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Homilia do Domingo da Ressurreição do Senhor (24/04/2011)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 10
(34) Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, (35) mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. (36) Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. (37) Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou. (38) Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele. (39) E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro. (40) Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse, (41) não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou. (42) Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. (43) Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Colossenses (Cl), capítulo 3
(1) Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. (2) Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. (3) Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. (4) Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 20
(1) No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
(2) Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
(3) Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.
(4) Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.
(5) Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.
(6) Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.
(7) Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
(8) Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.
(9) Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.
(332) Homilia do Padre Paulo Ricardo:
A Vigília Pascal é a celebração da passagem, da morte para uma vida nova com o Senhor. Neste dia em que somos iluminados pela Luz de Cristo, a Santa Mãe Igreja canta exultante de alegria celebrando a vitória da Luz sobre as trevas.
Aleluia! Aleluia!

Catequese Bíblico-Missionária

RESSUSCITAR COM O RESSUSCITADO!
Gom a celebração da Páscoa de Jesus chegamos ao centro da fé cristã. Nela compreendemos que toda a ação de Deus tende para a comunicação plena de si aos seres humanos. Por isso, ao viver a sua Páscoa, Jesus é plenamente o Emanuel, Deus conosco. Não somente pelo fato de na encarnação fazer-se üm conosco. Mas, muito mais pelo fato de em sua ressurreição fazer-nos um permanente convite para nos aproximarmos do próprio Deus e participarmos de sua vida.

A comunidade ontem
O discurso de Pedro tem como centro a ação de Jesus entre os judeus e a incompreensão desses frente à proposta do Reino. Em seu agir, Jesus se manifesta como aquele que sempre contou com a presença de Deus em sua vida: "ungido com o Espírito Santo e com podei". Essa realidade é manifestada pelo "bem" que a ação dele promovia, quebrando todas as forças "demoníacas" que além de destruir a dignidade dos seres humanos, os tornavam escravos de seu próprio egoísmo e das estruturas iníquas por eles criadas.
A partir dessa chave de leitura podemos compreender o Evangelho dâ ressurreição. Os três (Maria Madalena, Pedro e o Discípulo amado), que testemunham a ausência de Jesus no túmulo, são chamados a ressignificar sua experiência de fé. Nem o medo de Madalena nem a atitude reticente de Pedro ajudarão na compreensão do mistério.
A atitude amorosa do Discípulo amado desperta-lhe a fé. Jesus não poderia estar entre os mortos. Se em toda sua vida Ele fez o bem, isto é, comunicou vida aos sem vida, a morte não poderia derrotá-lo.
'Dessa forma compreendemos que Jesus em sua vida terrena viveu como ressuscitado. Quem, por amor., dá totalmente sua vida para que os outros vivam, já vive no presente como ressuscitado. Por isso, a ressurreição não é uma ruptura. Ela é continuidade, é consequência da missão e fidelidade de Jesus. Nela, Deus ratifica, isto é, aprova plenamente toda a ação de Jesus. O olhar amoroso do discípulo amado superou a dramaticidade da cruz, compreendeu a força de ressurreição do amor de Cristo e teve fé.

A comunidade hoje
A segunda leitura indica-nos qual deve ser o caminho do cristão. Batizados em Cristo ressuscitado, participamos de sua ressurreição. Todavia, se nossas ações não comunicarem vida, como as ações de Jesus; permanecemos presas da morte. Amar é a condição fundamental para deixarmos a vida de Deus, recebida no batismo, atuar em nós. Quem ama faz bem todas as coisas, cultiva a presença permanente de. Deus e, por Cristo, traz em si a vida divina. Isso exige que em nossas atitudes a ressurreição não seja somente um futuro pós-morte, mas realidade presente, porque em nosso agir devemos comunicar e transmitir vida aos nossos semelhantes.

Pe. Marcelo C. Araújo