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Minha vocação é o amor (01-10-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 18
(25) Dizeis: não é justo o modo de proceder do Senhor. Escutai-me então, israelitas: o meu modo de proceder não é justo? Não será o vosso que é injusto? (26) Quando um justo renunciar à sua justiça para cometer o mal e ele morrer, então é devido ao mal praticado que ele perece. (27) Quando um malvado renuncia ao mal para praticar a justiça e a eqüidade, ele faz reviver a sua alma. (28) Se ele se corrige e renuncia a todas as suas faltas, certamente viverá e não perecerá.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 2
(1) Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, (2) completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. (3) Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. (4) Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. (5) Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. (6) Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, (7) mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. (8) E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (9) Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, (10) para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. (11) E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 21
(28) Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: - Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha.
(29) Respondeu ele: - Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi.
(30) Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: - Sim, pai! Mas não foi.
(31) Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!
(32) João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
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Canção Nova: Homilia

26.º Domingo do Tempo Comum - “Minha vocação é o amor”

Se Jesus nos pedisse para imitá-lO apenas por justiça, o cristianismo seria um peso muito grande e uma tarefa muito difícil de cumprir. Com o amor e a graça, porém, tornamo-nos capazes de cumprir plenamente a vontade de Deus, como cumpriram Mateus e Maria Madalena depois da conversão. É por isso que Jesus diz, no Evangelho de hoje, aos sacerdotes e anciãos do povo: "Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus".

Como chave de leitura para o Evangelho deste domingo, Padre Paulo Ricardo coloca-nos diante dos olhos a imagem de Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja memória litúrgica normalmente a Igreja celebra no dia 1.º de outubro. Esta santa carmelita descobriu que, para cumprirmos a vontade de Deus, precisamos de um verdadeiro "transplante de coração", sem o qual todo o Evangelho se transformaria em um "moralismo" intolerável. Assista a esta homilia e descubra você também, no coração da Igreja, a sua vocação ao amor!


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Mt
 21, 28-32)

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: "Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!' O filho respondeu: 'Não quero'. Mas depois mudou de opinião e foi. 

O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: 'Sim, senhor, eu vou'. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?" 

Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "O primeiro". 

Então Jesus lhes disse: "Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele".

O Evangelho deste domingo se passa no contexto da Semana Santa, quando Jesus entra de maneira triunfal em Jerusalém e enfrenta sua derradeira controvérsia com os fariseus.

Cristo quer desmascarar a hipocrisia dos doutores da lei e, para isso, narra-lhes a parábola dos dois filhos, que diz: "Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!' O filho respondeu: 'Não quero'. Mas depois mudou de opinião e foi" (v. 28-29). Esse primeiro filho representa os "cobradores de impostos" e as "prostitutas" que, apesar da hesitação inicial, entregaram-se fielmente ao caminho indicado por Jesus, como no caso de São Mateus e Santa Maria Madalena. Há, no entanto, o segundo filho, que ao pedido do pai responde: "Sim, senhor, eu vou", mas não cumpre sua obrigação (v. 30-31). Este representa os fariseus. Jesus mostra-lhes, assim, porque os "cobradores de impostos" e as "prostitutas" os precedem no Reino de Deus: porque, de fato, eles viviam o Evangelho, ao passo que os fariseus louvavam a Deus apenas com os lábios.

No Antigo Testamento os profetas já denunciavam essa atitude indolente do povo escolhido. Apesar da revelação divina, e mesmo diante das inúmeras prescrições da lei mosaica, Israel apartou-se da vontade de Deus, passando a cultuá-lO apenas exteriormente. O Senhor promete-lhes, então, um novo coração para que possam voltar a amar de verdade e cumprir piedosamente a sua vontade. E esse novo coração é justamente o Coração de Jesus, por meio do qual entramos em comunhão com a família trinitária.

Os fariseus, no entanto, recusam-se a aceitar Jesus e, quanto mais Ele se revela o Filho de Deus, mais demonstram para com Ele hostilidade e rancor. É por esse motivo que Cristo os chama de "sepulcros caiados"; porque viviam o culto divino de forma estereotipada, ofereciam sacrifícios externos mas não tinham uma alma penitente nem estavam dispostos a mudar por isso. Os cobradores de impostos e as prostitutas, por outro lado, abandonavam tudo e, movidos por esse novo coração, decidiam obedecer ao Senhor. Jesus nota essa diferença de atitude e, por meio da parábola, expõe aos seus interlocutores a realidade infame do "culto oficial das sinagogas", que se praticava apenas com os lábios, e o fenômeno discreto da conversão dos pecadores, como realização da profecia de Ezequiel: "Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne" ( Ez 36, 26).

Para os dias atuais, o cumprimento da vontade de Deus não é mais fácil do que no tempo dos Apóstolos. Como naquela época, também o homem moderno precisa receber esse novo coração. Neste sentido, vejamos o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja memória litúrgica costuma ser celebrada justamente na data de hoje, dia 1.º de outubro. No chamado Manuscrito B, de sua autobiografia A história de uma alma, essa nossa santinha conta sua espiritualidade e explica como descobriu sua vocação no seio da Igreja. Ela escreve:

Sinto em mim a vocação de sacerdote, com que amor, ó Jesus, te levaria nas minhas mãos quando à minha voz descesses do Céu… Com que amor te daria às almas!.. Mas ai! ao mesmo tempo em que desejo ser sacerdote, admiro e invejo a humildade de S. Francisco de Assis e sinto a vocação de imitá-lo recusando a sublime dignidade do sacerdócio. ( Manuscrito B, 3r).

Santa Teresinha sente-se perdida em meio ao turbilhão de sentimentos e desejos, que ora dirigem sua vontade para o martírio, ora para o apostolado, e, por isso, busca incansavelmente uma resposta de Deus, a fim de melhor servi-lO dentro da Igreja. Ela então abre as Sagradas Escrituras e se depara com a epístola de São Paulo aos coríntios, que fala dos diferentes membros da Igreja:

E o apóstolo explica como todos os dons mais perfeitos não são nada sem o amor… Que a caridade é o caminho excelente que conduz seguramente a Deus. 

Enfim, tinha encontrado o repouso… Considerando o corpo místico da Igreja, não me tinha reconhecido em nenhum dos membros descritos por S. Paulo, ou melhor queria reconhecer-me em todos… A caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava, compreendi que a Igreja tinha o coração, e esse coração estava ardendo de amor. ( Manuscrito B, 3v).

A descoberta do coração da Igreja fez com que Santa Teresinha descobrisse, por conseguinte, a sua primeiríssima vocação, a qual precisa estar na base de todas as outras e deve ser vivida por todos os cristãos:

Então no excesso de minha alegria delirante, exclamei: Ó Jesus, meu amor… minha vocação, enfim eu a encontrei, minha vocação é o amor. 

Sim encontrei meu lugar na Igreja e esse lugar, ó meu Deus, foste tu que mo deste… no Coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor… assim serei tudo… assim meu sonho será realizado!!! ( Manuscrito B, 3v).

A descoberta de Santa Teresinha ensina que todo aquele que quiser servir a Deus precisa, antes, estar nesse coração amoroso da Igreja, pois, sem o amor, absolutamente tudo se torna inútil e ridículo. Sem amor não haveria São Paulo nem os mártires, não haveria os missionários nem qualquer outra obra de apostolado realmente válida. Daí que Pio XII tenha atribuído à pequena Teresinha o mérito de ter redescoberto, com charme e frescor, o coração do Evangelho: "C'est l'Évangile même, le cœur de l'Évangile qu'elle a retrouvé, mais avec combien de charme et de fraîcheur" (Radiomensagem para consagração da Basílica de Santa Teresinha, 11 de julho de 1954).

De fato, o amor evangélico nos previne contra um falso moralismo, que destrói o seguimento de qualquer cristão. Se Jesus nos pedisse para imitá-lO apenas por justiça, o cristianismo seria um peso muito grande e uma tarefa muito difícil. Com o amor e a graça, porém, tornamo-nos capazes de cumprir plenamente a vontade de Deus, como cumpriram Mateus e Maria Madalena depois da conversão.

Peçamos, portanto, a intercessão de Santa Teresinha para que ela nos faça enxergar a luz da graça e nos alcance um coração novo e cheio de amor.

Referência

  • Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma alma: nova edição crítica por Conrad de Meester. 4. ed. São Paulo: Paulinas, 2011. p. 309-312.

Padre Paulo Ricardo


O caminho a caminhar

A Palavra de Deus deste Domingo recorda-nos que nossa relação com o Senhor não é algo estático, congelado, adquirido uma vez por todas. Ninguém pode dizer que possui uma amizade permanente com o Senhor, amizade que é garantida para sempre e não poderia jamais ser perdida. Não! Não é assim! Nossa relação com o Senhor é um caminho, caminho dinâmico, que vai se configurando na nossa vida, crescendo ou diminuindo, aprofundando-se ou morrendo, conforme nossa atitude em cada fase de nossa existência. O Senhor é sempre fiel, não muda jamais; quanto a nós, devemos cuidar de ir sempre crescendo, de fé em fé, de esperança em esperança, de amor em amor, na nossa relação com o Senhor. É isto que as leituras de Ezequiel e do Evangelho nos sugerem. O profeta Ezequiel, em nome de Deus, previne: “Quando o justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre!” Eis, que exemplo trágico: o amigo de Deus que morre para a vida com Deus! E por quê? Porque se descuidou e foi matando a relação com o Senhor, a ponto de matar Deus no seu coração e morrer para a relação com Deus! Ninguém pode dizer: “Já fiz tanto, já dei tanto ao Senhor, já renunciei tanto. Agora basta! Vou estacionar!” Isso seria regredir, definhar no caminho do Senhor, morrer para a vida com Deus! Mas, o contrário também é verdadeiro. Escutemos: “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os céus pecados, com certeza viverá; não morrerá!” Eis a bondade do Senhor, que não nos prende no passado pecaminoso: Senhor da vida, teu amor nos faz recomeçar sempre! Não há desculpas para não mudarmos de vida, para não recomeçarmos, para não deixarmos nosso atoleiro de pecado, de vício de preguiça espiritual! O Senhor nos espera sempre hoje, no aqui e no agora; ainda que não muitas vezes não acreditemos mais em nós mesmos, ele continua crendo em nós, ele nos dá sempre a chance de experimentar seu perdão e sua misericórdia!

O que o Senhor falou pela boca de Ezequiel, Jesus confirma na parábola do Evangelho deste hoje. Quem são os dois filhos? O primeiro, que não queria obedecer ao pai, mas depois se arrependeu, são os pecadores que, arrependidos e humilhados, de coração acolheram Jesus e o Reino que ele veio anunciar; o segundo filho, que prometeu fazer a vontade do pai e, depois, fez como bem quis e entendeu, são aqueles escribas e fariseus, justos aos seus próprios olhos, caprichosos e auto-suficientes, que terminaram perdendo o Reino de Deus por recusarem acolher Jesus e sua palavra. Eis, caríssimos: o que estamos sendo diante de Deus? Estamos sendo generosos para com ele? Temos acolhido sua vontade na nossa vida? Temos sido atentos aos seus apelos? Deveríamos sempre progredir no caminho do Senhor… Progredimos quando o amamos, quando fazemos sua vontade, quando a ele nos dedicamos; progredimos quando crescemos na virtude, progredimos quando somos fiéis aos nossos compromissos para com ele… Mas, entre nós, há aqueles que regridem, que esmorecem, que esfriam e se afastam… aqueles que pensam que podem ser cristãos numa atitude de comodismo burguês…

Que fazer para não parar? Que fazer para crescer no caminho do Senhor? São Paulo nos indica um caminho de grande beleza, simplicidade e eficácia, um caminho indispensável a todos nós! Quereis crescer na estrada de Deus? Quereis experimentar seu amor? Quereis viver de verdade? Então, “tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus!” Que conselho! Contemplar Jesus, aprender dele, do seu coração, seus sentimentos de total amor e total doação em relação ao Pai e a nós; aprender sua doçura, sua humildade, sua obediência radical ao Pai: “Ele, existindo na condição divina, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz”. Caríssimos, em Cristo, temos o hábito de pensar em Jesus, de contemplar essa sua atitude? Olhemos a cruz, aprendamos a lição do Senhor! Cristo nunca se buscou a si próprio, mas esvaziou-se totalmente, desejando somente a vontade do Pai. Por isso foi livre, por isso foi a mais perfeita e completa manifestação do Reino de Deus, pois isso o Pai o exaltou, o glorificou, encheu-o de vida plena!

Pois, bem, o Apóstolo nos convida a contemplar Jesus, escutar Jesus, para adquirir os sentimentos de Jesus e, assim, viver a vida de Jesus. Viver assim, é ser amigo de Deus, é viver de verdade e tornar-se sinal de vida divina para os outros. Isso os cristãos deveriam ser; isso a Igreja deve ser! Pensem no quadro encantador que São Paulo traça: “Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão… aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, e cada um não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro!” Eis, caríssimos, o que é ter os sentimentos do Cristo; eis o que é viver para Deus; eis o que é ser já agora, testemunha daquela verdadeira vida que o Senhor nos dará por toda a eternidade! Cresçamos nesse caminho, progridamos nessa vida, para vivermos de verdade. Como pede a oração inicial desta Santa Missa: “Ó Deus, derramai em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais!” Amém.

Dom Henrique Soares