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Homilia do Quinto Domingo da Quaresma: A Ressurreição de Lázaro (10/04/2011)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 37
(12) Por isso, dirige-lhes o seguinte oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ó meu povo, vou abrir os vossos túmulos, eu vos farei sair deles para vos transportar à terra de Israel. (13) Sabereis então que eu é que sou o Senhor, ó meu povo, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer sair deles, (14) quando eu meter em vós o meu espírito para vos fazer voltar à vida e quando vos hei de restabelecer em vossa terra. Sabereis então que sou eu o Senhor, que o disse e o executei - oráculo do Senhor.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 8
(8) Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. (9) Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. (10) Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. (11) Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 11
(3) Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo.
(4) A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.
(5) Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.
(6) Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar.
(7) Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.
(8) Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?
(9) Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
(10) Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.
(11) Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.
(12) Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar.
(13) Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.
(14) Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.
(15) Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.
(16) A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.
(17) À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.
(18) Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios.
(19) Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão.
(20) Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
(21) Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
(22) Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá.
(23) Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.
(24) Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.
(25) Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
(26) E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?
(27) Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
(28) A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.
(29) Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele.
(30) (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)
(31) Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.
(32) Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
(33) Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção,
(34) perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.
(35) Jesus pôs-se a chorar.
(36) Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!
(37) Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
(38) Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.
(39) Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
(40) Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.
(41) Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste.
(42) Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste.
(43) Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
(44) E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
(45) Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
(610) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI
Nós cristãos já encontramos aquilo que todas as pessoas buscam: a própria vida, a vida plena e por isto mesmo que não pode ser destruída. É por isto que os primeiros cristãos se chamavam pelo nome de "os viventes". "É isto que interessa: abraçar desde já 'a vida', a vida verdadeira que não pode ser destruída por nada e por ninguém" (Bento XVI, Jesus de Nazaré, vol. 2).
A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
5º domingo da quaresma, 10/04/2011
Catequese Bíblico-Missionária

A Realidade
Já foi dito que o ser humano é o câncer da terra. Como o câncer destrói célula por célula em progressão astronômica até a morte, assim também vamos, cada vez mais velozmente, dando fim ao nosso planeta. Ainda não se descobriu outro planeta onde a vida humana seja possível.
Não é o ser humano como tal que está demolindo o planeta, é a cobiça de alguns que se tornaram senhores do mundo e, para manter o poder, deixam mudo, cego e paralisado o restante da humanidade. Esperança há, basta despertar a consciência da maioria subjugada.

A Palavra
O povo de Deus tinha se dividido em dois reinos, o de Judá e o de Israel ou Efraim. Agora eram escravos, fora de sua terra. Pareciam mortos e enterrados. Mas a esperança nunca morre, Deus dá-lhes nova vida.
O Capítulo 37 de Ezequiel começa com a visão dos ossos ressequidos que, ao apelo do profeta se unem uns aos outros, enchem-se de carne, recobram a vida e erguem-se. O anunciado fim do cativeiro e retorno à Terra Deliciosa será sinônimo de acordar o povo e tirá-lo de suas sepulturas.
O Evangelho traz o episódio da ressurreição de Lázaro. O texto é cheio de simbolismos e mal entendidos intencionais. O que Jesus diz ou faz é mal compreendido e tem sempre um sentido mais profundo.
A ressurreição do dia final da história, como entende Marta, a irmã do morto, será a ressurreição que Jesus traz? Ele parece prometer algo mais. As lágrimas de Jesus significam apenas o sentimento de perda? Ou seriam motivadas antes pela falta de entendimento dos que o acompanham? O morto sair de mãos e pés atados e com um pano a cobrir-lhe o rosto não significa que essa é a morte da qual Jesus vem ressuscitar? Note o que Jesus manda os discípulos fazerem.
A Segunda Leitura, depois de dizer que a lei do espírito nos liberta da lei do pecado e da morte, aquela que só vê pecado e condenação, afirma que o espírito de Cristo nos dá vida e liberdade. A outra lei apenas subjuga e mata.

O Mistério
A entrega de Jesus à morte de cruz desperta a consciência dos subjugados pela cobiça. A salvação não está na cobiça que subjuga, cega, emudece e mata os indivíduos e a natureza. A salvação, o mundo da comunhão, está na doação de si mesmo, está em engolir aquele que se doa todo para que todos comunguem como irmãos.

Pe. José Luiz Gonzaga do Prado Diocese de Guaxupé