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Os enviados (18-06-2017)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 19
(2) Tendo partido de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Ali se estabeleceu Israel em frente ao monte. (3) Moisés subiu em direção a Deus, e o Senhor o chamou do alto da montanha nestes termos: “Eis o que dirás à família de Jacó, eis o que anunciarás aos filhos de Israel: (4) vistes o que fiz aos egípcios, e como vos tenho trazido sobre asas de águia para junto de mim. (5) Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, (6) mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada. Tais são as palavras que dirás aos israelitas.”

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 5
(6) Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. (7) Em rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá se consentiria em morrer. (8) Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. (9) Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. (10) Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida. (11) Ainda mais: nós nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem desde agora temos recebido a reconciliação!
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 10
(1) Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade.
(2) Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão.
(3) Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.
(4) Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.
(5) Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria,
(6) ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel.
(7) Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo.
(8) Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

 

11.º Domingo do Tempo Comum - O sacerdócio dos Apóstolos

No Evangelho deste segundo domingo depois de Pentecostes, Nosso Senhor se compadece de seu povo e dá a ele pastores segundo o seu Sagrado Coração. Para compreendermos a fundo, porém, o contexto em que se dá a eleição dos doze Apóstolos, Padre Paulo Ricardo comenta nesta homilia qual a grande tragédia de "ovelhas que não têm pastor".

A que perigos é exposto um rebanho desprotegido? E o que tem de novo o sacerdócio cristão, em relação ao do Antigo Testamento? Por que a oração está intimamente ligada tanto à abundância de vocações quanto à santidade dos padres católicos?


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
 9, 36 — 10, 8)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: "A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!"

Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu Irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 

Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: "Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!"

Padre Paulo Ricardo


Os enviados. Pedir Vocações …

Hoje o Evangelho (Mt 9, 36 – 10, 8) nos lembra nossa vocação de evangelizadores.

O que é narrado nesse texto, deve ter acontecido muitas vezes enquanto o Senhor percorria cidades e aldeias pregando a chegada do Reino de Deus: ao ver a multidão, encheu-se de compaixão por ela, comoveu-se no mais íntimo do seu ser, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor, profundamente desorientadas.

Encheu-se de compaixão, ou condoeu-se dela: o verbo grego é profundamente expressivo: ”comover-se nas entranhas” .  Jesus,  com efeito, comoveu-se ao ver o povo, porque os seus pastores, em vez de o guiarem e cuidarem dele, o desencaminhavam, comportando-se mais como lobos do que como verdadeiros pastores do seu próprio rebanho.

“Se fôssemos consequentes com a nossa fé, quando olhássemos à nossa volta e comtemplássemos o espetáculo da História e do Mundo, não poderíamos deixar de sentir crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram o de Jesus Cristo” (São Josemaria  Escrivá , Cristo que passa, 133). Com efeito, a consideração das necessidades espirituais do mundo deve levar-nos a um infatigável e generoso trabalho apostólico.

A dificuldade é que agora, como nos tempos de Jesus, os trabalhadores são poucos em proporção com a tarefa. A solução é dada pelo próprio Senhor: Orar, rogar a Deus, Dono da messe, para que envie trabalhadores para a colheita. Será difícil que um cristão, que se ponha a rezar de verdade, não se sinta urgido a participar pessoalmente neste trabalho apostólico!

Na verdade, recorda-nos o Beato Papa Paulo VI: “A responsabilidade da difusão do Evangelho que salva é de todos, de todos os que o receberam. O dever missionário recai sobre todo o Corpo de Igreja. De maneira e em medidas diferentes, é certo; mas todos, todos devemos ser solidários no cumprimento deste dever. Assim pois, que a consciência de cada crente se pergunte: Tenho cumprido o meu dever missionário?

A oração pelas Missões é o primeiro modo de por em prática este dever”.

O Papa Emérito Bento XVI disse que “a messe existe, mas Deus quer servir-se dos homens, a fim de que ela seja levada ao celeiro. Deus tem necessidade de homens. Precisa de pessoas que digam: Sim, estou disposto a tornar-me o teu trabalhador na messe, estou disposto a ajudar a fim de que esta messe que está a amadurecer nos corações dos homens possa verdadeiramente entrar nos celeiros da eternidade e tornar perene comunhão divina de alegria e de amor”. Continua Bento XVI: “ Rogai, portanto, ao Senhor da Messe”! Isto quer dizer também: não podemos simplesmente “produzir” vocações, elas devem vir de Deus. Não podemos, como talvez em outras profissões, por meio de uma propaganda bem orientada, mediante, por assim dizer, estratégias adequadas, simplesmente reclutar pessoas. O chamado, partindo do coração de Deus, deve sempre encontrar o caminho até o coração do homem”. São João Paulo II convidou: “Meus caros jovens, que vós sois chamados, sois chamados por Deus. A minha vida, a minha vida como homem tem, portanto, o seu significado, quando sou chamado por Deus, com um apelo vigoroso, decisivo e definitivo:  Somente Deus pode chamar assim o homem, e nenhum outro! E este apelo de Deus é feito incessantemente em Cristo e por Cristo, a cada um de vós; sede operários da messe da vossa humanidade, operários da vinha do Senhor, para participardes da colheita messiânica da humanidade”. Continua São João Paulo II: “Precisamos de ministros ordenados que sejam garantia permanente da presença sacramental de Cristo Redentor, nos diversos tempos e lugares e, com a pregação da Palavra e a celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos, guiem as Comunidades cristãs pelos caminhos da vida eterna. Precisamos de homens e mulheres que, com seu testemunho, conservem viva nos batizados a consciência dos valores fundamentais do Evangelho e façam emergir na consciência do Povo de Deus a exigência de responder com a  santidade de vida ao amor de Deus derramado em seus corações pelo Espírito Santo”.

Nesse texto do Evangelho vê-se como é essencial a oração na vida da Igreja; que Jesus chama os seus Doze Apóstolos depois de lhes ter recomendado que rezassem para que o Senhor enviasse operários para a Sua messe (Mt 9, 38).

Toda a atividade apostólica dos cristãos deve ser, pois, precedida e acompanhada por uma intensa vida de oração, visto que não se trata de uma empresa meramente humana, mas divina.

“A messe é muita, mas os operários poucos…Ao escutarmos isto — comenta São Gregório Magno –, não podemos deixar de sentir uma grande tristeza, porque é preciso reconhecer que há pessoas que desejam escutar coisas boas; falta, no entanto, quem se dedique a anuncia-las”.

Temos de pedir com frequência a Deus que se verifique no povo cristão um ressurgir de homens e mulheres que descubram o sentido vocacional da sua vida; que não somente queiram ser bons, mas se saibam chamados a ser operários no campo do Senhor e correspondam generosamente a essa chamada: homens e mulheres , velhos e jovens, que vivam entregues a Deus no meio do mundo, muitos em celibato apostólico; cristãos correntes, ocupados nas mesmas tarefas dos seus iguais, que levem Cristo ao âmago da sociedade de que fazem parte.

Peçamos também à Santíssima Virgem que nos faça entender como dirigida a cada um de nós essa confidência que o Senhor faz aos seus  — a messe é muita –, e  formulemos um propósito concreto de empreender com urgência e constância um esforço grande para que sejam muitos os operários no campo de Deus. Peçamos-lhe a enorme alegria de ser instrumentos para que outros correspondam à chamada que Jesus lhes faz.

Mons. José Maria Pereira