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A alegria de ter um Salvador (11-12-2016)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 35
(1) O deserto e a terra árida regozijar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio (2) ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron, será vista a glória do Senhor e a magnificência do nosso Deus. (3) Fortificai as mãos desfalecidas, robustecei os joelhos vacilantes. (4) Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos. (5) Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos, (6) então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe. (7) A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros. (8) E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo, nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali. (9) Nele não se encontrará leão, nenhum animal feroz transitará por ele, mas por ali caminharão os remidos, (10) por ali voltarão aqueles que o Senhor tiver libertado. Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma alegria eterna coroará sua cabeça, a alegria e o gozo possuí-los-ão, a tristeza e os queixumes fugirão.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Epístola de São Tiago (Tg), capítulo 5
(7) Tende, pois, paciência, meus irmãos, até a vinda do Senhor. Vede o lavrador: ele aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva do outono e a da primavera. (8) Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. (9) Não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta. (10) Tomai, irmãos, por modelo de paciência e de coragem os profetas, que falaram em nome do Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 11
(2) Tendo João, em sua prisão, ouvido falar das obras de Cristo, mandou-lhe dizer pelos seus discípulos:
(3) Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?
(4) Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes:
(5) os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres...
(6) Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!
(7) Tendo eles partido, disse Jesus à multidão a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
(8) Que fostes ver, então? Um homem vestido com roupas luxuosas? Mas os que estão revestidos de tais roupas vivem nos palácios dos reis.
(9) Então por que fostes para lá? Para ver um profeta? Sim, digo-vos eu, mais que um profeta.
(10) É dele que está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti para te preparar o caminho (Ml 3,1).
(11) Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

3.º Domingo do Advento - A alegria de ter um Salvador

Sabe por que a modernidade não se alegra mais com a vinda do Salvador, assim como o povo de Israel exultava à espera do Messias? Porque, em nossa petulância, não achamos mais que precisamos ser salvos! Iludidos com as coisas deste mundo, pensamos que "tudo vai bem" e que não há nada de errado com o estilo de vida que levamos. Afinal, do quê mesmo Jesus vem nos salvar? Que obras Ele vem realizar concretamente em nossas almas? Medite conosco sobre o Evangelho deste domingo e saiba por que jamais experimentará a alegria do Natal quem não se humilhar e confessar a própria miséria diante do menino Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
11, 2-11)

Naquele tempo, João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?"

Jesus respondeu-lhes: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!"

Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões sobre João: "O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis.

Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'. Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele".

"Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos", diz a leitura do profeta Isaías, narrada neste domingo, "o coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos" (Is 35, 5-6). A descrição se encaixa perfeitamente no quadro das obras de Cristo, tema do Evangelho de hoje. Procurado pelos discípulos de João Batista, é exatamente esse o cenário que o Senhor lhes coloca diante dos olhos: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados".

O Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, ao comentar essa passagem das Escrituras, mostra como todos esses prodígios resumem a obra salvífica de Cristo, a qual é eminentemente espiritual. Deus fez-se homem, de fato, não simplesmente para operar milagres físicos — como pode pensar quem interpreta apenas em um sentido literal as leituras deste domingo —, mas para justificar os seres humanos, para salvá-los, transformando-os de pecadores e escravos de Satanás em santos e filhos adotivos de Deus. Essa obra, que é maior do que os céus e a terra [1], está significada em cada um dos trabalhos enumerados por Nosso Senhor:

"Falando em um sentido moral, está significado, nesses sinais da vinda do Senhor, todo o processo de santificação do homem. A primeira coisa, de fato, que advém ao pecador, é a cegueira, quando sua razão é obscurecida, tal 'como o abortivo que nunca viu a luz do dia' (Sl 58, 9) e como 'o povo que, mesmo tendo olhos, é cego' (Is 43, 8); ele é chamado de paralítico quando sua mente é conduzida a várias coisas, como está em 1Rs 18, 21: 'Até quando andareis mancando de um lado e de outro?'; da mesma forma ele se torna ulceroso, pelas insídias, e leproso, porque já não pode voltar atrás e passa a infectar outras pessoas; depois, fica surdo, pois o castigo não é mais ouvido por ele; e, por fim, ele morre. Todos esses, no entanto, sana o Senhor, inclusive os mortos, como está escrito: 'Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos' (Ef 5, 14). Por último, são sanados também os pobres em espírito, aos quais falta sanidade, como diz o Salmo: 'Meus rins estão ardendo, em mim nada há de sadio' (Sl 38, 8). Curados, eles são elevados a uma certa estabilidade da mente, na qual se encontra a verdadeira paz, como também está escrito: 'Muita paz tem quem ama a tua lei, no seu caminho não há tropeço' (Sl 119, 165)." [2]

Como essa mensagem se conjuga com o tom alegre da liturgia deste domingo — chamado de gaudete, por causa de sua antífona de entrada (cf. Fl 4, 4) —, é coisa muito fácil de entender. Assim como o povo de Israel, sofrendo no exílio, se alegrava ao saber que estava próxima a sua libertação, também nós devemos verdadeiramente exultar por termos um Salvador. Se muitas vezes não o fazemos, a razão está em que não compreendemos ainda a miséria de nossa condição, não enxergamos a cegueira, a paralisia, a lepra, a surdez e a morte que habitam em nossos corações, dominados pelo pecado. Pior do que isso é ver como, em nossa época, as pessoas têm feito o possível para "maquiar" a situação humana de afastamento de Deus, transformando essa existência passageira numa ilusão terrivelmente alienante. Para nos servirmos de duas analogias, somos como essas pessoas de idade que, para disfarçarem as rugas, enchem o rosto de produtos e fazem cirurgias plásticas, para parecerem o que não são: jovens. Somos ainda como os passageiros anestesiados de um Titanic, cantando e dançando nos "bailes da vida", enquanto o nosso navio, quer tenhamos ou não consciência, está prestes a afundar. A verdade é que esta existência terrena é uma realidade muito pobre e transitória, diante da eternidade que nos espera. Se ficarmos apegados às coisas deste mundo, passaremos com ele; afundaremos juntamente com o Titanic.

O Senhor, no entanto, tem botes "salva-vidas" prontos para resgatar-nos, e todos os que Ele salvar "voltarão para casa" (Is 35, 10). Por isso, alegremo-nos! Procuremos sanar as nossas enfermidades no amor misericordioso de Deus, que nos acolhe, nos perdoa e nos conduz à vida eterna. Reconciliemo-nos com Ele, se porventura tivermos perdido a sua amizade, e fortaleçamos nossas resoluções de O servir com generosidade! "Não há nada melhor no mundo", afinal, "do que estar em graça de Deus" [3], tendo o menino Jesus repousando no presépio de nosso coração.

Referências

  1. Cf. Santo Agostinho, In Evangelium Ioannis, 72, 3 (PL 35, 1823); Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9.
  2. Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de São Mateus, c. 11, l. 1.
  3. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 286.

Padre Paulo Ricardo


A alegria de ter um Salvador

Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4s).

Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!

Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão… Não é dessa que falamos aqui…

Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! – gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos… E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos… Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido… Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão? Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante… E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo… Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel – Deus conosco!

Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos… um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!” Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!

As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana… A conseqüência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”

O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”

Dom Henrique Soares