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O mandamento do amor (29-10-2017)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 22
(21) Não maltratarás o estrangeiro e não o oprimirás, porque foste estrangeiro no Egito. (22) Não prejudicareis a viúva e o órfão. (23) Se os prejudicardes, eles clamarão a mim e eu os ouvirei, (24) minha cólera se inflamará e vos farei perecer pela espada, vossas mulheres ficarão viúvas e vossos filhos, órfãos. (25) Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que está contigo, não lhe serás como um credor: não lhe exigirás juros. (26) Se tomares como penhor o manto de teu próximo, devolver-lho-ás antes do pôr-do-sol, (27) porque é a sua única cobertura, é a veste com que cobre sua nudez, com que dormirá ele? Se me invocasse, eu o ouviria, porque sou misericordioso.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 1
(5) O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação. (6) E vós vos fizestes imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo, (7) de sorte que vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. (8) Em verdade, partindo de vós, não só ressoou a palavra do Senhor pela Macedônia e Acaia, mas também se propagou a fama de vossa fé em Deus por toda parte, de maneira que não temos necessidade de dizer coisa alguma. (9) De fato, a nosso respeito, conta-se por toda parte qual foi o acolhimento que da vossa parte tivemos, e como abandonastes os ídolos e vos convertestes a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro, (10) e aguardardes dos céus seu Filho que Deus ressuscitou dos mortos, Jesus, que nos livra da ira iminente.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 22
(34) Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se
(35) e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova:
(36) Mestre, qual é o maior mandamento da lei?
(37) Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5).
(38) Este é o maior e o primeiro mandamento.
(39) E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).
(40) Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

O mandamento do amor

O Evangelho deste domingo trata do primeiro e mais importante mandamento da Lei de Deus, a saber, o mandamento do amor. Em sua resposta aos fariseus, Jesus declara que o amor a Deus deve ser total, isto é, não pode ser dividido com as demais criaturas. Embora isso pareça absurdo, o testemunho dos grandes santos da Igreja comprova que essa é a única maneira de se chegar ao Céu.
Áudio

O Evangelho deste domingo trata do primeiro e mais importante mandamento da Lei de Deus, a saber, o mandamento do amor. Em meio àquele clima de polêmica e já sabendo que Jesus havia calado os saduceus, o grupo dos fariseus decide, mais uma vez, colocá-lO à prova para arrancar-lhe algum discurso contraditório e, assim, desacreditá-lO diante do povo. “Qual é o maior de todos os mandamentos?”, perguntam-lhe os doutores da Lei. A resposta de Jesus, embora seja uma citação do Antigo Testamento (cf. Dt 6, 5), revela o sentido mais profundo de sua pregação e o que, de fato, significa ser uma pessoa religiosa: quem se diz temente a Deus deve, claro, amá-lO de todo o coração.

A maior parte das pessoas concorda com o mandamento de que devemos amar a Deus. É quase absurdo imaginar alguém que crê em Deus e ao mesmo tempo o odeia. E embora esse amor deva ser “sobre todas as coisas”, como exige o mandamento, ainda se trata de uma norma razoavelmente aceitável e perfeitamente lógica para os homens. Numa justa hierarquia, pensa-se, deve-se primeiro amar a Deus, depois a família, depois os amigos, os bens e assim por diante. Pecado haveria se essa ordem fosse invertida e Deus acabasse ocupando o último lugar na vida das pessoas. Não existindo essa desordem, porém, não haveria problema algum.

Ocorre que Jesus aprofundou o significado desse mandamento ao ressaltar a realidade de que o amor a Deus deve ser total, ou seja, “de todo o coração”. Entende-se, portanto, que o homem não pode dividir o seu coração com mais nada além de Deus.

Como, então, o cristão pode amar Deus e as demais coisas?

Para resolver esse aparente dilema, recorramos à sabedoria dos santos que, mais do que todos, souberam dar a Deus o seu devido amor com generosidade. Santo Tomás de Aquino ensina que amar a Deus sobre todas as coisas é amar a Deus como fim último de todas as coisas. O marido que ama sua esposa, por exemplo, deve amá-la por causa de Deus. Do contrário, esse marido olhará para sua mulher como objeto, desprezando aquilo que ela tem de mais precioso, que é a filiação divina. O mesmo vale para as demais realidades temporais. A pessoa que se ama a si mesma porque Deus a criou à sua imagem e semelhança não peca por vaidade ou amor-próprio. Por outro lado, aquele que se despreza porque não possui certas qualidades que gostaria de possuir não só padece de baixa autoestima como se atreve a questionar os planos de Deus.

No livro Caminho de Perfeição, Santa Teresa d’Ávila ressalta a grandiosidade da entrega por amor a Deus com as seguintes palavras: “Pensais, irmãs, ser pequeno benefício esse desapego, que nos proporciona a felicidade de nos darmos totalmente e sem partilhas àquele que é o nosso Tudo?” (VIII, 1).  Trata-se de fugir daquela mesma atitude de Marta que, esquecendo-se do único bem necessário, ou seja, de estar na presença de Deus, agita-se com as panelas e os demais deveres do cotidiano. Todas as nossas obrigações devem estar orientadas para a glória de Deus, seja um grande empreendimento, seja uma coisa simples como lavar o banheiro. Fazendo dessa forma, o cristão amará a Deus sobre todas as coisas e de todo o coração.

É possível, porém, que esse ensinamento cause espanto em alguns por parecer demasiado radical e extremista. Neste sentido, devemos deixar claro que não há limites para o primeiro mandamento, porque, assim como um médico deseja curar totalmente o seu paciente, também o amor por Deus, que é a cura para todas as nossas enfermidades, precisa ser absoluto. A finalidade da vida humana é estar radicalmente unida a Deus.

Ademais, a busca determinada pela virtude da caridade é uma condição indeclinável para o crescimento na santidade. Quem busca essa virtude, cresce no amor, ainda que durante a caminhada haja percalços e algumas quedas. Aquele que não se dispõe a amar, contudo, acaba regredindo na sua espiritualidade, pois, na vida espiritual, “quem não cresce, regride”.

Santo Tomás de Aquino trata desse assunto no seu Comentário aos dez mandamentos. Para o Aquinate, o crescimento no amor depende de quatro disposições, a saber:

  1. Para crescer no amor a Deus, é preciso que a pessoa se disponha a ouvir diligentemente a Palavra. Como escreve São João, Deus nos amou por primeiro e veio ao nosso encontro por meio do Verbo Encarnado (cf. 1 Jo 4, 19). É necessário, por isso, que a pessoa receba essa notícia do amor de Deus — que vem, obviamente, pela meditação das Sagradas Escrituras —, a fim de que o fogo da caridade incendeie seu coração, como incendiou o coração dos discípulos de Emaús: “Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).
  2. Depois de a chama da caridade se acender, é preciso que ela aumente cada vez mais. A pessoa deve, então, olhar para sua própria vida, como um verdadeiro exame de consciência, e meditar a respeito das inúmeras vezes em que foi objeto da benevolência de Deus, para que sua gratidão se torne maior. Enfim, Santo Tomás fala claramente da necessidade da vida de oração, de uma contínua consideração dos bens recebidos.
  3. Deve-se afastar o coração das coisas do terra por um determinando desapego, a fim de que a finalidade da vida seja inteiramente ordenada para Deus. É preciso entender que a felicidade não pertence a este mundo e que, portanto, tudo o que ocupa o lugar de Deus, mesmo as coisas mais honestas, obstruem a caminhada para a felicidade eterna.
  4. Crescer na virtude da paciência diante das adversidades vividas no dia a dia. Quando se suporta uma provação difícil, o amor cresce mais rapidamente. O maior ato de amor que Jesus praticou pela humanidade aconteceu no sacrifício paciente e silencioso da cruz.

Para resumir, amar a Deus sobre todas as coisas e de todo coração é amar sem medida, tendo Deus por finalidade última de toda a nossa vida. O homem que deseja amar assim deve, primeiro, ouvir a Palavra e meditar diligentemente sobre os benefícios de Nosso Senhor, de modo que, provado na paciência e no desapego das coisas efêmeras, espalhe o fogo da caridade por todo o mundo. Com essa grande lição de Santo Tomás, aprendamos a viver o amor generoso que Deus espera de nós, pois a caridade é a marca essencial dos cristãos.

Padre Paulo Ricardo


O mandamento da alegria

Os fariseus, em grupos, continuam preparando armadilhas para Jesus; querem provocar afirmações polêmicas de Jesus, para poder acusá-lo e condená-lo.

Os fariseus perguntam: “Qual é o maior dos mandamentos?” Alguns afirmavam que o maior de todos os mandamentos era guardar o sábado. Outros diziam que todos os mandamentos tinham o mesmo valor. Além disso, os Judeus tinham 613 mandamentos (a maioria proibições).

Jesus responde, buscando fundamentação em duas passagens da Bíblia: “Amarás o Senhor teu Deus com todas…” (Dt 6,5). E, “amarás o teu próximo como a ti mesmo…” (Lv 19,18).

Define o Amor de Deus e ao próximo como o centro essencial da Lei. Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade de Deus. É o resumo de toda a Bíblia. Podemos dizer que Jesus convida à alegria, porque é um apelo ao amor. O mandamento do amor é ao mesmo tempo o da alegria, pois esta virtude ensina São Tomás: “não é diferente da caridade, mas um certo ato e efeito seu”. Por isso, um dos elementos mais claros para medirmos o grau da nossa união com Deus é verificarmos o nível de alegria e bom humor que pomos no cumprimento do dever, no trato com os outros, à hora de enfrentarmos a dor e as contrariedades.

Quando os fariseus se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram qual era o principal mandamento da Lei, Jesus respondeu-lhes: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças. O segundo é semelhante a ele: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. É disto que precisamos: de procurar o rosto de Deus com tudo o que temos e somos, e de servir o nosso próximo, abrindo-nos a ele e esquecendo-nos de nós mesmos, fugindo da preocupação obsessiva pelo conforto, abandonando a nossa vaidade e orgulho, colocando o olhar longe de nós mesmos…, amando.

Muitos pensam que serão mais felizes quando possuírem mais coisas, quando forem mais admirados…, e se esquecem de que só necessitamos de “um coração enamorado”. O nosso coração foi feito por Deus para alcançar a sua plenitude, a sua completa realização, nos bens eternos, no seu Criador! Portanto nenhum amor pode saciar o nosso coração, se vier a faltar o Amor com maiúscula! Os outros amores limpos –se não forem limpos, não serão amor- só adquirem o seu verdadeiro sentido quando se procura o Senhor sobre todas as coisas. É por isso que nem o egoísta, nem o invejoso, nem quem tem colocada a sua alma nos bens da terra… podem saborear a alegria que Jesus prometeu aos seus discípulos, porque não saberão amar, no sentido mais profundo e nobre da palavra. Ensina Santa Teresa: “Quando é perfeito, o amor tem esta força: leva-nos a esquecer o nosso próprio contentamento para contentar Aquele a quem amamos. E verdadeiramente é assim, porque, ainda que sejam grandíssimos os trabalhos, se nos afiguram doces quando percebemos que contentamos a Deus” (Fundações, 5,10).

Exorta S. Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos!” (Fl 4,4). Quando a alma está alegre, abre-se e ganha asas para voar para Deus e para exceder-se no serviço aos outros; um coração alegre está mais perto de Deus, dispõe-se a levar a cabo grandes tarefas e é estímulo para os seus irmãos.

Quando se diz em linguagem figurada que esta ou aquela casa “parece um inferno”, vem-nos à mente um lar sem amor, sem alegria, sem Cristo. Um lar cristão deve ser alegre, porque nele está o Senhor que o preside, e porque ser discípulo seu significa, entre outras coisas, viver essas virtudes humanas e sobrenaturais a que está tão intimamente unida a alegria: generosidade, cordialidade, espírito de sacrifício, simpatia, empenho por tornar mais amável a vida de todos…

Fujamos da tristeza! A alma entristecida cai com facilidade no pecado e fica sem forças para o bem; caminha com certeza para a derrota. “Assim como a traça corrói o vestido, e o caruncho a madeira, assim a tristeza prejudica o coração do homem.” (São Bernardo). Se alguma vez sentimos que esta doença da alma nos ronda ou já se introduziu em nós, examinemos onde está colocado o nosso coração.

Ensina Sto. Agostinho: “O pecado é o motivo de tua tristeza. Deixa que a santidade seja o motivo de tua alegria. A busca de Deus é a busca da alegria. O encontro com Deus é a própria alegria. O que mais Deus odeia depois do pecado é a tristeza, porque nos predispõe ao pecado”.

Diz o Doc. De Aparecida, nº 29: “Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades. A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo aterrorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria.”

No encerramento do Mês  das Missões, a Igreja nos relembra que todo cristão deve ser missionário.

Vivendo intensamente os dois amores (a Deus e ao próximo), crescerá também em nós um novo ardor missionário.

“O Dia Mundial das Missões reavive em cada um o desejo e a alegria de ir ao encontro da humanidade levando Cristo a todos” (Bento XVI).

Mons. José Maria Pereira.