Católicos Online

     ||  Início  ->  Alívio no sofrimento

Alívio no sofrimento (09-07-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MENORES: Livro de Zacarias (Zc), capítulo 9
(9) Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém, eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso, ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta. (10) Ele suprimirá os carros de guerra na terra de Efraim, e os cavalos de Jerusalém. O arco de guerra será quebrado. Ele proclamará a paz entre as nações, seu império estender-se-á de um mar ao outro, desde o rio até as extremidades da terra.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 8
(9) Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. (10) Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. (11) Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. (12) Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. (13) De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer, mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis,
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 11
(25) Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.
(26) Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
(27) Todas as coisas me foram dadas por meu Pai, ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.
(28) Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
(29) Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.
(30) Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

14.º Domingo do Tempo Comum - O jugo suave e o fardo leve de Cristo

O mundo nos coloca muitos fardos sobre as costas e, com seus falsos amores e promessas, tenta incutir em nossos corações uma mentira: a de que seria possível sermos felizes no pecado, afastados de Deus.

No Evangelho deste domingo, porém, ouvimos o brado do Redentor, convidando-nos a reclinar a cabeça sobre seu peito, bem como a entregar-lhe todas as nossas fadigas e preocupações mundanas. Em troca, receberemos o seu jugo, que é suave, e o seu fardo, que é leve.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
 11, 25-30)

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.

Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

A imagem do Cristo no Corcovado ilustra bem o contexto do Evangelho deste 14º Domingo do Tempo Comum, no qual Jesus aparece, por um lado, louvando ao Pai por ter revelado "estas coisas aos pequeninos" e, por outro, abrindo os braços com um brado redentor: "Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso."

Para que se entenda melhor o contexto dessas palavras tão belas de Jesus, recorde-se que elas estão na sequência de dois episódios muito marcantes: o exorcismo de um mudo e a escolha dos doze Apóstolos. No capítulo 9 do Evangelho de São Mateus, Cristo efetua a cura de alguns cegos e expulsa o demônio de um mudo, para o espanto da multidão que O acompanhava: "Jamais se viu algo semelhante em Israel" (v. 33).

Os fariseus, no entanto, fecham o coração diante da manifestação gloriosa do poder de Jesus, acusando-O de agir em nome do "príncipe dos demônios" (v. 34). Movidos pela inveja e pelo orgulho, aqueles que deveriam pastorear as ovelhas de Deus negligenciam seu dever ao mesmo tempo em que perseguem o Supremo Pastor. Trata-se de uma demonstração clara de como o coração humano pode tornar-se insensível aos apelos de Deus e às necessidades dos irmãos. Cristo, por sua vez, lamenta pela multidão que caminha "como ovelhas sem pastor" e, tomado de compaixão, incentiva-a a pedir ao Senhor "que envie operários para sua messe" (v. 38).

Jesus então escolhe os doze Apóstolos para a missão e os envia "como ovelhas no meio de lobos", a fim de que tragam de volta à grei do Senhor as "ovelhas que se perderam da casa de Israel" (cf. Mt10, 1-42).

É somente depois desses dois fatos que Jesus prorrompe em louvor ao Pai e acolhe, de braços abertos, os seus filhos, como narra o Evangelho deste domingo. A oração de Jesus é um ensinamento para seus discípulos: a Palavra de Deus só habita em corações humildes. Por essa razão, aqueles que desejarem conhecer os segredos do coração do Pai, devem, como fez o apóstolo São João, reclinar a cabeça sobre o peito do Filho, "que está no seio do Pai" (Jo 1, 18). Sem esse ato de humildade, torna-se impossível uma autêntica intimidade divina, pois "Deus resiste aos soberbos" (Tg 4, 6).

Os fariseus não tiveram acesso ao coração de Deus porque não acessaram o Coração do Filho. É deles que São João fala no prólogo de seu Evangelho: "Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu" (Jo 1, 10). Aos pequeninos, aqueles que O receberam e creram no seu nome, "deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus" (Jo 1, 12-13). O Evangelho deste domingo é, pois, um convite a uma verdadeira vida espiritual: Jesus convida o gênero humano a reclinar a cabeça sobre seu peito, entregando todas as fadigas e preocupações mundanas em troca de seu jugo, que é suave, e de seu fardo, que é leve.

O mundo coloca muitos fardos sobre as costas do homem. Com seus falsos amores e promessas, ele seduz cada pessoa para uma vida totalmente desregrada, iludindo-a com a mentira de que é possível ser feliz no pecado. Mas o filho do homem, diz Jesus, não tem onde reclinar a cabeça neste mundo (cf. Mt 8, 20). É para isso, portanto, que existem os sacramentos, sobretudo a Eucaristia e a Confissão: para que o homem desate os nós do pecado e encontre a felicidade verdadeira em Deus. A Missa é esse Coração de Jesus onde se pode deitar e confessar todas as amarguras desta vida temporal.

Coração de Jesus é necessário também para que o homem consiga amar. De fato, os homens são incapazes de amar sem uma graça infusa em seu peito. Por causa do pecado original, as pessoas estão em um cabo de guerra consigo mesmas, ora odiando, ora se arrependendo. Jesus compreende essa fraqueza da humanidade e, buscando redimi-la, presenteia-a com seus dois únicos fardos que são o amor e a caridade. Depois da gastança do filho pródigo, Jesus o acolhe para ensiná-lo a amar de verdade.

Hoje no Brasil se recorda a memória de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Para os pecadores, a vida dessa santa religiosa é um espanto. Mas para os pequeninos que se deixaram curar pela graça divina, a vida de Santa Paulina é um exemplo de valentia e heroicidade, porque seu fardo era também carregado por um Cirineu. Cristo ajuda os santos a carregarem a cruz. E assim ela se torna um jugo suave e um fardo leve.

O cristão é como uma lâmpada de azeite, dizia Tertuliano. Para os que veem de fora, só há a chama que se consome e se destrói. Para os que veem a partir de dentro, porém, existe a unção do azeite, isto é, a graça santificante que o encaminha para a total comunhão com Deus.

Que neste domingo os cristãos se lembrem do medo de Santo Agostinho — "Tenho medo da graça que passa sem que eu perceba" — e se derramem sobre o altar de Jesus, como criancinhas humildes e sedentas de verdadeiro amor.

Padre Paulo Ricardo


Alívio no sofrimento

Estamos diante de um convite de Jesus: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso…Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30).

Ao lado de Cristo, todas as fadigas se tornam amáveis, tudo o que poderia ser custoso no cumprimento da vontade de Deus se suaviza. O sacrifício, quando se está ao lado de Cristo, não é áspero e duro, mas amável. Ele assumiu as nossas dores e os nossos fardos mais pesados. O Evangelho é uma contínua prova da sua preocupação por todos: “Ele deixou-nos por toda a parte exemplos da sua misericórdia”, escreve São Gregório Magno. Ressuscita os mortos, cura os cegos, os leprosos, os surdos-mudos, liberta os endemoninhados…Por vezes, nem sequer espera que lhe tragam o doente, mas diz: Eu irei e o curarei: Mesmo no momento da morte, preocupa-se com os que estão ao seu lado. E ali entrega-se com amor, como propiciação pelos nossos pecados. E não só pelos nossos, mas também pelos de todo mundo.

Devemos imitar o Senhor: não só evitando lançar preocupações desnecessárias sobre os outros, mas ajudando-os a enfrentar as que têm.

Temos de libertar os outros daquilo que lhes pesa, como Cristo faria se estivesse no nosso lugar.

Ao mesmo tempo, podemos e devemos pensar nesses aspectos em que, muitas vezes sem termos plena consciência disso, contribuímos para tornar um pouco mais pesada e menos grata a vida dos outros:  pelos nossos juízos precipitados, pela crítica negativa, pela indiferença ou falta de consideração, pela palavra que magoa.

Peçamos ao Senhor, na nossa oração pessoal, a ajuda da sua graça para sentirmos uma compaixão eficaz por aqueles que sofrem o mal incomensurável de estarem enredados no pecado. Peçamos-lhe a graça de entender que o apostolado da Confissão é a maior obra de todas as obras de misericórdias, pois é possibilitar que Deus derrame o seu perdão generosíssimo sobre os que se afastaram da casa paterna. Que enorme fardo retiramos dos ombros de quem estava oprimido pelo pecado e se aproxima da Confissão! Que grande alívio!
Não encontraremos caminho mais seguro para seguirmos o Senhor e para encontrarmos a nossa própria felicidade do que a preocupação sincera por libertar ou aliviar do seu lastro os que  caminham  cansados e aflitos, pois Deus dispôs as coisas “para que aprendamos a levar as cargas uns dos outros; porque não há ninguém sem defeito, ninguém sem carga, ninguém que se baste a si próprio, nem que seja suficientemente sábio para si” ( T. Kempis, Imitação de Cristo, I,16). Todos precisamos uns dos outros. A convivência diária requer essas ajudas mútuas, sem as quais dificilmente poderíamos ir para a frente.

E se alguma vez nós mesmos nos vemos a braços com um fardo excessivamente pesado para as nossas forças, não deixemos de ouvir as palavras do Senhor: Vinde a mim. Só Ele restaura as forças, só Ele sacia a sede. “Jesus diz agora e sempre: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Efetivamente, Jesus encontra-se numa atitude de convite, de promessa, de amizade, de bondade, de remédio para os nossos males, de conforto e, sobretudo, de pão, de fonte de energia e de vida” ( Beato  Papa Paulo VI, Homilia, 12/06/1977). Cristo é o nosso descanso.

O segredo é a oração. Quando, por vezes, na vida, nos sentimos esmagados e não sabemos a quem mais recorrer, temos que voltar-nos decididamente para o Sacrário, onde nos espera o Amigo que nunca atraiçoa nem decepciona, e que, nesse colóquio   sem palavras, nos anima, nos dá critério e nos robustece para a luta.

Quantas preocupações e fardos aparentemente insuportáveis se desfazem à luz trêmula da lamparina de um Sacrário!

Falando sobre a oração  sobre as visitas de adoração a Cristo presente sob as  espécies eucarísticas, ensinou São João Paulo ll: “É bom demorar- se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto ( cf. Jo 13,25 ), deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração. Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela “arte da oração”, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio! Escrevia Santo Afonso Maria de Ligório: “A devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós”. A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração, mas também o permanecer diante dela fora da Missa permite – nos beber na própria fonte da graça. Uma comunidade cristã que queira contemplar melhor o rosto de Cristo, segundo o espírito que sugeri nas cartas apostólicas Novo millennio ineunte e Rosarium Virginis Mariae, não pode deixar de desenvolver também este aspecto do culto eucarístico, no qual perduram e se multiplicam os frutos da comunhão do corpo e sangue do Senhor” ( Carta  Encíclica Ecclesia de Eucharistia, João Paulo ll , 25).

Muitas vezes encontramos muita miséria humana: quantos problemas, quantos sofrimentos, quanta desilusão e quanto amor negado!

Às vezes há problemas que não têm solução, há dor que nenhum analgésico cura, há escuridão onde a luz não penetra! E Cristo nos repete: “Vinde a mim todos vós que estais cansados…e eu vos aliviarei”. Só Ele poderá aliviar o peso de nossos sofrimentos…

Mons. José Maria Pereira