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Os vinhateiros assassinos (08-10-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 5
(1) Eu quero cantar para o meu amigo seu canto de amor a respeito de sua vinha: meu amigo possuía uma vinha num outeiro fértil. (2) Ele a cavou e tirou dela as pedras, plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio, e construiu aí um lagar. E contava com uma colheita de uvas, mas ela só produziu agraço. (3) E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e minha vinha. (4) Que se poderia fazer por minha vinha, que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço? (5) Pois bem, mostrar-vos-ei agora o que hei de fazer à minha vinha: arrancar-lhe-ei a sebe para que ela sirva de pasto, derrubarei o muro para que seja pisada. (6) Eu a farei devastada, não será podada nem cavada, e nela crescerão apenas sarças e espinhos, vedarei às nuvens derramar chuva sobre ela. (7) A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado, esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 4
(6) Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. (7) E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus. (8) Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos. (9) O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 21
(33) Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.
(34) Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.
(35) Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
(36) Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.
(37) Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho.
(38) Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!
(39) Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.
(40) Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?
(41) Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.
(42) Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular, isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)?
(43) Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

27.º Domingo do Tempo Comum - Os vinhateiros homicidas

A celeuma entre Jesus e os fariseus prossegue na liturgia deste domingo. Com a famosa parábola dos vinhateiros homicidas, Jesus realça ainda mais a duplicidade de seus corações, anunciando, por um lado, a sua morte próxima pelas mãos dos doutores da lei e, por outro, as consequências desse homicídio para o povo eleito que, em vez de dar bons frutos de justiça, produz "injustiça e iniquidade".

Para nossas vidas, essa parábola indica a necessidade da fé como condição do acolhimento do amor de Deus. Os fariseus têm o coração endurecido porque não creem com o coração, mas apenas da boca para fora. E isso pode acontecer conosco também, caso não passemos por um "transplante de coração" por meio da comunhão com Cristo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
 21, 33-43)

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: "Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: 'Ao meu filho eles vão respeitar'. Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!' Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?" Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo". Então Jesus lhes disse: "Vós nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?' Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos".

A celeuma entre Jesus e os fariseus continua. O contexto é o mesmo da semana anterior, quando Cristo, explicando-lhes a parábola dos dois filhos, compara-os ao segundo, que obedece às palavras do pai apenas exteriormente.

Com a parábola deste domingo, a famosa parábola dos vinhateiros homicidas, Jesus realça ainda mais essa duplicidade, anunciando, por um lado, a sua morte próxima pelas mãos dos doutores da lei e, por outro, as consequências desse homicídio para o povo eleito que, em vez de dar bons frutos de justiça, produz "injustiça e iniquidade" (Is 5, 7). Cristo os adverte: "O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos" (v. 43). E, compreendendo que era deles que Jesus falava, procuram prendê-lo e matá-lo.

De que modo essa advertência de Jesus aos fariseus pode ser aplicada à nossa vida?

Antes de tudo, é preciso direcionar o nosso olhar à primeira leitura, que é a chave de interpretação do Evangelho. Todos os exegetas acreditam firmemente que a parábola dos vinhateiros homicidas foi inspirada no capítulo 5 do livro do profeta Isaías. De fato, há um paralelo bem explícito entre um e outro texto: ambos falam da vinha de um amigo, cujos empregados não a cultivaram com o devido zelo e, por isso, foram punidos pelo dono.

Esse texto de Isaías é, na verdade, um cântico de amor em que Deus manifesta todo o seu carinho pela humanidade. Nele se recorda a benevolência do Senhor para com o povo de Israel, que, lembrado por Deus, foi arrancado do Egito e plantado na Terra Santa, onde jorra leite e mel. Como em outros textos do Antigo Testamento, Deus fala do seu amor não correspondido: "Israel era ainda criança, e já eu o amava, e do Egito chamei meu filho. Mas, quanto mais os chamei, mais se afastaram; ofereceram sacrifícios aos Baal e queimaram ofertas aos ídolos" (Os 11, 1). A vinha de Deus produziu frutos selvagens apesar de todo o seu amor.

A liturgia deste domingo quer nos ensinar justamente como acontece um relacionamento de amor. Uma pessoa que ama procura demonstrar esse amor por meio de ações concretas e constantes. Deus agiu na história em favor dos homens. Ocorre, porém, que não acreditamos nesse amor, não tivemos fé. E só pode ser amado quem acredita no amor, quem tem fé. Sem ela, não se pode receber amor de ninguém.

O povo de Israel, porém, via apenas as exigências da religião, apenas as leis. Deus, então, envia-lhe os profetas, a fim de recordar-lhe o significado de sua Palavra e o quanto Ele o amava. Além disso, retira também parte de seu favor para que Israel perceba a própria debilidade; perceba que, sem o auxílio divino, não é capaz de nenhum bem: "Vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramarem a chuva sobre ela" (Is 5, 5).

Finalmente, Deus envia seu filho para ser o novo coração do homem, um coração capaz de entender sua Palavra e de receber o seu divino amor. Mas esse filho é não somente rejeitado, mas açoitado até a morte pelo povo escolhido e amado.

Com a parábola dos vinhateiros homicidas, Jesus interpreta o papel de Natã e, colocando os fariseus diante de uma história de vergonhosa injustiça, faz com eles o que o profeta fez com Davi, cujo comportamento pecaminoso era o mesmo do personagem iníquo da história que lhe fora contada. Assim como Davi, os fariseus se dão conta da perversidade de seus atos. Mas, ao contrário do rei, não se arrependem, pois são ingratos.

Os corações dos fariseus se endurecem pela falta de fé e, assim, não conseguem aceitar as palavras salvíficas de Jesus. O mesmo pode acontecer conosco se não pedirmos a Deus a graça de um novo coração, como cumprimento da promessa de Ezequiel: "Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne" (Ez 36, 26). Como recorda-nos o apóstolo São Paulo: "O justo vive pela fé" (Rm 1, 17).

Portanto, na Eucaristia deste domingo vivamos uma verdadeira ação de graças, imitando os passos de São Francisco, cuja memória celebramos nesta última semana. Ele, que se lamentava pelo amor que não era amado, procurou viver esse amor em cada gesto, em cada ocasião. Peçamos também à Virgem Maria, na reta final do Ano Mariano, o dom de amar seu Filho Jesus com todo o nosso coração, pois "nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm a vós recorrido, fosse por vós abandonado".

Padre Paulo Ricardo


Os vinhateiros assassinos

A Palavra de Deus deste XXVII Domingo Comum recorda-nos uma história de amor, misteriosa, triste e destinada a nos fazer pensar… É a história do Povo de Israel. Não sua história simplesmente na forma de crônica, de rosário de fatos, um após o outro, no correr do tempo. Aqui a história é apresentada em forma de parábola, uma parábola do amor de Deus, o Amado, por sua vinha; uma parábola de decepção, de vinhateiros assassinos, de um Filho querido jogado fora da vinha…

Na primeira leitura, de Isaías, Deus se queixa de sua vinha pela boca de seu profeta: “Um amigo meu plantou videiras escolhidas… esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens”. Eis a história de Israel, a vinha amada: o Senhor plantou seu povo: esperou bons frutos, mas vieram frutos azedos: “A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá é sua amada plantação; eu esperava deles frutos de justiça – e eis a injustiça; esperava obras de bondade – e eis a iniqüidade”. Ante tal infidelidade, o Senhor diz pelo profeta: “Vou desmanchar a cerca, e ela será devastada, vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem…” Eis o triste resumo da história do Povo de Deus da antiga aliança. Tão amado, tão preferido, Israel não foi fiel à aliança, Israel não deu os frutos de amor, de sensibilidade para com seu Deus, de total dedicação a ele que o Senhor esperava.

Caríssimos, essa atitude do primeiro povo chegou ao extremo na atitude dos chefes judeus da época de Jesus: misteriosamente, eles rejeitaram Jesus, expulsaram-no da vinha de Deus e mataram-no. O fato é que Israel foi se fechando para aliança com o seu Deus e, quando o Messias veio, o Povo amado não teve a capacidade para reconhecê-lo e acolhê-lo… Recordemos como Jesus fala de seu próprio destino na parábola de hoje: o proprietário que planta a vinha é o Pai do céu, a vinha amada é a casa de Israel – essa vinha que, já vimos, deu frutos azedos; os vinhateiros são os chefes do povo, aos quais Deus confiou sua vinha; o Senhor enviou seus empregados para receber os frutos: são os profetas e todos aqueles que advertiram o povo de Deus para que se convertesse. Os vinhateiros espancaram e mataram esses enviados. O Pai, então, enviou o Filho, o Amado, o Herdeiro. “Vinde, vamos matá-lo!” – eis a terrível palavra dos vinhateiros, a sentença dos chefes judeus! E tomam o Filho amado, expulsam-no como um maldito e matam-no! Diante disso, a conclusão do Evangelho é tremenda, é misteriosa: a vinha será tirada e dada a outros. A eleição de Israel passará para um novo Povo, a Igreja; Jesus, a pedra rejeitada, será a pedra angular de uma nova construção – o Novo Povo de Deus, a Igreja do Novo Testamento, nascida do seu sangue.

Caríssimos, que história impressionante: um povo tão amado, um povo singular. Um povo de santos… e que perdeu a oportunidade de reconhecer e acolher o Messias tão esperado e tão desejado! Um povo que deveria ser ministro da salvação de toda a humanidade e não soube compreender sua missão… Ao mesmo tempo, nosso misterioso nascimento: somos a Igreja, resto de Israel, do qual Deus fez, em Cristo, um Novo Povo, para testemunhar o Senhor e levar seu nome aos confins da terra. Somos um povo, caríssimos: mais que brasileiros, somos Igreja; mais que tudo, somos o Povo de Deus da nova aliança, somos a vinha do Senhor, enxertada no verdadeiro tronco, que é Jesus, a verdadeira videira! Sem merecer, por graça de Deus, eis o que somos!

Irmãos e irmãs, a Escritura nos diz que todas essas coisas aconteceram para nos servir de exemplo (cf. 1Cor 10,6)… Não somos melhores que os judeus, não devemos desprezá-los nem condená-los! É verdade que jamais a aliança passará para um terceiro povo, jamais a Igreja perderá sua condição de Novo Povo de Deus. Compreendamos: a verdadeira vinha nova é o póprio Cristo: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor” (Jo 15,1). Vinha bendita, verdadeira cepa da antiga vinha, Israel! Jesus é a videira, nós, os ramos:“Eu sou a videira e vós os ramos” (Jo 15,5). Ele é o tronco bendito e nós, sua Igreja, os ramos que não se podem separar dele! É por isso que jamais essa Igreja, nova vinha unida ao tronco, poderá perder a condição de videira escolhida, amada e eleita. Mas, atenção: os ramos, individualmente, podem ser arrancados: “Todo ramo que em mim não produz fruto o Pai corta” (Jo 15,2). Eis, meus caros: devemos, sim, perguntar pela nossa fidelidade a Deus que, em Jesus, nos fez ramos da sua nova vinha! Que frutos, caríssimos, estamos dando? Uvas doces? Uvas azedas? Uvas nenhumas? Quais são nossos frutos? São nossas obras, são nossas atitudes, é nosso modo de viver? O Senhor espera de nós uma vida segundo a sua vontade, segundo aquilo que o Senhor Jesus nos mostrou e viveu; o Senhor espera de nós um testemunho de amor profundo a ele, para que o mundo descubra e corresponda ao seu amor! Na segunda leitura deste hoje, o Apóstolo nos exorta: “Irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. Praticai o que aprendestes e recebestes. Assim o Deus da paz estará convosco”. Eis aqui um belo programa de frutos dados por um ramo enxertado em Cristo!

Igreja de Deus, aqui reunida para a Eucaristia, é a vinha amada do Senhor! Vinha por vezes ameaçada de devastação, seja pela perseguição do mundo que não crê, seja pelos seus próprios pecados, que azedam os frutos que deveriam ser doces! Convertei-vos, Igreja de Deus em Cristo; convertei-vos e dai frutos em vossa vida!

Quanto a vós, Senhor Deus, Senhor da vinha, “Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai! Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao Rebento que firmastes!” Olhai, Pai Santo, a face do vosso Filho Jesus, morto e ressuscitado, que oferecemos em sacrifício eucarístico: tende piedade de nós; dai-nos força, vida e paz! Amém.

Dom Henrique Soares