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Muitos são chamados, poucos escolhidos (15-10-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 25
(6) O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos, nesse monte, um banquete de carnes gordas, um festim de vinhos velhos, de carnes gordas e medulosas, de vinhos velhos purificados. (7) Nesse monte tirará o véu que vela todos os povos, a cortina que recobre todas as nações, (8) e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o seu povo, porque o Senhor o disse. (9) Naquele dia dirão: Eis nosso Deus do qual esperamos nossa libertação. Congratulemo-nos, rejubilemo-nos por seu socorro, (10) porque a mão do Senhor repousa neste monte, enquanto que Moab é pisada no seu lugar como pisada é a palha no monturo.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 4
(12) Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. (13) Tudo posso naquele que me conforta. (14) Contudo, fizestes bem em tomar parte na minha tribulação. (15) Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente. (16) Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. (17) Não é o donativo em si que eu procuro, e sim os lucros que vão aumentando a vosso crédito. (18) Recebi tudo, e em abundância. Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. (19) Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a sua glória, em Jesus Cristo. (20) A Deus, nosso Pai, seja a glória, por toda a eternidade! Amém.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 22
(1) Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:
(2) O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.
(3) Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir.
(4) Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete, meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!
(5) Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio.
(6) Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.
(7) O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
(8) Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.
(9) Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes.
(10) Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.
(11) O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.
(12) Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma.
(13) Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes.
(14) Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

O banquete nupcial do Cordeiro

O Evangelho deste domingo fala de um banquete nupcial para o qual um rei bondoso convida muitos amigos. Mas esses amigos não lhe dão atenção e, preferindo realizar outras tarefas, desprezam o seu convite. Com essa parábola, Jesus ilustra tanto a atitude dos fariseus com relação a Deus quanto a nossa. Por causa de um falso conceito sobre Jesus, acabamos desprezando a sua vontade em nossas vidas para buscarmos os banquetes pecaminosos que o mundo nos oferece.
Áudio

Como nas semanas passadas, o Evangelho deste domingo trata dos últimos esforços de Jesus para amolecer o coração dos fariseus e convencê-los de sua filiação divina. Cristo sabe que será morto, mas não desiste de sua missão; Ele quer salvar ao menos alguns daqueles doutores da lei. De fato, essa tentativa será recompensada no momento de sua condenação, quando um pequeno grupo desses fariseus, vendo a hipocrisia de Anás e Caifás, mostrar-se contrário àquele julgamento que ocorria no meio da noite e às escondidas, como retratou A Paixão de Cristo, de Mel Gibson.

Jesus conta-lhes a parábola do banquete nupcial para ilustrar o Reino dos Céus. A narrativa fala de um rei que preparou uma festa de casamento a seus filhos. Trata-se de mais uma história de amor. Deus enviou seu Filho Jesus para um casamento com a humanidade, para redimi-la de suas impurezas e torná-la sua esposa no Céu. Jesus quer mesmo unir-se à Igreja, como ouvimos em todas as missas.

Mas e quanto a nós? Queremos unir-nos a Jesus em um casamento?

Se fizermos uma pesquisa nas ruas com a seguinte pergunta: “O que é o Céu para você?”, um grande número de pessoas responderá que o Céu é o “andar de cima”, “um paraíso”, “um lugar sem dor nem sofrimento” etc. Essa visão, embora não seja de todo errada, exclui, porém, o elemento principal da salvação divina: o matrimônio espiritual com Jesus. Infelizmente, a maior parte das pessoas não vê a felicidade em Deus, em uma união íntima com a Pessoa de Cristo. Deus não é a nossa felicidade.

Como narra Jesus na parábola deste domingo, Deus nos convidou para um banquete, mas “os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram” (v. 5-6). Os convidados veem Deus como um inimigo, alguém que tolhe a sua liberdade, que lhes nega o direito ao prazer.

Façamos um exame de consciência: por que vamos à Missa? Essa pergunta é fundamental porque é possível que estejamos indo à Missa pelo motivo errado. É possível que você esteja tratando Deus como seu servo, como o gênio da lâmpada que deve realizar todos os seus caprichos e vontades. E se essa é a sua concepção de Deus, é bem provável que logo você se torne um incrédulo.

Sim, porque o ateísmo nasce a partir de um conceito equivocado de Deus. O diabo faz-nos acreditar em um “deus” ridículo para, quando estivermos totalmente apaixonados por esse falso deus, revelar-nos a sua inexistência. Ora, se Deus é apenas um serviçal, um escravo de nossas vontades, é melhor mesmo que Ele não exista. E é assim que uma pessoa se torna ateia. Desejamos um deus que faça nossas vontades e, quando ele não nos atende, nós o matamos como os fariseus mataram o messias esperado. Cristo veio, mas não realizou as vontades iníquas dos doutores da lei. Por isso O mataram.

Qual é o seu deus? Se você não tem em Deus a fonte de sua felicidade, é bem possível que você O mate em seu coração. O Evangelho deste domingo fala, mais uma vez, da necessidade da conversão. Precisamos mudar o nosso coração para participarmos do banquete nupcial. Caso contrário, seremos tratados como o convidado que vai à festa sem o traje adequado, ao qual o rei ordena que amarrem os pés e as mãos e o joguem fora, na escuridão, onde “haverá choro e ranger de dentes” (v. 13).

Essas vestes nupciais nada mais são que o amor, como explicou Bento XVI na Missa de Quinta-Feira Santa, em 2011:

Os lugares vazios no banquete nupcial do Senhor, com ou sem desculpa, há já algum tempo que deixaram de ser para nós uma parábola, tornando-se uma realidade, justamente naqueles países aos quais Ele tinha manifestado a sua proximidade particular. Jesus sabia também de convidados que viriam sim, mas sem estar vestidos de modo nupcial: sem alegria pela sua proximidade, fazendo-o somente por costume e com uma orientação bem diversa na sua vida. São Gregório Magno, numa das suas homilias, perguntava-se: Que gênero de pessoas são aquelas que vêm sem hábito nupcial? Em que consiste este hábito e como se pode adquiri-lo? Eis a sua resposta: Aqueles que foram chamados e vêm, de alguma maneira têm fé. É a fé que lhes abre a porta; mas falta-lhes o hábito nupcial do amor. Quem não vive a fé como amor, não está preparado para as núpcias e é expulso. A comunhão eucarística exige a fé, mas a fé exige o amor; caso contrário, está morta, inclusive como fé.

O cristianismo não é a religião dos deuses pagãos que fazem todas as nossas vontades. É, antes, a religião do amor de Deus em nossas vidas. É a vontade d’Ele que deve acontecer assim na Terra como no Céu. Deus nos deseja e tem sede de nossas almas. Coloquemos, portanto, as nossas vestes nupciais para que sejamos acolhidos no seu banquete salvífico, a Divina Eucaristia.

Padre Paulo Ricardo


Muitos são chamados, poucos escolhidos

A Palavra de Deus do Domingo último falava-nos da vinha; a Palavra de Deus deste hoje fala-nos de banquete! Quantas vezes, na Sagrada Escritura, o Reino dos Céus é comparado a um banquete! Para os orientais, o banquete, a festa ao redor da mesa, é sinal de bênção, pois é lugar da convivência que dá gosto de existir, da fartura que garante a vida e do vinho que alegra o coração. É por isso que Jesus hoje nos diz que “o Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho”. Ora, caríssimos irmãos, foi isso que Deus faz desde a criação do homem: pouco a pouco, ele foi preparando a festa de casamento do Filho seu, Jesus nosso Senhor, com a humanidade!

Disso nos trata a primeira leitura de hoje: já no Antigo Testamento, Deus falava a Israel sobre o destino de vida, luz e paz que ele preparava para toda a humanidade: “O Senhor dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos. O Senhor Deus dominará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces…” Eis, caríssimos, é de paz o pensamento do Senhor para nós; é de vida, de liberdade, de felicidade! Se o Senhor havia escolhido Israel como seu povo, era para que fosse ministro dessa salvação. O monte Sião seria o lugar donde brotariam a salvação e a bênção de Deus para toda a humanidade. Infelizmente, Israel não compreendeu sua missão. É o que Jesus nos explica na parábola de hoje (a terceira que trata desta questão: a primeira foi a do irmão mais velho que disse que faria a vontade do pai e não fez; a segunda foi a dos vinhateiros homicidas, a terceira é a de hoje).

Na parábola, o rei é o Pai; o casamento do Filho Jesus é a Aliança nova que Deus quer selar com toda a humanidade; os empregados são os profetas e os apóstolos. Deus preparou tudo; em Jesus fez o convite: “Vinde para a Festa!”, mas Israel não aceitou! A festa de acolher o Messias, o Filho amado, Aquele que traz a vida a toda a humanidade! “O rei ficou indignado e mandou tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles” – aqui Jesus se refere ao incêndio de Jerusalém, a Cidade Santa, que os romanos iriam realizar no ano 70, quarenta após a sua morte e ressurreição. Eis! Os convidados não quiseram participar da festa, Israel rejeitou o convite do Messias! Que fazer? O rei ordena aos servos: “’Ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes!’ E a sala ficou cheia de convidados”. Somos nós, os que antes éramos pagãos e não conhecíamos o Deus de Israel. Pela voz dos Apóstolos e dos pregadores do Evangelho, o Senhor nos reuniu de todos os povos da terra, das encruzilhadas dos caminhos da vida, e nos fez o seu povo, o novo povo, a Igreja! Assim, a sala do banquete, a sala da aliança nova e eterna, ficou repleta, porque o desejo de Deus é que todos se salvem!

Caríssimos, nunca deveríamos esquecer que a Igreja, da qual fazemos parte como membros e filhos, e que somos nós mesmos, é fruto de um desígnio de amor do Pai eterno que, na plenitude dos tempos, no chamou e reuniu em Cristo Jesus! Nunca deveríamos esquecer que este Banquete eucarístico do qual participamos agora é o Banquete que o rei, o Pai eterno, nos preparou: banquete da aliança do seu Filho, o Esposo, com a Igreja, sua Esposa! Eis: somos os convidados para o banquete das núpcias da aliança do Cristo com a sua amada Esposa… e o alimento, o Cordeiro, é o próprio Jesus dado e recebido em comunhão! Pensemos um pouco na responsabilidade de sermos Povo de Deus, de sermos os escolhidos para ser o povo da Aliança…

Escutemos ainda, o final da parábola: “Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa!” Cristão, convidado para o banquete da Eucaristia, banquete da Igreja, banquete das núpcias do Cordeiro, qual é o traje de festa? É a veste do teu Batismo, aquela veste branca, que deves conservar pura pela tua vida, pelas tuas obras, pelo teu procedimento! Não aconteça ser tu esse homem que entrou na festa sem o traje apropriado! É o que aconteceria se viesses, é o que acontecerá se vieres para esta Eucaristia santa com uma vida enodoada pelas ações contrárias ao que o Evangelho do Reino te ensina!“Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” – eis, que pergunta tremenda o Senhor nos faz! O que lhe responderemos? “O homem nada respondeu!” Não há o que responder! Amados, chamados, convidados, por que não nos esforçamos para ser dignos da tal rei, de tal Filho, de tal festa? “Então, o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai-o e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes!” Eis, caríssimos, a nossa responsabilidade! O Senhor nos deu o dom de ser cristãos; cobrará de modo decidido o que fizermos com nossa fé, com nossa vida em Cristo! O próprio Jesus nos previne, de modo muito claro, que “muitos são chamados e poucos são escolhidos”… Ninguém se iluda, pensando que porque é cristão já está salvo! Isso é bobagem e prepotência! Ao Senhor pertence o julgamento; a nós, conservar pura e conosco a veste do nosso Batismo!

Pensemos bem no modo como estamos vivendo nossa vida cristã e, de modo especial, nossa Eucaristia! E que o Senhor nos dê a graça de participar dignamente do Banquete do Senhor, nesta vida, nas missas que celebramos, e um dia, por toda a Eternidade! Amém.

Dom Henrique Soares