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Páscoa, Ressurreição e Fé (16-04-2017)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 10
(34) Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, (35) mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. (36) Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. (37) Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou. (38) Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele. (39) E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro. (40) Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse, (41) não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou. (42) Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. (43) Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Colossenses (Cl), capítulo 3
(1) Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. (2) Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. (3) Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. (4) Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 20
(1) No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
(2) Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
(3) Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.
(4) Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.
(5) Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.
(6) Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.
(7) Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
(8) Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.
(9) Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor - Ressurreição e fé

Ressurreição e fé: o mistério que celebramos na Páscoa só terá sentido para a nossa vida quando aprendermos que "o Evangelho é uma força de Deus para aquele que crê", como ensina São Paulo. Sim, o que aconteceu há dois mil anos em Jerusalém pode falar diretamente a nós, homens do século XXI, contanto que creiamos!

Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este domingo especial, dia 16 de abril, e entre você também na escola em que entraram os discípulos após a Ressurreição do Senhor: a escola da fé!


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
 20, 1-9)

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 

Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: "Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram". 

Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 

Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 

Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. 

De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Nosso Senhor Jesus Cristo, ao ressuscitar dentre os mortos, não voltou atrás simplesmente, como se recuperasse o antigo corpo de morte com que padeceu por nossos pecados; ao contrário, vindo novamente à vida, o que Ele fez foi tomar um corpo transformado, divinizado, glorioso, agora impassível e não mais sujeito à morte — vencida que foi esta, e de uma vez por todas. Cumpre-se na madrugada de sábado para domingo, pois, aquilo que predissera o profeta Isaías a respeito do fim glorioso de que gozaria o Servo Sofredor:

"Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo — tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano —, do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram." (Is 52, 13-15)

Esta mesmíssima profecia é repetida pela boca do Apóstolo, em seu hino cristológico aos Filipenses, quando diz — depois de indicar o mesmo itinerário da Cruz de Nosso Senhor — que "Deus o exaltou sobremaneira e deu-lhe o nome mais excelso, mais sublime, e elevado muito acima de outro nome" (Fl 2, 9). Considerando que Jesus era verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é evidente que as Escrituras estão a falar, nessas passagens, do modo como seria glorificada a humanidade do Salvador, já que, por sua divindade, o Cristo já havia desde sempre vencido a morte, o pecado e Satanás. Era necessário, porém, que na plenitude dos tempos a vitória do Céu sobre o Inferno se manifestasse também na carne de Adão, já que por ela havia caído na desgraça todo o gênero humano.

O que vem fazer o Senhor, portanto, com sua Ressurreição, senão devolver-nos a graça, a vida divina que por nossos pecados havíamos miseravelmente perdido? De fato, ensina-nos São Paulo, em passagem contundente de uma de suas cartas, "se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados" (1Cor 15, 17). Vencendo claramente a morte, que foi o castigo infligido aos nossos pais pelo pecado, o que Nosso Senhor fazia, na verdade, era pisar sobre a cabeça da serpente maligna, destruindo, a um só e mesmo tempo, o mal do pecado, o seu autor e a sua consequência mortífera.

Assim como, porém, um remédio só traz a saúde a quem dele bebe — e o cálice da salvação só salva os que dele tomam parte (DH 624) —, o mistério da Ressurreição precisa ser aplicado concretamente na vida de cada batizado, pois só assim pode render frutos. Nosso Senhor realmente morreu e ressuscitou para a nossa salvação (propter nostram salutem, como rezamos no Credo), mas, como Ele mesmo diz, "quem não crer já está condenado" (Jo 3, 18), pelo que só através da fé, pois os justos de Deus vivem por ela (cf. Rm 1, 17), podemos entrar verdadeiramente em contato com a carne gloriosa do Senhor e receber a sua graça, a sua virtude, a sua força.

É exatamente para reavivar a fé em seus discípulos, virtude que neles fôra sepultada com o corpo de Cristo no entardecer da Sexta-feira Santa, que Jesus Ressuscitado lhes aparece, ainda por quarenta dias, antes de ascender aos céus e sentar-se à direita do Pai. Durante todo esse período, para o qual a liturgia da Igreja alarga a celebração da Páscoa do Senhor, a grande lição que fica para nós, cristãos aparentemente longínquos do século XXI, é que a presença de Cristo pela fé e pelos sacramentos é muito mais poderosa e eficaz do que qualquer convívio meramente físico com o Salvador. Quando O comungamos, por exemplo, ou fazemos um ato de fé nEle, tenhamos certeza, a sua santíssima humanidade toca real e profundamente o mais íntimo de nosso ser, elevando-nos cada vez mais à participação na vida trinitária, na natureza do próprio Deus (cf. 2Pd 1, 4).

Padre Paulo Ricardo


Páscoa, Ressurreição e Fé

Hoje é o dia mais solene do ano: é a Páscoa!

Aquele que vimos envolto em sangue, tomado pelas dores da morte na Sexta-feira, Aquele que velamos respeitosamente no silêncio da morte no Sábado, agora proclamamo-lo Ressuscitado, Vivo, Vitorioso!

Hoje pela manhã, “quando ainda estava escuro”, nossas irmãs foram ao túmulo e encontraram-no aberto e vazio! Elas correram apavoradas: foram contar ao nosso líder, Simão Pedro. Ele foi também ao túmulo com o outro discípulo, aquele que Jesus amava: viram as faixas de linho no chão… O túmulo estava vazio… O que acontecera? Roubaram o corpo? Os judeus levaram-no? Que houve? Que ocorrera?

Na tarde de hoje, dois outros irmãos nossos estavam voltando para Emaús, sem esperança nenhuma: voltavam para sua vida de cada dia… estavam deixando a Comunidade dos discípulos, a Igreja que ia nascer: Jesus morrera, tudo acabara, a esperança fora embora… Mas, um Desconhecido começou a caminhar com eles, e lhes falava sobre tudo quanto a Escritura havia predito a respeito do Messias: sua pregação, suas dores, sua derrota, sua morte, sua vitória final… E o coração daqueles dois começou a encher-se de nova esperança, a arder de alegria! Eles, agora, começavam a compreender: tudo quanto havia acontecido com Jesus não fora simplesmente um cego absurdo, uma loucura, um sinal de maldição! Tudo fazia parte de um incrível projeto de amor do Pai: “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E, o que é mais impressionante: ao sentarem-se à mesa, o Desconhecido tomou a iniciativa, não esperou o dono da casa: pegou o pão e deu graças, partiu-o…. Coisa impressionante, irmãos: os olhos daqueles dois se abriram, e eles o reconheceram: era Jesus! Jesus vivo! Jesus reconhecido nas Escrituras e no partir o pão! Como mais uma vez, acontecerá agora, nesta Missa! Os dois voltaram, imediatamente a Jerusalém e, lá, a alegria foi maior ainda: os apóstolos confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Pedro!”

Irmãos, por esta fé nós vivemos, por esta fé somos cristãos, por esta fé empenhamos a vida toda! Neste Dia santíssimo, Jesus entrou na glória do Pai. Nós continuamos aqui; ele já não mais está preso a dia algum, a tempo algum, a limitação alguma: ele entrou na eternidade de Deus, na plenitude do seu Deus e Pai! Irmãos, escutai: a Morte, hoje, foi vencida! Jesus abriu o caminho, Jesus atravessou o tenebroso e doloroso mar da Morte, Jesus entrou no Pai! Jesus “passou”, fez sua Páscoa!

Mas, não só: ele fez isso por nós, por cada um de nós: “Vou preparar-vos um lugar… a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). Ele, que morrera da nossa Morte, tem agora o poder de nos dar a sua vitória. Para isso, irmãos, ele nos deu, no Batismo, o seu Espírito de ressurreição, o mesmo no qual o Pai o ressuscitou na madrugada de hoje!

Irmãos, eis a Páscoa de Cristo e nossa! Na certeza desta vida nova, renovemos nossa própria vida! “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos para alcançar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus!” Vivamos uma vida nova em Cristo! Crer na sua ressurreição, viver sua vida de ressuscitado é, já agora, viver numa perspectiva nova, viver com o olhar a partir da Eternidade. São Paulo nos diz, para a Festa de hoje:“Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a Festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou da perversidade, mas com os pães sem fermento de pureza e de verdade”. É o pão sem fermento, pão ázimo, da Eucaristia que vamos comer daqui a pouco; pão que é o próprio Cordeiro imolado, Cordeiro pascal, Cordeiro que tira o pecado do mundo! Nós vamos entrar em comunhão com ele, vivo e vencedor!

Irmãos, Irmãs!

Pelo dia de hoje, não mais tenhamos medo do pecado, da maldade e da morte!
Pela festa deste hoje bendito, abramos nosso coração a Deus e aos irmãos!
Pela Páscoa que estamos celebrando, perdoemo-nos, acolhamo-nos e demo-nos a paz!

Terminemos com as comoventes palavras da Liturgia Bizantina:

Dia da Ressurreição,
resplandeçamos, ó povos!
Páscoa do Senhor! Páscoa!
Cristo Deus nos fez passar
da morte à vida, da terra ao céu,
entoando o hino de sua vitória!
Purifiquemos os sentidos e veremos
a Luz inacessível da Ressurreição
a Cristo resplandecente
que diz: Alegrai-vos!

Exultem os céus e a terra.
Exulte o universo inteiro, visível e invisível:
Cristo ressuscitou. Alegria eterna!
Exultem os céus e exulte a terra,
faça festa todo o universo
visível e invisível.
Alegria eterna,
porque Cristo ressuscitou!

Dia da Ressurreição,
resplandeçamos, ó povos:
Cristo ressuscitou dentre os mortos,
ferindo com sua morte a própria morte
e dando a vida aos mortos em seus túmulos.
Ressurgindo do túmulo,
como havia predito
Jesus nos deu a vida eterna e a grande misericórdia!

Este é o Dia que o Senhor fez:
seja ele nossa alegria e nosso gozo!
Páscoa dulcíssima,
Páscoa do Senhor, Páscoa!
Uma Páscoa santíssima nos amanheceu.

Páscoa! Plenos de gozo,
abracemo-nos todos!
Ó Páscoa, que dissipas toda tristeza!
É o Dia da Ressurreição!
Irradiemos alegria por tal Festa,
abracemo-nos mutuamente
e chamemos de irmãos até àqueles que nos odeiam;
perdoemos-lhes tudo
por causa da Ressurreição,
e gritemos sem cessar dizendo:

Cristo ressuscitou dentre os mortos,
ferindo a morte com a sua morte
e dando a vida aos mortos em seus túmulos!

Amados Irmãos, queridas Irmãs, Surrexit Dominus vere! O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia! Feliz Páscoa!

Dom Henrique Soares