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Administradores dos Talentos (19-11-2017)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro dos Provérbios (Pr), capítulo 31
(10) Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. (11) Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. (12) Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. (13) Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. (14) Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. (15) Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. (16) Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. (17) Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. (18) Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite. (19) Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. (20) Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. (21) Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. (22) Faz para si cobertas: suas vestes são de linho fino e de púrpura. (23) Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra. (24) Tece linha e o vende, fornece cintos ao mercador. (25) Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos, ri-se do dia de amanhã. (26) Abre a boca com sabedoria, amáveis instruções surgem de sua língua. (27) Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. (28) Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. (29) Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas. (30) A graça é falaz e a beleza é vã, a mulher inteligente é a que se deve louvar. (31) Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 5
(1) A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos. (2) Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite. (3) Quando os homens disserem: Paz e segurança!, então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão. (4) Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. (5) Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. (6) Não durmamos, pois, como os demais. Mas vigiemos e sejamos sóbrios.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25
(14) Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.
(15) A um deu cinco talentos, a outro, dois, e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.
(16) Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles, fê-los produzir, e ganhou outros cinco.
(17) Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.
(18) Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.
(19) Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.
(20) O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos, eis aqui outros cinco que ganhei.'
(21) Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
(22) O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos, eis aqui os dois outros que lucrei.
(23) Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
(24) Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.
(25) Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.
(26) Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.
(27) Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.
(28) Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.
(29) Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.
(30) E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores, ali haverá choro e ranger de dentes.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Servo mau e preguiçoso!

Ao chamar de “mau e preguiçoso” ao último servo da parábola dos talentos, Jesus Cristo descreve a situação de muitos de nós, que, arrastados pela memória de sentimentos, terminamos obedecendo simplesmente à lei dos animais: “Foge da dor, busca o prazer”. Mas será possível, afinal, sair dessa lógica animalesca e escravizante? Como podemos nos tornar “servos bons e fiéis” para participarmos, um dia, da alegria de Nosso Senhor?

Como nas demais parábolas do capítulo 25 do Evangelho segundo Mateus, a parábola contada por Jesus neste domingo apresenta-nos a realidade do Juízo Final. Na semana passada, a parábola das dez virgens descrevia o julgamento das virgens imprudentes, que não se prepararam para o encontro com o Esposo. No próximo domingo, Solenidade de Cristo Rei, ouviremos o veredito do Filho do Homem, que se assenta no trono para acolher as ovelhas e apartar os cabritos (cf. Mt 25, 31-46). Nesta semana, Jesus indica-nos o que podemos fazer para evitar a condenação eterna, contando-nos a parábola dos talentos.

Vimos na parábola das dez virgens que, sem o óleo da caridade, de nada valem as boas obras, por maiores que elas sejam. A “parábola dos talentos”, por conseguinte, aponta para a necessidade de se multiplicar a caridade, multiplicar os dons gratuitos que recebemos de Deus.

Conforme lemos no Evangelho, um patrão dispensa vários talentos — isto é, uma certa quantidade de ouro — a três de seus servos, na intenção de que eles os multiplicassem no período de sua ausência. Ao retornar, porém, esse patrão se depara com a infidelidade de um dos servos que, por temer a severidade do senhor, preferiu esconder o talento recebido ao invés de cultivá-lo. O patrão então lhe diz: “‘Servo mau e preguiçoso!”

Qual é o significado desses dois adjetivos empregados pelo patrão?

O preguiçoso é aquele que sofre de uma doença muito comum na humanidade, especialmente nos dias atuais: ele não quer pagar o preço do amor; antes, deseja apenas satisfazer os apelos de suas paixões. O acidioso age como um verdadeiro animal, porque se deixa levar para lá e para cá pelos estímulos de seus sentidos, ora fugindo da dor, ora buscando o prazer. Ele é capaz tão somente de fazer escolhas sensuais, preso como está à realidade dos animais.

A consequência da preguiça para a alma é que a pessoa se torna incapaz de amar, pois todos os seus atos se resumem às compensações da carne. O servo preguiçoso se prendeu às sensações da carne, ao medo infundado que tinha do patrão, de modo que não conseguiu cultivar o dom recebido gratuitamente.

Mas o cultivo dos dons que recebemos também depende de uma gratidão ao senhor. Daí que o patrão acusa o servo preguiçoso de ser “mau”. Ele não enxergou o amor com que foi amado, o quanto seu senhor se lhe doou, confiando-lhe parte de sua graça. Ao contrário, deixou-se levar pelas falsas impressões de seu cérebro, pela ingratidão e pela preguiça.

Para combater a ingratidão e a preguiça de amar, é fundamental a necessidade de um diálogo constante com Deus, por meio da oração, quando nos lembramos dos inúmeros benefícios de que fomos objeto. O cultivo do amor passa, portanto, pelo seguinte itinerário.

Na vida de toda pessoa, há momentos em que predomina a ação — ou seja, a execução de tarefas práticas, o desenvolvimento de algum trabalho ou atividade social ou religiosa etc. — e há momentos em que predomina a imaginação — quando a memória está livre para elaborar situações com base em recordações vividas anteriormente. Esses momentos de imaginação devem ser observados com todo o cuidado, pois dependem deles as nossas ações concretas. Se não usamos nossa imaginação para recordar das graças e da bondade de Deus, terminamos arrastados pelas paixões e pelas más lembranças.

O ser humano possui duas memórias: a memória cerebral e a memória espiritual. A primeira está ligada mais às sensações que experimentamos nos nossos relacionamentos: o riso depois de uma piada, a frustração por conta de um projeto malsucedido, o prazer ao ingerir um bom alimento, o rancor após uma desfeita etc. Já a segunda se refere tanto à ciência como às verdades eternas que apreendemos por meio da oração e da meditação. É por meio dessa que nos encontramos com o amor de Deus.

É importante estar sempre atento a qual memória se encontra mais ativa em nós. Na parábola deste domingo, Jesus chama aos outros dois servos de “bons e fiéis” porque, enquanto aguardavam o retorno do patrão, eles trabalhavam motivados pelas lembranças da memória espiritual, ao passo que o servo “mau e preguiçoso” ficou inerte por seguir a memória cerebral, animal.

Na oração, portanto, devemos fazer esse exame de consciência, para ver qual memória tem predominado em nossa vida, a fim de que vençamos as más recordações e caminhemos na verdade. Assim, toda a nossa vida ativa será pautada pelo louvor constante a Jesus, pela sua bondade infinita para conosco, de modo que, no dia de nosso julgamento, Ele poderá dizer a nós o que o patrão disse ao “servo bom e fiel”: “Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!” (v. 23).

Padre Paulo Ricardo


Administradores dos Talentos

No Evangelho (Mt 25,14-30) Jesus conta a parábola dos talentos: um homem que, partindo de viagem para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um, de acordo com a sua capacidade. Depois de muito tempo ele voltou e pôs-se  a ajustar as contas com eles. Elogiou e recompensou os que fizeram render os talentos a eles confiados e repreendeu e castigou o que não fez render o único talento recebido.

Com esta parábola Jesus nos ensina que a vida na terra é um tempo para administrarmos a herança do Senhor e assim ganharmos o Céu.

O significado da parábola é claro. Nós somos os servos; os talentos são as condições  com que Deus dotou cada um de nós (a inteligência, a capacidade de amar, de fazer os outros felizes, os bens temporais…); o tempo que dura a ausência do patrão é a vida; o regresso inesperado, a morte; a prestação de contas, o juízo; entrar no gozo de Senhor, o Céu. Não somos donos, mas administradores de uns bens dos quais teremos de prestar contas.

Hoje podemos examinar na presença de Deus se realmente temos mentalidade de administradores e não de donos absolutos, que podem dispor a seu bel-prazer do uso que fazemos do nosso corpo e dos sentidos, da alma e das suas potências. Servem realmente para dar glória a Deus? Pensemos se fazemos o bem com os talentos recebidos: com os bens materiais, com a nossa capacidade de trabalho, com as amizades… o Senhor deseja ver o seu patrimônio bem administrado. O que Ele espera é proporcional àquilo que recebemos.

“Muito bem servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria” (Lc 25,21). Vale a pena sermos fiéis aqui, enquanto aguardamos a chegada do Senhor, aproveitando este curto espaço de tempo com sentido de responsabilidade. Que alegria quando nos apresentarmos diante d’Ele com as mãos cheias, dizendo: olha Senhor, fiz render os talentos que me destes. Não tive outro fim senão a tua glória!

Nesta parábola o Senhor ensina-nos especialmente a necessidade de corresponder à graça de maneira esforçada, exigente e constante durante toda a vida. Importa fazer render todos os dons que recebemos do Senhor. O importante não é o número, mas a generosidade para fazê-los frutificar.

Fiquemos atentos, pois a correspondência à graça se dá no dia a dia, na família, no trabalho profissional, no apostolado etc. Ensina São Josemaría Escrivá: “Há uma única vida, feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser – na alma e no corpo – santa e cheia de Deus, deste Deus invisível, que nós encontramos nas coisas mais visíveis e materiais. Não há outro caminho, meus filhos: ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida corrente, ou nunca O encontraremos” (Temas Atuais do Cristianismo, n° 114).

Mas o que tinha recebido um talento foi, cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Quando este lhe pediu contas, tentou desculpar-se…

Este último servo revela-nos como é que o homem se comporta quando não vive uma fidelidade ativa em relação a Deus. Prevalecem o medo, a auto estima, a afirmação do egoísmo que procura justificar a sua conduta com as injustas pretensões do seu senhor que deseja colher onde não semeou. “Servo mau e preguiçoso”, é como o Senhor o chama ao ouvir as suas desculpas. Esqueceu uma verdade essencial: que o homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo e assim merecer a vida com o próprio Deus para sempre no Céu.

Quando se conhece a Deus, é fácil amá-Lo e servi-Lo. Quando se ama, servir não só não é custoso nem humilhante: é um prazer. “Servo preguiçoso”, diz o Senhor. A preguiça fruto da falta de amor leva a um desamor muito maior. Nesta parábola, o Senhor condena os que desenvolvem os dons que Ele lhes deu e os que os empregaram a serviço do seu comodismo pessoal, ao invés de servirem a Deus e aos seus irmãos, os homens, num serviço de amor.

A nossa vida é breve! Por isso temos que aproveitá-la até o último instante para crescer no amor e no serviço a Deus. Alerta-nos a Sagrada Escritura para a brevidade da vida. È comparada à fumaça (Sl 38,6), à sombra (Sl 143,4), à passagem das nuvens (Jó 4,2; 37,2), ao nada (Sl 38,6). Que pena se perdemos o tempo ou o empregamos mal, como se não tivesse valor! Quando o cristão mata o seu tempo na terra, coloca-se em perigo de matar o seu Céu.

Aproveitar o tempo é levar a cabo o que Deus quer que façamos em cada momento; é viver plenamente o momento presente, empenhando a cabeça e o coração naquilo que fazemos, ainda que humanamente pareça ter pouca importância, sem nos preocuparmos excessivamente com o passado nem nos inquietarmos muito com o futuro. Viver o momento presente, de olhos postos em Deus, torna-nos mais eficazes e livra-nos de muitas ansiedades inúteis, que nada mais fazem do que paralisar-nos.

Ao pedir que administremos os talentos o Senhor convida-nos à vigilância.

No fim de nossa vida, o que desejamos ouvir? “Servo bom e fiel… vem participar da minha alegria…” ou “ servo mau e preguiçoso… servo inútil… joguem-no fora… na escuridão… onde haverá choro e ranger de dente?”. A escolha será nossa!

Mons. José Maria