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O Reinado de Cristo (26-11-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 34
(1) A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: (2) filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel, dize-lhes, a esses pastores, este oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ai dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio pasto. Não é seu rebanho que devem pastorear os pastores? (3) Vós bebeis o leite, vestis-vos de lã, matais as reses mais gordas e sacrificais, tudo isso sem nutrir o rebanho. (4) Vós não fortaleceis as ovelhas fracas, a doente, não a tratais, a ferida, não a curais, a transviada, não a reconduzis, a perdida, não a procurais, a todas tratais com violência e dureza. (5) Assim, por falta de pastor, dispersaram-se minhas ovelhas, e em sua dispersão foram expostas a tornarem-se presa de todas as feras. (6) Minhas ovelhas vagueiam em toda parte sobre a montanha e sobre as colinas, elas se acham espalhadas sobre toda a superfície da terra, sem que ninguém cuide delas ou se ponha a procurá-las. (7) Pois bem, pastores, escutai a palavra do Senhor: (8) por minha vida - oráculo do Senhor Javé -, já que por falta de pastor foram minhas ovelhas entregues à pilhagem, e serviram de pasto às feras, pois os meus pastores não têm o mínimo cuidado com elas, e que, em vez de pastoreá-las, só têm procurado se fartar eles próprios, (9) por isso, escutai, pastores, o que diz o Senhor: (10) Eis o que diz o Senhor Javé: vou castigar esses pastores, vou reclamar deles as minhas ovelhas, vou tirar deles a guarda do rebanho, de modo que não mais possam fartar a si mesmos, arrancarei minhas ovelhas da sua goela, de modo que não mais poderá devorá-las. (11) Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas. (12) Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu, eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas. (13) Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região. (14) Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a gordos campos sobre as montanhas de Israel, elas repousarão sobre as verdes relvas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens. (15) Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Javé. (16) A ovelha perdida eu a procurarei, a desgarrada, eu a reconduzirei, a ferida, eu a curarei, a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça. (17) Quanto a vós, minhas ovelhas, eis o que diz o Senhor Javé: vou julgar entre ovelha e ovelha, vou julgar os carneiros e os bodes.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 15
(20) Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram! (21) Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. (22) Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. (23) Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo, em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. (24) Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. (25) Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. (26) O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés. (27) Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. (28) E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25
(31) Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
(32) Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
(33) Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
(34) Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
(35) porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes,
(36) nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava na prisão e viestes a mim.
(37) Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
(38) Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
(39) Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
(40) Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
(41) Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
(42) Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber,
(43) era peregrino e não me acolhestes, nu e não me vestistes, enfermo e na prisão e não me visitastes.
(44) Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
(45) E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.
(46) E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Jesus Cristo, Rei da Verdade

“A Verdade nos libertará”, sim, mas ninguém disse que encontrar-se com ela seria a coisa mais gostosa e agradável do mundo. A partir desta homilia do Pe. Paulo Ricardo para a solenidade de Cristo Rei, aprenda a escapar da atual onda de relativismo em que vive o nosso mundo e saiba o que fazer para que Jesus reine bem concretamente em seu coração e no coração de sua família.

A Igreja celebra neste último domingo do Tempo Comum a Solenidade de Cristo Rei. Como atestam as Escrituras, Jesus deve mesmo exercer um reinado sobre nossos corações, de maneira tal que sejamos obedientes a todas as verdades ensinadas por Ele. A finalidade desta solenidade, portanto, não é tanto incensar uma imagem de Jesus sentado no trono, mas convencer o homem de que em Cristo está o Reino de Deus que se encarnou e veio a este mundo para nos salvar.

Deixar que Jesus reine em nossos corações significa deixar que a sua verdade governe nossos pensamentos e ações. Acontece que, desde a queda de nossos pais no paraíso, a humanidade tem repetido o pecado de Adão e Eva, insistindo em querer ser senhora do bem e do mal. Não queremos obedecer à verdade do nosso ser.

Deus é como um engenheiro que projetou o ser humano segundo um propósito. Do mesmo modo que um carro só funciona se obedecer às regras de quem o construiu, o homem também deve submeter-se às leis de sua natureza, caso queira ser realmente feliz. Mas o gênero humano inventou uma filosofia relativista pela qual os homens é que decidem se uma coisa é certa ou errada. Os homens perderam a sensatez.

No livro A Cidade de Deus, Santo Agostinho fala da existência de dois amores que construíram duas cidades, Babilônia e Jerusalém: “Aquela é o amor de si até ao desprezo de Deus; esta, o amor de Deus até ao desprezo de si” (l. XIV, 28). Se quisermos viver na Jerusalém celeste, precisamos desprezar nossas opiniões, renunciar aos nossos caprichos e abraçar o caminho da cruz, o caminho do amor a Deus sobre todas as coisas. Mas, se insistirmos no amor desordenado por si mesmo, então a Babilônia é a única coisa que conseguiremos construir.

O exercício de obediência a Deus deve começar já em nossas famílias. Os pais devem gastar tempo com seus filhos, ensinando-os a crer nas verdades reveladas por Deus. Nessa dinâmica catequética, as famílias poderão ser um testemunho eloquente da Cidade de Deus para toda a sociedade, incentivando outros a viverem o mesmo compromisso de amor. Por outro lado, os pais que vivem apenas para o dinheiro e delegam a educação de suas crianças às escolas, cuja filosofia é o relativismo, só o que conseguirão construir será outras Babilônias. Os pais precisam assumir a missão de educar os filhos, sobretudo nesta época em que as escolas seguem o pensamento marxista de que nada é verdade, tudo é ideologia e discurso de poder.

A medida do cristão não é a sua própria vontade, mas a Pessoa do “Filho de Deus, o verdadeiro homem”, a quem devemos nos unir por um vínculo de amizade que nos abre a tudo o que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade” (Bento XVI, Homilia pro eligendo pontifice, 18 de abril de 2005). Esse é o Reino de Deus.

Padre Paulo Ricardo


O Reinado de Cristo

Há anos, muitos anos atrás, no Brasil havia reis e rainhas, príncipes e princesas, condes e condessas, duques e duquesas, enfim… era o tempo da monarquia. A atual forma de governo, república democrática, consta de um presidente e um vice. Junto a eles, cumprindo funções próprias para o bem do Brasil, estão os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal. Há, além disso, 38 ministérios e os mais diversos cargos públicos a nível nacional, estadual e municipal. O Brasil é como uma fantástica máquina que vai funcionando às vezes com engrenagens cilíndricas retas; outras, com as cônicas; outras ainda, com as coroas etc. O que nunca podemos deixar de pensar é na análise de forças. Ainda que é certo que somente uma pessoa com certa educação tecnológica vai me entender, fica claro no entanto a complexidade do sistema, em qualquer caso.

Pois bem, ainda que complexo, o sistema presidencialista parece ser muito mais inteligível para nós do que o monárquico, entre outros motivos porque é o sistema que nós temos atualmente. Não seria, portanto, mais interessante chamar a celebração de hoje “Solenidade de Cristo Presidente” em lugar de “Cristo Rei”?

E, não obstante, chamando-o Cristo Rei ou Cristo Presidente, a Igreja, ao celebrar a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo (que assim se chama), desde o ano 1925, não identifica nunca o poder real de Cristo com um poder temporal. Aquilo que o Senhor Jesus disse a Pilatos é uma sentencia a ter em conta à hora de considerar a festa de hoje: “o meu reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36). O Papa que instituiu a festa de Cristo Rei, Pio XI, também deixava isso bem claro ao afirmar que a realeza de Cristo “é principalmente interna e respeita sobretudo a ordem espiritual” (Carta Encíclica “Quas Primas”, 11-12-1925, nº 12). Contudo, um reinado espiritual não exclui a potestade judiciária, legislativa e executiva do Rei Jesus. Todas as coisas, também as temporais, lhe estão submissas. Segue-se, portanto, que a legitima autonomia das realidades criadas não significa independência dessas mesmas coisas com respeito ao seu Criador, mas que a realidade criada tem leis ínsitas ao seu mesmo ser e que devem ser respeitadas. Estas leis naturais têm a Deus por autor e mostram que tudo lhe está submisso.

É um erro gravíssimo tentar retirar a Deus da sociedade dos homens, pois um mundo sem Deus não é habitável, se estraga e se condena. Não nos esqueçamos de que teremos que prestar contas a Deus da administração que fizemos dos bens que ele nos deu para que os trabalhássemos e os colocássemos a serviço dos outros. Justamente isso é o que nos fala o Evangelho de hoje: dar de comer, dar de beber, praticar a hospitalidade, visitar os enfermos, entre outras obras de misericórdia, tudo isso é uma clara manifestação de que estamos fazendo frutificar os dons que Deus nos concedeu e, consequentemente, de que estamos fazendo efetivo o reinado de Cristo neste mundo.

Tudo é de Deus. Mas ele quis que nós fôssemos seus administradores. Façamos a nossa tarefa, qualquer que seja, com competência, profissionalidade, amor a Deus e para o bem dos irmãos, oferecendo-lhe tudo o que somos e temos. Desta maneira não será difícil fazer que Cristo reine nas nossas inteligências, nas nossas vontades, nas nossas ações, em primeiro lugar; depois, Cristo reinará, através de nós, no nosso trabalho, na nossa família, entre os nossos amigos e conhecidos. Neste sentido, o apostolado é uma clara manifestação de que realmente desejamos que Cristo reine: quem ama a Deus sempre está a procura de que alguém também o ame.

Através de nós, Jesus tem que reinar no Brasil e no mundo, mas, repito, tem que começar em nós. Por exemplo, se queremos que ele reine no nosso trabalho é só começarmos o labor profissional com uma pequena oração feita no coração; depois, teremos que trabalhar bem, com a máxima perfeição humana e cristã; cada momento que nos lembrarmos, ofereceremos a Deus tudo o que está ao nosso redor; finalmente, terminaremos depositando o esforço e o suor da jornada nas mãos do Todo-Poderoso: do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Pe. Françoá Costa