Católicos Online

     ||  Início  ->  A Virgem Grávida

A Virgem Grávida (18-12-2016)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 7
(10) O Senhor disse ainda a Acaz: (11) Pede ao Senhor teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos mortos, seja lá do alto. (12) Acaz respondeu: De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova. (13) Isaías respondeu: Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? (14) Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 1
(1) Paulo, servo de Jesus Cristo, escolhido para ser apóstolo, reservado para anunciar o Evangelho de Deus, (2) este Evangelho Deus prometera outrora pelos seus profetas na Sagrada Escritura, (3) acerca de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne, (4) que, segundo o Espírito de santidade, foi estabelecido Filho de Deus no poder por sua ressurreição dos mortos, (5) e do qual temos recebido a graça e o apostolado, a fim de levar, em seu nome, todas as nações pagãs à obediência da fé, (6) entre as quais também vós sois os eleitos de Jesus Cristo, (7) a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos: a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 1
(18) Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.
(19) José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente.
(20) Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.
(21) Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.
(22) Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:
(23) Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.
(24) Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

4.º Domingo do Advento - Não tenhas medo de receber Maria!

Estamos às portas do Natal e o Evangelho deste domingo nos narra o sonho de São José. "Não tenhas medo de receber Maria", diz a ele o anjo do Senhor, dando assim, para todos nós, uma preciosa lição: só crendo no mistério da Virgem Maria seremos realmente visitados pelo menino Jesus; só recebendo aquela que gerou em seu seio o próprio Filho de Deus poderemos tê-lO igualmente gerado em nós. Assista à homilia deste domingo e medite conosco sobre os privilégios com que foi enriquecida a Sagrada Família!


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
 1, 18-24)

A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 

Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: "José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados". 

Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco". 

Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.

Adentramos no dia 17 de dezembro a segunda fase do Advento, a "Semana Santa", por assim dizer, que antecede a solenidade do Natal do Senhor. Até então, a liturgia colocava-nos diante dos olhos precipuamente a figura de São João Batista, o Precursor que, levando uma vida austera e penitente no deserto, incitava-nos a uma verdadeira conversão e mudança de vida. A partir de agora, é sobretudo no mistério da Virgem Maria que nos vamos deter, já que é em seu ventre puríssimo que se dá a concepção virginal do Filho de Deus feito homem; é por meio dela que vem ao mundo, afinal, Aquele que "vai salvar o seu povo de seus pecados", como revelado a São José.

O Evangelho deste domingo narra justamente a versão josefina da anunciação do Senhor, contida no Evangelho de São Mateus. Trata-se de uma história um pouco diferente daquela contada por São Lucas, o qual recolheu os fatos da natividade, diz-nos a Tradição, da boca da própria Virgem Santíssima. Mesmo assim, também no relato de São Mateus é notável o protagonismo que tem a serva do Senhor no mistério da nossa salvação: "Não tenhas medo de receber Maria como tua esposa", revela o anjo, em sonho, a José, "porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo" e "dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus".

Assim como a bem-aventurada Virgem Maria, ao ouvir as palavras do arcanjo Gabriel, ficou a pensar no significado da saudação que lhe fôra dirigida (cf. Lc 1, 29), também nós somos convidados a meditar, neste domingo, o sentido da mensagem que é comunicada ao pai nutrício de Jesus.

"Não tenhas medo de receber Maria", diz-lhe o anjo e, com isso, ensina-nos também a nós uma valiosa lição: a de que só seremos realmente visitados pelo menino Jesus neste Natal se antes tivermos fé no mistério da Virgem Santíssima; que só recebendo aquela que gerou em seu seio o próprio Filho de Deus poderemos tê-lO igualmente gerado em nós. Não foi isso o que aconteceu, afinal, com o próprio patriarca da Sagrada Família? A boa-nova que São José recebe dos céus fala primeiro de "receber Maria", sua esposa, e só depois fala do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Da mesma ordem é a reação de Isabel no conhecido episódio da visitação, o qual relembramos todos os dias ao rezarmos a Ave-Maria: "Bendita és tu entre as mulheres", ela diz, "e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1, 42). A celebração que se aproxima recorda-nos, pois, que são indissociáveis uma da outra a pessoa do Verbo encarnado, Jesus Cristo, e a sua divina Mãe, Maria Santíssima. Não sem razão a Oitava do Natal é dedicada à contemplação da maternidade divina de Nossa Senhora.

Essas duas festas de preceito são, de fato, inseparáveis na liturgia e na teologia católicas, pois celebram uma única e mesma realidade: a de que "o Verbo se fez carne" (Jo 1, 14), Deus se fez homem, a Divindade uniu-se à humanidade. Essa verdade de fé, ensinada desde sempre pela Igreja Católica, sempre enfrentou dois erros opostos: um, tendente a negar a divindade de Cristo, foi o núcleo da famosa heresia ariana nos primeiros séculos e hoje é adotado largamente pelos teólogos de linha liberal; outro, tendente a desconsiderar a humanidade do Verbo, foi o erro dos docetistasda Igreja primitiva, com o qual neste momento da história simpatizam de modo particular os protestantes. Também entre nós, é grande a tentação de desviar-se da sã ortodoxia, abraçando uma "meia verdade" ao invés de acolher a verdade "católica", isto é, em seu todo. Por isso, para fortalecermos nossa fé, atentemo-nos ao Evangelho de hoje, que nos propõe à meditação a "Paixão de São José".

O pai adotivo de Cristo tinha-se decidido a "abandonar Maria, em segredo", como se sabe. Os Padres da Igreja, dentre os quais sobressai São Jerônimo, não acreditam que São José tivesse duvidado da honestidade de Maria, porquanto ambos já haviam firmado um pacto comum de virgindade e ele, convivendo dia a dia com sua noiva, sabia quem era ela. Confrontado com a gravidez de Maria, no entanto, José se deparava com algo além de sua capacidade de compreensão. Como era um homem justo — isto é, não julgava daquilo que não conhecia —, sua atitude não foi de denunciar Maria, portanto, mas de, "conhecendo sua castidade e maravilhando-se com o que havia acontecido, envolver em silêncio aquilo cujo mistério ele ignorava" [1].

Agindo dessa forma, dando seu assentimento de  às palavras do anjo mesmo sem saber bem o que se estava passar, São José tornou-se partícipe da salvação que seu filho adotivo veio operar. Confessando com seus atos Aquele no qual devia pôr o nome de Jesus, "pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados", o patriarca da Sagrada Família cooperava ativamente na segurança dessa ponte que liga os céus à terra, o eterno à história, Deus aos homens. Adoremos pois, neste dia, os sapientíssimos desígnios do Altíssimo, que criou a humanidade de seu Filho, no seio de uma mulher, para trazer-nos a salvação. É o Filho de Deus que nasce neste Natal, é o Filho de Maria "nascido do Pai antes de todos os séculos". Vinde, adoremo-lO!

Referências

  1. São Jerônimo apud Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Matthaeum, c. 1, l. 10.

Padre Paulo Ricardo


A Virgem Grávida

Estamos às portas do Santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-se homem, fez-se criatura, fez-se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação. A sua bendita Encarnação lavou o pecado do mundo e deu vida divina a todo o universo! Mas, atenção: este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, a Palavra de Deus hoje nos diz que passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina moça prometida em casamento numa aldeia perdida das montanhas da Galiléia. O Deus infinito dobrou-se, inclinou-se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o seu plano de amor. Acompanhemos piedosamente o Evangelho deste Quarto Domingo do Advento.

São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita. Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38) De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade. Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que o aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ter-lhe-ia sido infiel? E, no entanto, não ousa difamar a noiva. Resolve deixá-la secretamente. Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”

Eis! Adeus, para aquele casal, o sonho de uma vida tranqüila! Adeus filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado… O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho… que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!

Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. Aquele que veio pela sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do seu Espírito Santo, ele se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-lo? Abrimo-nos aos seus apelos? E na nossa vida? Essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça… mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida.

Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos seus apelos, como o sagrado Casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença terna e suave de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.

Dom Henrique Soares