Católicos Online

     ||  Início  ->  As dez virgens e o noivo

As dez virgens e o noivo (12-11-2017)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro da Sabedoria (Sb), capítulo 6
(12) Resplandescente é a Sabedoria, e sua beleza é inalterável: os que a amam, descobrem-na facilmente. (13) Os que a procuram encontram-na. Ela antecipa-se aos que a desejam. (14) Quem, para possuí-la, levanta-se de madrugada, não terá trabalho, porque a encontrará sentada à sua porta. (15) Fazê-la objeto de seus pensamentos é a prudência perfeita, e quem por ela vigia, em breve não terá mais cuidado. (16) Ela mesma vai à procura dos que são dignos dela, ela lhes aparece nos caminhos cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos os seus pensamentos,

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 4
(13) Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. (14) Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram. (15) Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. (16) Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. (17) Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. (18) Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25
(1) Então o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo.
(2) Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes.
(3) Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo.
(4) As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas.
(5) Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram.
(6) No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro.
(7) E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas.
(8) As tolas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando.
(9) As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós, é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.
(10) Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta.
(11) Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: Senhor, senhor, abre-nos!
(12) Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço!
(13) Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

O óleo da caridade

No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor conta a seus discípulos a parábola das dez virgens, que se põem à espera do esposo e de sua festa de núpcias. Todas elas têm as lâmpadas acesas, isto é, praticam boas obras e são irrepreensíveis em seu comportamento. Apenas cinco delas, no entanto, trazem consigo o “óleo” da caridade, e fazem as coisas certas pela razão certa. Só estas, explica o Senhor, se salvarão no dia final.

Áudio

parábola das dez virgens, narrada no Evangelho deste domingo, trata de como nós, católicos, devemos nos preparar para o encontro definitivo com Deus; ensina-nos, nas palavras de Santo Tomás, “as disposições interiores que precisamos para ser salvos”. Essa é a chave de leitura.

Muitas religiões pregam uma série de preceitos sagrados e regras morais para seus fiéis cumprirem como condição de salvação. O cristianismo, por outro lado, ensina que de nada adiantam as grandes obras externas se o coração não estiver retamente ordenado para Deus. Para os cristãos, a salvação depende muito mais do coração, da intimidade com o Senhor, do que das aparências externas. E é isso o que Jesus procura deixar claro na parábola das dez virgens.

Veja que até mesmo um ladrão pode ser aparentemente virtuoso, pode submeter-se a uma série de exercícios para conseguir atingir suas metas. Mas ninguém, em sã consciência, diria que esse criminoso, por mais “virtuoso” que fosse, é digno de ser imitado. A finalidade das suas ações mostra que seu coração não está ordenado para o bem.

O cristianismo insiste, portanto, que devemos fazer as coisas certas pelo motivo certo.

parábola das dez virgens conta a história de um casamento e da expectativa para a chegada do noivo. Na verdade, o texto é uma alusão ao casamento entre Deus e o seu povo, entre Cristo e a Igreja, que deve acontecer na parusia, quando Jesus vier outra vez, com toda a sua glória, para julgar o gênero humano e levar os justos para o Céu.

Na época de Jesus, a festa de matrimônio ocorria na casa da esposa. Lá, ela se reunia com as amigas, que são as dez virgens, para aguardarem a vinda do esposo. Essas dez virgens são os cristãos que aguardam a vinda de Jesus. Em nossas almas deve arder esse fogo, esse desejo de Deus, a fim de que Ele venha fazer morada em nós.

Em seu sermão de número 93, Santo Agostinho fala dessas virgens como jovens intactas, de comportamento irrepreensível, e que fazem boas obras, o que é representado pelas velas acesas. Mas, nota Santo Agostinho, há uma diferença entre essas virgens: há cinco que são sensatas, pois fazem as coisas certas pelas razões certas, e outras cinco que são imprudentes, pois não têm a caridade no coração. Falta-lhes o óleo! As virgens prudentes, sensatas, trazem o óleo em pequenas vasilhas, isto é, trazem a caridade no coração, ao passo que as outras encontram-se vazias.

O óleo dessa parábola é a própria unção do Espírito Santo, o amor de caridade que torna todas as obras, por menores que sejam, meritórias diante de Deus. O amor torna tudo diferente. Como temos insistido aqui no site, o que santifica uma pessoa e faz com que ela se torne um grande santo não são as ações difíceis, mas o amor com que ela pratica as suas ações. São Paulo confirma esse ensinamento naquele seu famoso louvor à caridade, na I Carta aos Coríntios: Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” (13, 3). De fato, se não houver esse amor, Jesus olhará para nós no dia de nosso juízo e, como o noivo da parábola, dirá: “Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!” (v. 12).

Peçamos à Virgem Maria, ela que é a mais prudente de todas as virgens, para que sempre providencie o óleo da caridade para nossos corações!

Padre Paulo Ricardo


As dez virgens e o noivo

As Dez Virgens

O Evangelho ( Mt 25, 1 – 13 ) narra a parábola das dez virgens que vão ao encontro do esposo. O Senhor quis esboçar a situação de seus discípulos no mundo e o próprio significado de sua passagem através da vida; quis ajudar – nos a responder àquela eterna e inquietante pergunta: “Para onde estamos indo?” Meditar isso é refletir sobre nosso destino mais verdadeiro; é como olhar – se espelho da vontade de Deus.

O que é a vida à luz desta parábola evangélica? É uma espera ativa. Todo o ambiente criado por Jesus pela parábola é de expectativa, está dominado por este sentimento de espera. Tudo respira um ar de suspense. Sabe – se  que o esposo virá ( buscar a esposa da sua casa )e cada coisa se ilumina com este pensamento: os ouvidos estão grudados na porta e os olhos na janela; todas as conversas falam “dele” e se espera de um momento ao outro que se levante o grito: “Eis o noivo, está chegando. Ide ao seu encontro!”.

Assim é a vida cristã nesta terra à luz da fé: uma espera. O cristão é aquele que – certo de que um dia vai realizar – se um evento decisivo para ele – se esmera para organizar cada ato de sua vida em vista desta espera. Não se trata, porém, de uma espera inerte, uma espera para que o tempo passe, e basta, como fez o servo que enterrou o talento recebido e esperou que o dono chegasse. Para as virgens da parábola, a espera é preenchida com duas preocupações: manter a lâmpada  acesa e ir ao encontro do esposo. Transposto em nossa vida, isto significa viver na “vigilância” e na “fidelidade”.

Jesus, ao falar, é seguido por esses traços característicos do verdadeiro discípulo. Compara o cristão ao “servo fiel” a quem o patrão confiou a guarda de sua casa, que não adormece, não se apodera do que está na despensa, não é prepotente com os outros servos; fica, porém, desperto e pronto, para abrir a porta a seu patrão assim que volte das núpcias ( Lc 12, 35ss).

Mas o que significa ser fiel? São Paulo o explica aos primeiros cristãos: Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé ( Gl 6, 9 – 10 ). Ser fiéis a Deus significa, portanto, ser perseverantes, não abandonar a luta, mesmo quando a espera se prolonga e o compromisso se torna mais duro.

Fidelidade e vigilância: o que torna tudo isso muito urgente é que não se sabe a hora: Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora ( Mt 25, 13). Não sabiam a hora aquelas virgens e não a sabe nenhum de nós.

Mas o que significa, a este ponto, este vigiar tão insistente do Evangelho? Ficar pensando na morte, dia e noite, paralisados com este pensamento? Pelo contrário. Significa pensar na vida e como enchê – la  de conteúdo; significa agir em cada momento conforme a vontade de Deus, mas agir!

Examinemos na presença do Senhor o que é realmente o principal na nossa vida. Procuramos o Senhor em tudo o que fazemos, ou procuramo – nos a nós mesmos?  SE Cristo  viesse hoje ao nosso encontro, achar – nos – ia vigilantes, esperando – O com as mãos cheias de boas obras?

“Há esquecimentos que não são falta de memória, mas de amor”. Quem ama não se esquece da pessoa amada. Quando o Senhor ocupa o primeiro lugar, não nos esquecemos dEle.  Permanecemos em atitude vigilante, acordados, como Jesus nos pede no final da parábola: Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

Meditemos hoje sobre o estado da nossa alma e sobre  o sentido que estamos dando aos nossos dias, ao trabalho…. e repitamos – retificando o que não estiver de acordo com o querer de Deus – a oração do Salmo 62: Ó Deus, Tu és o meu Deus, desde a aurora Te procuro. A minha alma tem sede de Ti, deseja – Te a minha carne, como terra seca, sem água.

Sei bem, Senhor, que nada do que faço tem sentido se não me aproxima de Ti.

 

Mons. José Maria