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Buscai o Senhor enquanto é tempo! (24-09-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 55
(6) Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar, invocai-o, já que está perto. (7) Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos, volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. (8) Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, (9) mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 1
(20) Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte. (21) Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. (22) Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir. (23) Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente melhor, (24) mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós... (25) Persuadido disto, sei que ficarei e continuarei com todos vós, para proveito vosso e consolação da vossa fé. (26) Assim, minha volta para junto de vós vos dará um novo motivo de alegria em Cristo Jesus. (27) Cumpre, somente, que vos mostreis em vosso proceder dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, lutando unanimemente pela fé do Evangelho,
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 10
(1) Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade.
(2) Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão.
(3) Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.
(4) Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.
(5) Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria,
(6) ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel.
(7) Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo.
(8) Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!
(9) Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos,
(10) nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, pois o operário merece o seu sustento.
(11) Nas cidades ou aldeias onde entrardes, informai-vos se há alguém ali digno de vos receber, ficai ali até a vossa partida.
(12) Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa.
(13) Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz, se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós.
(14) Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés.
(15) Em verdade vos digo: no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra que com aquela cidade.
(16) Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Preces
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

25.º Domingo do Tempo Comum - O chamado de Deus e a inveja da graça fraterna

No Evangelho deste domingo, Jesus narra a parábola do empregador generoso que, contratando empregados em diferentes momentos do dia, recompensa-os igualmente, ainda que uns tenham trabalhado menos que outros. Com essa parábola, Nosso Senhor quer nos advertir contra a presunção de adiar nossa conversão para a velhice, rejeitando o chamado que Deus faz em nosso "hoje", e contra a inveja da graça fraterna, que nos faz pecar contra o amor ao próximo.

Acompanhe mais esta homilia do Padre Paulo Ricardo e prepare-se para acolher "a graça de Deus que passa e não volta mais", como dizia Santo Agostinho.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
 20, 1-16)

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: "O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: 'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?' Eles responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha vinha'. Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!' Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 'Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'. Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos".

Do Evangelho deste domingo, que nos narra a parábola do empregador generoso, ou dos trabalhadores da última hora, podemos tirar duas lições importantes: uma a respeito do chamado de Deus e outra sobre a recompensa dispensada por Ele aos servos que lhe são fiéis.

Para compreender bem essa parábola, precisamos, antes, voltar nossos olhos à primeira leitura da missa que, como de costume na liturgia da Igreja, sempre nos apresenta uma chave interpretativa para o Evangelho. Diz o texto de Isaías: "Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto" (55, 6). O profeta chama nossa atenção para o chamado de Deus em nossas vidas, que pode acontecer em ocasiões inesperadas, e para as quais talvez não estejamos preparados. Isaías quer, assim, que aproveitemos sempre as ocasiões de Deus, como adverte também Santo Agostinho, ao dizer: Timeo Deum transeuntem et non redeuntem, "Tenho medo do Deus que passa e não volta mais", da graça que passa sem que eu a perceba.

Esse mesmo Santo Agostinho comenta a parábola de hoje dizendo que, do mesmo modo que o patrão contratou um funcionário às 5h, outro às 9h e outro às 12h, Deus também vai ao nosso encontro em tempos diferentes de nossas vidas. Para os jovens, esse encontro ocorre justamente ao meio-dia, período de maior calor; ou seja, quando estes mesmos jovens se encontram na fase das paixões mais ardentes e intensas. Tomados de assalto pelo convite divino, eles podem tanto seguir o apelo de Deus, renunciando a suas paixões, como podem recusar-se a caminhar na verdade, adiando sua conversão para a velhice. Santo Agostinho avisa, entretanto, que ninguém tem a garantia de que irá completar a jornada, de que chegará até às cinco da tarde. Por isso, é preciso buscar a Deus, como aconselha o profeta Isaías, enquanto Ele se deixa encontrar.

Acontece que um dos efeitos mais malignos do pecado original em nossas almas é a desconfiança de Deus, o que nos impede de fazer uma entrega livre e sincera aos seus projetos. No coração de todo pecador há uma impressão errônea de que, na verdade, Deus não passaria de um velhaco que deseja tolher nossa felicidade. Deus é considerado nosso inimigo. Desse modo, muitos jovens adiam sua conversão para entregarem a carne ao mundo e somente os ossos a Deus; e isso quando já estiverem velhos e cansados.

A primeira leitura denuncia a insensatez dessa atitude, recordando, com as palavras do profeta Isaías, que os pensamentos de Deus "não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos" (55, 8). Apesar de nossos pecados, Deus é e sempre será amor e misericórdia. O nosso egoísmo é que nos distancia dEle e faz com que Ele se torne nosso rival.

O segundo ensinamento que podemos tirar do Evangelho de hoje diz respeito ao pecado da inveja. Como na relação de Caim com Abel, de José com seus irmãos, do filho pródigo com o filho mais velho, também os trabalhadores mais antigos sentem ciúmes dos mais novos por estes terem recebido a mesma quantia pela obra realizada. Esse valor pago pelo patrão aos seus empregados é, na verdade, a graça de Deus. O pecado da inveja, por sua vez, ocorre justamente quando a pessoa se sente triste pela felicidade alheia, pela graça que seu irmão recebeu.

Ora, Deus é livre para agraciar mais a quem Ele quiser. O que precisamos entender é que essa graça abundante dispensada a uns e não a outros não consiste em uma predileção injusta de Deus. Com as graças da Virgem Maria, por exemplo, Deus não cometeu uma injustiça contra a humanidade, mas, antes, converteu Nossa Senhora em instrumento para a causa de nossa salvação. Maria, a cheia de graça, tornou-se um presente para nós. Assim ocorre com nossos irmãos. Deus não nos trata igualmente para que, vencendo o orgulho, sejamos presentes uns para os outros.

A inveja, por outro lado, cega nosso coração e atenta contra o Espírito Santo. Trata-se, portanto, de um pecado gravíssimo e mortal, como indica o Catecismo Maior de São Pio X (n. 961). O invejoso não ama a Deus. O que ele deseja, por assim dizer, é que Deus deixe de amar o seu irmão. Assim agiram Caim, os irmãos de José e o filho mais velho da parábola.

Deus, por outro lado, deseja profundamente nos amar e, dando o merecido a alguns e com maior generosidade a outros, quer que sejamos também graça para nossos irmãos, como foi José, retirando sua família da fome. Assim, estejamos sempre preparados para o chamado de Deus e abramos nosso coração para as graças recebidas por nossos irmãos na fé.

Padre Paulo Ricardo


Buscai o Senhor enquanto é tempo!

Tomemos como norte de nossa meditação da Palavra que o Senhor nos dirige neste Domingo a leitura primeira desta Liturgia sagrada, retirada da profecia de Isaías. O profeta convida-nos, dirigi-nos um apelo para que busquemos o Senhor, o invoquemos, voltemos para ele. Eis aqui, caríssimos, um grito tão necessário nesses tempos do homem cheio de si, preocupado consigo, embriagado pelos seus próprios feitos e tão confiado em suas próprias idéias! O profeta grita-nos, quase que nos prevenindo, ameaçando-nos: “Buscai o Senhor; invocai-o! Que volte para o Senhor!”

Mas, isso significa ter a coragem de sair de si mesmo para abraçar os pensamentos e caminhos do Senhor. Pensem bem, caríssimos, que felicidade, que graça: abraçar os desígnios de Deus, entrar no seu projeto, viver a sua proposta! Pensem bem: não seria isso a sabedoria plena, a felicidade verdadeira da humanidade e do mundo? E, no entanto, isso não é possível sem um doloroso e generoso processo de conversão. Porque, infelizmente, os pensamentos do Senhor não são os nossos e os nossos caminhos não são os do Senhor! Que triste desacordo, que desencontro danado! Escutem: “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor!” Isto não é brincadeira: o homem sozinho não pensa como Deus, não caminha no caminho de Deus: nem na ONU nem na Casa Branca nem no Palácio do Planalto nem no Congresso nem mesmo no nosso coração! Somente a conversão pode nos elevar ao pensamento de Deus e fazer com que nossos caminhos sejam os dele: “Abandone o ímpio seu caminho e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor!” Voltar para o Senhor! Volte, ó homem do século XXI, para o Senhor! Deixe sua auto-suficiência, seu cinismo, deixe sua ilusão de pensar que sabe tudo, que é maduro o bastante para prescindir de Deus! “Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto está perto; volte para o Senhor, que terá piedade, volte para o nosso Deus, que é generoso no perdão!”

O Senhor nos procura, como o dono da vinha do Evangelho de hoje – e procura-nos com insistência: sai de madrugada à nossa procura, porque o amor tem pressa, o amor anseia encontrar a pessoa amada. E, como o amor é insistente, o Senhor vem sempre, a cada momento, em cada ocasião, sempre à nossa procura: pelas nove, ao meio-dia, pelas três… e até mesmo às cinco da tarde, quando o sol já se esconde, o Senhor vem novamente! Sempre é tempo de conversão, sempre é tempo de voltar para o Senhor! Aí, então, experimentaremos que tudo é graça, que o pensamento de Deus para nós é amor que não é mesquinho, que sabe tratar a todos com generosidade, fazendo primeiro no seu Reino aquele que tem coragem de crer no amor, de ir ao encontro do Senhor mesmo que seja a última hora! Ó mundo, ó humanidade, ó cristão, voltai para o Senhor! A única coisa que vos pede é que acrediteis no seu amor generoso e no seu perdão abundante e vos convertais de todo o coração!

Converter-se, caríssimos, significa entrar na maravilhosa experiência que São Paulo testemunha na segunda leitura de hoje: viver de um modo novo, de um viver diferente: “Para mim, viver é Cristo! Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte!” Para que idéia mais bela do que seja a conversão: viver em Cristo! Notemos os passos do pensamento do Apóstolo. Ele é tão unido a Cristo, tão apaixonado por ele, que seja na vida seja na morte sabe que está unido ao seu Senhor e em tudo o Senhor é nele glorificado. Que é a vida para quem voltou para o Senhor? A vida é Cristo! Que é a morte para quem vive mergulhado no Senhor? A morte é estar com Cristo e, por isso, é lucro! Por isso, a vida de Paulo – e a do cristão, com Paulo – é atraída para o seu Senhor: “Tenho o desejo de partir para estar com Cristo!” Eis por que Paulo vive, eis para que vive: para estar com Cristo! Aqui, uma observação: prestem atenção que São Paulo sabe muito bem que assim que morrer vai estar com Cristo. Por isso mesmo ele diz que isso “para mim, seria de longe o melhor!” Jamais o Apóstolo compartilharia a afirmação errônea das seitas protestantes, que pensam que os que morrem em Cristo ficam dormindo. Se ficassem, não seria melhor para Paulo partir para estar com Cristo; seria melhor continuar vivendo e trabalhando pelos irmãos. Portanto, nem a vida nem a morte nos podem mais separar do amor de Cristo. É só voltarmos para o Senhor, é só procurá-lo de todo o coração com nosso afeto, com nossos atos, com nosso desejo sincero de a ele nos converter de todo coração!

Caríssimos, buscai o Senhor, voltai para o Senhor, invocai o Senhor! E, lembrai-vos: ele é tão bom, que se deixa encontrar! Primeiro nos atrai e, depois, deixa que o encontremos e, como o senhor da parábola, nos enche de dons, sem levar em conta a hora em que nos convertemos em trabalhadores da sua vinha. Mas, querem saber qual é a hora da conversão? Esta, agora! Voltai para o Senhor! Amém.

Dom Henrique Soares