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Dar a Deus o que é de Deus (22-10-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 45
(1) Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, que ele levou pela mão para derrubar as nações diante dele, para desatar o cinto dos reis, para abrir-lhe as portas, a fim de que nenhuma lhe fique fechada: (2) Irei eu mesmo diante de ti, aplainando as montanhas, arrebentando os batentes de bronze, arrancando os ferrolhos de ferro. (3) Dar-te-ei os tesouros enterrados e as riquezas escondidas, para mostrar-te que sou eu o Senhor, aquele que te chama pelo teu nome, o Deus de Israel. (4) É por amor de meu servo, Jacó, e de Israel que escolhi, que te chamei pelo teu nome, com títulos de honra, se bem que não me conhecesses. (5) Eu sou o Senhor, sem rival, não existe outro Deus além de mim. Eu te cingi, quando ainda não me conhecias, (6) a fim de que se saiba, do levante ao poente, que nada há fora de mim. Eu sou o Senhor, sem rival,

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 1
(1) Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. A vós, graça e paz! (2) Não cessamos de dar graças a Deus por todos vós, e de lembrar-vos em nossas orações. (3) Com efeito, diante de Deus, nosso Pai, pensamos continuamente nas obras da vossa fé, nos sacrifícios da vossa caridade e na firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, nosso Pai. (4) Sabemos, irmãos amados de Deus, que sois eleitos. (5) O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 22
(15) Reuniram-se então os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras.
(16) Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.
(17) Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César?
(18) Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas?
(19) Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário.
(20) Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição?
(21) De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Dar a Deus o que é de Deus

“É lícito ou não pagar imposto a César?” Com esta pergunta, discípulos dos fariseus e partidários de Herodes se aproximam do Senhor, no Evangelho deste domingo, e põem-no à prova. Jesus Cristo, porém, percebendo a armadilha que lhe preparavam, dá uma resposta formidável: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Com isso, Ele nos ensina que “importa obedecer antes a Deus do que aos homens”.
Áudio

Estamos acompanhando, nas últimas semanas, a polêmica entre Jesus e os fariseus, estes com o coração cada vez mais fechado, Aquele ainda decidido a salvar as almas. O Evangelho deste domingo, por sua vez, nos coloca diante da armadilha que os doutores da lei, acompanhados por alguns partidários de Herodes, preparam para apanhar Jesus e, assim, indispô-lo ou com os judeus ou com os romanos. Depois de hipocritamente lhe dirigirem alguns elogios — “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências” (v. 16) —, os fariseus fazem então a seguinte pergunta: “É lícito ou não pagar imposto a César?”

Jesus, que conhecia bem o contexto social e político de sua época, percebe o embuste e trata logo de desmascará-lo publicamente.

Desde o ano 700 a.C., os judeus padeciam sob o jugo de alguma nação estrangeira: assírios, babilônios e, finalmente, os romanos. Era, portanto, mais do que justificável que os israelitas nutrissem repúdio pelo Império Romano e, obviamente, por aqueles que o ajudavam na cobrança dos impostos, como era o caso dos publicanos. Neste sentido, a pergunta que os fariseus fazem a Jesus não tem outro intuito senão colocá-lo em uma situação perigosa, seja com relação aos judeus, seja com relação aos romanos. Sem deixar de condenar a malícia dos que o haviam confrontado, Jesus responde de maneira surpreendente: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (v. 21).

A resposta de Cristo, além de pôr fim à polêmica com os fariseus, revela os limites da obediência temporal aos poderes políticos. De fato, o único ser a quem o homem deve prestar obediência irrestrita é Deus. Foi baseado nesse mesmo ensinamento que São Pedro respondeu às autoridades que tentavam impedi-lo de pregar em Jerusalém que “importa obedecer antes a Deus do que aos homens” (At 5, 29). Há sempre uma condição para que um povo seja obediente a um governante: a obediência desse mesmo governante às leis divinas. Caso essa obediência não exista, é obrigação do povo ser desobediente.

Para o Império Romano, a doutrina cristã sobre esse assunto foi uma verdadeira afronta, porque punha em xeque toda a ideologia idolátrica ao redor da figura de César. Roma se fundou a partir de uma ideologia pagã, que englobava todos os deuses das nações conquistadas pelo império. Os ídolos eram reunidos no Panteão, um templo dedicado às mais variadas entidades, onde os súditos do imperador deviam prestar suas homenagens. A pregação cristã, porém, rompeu com esse preceito e, colocando Jesus como único Deus digno de adoração, libertou os cidadãos das demais obrigações com as leis pagãs de Roma.

Ao longo dos séculos, gerações inteiras de cristãos se dispuseram a morrer para não obedecer às leis pagãs das autoridades civis. Nos dias de hoje, essa disposição se renova à medida que surge uma nova tentativa de paganização da sociedade, tentativa que se mostra cada vez mais hostil e decidida a acabar com o cristianismo.

O caso da ideologia de gênero é um bom exemplo. Alicerçada na pretensa ideia de um poder global que substitua as soberanias e coloque todos de joelhos aos seus relatórios, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem se dedicado intensamente à tarefa de mudar o conceito de família e, através disso, reorientar a educação. Para cumprir essa meta, a mesma ONU encontrou na chamada “ideologia de gênero” um aliado forte, cujo fim último é confundir as pessoas acerca do real sentido da sexualidade humana. Isso explica por que estamos assistindo a tantos movimentos violando a dignidade das crianças e incentivando-as a escolhas sobre preferência sexual, coisa que nenhum ser humano dessa idade é capaz de fazer. E aqueles que se opõem a essas violações são chamados de preconceituosos.

Quando houve a polêmica do “kit gay” — um conjunto de artigos, livros e vídeos produzidos pelo MEC cujo objetivo era doutrinar os estudantes para a causa LGBT —, o governo foi obrigado a cancelar a sua distribuição diante da pressão popular que se formou contra o programa. A ONU, por outro lado, não só se posicionou a favor do programa, como recomendou a sua distribuição pelo MEC.

Não é preciso muito esforço para perceber que os cristãos estão na mira do movimento globalista, por constituírem a única resistência firme aos seus projetos. O que fazer então?

Precisamos, antes de tudo, pedir a Deus a graça da fidelidade. Temos de ser dignos dos mesmos elogios que Jesus recebeu dos fariseus — ainda que eles o tenham feito de forma leviana. Devemos estar dispostos ao martírio, às vaias, às perseguições, ao isolamento, pois, como dizia São Pedro, convém antes obedecer a Deus que aos homens. E só seremos capazes disso se, confiando na providência divina, pedirmos incessantemente, como na prece de Santo Agostinho, que Ele nos conceda o que ordena. Da quod iubes et iube quod vis: “Dai-nos, Senhor, o que ordenais, e ordenai o que quiserdes!” Amém.

Padre Paulo Ricardo


Sem Cera!

“Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens” (Mt 22,16). Os homens que falam são aduladores! E Jesus não se deixa conquistar pela duplicidade da linguagem, nem pela malícia daqueles homens. O Evangelho descobre a falsidade deles logo no começo da narração; eram discípulos daqueles fariseus que tinham deliberado “sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras” (Mt 22,15).

Afirmava um amigo meu que cada um de nós leva dentro um “pequeno fariseu” ou um “discípulo de fariseu”. E tem razão! Frequentemente, podemos procurar parecer o que não somos para agradar, para subir na vida, para alcançar uma posição social, para… Desta maneira, se pode passar a vida com um disfarce no rosto, ocultando assim o que há de mais belo em nós ou não permitindo que as coisas sejam curadas porque não mostramos ao médico divino as nossas feridas.

Deus realmente não gosta da falta de sinceridade. “Os discípulos de Cristo “revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade” (Ef 4,24). “Livres da mentira” (Ef 4,25), devem “rejeitar toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência” (1 Pd 2,1)” (Cat. 2475).

Explica um autor que “os romanos, na sua paixão pelo belo e pelo autêntico, admiravam as expressões artísticas mais perfeitas e genuínas, e não admitiam defeitos nas obras de arte. Por isso, quando um escultor falhava, procurava dissimular o defeito cobrindo a irregularidade com cera. E quando a estátua saía perfeita das suas mãos, dizia-se que estava completa, íntegra, autêntica, sine cera – “sem cera”. Daí deriva a expressão sincera” (R. Llano Cifuentes, Vidas sinceras).

Devemos ser assim diante de Deus, “sem cera”, isto é, sinceros; é preciso que sejamos sinceros, bem sinceros: com o nosso confessor, com o diretor espiritual, com aquelas pessoas que tem como encargo saber aquilo que devem saber sobre nós para ajudar-nos. Nós, os cristãos, não participamos das festas de disfarces espirituais porque sabemos que diante de Deus somos o que somos, e nada mais. A máscara que as vezes queremos fazer para nós e que talvez até chamaria a atenção dos outros, nada vale diante de Deus. Jesus conhece até o mais profundo do ser humano, nada se pode esconder dele, muito menos continuar com um disfarce que vele o rosto. Caso contrário, podemos escutar do Senhor aquela palavra que é bastante forte: “hipócritas” (Mt 22,18).

A sinceridade nos leva à autenticidade, a sermos nós mesmos. Também nos leva à simplicidade: nada temos que esconder, somos sempre o que somos e nos mostramos como somos diante dos outros. A pessoa sincera é simples, não anda com complicações, com cavilações inúteis. Uma pessoa sincera é humilde, virtude esta que muito agrada a Deus e atrai novas graças.

Gostaria de insistir num aspecto da sinceridade que é capital. Trata-se daquela sinceridade total que devemos ter no sacramento da confissão. Lá vamos para dizer as podridões, os pecados; para mostrar as feridas, as chagas, as coisas feias. Nenhum padre espera que cheguemos ao confessionário para dizer as nossas virtudes, as coisas boas que fizemos ou como somos pessoas “nota 10”. Não! Para isso não é o sacramento da confissão. Vamos confessar-nos para dizer os pecados, ser perdoados e ficar reconciliados com Deus e com sua Igreja. Devemos ser, portanto, bem sinceros. Melhor ainda se começarmos a falar aquelas coisas que nos parecem mais difíceis de dizer, as que nos causam maior vergonha. Deus nos livre de esconder por vergonha algum pecado, neste caso a nossa confissão seria inválida e nenhum pecado seria perdoado. Outra coisa é quando a gente se esquece de dizer algum pecado. Neste caso, todos os pecados ficam perdoados, podemos ficar bem tranquilos depois da confissão e continuar comungando; na próxima que nos confessarmos diremos aquilo que tínhamos esquecido.

Sinceridade! Sinceridade! Sinceridade! Desta maneira tudo se resolverá, mais cedo ou mais tarde. Confiemos no Senhor, digamos-lhe o que está acontecendo conosco e ele nos dirá aquilo que ele quer de nós. Sejamos sinceros com Deus, pois ele sempre o é conosco.

Pe. Françoá Costa