Católicos Online

     ||  Início  ->  A plenitude do Espírito Santo. Eu virei a vós! Eu vivo! Vós vivereis!

A plenitude do Espírito Santo. Eu virei a vós! Eu vivo! Vós vivereis! (21-05-2017)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 5
(8) Pedro perguntou-lhe: Dize-me, mulher. Foi por tanto que vendestes o vosso campo? Respondeu ela: Sim, por esse preço. (9) Replicou Pedro: Por que combinastes para pôr à prova o Espírito do Senhor? Estão ali à porta os pés daqueles que sepultaram teu marido. Hão de levar-te também a ti. (10) Imediatamente caiu aos seus pés e expirou. Entrando aqueles moços, acharam-na morta. Levaram-na para fora e a enterraram junto do seu marido. (11) Sobreveio grande pavor a toda a comunidade e a todos os que ouviram falar desse acontecimento. (12) Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão. (13) Dos outros ninguém ousava juntar-se a eles, mas o povo lhes tributava grandes louvores. (14) Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor. (15) De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. (16) Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados. (17) Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja,

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São Pedro (1Pd), capítulo 3
(15) Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito. (16) Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo. (17) Aliás, é melhor padecer, se Deus assim o quiser, por fazer o bem do que por fazer o mal. (18) Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 14
(15) Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
(16) E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.
(17) É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
(18) Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.
(19) Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.
(20) Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
(21) Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

6.º Domingo da Páscoa - Como receber a plenitude do Espírito Santo?

Se já recebi o Espírito Santo em meu batismo, por que deveria invocar, ainda hoje, a sua vinda sobre mim? Quais as condições para que os dons do Espírito sejam derramados, com plena abundância, em meu coração?

É o que Padre Paulo Ricardo explica na homilia deste domingo, ao comentar estas palavras de Jesus: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor".


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
14, 15-21)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

Enquanto na primeira parte do Tempo Pascal a liturgia da Igreja se volta para a ressurreição do Senhor, num segundo momento os textos selecionados para nossa meditação começam a falar, cada vez mais, da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. É o que Nosso Senhor faz já no Evangelho deste domingo, ao consolar seus discípulos com a vinda do Paráclito, o qual permanecerá sempre junto deles e dentro deles. Trata-se da garantia de que eles não ficarão órfãos, pois o Espírito os torna filhos adotivos, como escreve São Paulo aos Romanos: "O próprio Espírito se une ao nosso espírito, atestando que somos filhos de Deus" (Rm 8, 16).

Mas como se dá esse derramamento da terceira Pessoa da Santíssima Trindade, sobre os primeiros cristãos e também sobre nós?

O processo é descrito por Jesus neste Evangelho: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor" (v. 15-16). Em primeiro lugar, portanto, é preciso que amemos a Cristo, e só fazemos isso efetivamente se guardamos os seus Mandamentos. Não bastam profissões apaixonadas de amor com a boca, se não as demonstramos na prática com as boas obras. Quem quer receber o Espírito Santo de Deus deve, antes de qualquer coisa, fazer a vontade do Pai.

Por outro lado, tanto o amor de coração quanto a obediência das obras são-nos dadas pelo Espírito Santo, conforme explica Santo Tomás de Aquino, citando para comprová-lo inúmeros trechos da Escritura (cf. Rm 5, 5; 8, 14; Sl 118, 21):

Ninguém pode amar a Deus se não tiver o Espírito Santo. Não precedemos (praevenimus) a graça de Deus; ao contrário, é ela que vem antes de nós (praevenit nos). De fato, 'Ele nos amou primeiro' (1Jo 4, 10). Os Apóstolos, portanto, primeiro receberam o Espírito Santo para que amassem a Deus e obedecessem aos seus Mandamentos; mas era necessário para isso que recebessem plenamente o Espírito, em abundância, a fim de, amando e obedecendo, fazerem bom uso do dom que já haviam recebido. É como se Jesus dissesse: 'se me amais' pelo Espírito Santo que possuís, e guardais os meus Mandamentos, recebereis o Espírito Santo, o qual possuireis em plenitude ainda maior. [1]

O Espírito é derramado, portanto, naqueles que já foram adotados, pelo mesmo Espírito, como filhos. Todos os batizados, foi "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" que se purificaram de seus pecados e entraram na vida sobrenatural da graça. Por essa razão, "o mundo não é capaz de receber" o Espírito Santo, "porque não o vê nem o conhece" (v. 17): aqueles que vivem no mundo, de fato, têm como pai ou aqueles que o geraram na carne ou o próprio Satanás, conforme nova lição do Aquinate [2]; vale dizer, ou estão apegados às coisas desta terra ou praticam as obras das trevas. A promessa de Nosso Senhor, portanto, de não deixar órfãos aqueles que adotou (v. 18), não os atinge; eles já têm um pai.

Quem recebe o derramamento do Espírito Santo, ao contrário, é da fé que vive (cf. Rm 1, 17); movem-no não as coisas sensíveis, como acontece com os animais, mas as realidades espirituais, como convém a verdadeiros filhos de Deus. A estes, que O amam e guardam seus Mandamentos, Cristo verdadeiramente vem (v. 18), não corporalmente, como veio há dois mil anos e como virá no fim dos tempos, mas espiritual e invisivelmente, através da graça [3]. Vivamos, pois, para implorar de Deus essa sua presença permanente no meio de nós, recorrendo sempre e com mais intensidade à oração. Sem ela, definitivamente não podemos e, na prática, não nos diferenciamos em nada daqueles que vivem, inertes e despreocupados, atados às ninharias deste mundo.

Referências

  1. Comentário ao Evangelho de São João, c. XIV, l. 4, n. 1909.
  2. Cf. Ibid., l. 5, n. 1922.
  3. Cf. Ibid., n. 1923.

Padre Paulo Ricardo


Eu virei a vós! Eu vivo! Vós vivereis!

Nestes dias pascais em honra do Ressuscitado, contemplamos e experimentamos nos santos mistérios não somente a sua ressurreição e ascensão, como também dom do seu Espírito Santo em pentecostes. Pois bem, caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus que escutamos nesta liturgia do VI Domingo da Páscoa coloca-nos precisamente neste clima. Com um coração fiel e recolhido, contemplemos o mistério que o Evangelho de hoje nos revela! Meditemos nas palavras do Senhor Jesus:

“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós! Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis!” São palavras estupendas, cheias de promessa e de vitória… Mas, será que são verdadeiras? Como pode ser verdade tudo isso? Uma coisa é certa: o Senhor não mente jamais! E ele nos garante: Eu virei a vós! Eu vivo! Vós vivereis! Mas, como se dá tal experiência? Como podemos realmente experimentar tal realidade estupenda em nossa vida e na vida da Igreja? Eis a resposta, única possível: somente no Espírito Santo que o Ressuscitado nos deu ao derramá-lo sobre nós após a ressurreição. Vejamos:

“Eu virei a vós!” Na potência do Santo Espírito, Cristo realmente permanece no coração de sua Igreja, primeiro pela Palavra, pregada na potência do Espírito, como Filipe, na primeira leitura, que, anunciando o Cristo, realizava curas e exorcismos e, sobretudo, tocava os corações! Uma Palavra que realmente toca os corações e coloca os ouvintes diante do Cristo vivo e atuante. Mas, conjuntamente com a Palavra, os sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. Em cada sacramento é o próprio Espírito do Ressuscitado quem age, conformando-nos ao Cristo Jesus, unindo-nos a ele, fazendo-nos experimentar sua vida e sua força. Pelo Batismo, mergulhados no Espírito do Ressuscitado, realmente nascemos para uma nova vida, como nova criatura; pela Eucaristia, seu Corpo e Sangue plenos do Espírito, entramos na comunhão mais plena que se possa ter neste mundo com o Senhor: ele em nós e nós nele, num só Espírito Santo que ele nos doa!

“Vós me vereis!” Porque o Santo Espírito do Senhor Jesus habita em nossos corações, nós experimentamos Jesus em nós como uma Presença real e atuante e, com toda a certeza, proclamamos que Jesus é o Senhor, como diz São Paulo: “Ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3). Porque vivemos no Espírito, experimentamos todos os dias Jesus como Alguém vivo e presente na nossa vida, em outras palavras: vemos Jesus; vemo-lo de verdade!

“Eu vivo!” Sabemos que o Senhor está vivo: “morto na sua existência humana, recebeu nova vida pelo Espírito Santo”. Sabemos com toda a certeza da fé que Cristo é o Vivente para sempre, o Vencedor da Morte!

“Vós vivereis”. O Senhor Jesus não somente está vivo, totalmente transfigurado pela ação potente do Espírito que o Pai derramou sobre ele… Vivo na potência do Espírito, ele nos dá esse mesmo Espírito em cada sacramento. Assim, sobretudo no Batismo e na Eucaristia, tornam-se verdadeiras as palavras do Senhor: “Vós vivereis!”, isto é: recebendo meu Espírito, nele vivendo, tereis a minha vida mesma! Vivereis porque meu Espírito“permanece junto de vós e estará dentro de vós!”

Então, caríssimos, palavras de profunda intensidade e de profunda verdade! Num mundo da propaganda, da ilusão, dos simples sentimentalismos, essas palavras do Senhor são uma concreta e impressionante realidade. Mas, escutemos ainda o Senhor: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós!” É na oração, na prática piedosa dos sacramentos, na celebração ungida e piedosa da Eucaristia que experimentamos essas coisas! Aqui não é só a inteligência, aqui não basta a razão, aqui não são suficientes os nossos esforços! É na fé profunda de uma vida de união com o Senhor, na força do Espírito Santo que experimentamos isso que Jesus disse: ele está no Pai, no Espírito ele e o Pai são uma só coisa. Mas, tem mais: experimentamos que nós estamos nele, nele enxertados como os ramos na videira, nele incorporados como os membros do corpo unidos à Cabeça! Repito: é nos sacramentos que essa experiência maravilhosa torna-se realidade concreta. Um cristianismo que tivesse somente a Palavra de Deus, sem valorizar os sete sacramentos – sobretudo o Batismo e a Eucaristia -, seria um cristianismos mutilado, deficiente, anêmico, não condizente com a fé do Novo Testamento e a Tradição constante da Igreja! Irmãos e irmãs, atenção para a nossa vida sacramental!

Ora, é esta comunhão misteriosa e real com o Senhor no Espírito, que nos faz amar Jesus e viver Jesus com toda seriedade de nossa vida. É cristão de modo pleno quem experimenta o Senhor Jesus vivo e íntimo em sua vida e celebra tal união, tal cumplicidade de amor, nos sacramentos! Aí sim, as exigências do Senhor, seus mandamentos, não nos parecem pesados, não nos são pesados, não são um fardo exterior que suportamos porque é o jeito. Quem vive a experiência desse Jesus presente e doce no Espírito derramado em nós, experimenta que cumprir os preceitos do Senhor é uma exigência doce, porque é exigência de amor e, portanto, libertadora, pois nos tira de nós mesmos e nos faz respirar um ar novo, o ar do Espírito do Ressuscitado, o Homem Novo!

Mas, quem pode fazer tal experiência? Somente quem vive de modo dócil ao Espírito Consolador, que nos consola mesmo nos desafios mais duros. Somente viverá o cristianismo com um dom e não como um peso quem vive na consolação do Espírito, que é também Espírito de Verdade, pois nos faz mergulhar na gozo da Verdade que é Jesus. Ora, o mundo jamais poderá experimentar esse Espírito! Jamais poderá experimentar o Evangelho como consolação, jamais poderá experimentar e ver que Jesus está vivo e é doce e suave vida para a nossa vida! Por isso mesmo, o mundo jamais poderá compreender as exigências do Evangelho: aborto, casamento gay, assassinato de embriões com fins pseudo-científicos, assassinato de embriões anencéfalos, eutanásia… Como o mundo poderá compreender as exigências do Evangelho se não conhece o Cristo? “O mundo não mais me verá!”Nunca nos esqueçamos disso! Ai dos Boffs e dos Bettos da vida, que pensam que a Igreja deve correr atrás do mundo! Este não é capaz de receber, de acolher o Evangelho porque – diz Jesus – não vê nem conhece o Espírito Paráclito! Mas, vós, cristãos, “o conheceis porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós!”Irmãos, como nosso Senhor é claro, como é verdadeiro, como nos preveniu!

É essa experiência viva de Jesus no Espírito que nos dá a força cheia de entusiasmo na pregação como Filipe, na primeira leitura. Dá-nos também a coragem e o discernimento para dar ao mundo “a razão da nossa esperança”, santificando o Senhor Jesus em nossos corações, isto é, pregando Jesus primeiro com a coerência da nossa fé na vida concreta e, depois, com respeito pelos que não crêem como nós, mas com a firmeza de quem sabe no que acredita! Dá-nos, enfim, a graça de participar da cruz do Senhor, ele que “morreu uma vez por todas, por causa dos nossos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus”. Assim, com ele morreremos para uma vida velha e ressuscitaremos no Espírito para uma vida nova. Eis! Esta será sempre a grande novidade cristã, o centro, o núcleo de a nossa identidade e nossa força! Nunca esqueçamos disso! Vamos! Sigamos o Senhor! Abramo-nos ao seu Espírito!

Dom Henrique Soares