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Fim dos Tempos (13-11-2016)

Primeira Leitura:
PROFETAS MENORES: Livro de Malaquias (Ml), capítulo 3
(19) Porque eis que vem o dia, ardente como uma fornalha. E todos os soberbos, todos os que cometem o mal serão como a palha, este dia que vai vir os queimará - diz o Senhor dos exércitos - e nada ficará: nem raiz, nem ramos. (20) Mas, sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol de justiça que traz a salvação em seus raios. Saireis e saltareis, livres como os bezerros ao saírem do estábulo.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Tessalonicenses (2Ts), capítulo 3
(7) Sabeis perfeitamente o que deveis fazer para nos imitar. Não temos vivido entre vós desregradamente, (8) nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. (9) Não porque não tivéssemos direito para isso, mas foi para vos oferecer em nós mesmos um exemplo a imitar. (10) Aliás, quando estávamos convosco, nós vos dizíamos formalmente: Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer. (11) Entretanto, soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. (12) A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 21
(5) Como lhe chamassem a atenção para a construção do templo feito de belas pedras e recamado de ricos donativos, Jesus disse:
(6) Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído.
(7) Então o interrogaram: Mestre, quando acontecerá isso? E que sinal haverá para saber-se que isso se vai cumprir?
(8) Jesus respondeu: Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu, e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles.
(9) Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis, porque é necessário que isso aconteça primeiro, mas não virá logo o fim.
(10) Disse-lhes também: Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino.
(11) Haverá grandes terremotos por várias partes, fomes e pestes, e aparecerão fenômenos espantosos no céu.
(12) Mas, antes de tudo isso, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim.
(13) Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho.
(14) Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa,
(15) porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários.
(16) Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós.
(17) Sereis odiados por todos por causa do meu nome.
(18) Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
(19) É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

33.º Domingo do Tempo Comum - O fim dos “nossos” tempos

"Fim dos tempos" é o tema do Evangelho deste domingo. Mas quando acontecerá isto? Qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?

Talvez não estejamos vivos para ver a segunda vinda de Cristo, mas, no momento de nossa morte, todos nos encontraremos com o Salvador. O fim dos tempos pode até demorar mais um pouco, mas o fim dos "nossos" tempos está cada vez mais próximo, a cada dia que passa. Assista ao Testemunho de Fé deste domingo, venha meditar conosco sobre a morte e comece já a levar esta vida com os olhos voltados para a eternidade!


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
 21, 5-19)

Naquele tempo, algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: "Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído". Mas eles perguntaram: "Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?" 

Jesus respondeu: "Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e ainda: 'O tempo está próximo'. Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim". 

E Jesus continuou: "Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!"

No Evangelho deste domingo, o penúltimo do ano litúrgico, Nosso Senhor faz o seu famoso "sermão escatológico"; fala-nos o Mestre a respeito do fim dos tempos. Também hoje, assim como na época de Cristo, esse tema desperta interesse geral. Todos querem saber, afinal, "quando acontecerá" e "qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer". Os cristãos devem precaver-se, contudo, para não se deixarem levar por um espírito de curiosidade frívola acerca dessa matéria, transformando a sua fé em "futurologia" ou convertendo as próprias Escrituras Sagradas em instrumento para práticas adivinhatórias. Essa definitivamente não é a lição que quer passar-nos Jesus ao tratar o fim dos tempos.

Que pretende ensinar-nos então o Senhor, quando menciona as terríveis coisas que estão por vir?

A primeira chave de leitura dessa passagem é a imitação de Cristo. Os verdadeiros discípulos de Cristo conformarão suas vidas à do Mestre: serão "presos e perseguidos", tal como Ele foi sequestrado e maltratado; serão "entregues às sinagogas e postos na prisão", "levados diante de reis e governadores", tal como Ele mesmo foi julgado pelas autoridades religiosas de seu tempo e "padeceu sob Pôncio Pilatos"; serão "entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos", assim como Ele foi perseguido em Nazaré; alguns chegarão a sofrer a morte, e nisto se assemelharão ainda mais a Jesus, que foi injustamente crucificado. "Todos vos odiarão por causa do meu nome", em suma. Com isso, fica patente que o caminho da Cruz não é exceção, mas a regra. O testemunho da fé, significado na palavra de origem grega "martírio", é a via ordinária por que se salvam os homens, sejam aqueles escolhidos para derramarem por causa de Cristo o seu sangue, sejam aqueles chamados a levarem com heroísmo uma vida consagrada à oração e à penitência.

A segunda chave de interpretação é o que dá sentido a tudo o que nos narra o Senhor neste Evangelho. Mesmo experimentando o sofrimento inerente a esta vida, adverte o Cristo providente, "vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça". Numa interpretação fiel ao texto original, isso quer dizer que nada do que sofrermos será em vão; nada de tudo aquilo por que passarmos ficará sem a sua recompensa. Assim se consumará, então, o nosso processo de configuração a Cristo: morrendo com Ele, também com Ele viveremos (cf. Rm 6, 8). "É permanecendo firmes", conclui Jesus, inspirando-nos confiança, "que ireis ganhar a vida!"

Como se dará isso, porém? Qual o segredo para permanecermos firmes e ganharmos, no termo desta vida, a recompensa eterna?

A resposta está na oração. "Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo", diz uma prece litúrgica. A verdade de nossa condição é que somos fracos e pecadores; para sermos fortes e santos, precisamos comportar-nos realmente como "mendigos da graça de Deus". É Ele quem nos concederá, a cada dia, o "pão nosso" para sustento de nosso organismo espiritual, tornando-nos capazes de oferecer o amor que lhe é devido. Não seremos santos — e até mesmo a nossa salvação corre grande risco —, se não rezarmos, e não rezarmos muito.

Muitas vezes, porém, o que nos falta para tomarmos de assalto a vida espiritual é justamente o "choque de realidade" de sabermos que esta existência é breve, que a morte chega para todos e que nos espera, do outro lado, uma eternidade ou de glória ou de tormentos. Falta-nos a meditação sobre as "últimas coisas" — os Novíssimos, sobre os quais tanto insistiram os santos.

Para corrermos atrás do prejuízo, todavia, nem é preciso que tomemos em mãos uma "Preparação para a morte", de Santo Afonso de Ligório, ou uma "A arte de morrer bem", de São Roberto Belarmino — ainda que sejam obras muitíssimo recomendáveis. Basta, para tanto, que pensemos um pouco nos infortúnios que subitamente advêm a tantos de nossos irmãos, ou nas mortes trágicas que com tanta frequência vemos relatadas em nossos jornais e noticiários televisivos. Deus não nos fala só por palavras, mas também por acontecimentos: a todo momento Ele está a ensinar-nos que este mundo passa e que só no Céu, de fato, encontraremos nossa morada definitiva.

Ao cabo deste ano litúrgico, tenhamos em mente duas sugestivas imagens. Primeiro, a do caixão: para muitos de nós, será ele o marco de nosso fim, o fim dos nossos tempos. Segundo, a da mulher grávida, com a qual Nosso Senhor comparou certa vez a situação de quem morre na graça: "A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada" (Jo 16, 21-23). Assim seja! Amém!

Padre Paulo Ricardo


Ser santo, ficção ou realidade?

Hoje, a Igreja volta seu olhar e seu coração para o céu e enche-se de alegria ao contemplar uma multidão que participa da glória e da plenitude do Deus Santo.

A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, “santo” significa, literalmente, “separado”. Deus é aquele que é separado, absolutamente diferente de tudo quanto exista no céu e na terra: Ele é único, Ele é absoluto, Ele sozinho se basta, sozinho é pleno, sozinho é infinitamente feliz. Ele é Deus! Por isso, Santo, em sentido absoluto, é somente o Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A Jesus, o Filho eterno feito homem, nós proclamamos em cada missa: “Só vós sois o Santo”; ao Pai nós dizemos: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade”; ao Espírito nós chamamos de Santo.

Mas, a nossa fé também nos ensina que este Deus santo e pleno, dobra-se carinhosamente sobre a humanidade – sobre cada um de nós – para nos dar a sua própria vida, para nos fazer participantes de sua própria plenitude, sua própria santidade. Foi assim que o Pai, cheio de imenso amor, enviou-nos seu Filho único até nós, e este, morto e ressuscitado, infundiu no mais íntimo de nós e de toda a Igreja o seu Espírito de santidade. Eis, quanta misericórdia: Deus, o único Santo, nos santifica pelo Filho no Espírito: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” É isto a santidade para nós: participar da vida do próprio Deus, sermos separados, consagrados por ele e para ele desde o nosso Batismo, para vivermos sua própria vida, vida de filhos no Filho Jesus! É assim que todo cristão é um santificado, um separado para Deus. Mas, esta santidade que já possuímos deve, contudo, aparecer no nosso modo de viver, nas nossas ações e atitudes. E o modelo de toda santidade é Jesus, o Bem-aventurado. Ele, o Filho, foi totalmente aberto para o Pai no Espírito Santo e, por isso, foi totalmente pobre, totalmente manso, totalmente puro e abandonado a Deus no pranto, na fome de justiça e na misericórdia. Então, ser santo, é ser como Jesus, deixando-se guiar e transformar pelo seu Espírito em direção ao Pai. Esta santidade é um processo que dura a vida toda e somente será pleno na glória. São João nos fala disso na segunda leitura de hoje: “Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é”.

Nesta perspectiva, podemos contemplar a estupenda leitura do Apocalipse que escutamos como primeira leitura. O que se vê aí? Uma multidão. Primeiro, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel. Isto simboliza todo o Israel. Recordemos: 12 é o número do Povo do Antigo Testamento. Pois bem, cento e quarenta e quatro mil equivale a 12 x 12 x 1000, isto é, à totalidade de Israel. Deus não se cansou de chamar o povo da antiga aliança: Israel haverá de ser salvo pelo sangue de Cristo. Mas, há ainda mais: “Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro”. Essa multidão são todos os povos da terra, chamados por Cristo, na Igreja, para a salvação, para a santificação que Deus nos oferece. Notemos bem: “uma multidão que ninguém podia contar”.A salvação é para todos, a santidade não é para um grupinho de eleitos, para uma elite espiritual. Todos são chamados a essa vida divina que Deus quer partilhar conosco, todos são chamados à santidade! “Trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos. São os que vieram da grande tribulação e lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro”. Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, as tribulações desta nossa pobre existência, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo – por isso trazem a palma da vitória; são os que não tiveram medo de viver e, se caíram, se erraram, foram, humildemente, lavando e alvejando suas vestes no sangue precioso de Cristo: são santos não com sua própria santidade, mas com a santidade do Cristo-Deus. Nunca esqueçamos: ninguém é santo com suas forças, ninguém é santo por sua própria santidade: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por ele e por ele sermos transfigurados em Cristo!

Olhemos para o céu: lá estão Pedro e Paulo, lá estão os Doze, lá estão os mártires de Cristo, os santos pastores e doutores, lá estão as santas virgens e os santos homens, lá estão tantos e tantos – uns, conhecidos e reconhecidos pela Igreja publicamente, outros, cujo nome somente Deus conhece; lá está a Santíssima e Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e discípula perfeita do Cristo, toda plena do Espírito, toda obediente ao Pai. Eles chegaram lá, eles intercedem por nós, eles são nossos modelos, eles nos esperam.

Num mundo que vive estressado, que corre sem saber para onde… num mundo que já não crê nos verdadeiros valores, porque já não crê em Deus, contemplar hoje todos os santos é recordar para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida! Não tenhamos medo de ser de Deus, não tenhamos medo de testemunhar o Evangelho, não tenhamos medo de alimentar nossa visa com o Cristo, na sua Palavra e na sua Eucaristia para sermos inebriados da vida do próprio Deus.

Infelizmente, muitos hoje têm como heróis os atletas, os atores, os cantores e tantos outros que não têm muito e até nada para ensinar. Quanto a nós, que nossos heróis e modelos sejam os santos e santas de Cristo, que foram heróis porque se venceram e correram para o Cristo! Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser.

Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!

Dom Henrique Soares