leitura. O que se vê aí? Uma multidão. Primeiro, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel. Isto simboliza todo o Israel. Recordemos: 12 é o número do Povo do Antigo Testamento. Pois bem, cento e quarenta e quatro mil equivale a 12 x 12 x 1000, isto é, à totalidade de Israel. Deus não se cansou de chamar o povo da antiga aliança: Israel haverá de ser salvo pelo sangue de Cristo. Mas, há ainda mais: “Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro”. Essa multidão são todos os povos da terra, chamados por Cristo, na Igreja, para a salvação, para a santificação que Deus nos oferece. Notemos bem: “uma multidão que ninguém podia contar”.A salvação é para todos, a santidade não é para um grupinho de eleitos, para uma elite espiritual. Todos são chamados a essa vida divina que Deus quer partilhar conosco, todos são chamados à santidade! “Trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos. São os que vieram da grande tribulação e lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro”. Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, as tribulações desta nossa pobre existência, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo – por isso trazem a palma da vitória; são os que não tiveram medo de viver e, se caíram, se erraram, foram, humildemente, lavando e alvejando suas vestes no sangue precioso de Cristo: são santos não com sua própria santidade, mas com a santidade do Cristo-Deus. Nunca esqueçamos: ninguém é santo com suas forças, ninguém é santo por sua própria santidade: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por ele e por ele sermos transfigurados em Cristo!

Olhemos para o céu: lá estão Pedro e Paulo, lá estão os Doze, lá estão os mártires de Cristo, os santos pastores e doutores, lá estão as santas virgens e os santos homens, lá estão tantos e tantos – uns, conhecidos e reconhecidos pela Igreja publicamente, outros, cujo nome somente Deus conhece; lá está a Santíssima e Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e discípula perfeita do Cristo, toda plena do Espírito, toda obediente ao Pai. Eles chegaram lá, eles intercedem por nós, eles são nossos modelos, eles nos esperam.

Num mundo que vive estressado, que corre sem saber para onde… num mundo que já não crê nos verdadeiros valores, porque já não crê em Deus, contemplar hoje todos os santos é recordar para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida! Não tenhamos medo de ser de Deus, não tenhamos medo de testemunhar o Evangelho, não tenhamos medo de alimentar nossa visa com o Cristo, na sua Palavra e na sua Eucaristia para sermos inebriados da vida do próprio Deus.

Infelizmente, muitos hoje têm como heróis os atletas, os atores, os cantores e tantos outros que não têm muito e até nada para ensinar. Quanto a nós, que nossos heróis e modelos sejam os santos e santas de Cristo, que foram heróis porque se venceram e correram para o Cristo! Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser.

Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!

Dom Henrique Soares