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Orientações para um bom advento (03-12-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 64
(1) Oh! Se rasgásseis os céus, se descêsseis para fazer desabar diante de vós as montanhas, (2) como o fogo faz fundir a cera, como a chama faz evaporar a água, assim faríeis conhecer a vossos adversários quem sois, e as nações tremeriam diante de vós, (3) vendo-vos executar prodígios inesperados dos quais nunca se tinha ouvido falar. (4) Nenhum ouvido ouviu, olho algum viu outro deus salvar assim aqueles que contam com ele. (5) Vós vindes à frente daqueles que procedem bem, e se recordam de vossas vias. Eis que vos irritastes, e nós éramos culpados, isso perdura há muito tempo: como seríamos salvos? (6) Todos nós nos tornamos como homens impuros, nossas boas ações são como roupa manchada, como folhas todos nós murchamos, levados por nossos pecados como folhas pelo vento. (7) Não há ninguém para invocar vosso nome, para recuperar-se e a vós se afeiçoar, porque nos escondeis a vossa Face, e nos deixais ir a nossos pecados.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 1
(3) a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo! (4) Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela graça divina que vos foi dada em Jesus Cristo. (5) Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons, com os da palavra e os da ciência, (6) tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo. (7) Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. (8) Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. (9) Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 13
(33) Ficai de sobreaviso, vigiai, porque não sabeis quando será o tempo.
(34) Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho de cada um, e manda ao porteiro que vigie.
(35) Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã,
(36) para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo.
(37) O que vos digo, digo a todos: vigiai!
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros:
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

Orientações para um bom Advento

A partir deste domingo, a Igreja se veste de roxo para esperar, em atitude de vigilância, o nascimento de Cristo. Mas e hoje, como ficarmos atentos ao Deus que nos visita com sua graça? Que propósitos devemos levar a cabo para fazer deste Advento um tempo de verdadeira conversão? É o que Pe. Paulo Ricardo explica nesta homilia. Assista e aprenda a preparar o seu coração para a grande festa do Natal do Senhor!

Inicia-se neste domingo o tempo do Advento, que é o período em que a Igreja se prepara, por meio da oração e da penitência, para a grande solenidade do Natal. Embora haja o costume de se referir a essa data como o “aniversário” de Jesus, o Natal é, na verdade, a celebração do mistério da Encarnação, motivo pelo qual, desde o século IV, a Igreja reserva um tempo específico da liturgia, dedicado à preparação dos fiéis, por meio do incentivo às práticas de piedade e ascese, a fim de que acolham o Verbo Encarnado de Deus, o Redentor do gênero humano, em seus corações.

Deus, que habita em luz inacessível, está presente nas suas criaturas, especialmente no ser humano, por meio de seus vestígios, de modo que o homem pode intuir a sua existência. Com a Encarnação, porém, o Senhor revelou-se aos homens de uma maneira muito particular, manifestando-lhes a plenitude de seu amor, algo que seria impossível de se fazer somente pela criação. Daí a grandeza do Natal e o porquê de a Igreja, vestindo-se de roxo, dedicar um período da liturgia para a meditação desse acontecimento, ao longo de quatro semanas. O objetivo do Advento é capacitar os cristãos a reconhecerem a presença de Cristo em suas vidas.

O Natal se refere a uma das vindas de Jesus. São Bernardo de Claraval ensina que existem três dessas vindas. A primeira ocorreu há dois mil anos, na humildade de uma manjedoura, em Belém. A terceira será a vinda definitiva, no Fim dos Tempos, quando Jesus se assentará no trono da glória para julgar os atos da humanidade. A segunda vinda, por sua vez, é uma vinda intermediária, que pode acontecer todos os dias, por meio dos sacramentos, sobretudo pela Confissão e pela Eucaristia. E é justamente essa a vinda para qual devemos nos preparar no tempo do Advento.

De forma concreta, a pessoa que está em estado de graça deve ser capaz de perceber a presença de Deus em sua alma. Todos os batizados recebem um organismo espiritual que é alimentado pela presença da Santíssima Trindade, como prometeu Jesus durante a Última Ceia: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14, 23).

Acontece que essa presença é, infelizmente, ignorada por muitos de nós, por conta de nossos apegos e paixões desordenadas. Assim como em uma cidade grande, onde as estrelas acabam ofuscadas pelas luzes artificiais, a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo é escondida pelas centenas de distraçõezinhas da nossa alma, de sorte que, para encontrá-lO, precisamos retirar-nos para o campo, onde não existe a presença de outras luzes, senão a do próprio Céu.

Esse retiro deve ser praticado de três maneiras, segundo o que ensina a nossa Madre Igreja:

  1. Por meio da oração íntima diante de Deus, em que você se entrega absolutamente ao Senhor e trata de amizade com Ele;
  2. Por meio da recepção frequente da Eucaristia;
  3. Por meio da ação de graças após a Santa Comunhão.

É claro que esses três passos dependem, em primeiro lugar, da pureza da alma. Por isso é imprescindível que a pessoa esteja em estado de graça para conseguir enxergar a presença de Cristo. De resto, a oração íntima com Deus é válida para todos os tipos de fiéis, pois, como ensina o Concílio Vaticano II, todos somos chamados à santidade, sejamos clérigos ou leigos.

Padre Paulo Ricardo


Ficai Vigilantes

Um novo ano litúrgico tem início neste domingo. O Ano Litúrgico é a evocação e atualização ( isto é, memória e presença) de toda a  História da Salvação “já” realizada  e é, ao mesmo tempo, promessa e antecipação da História da Salvação que “ainda” deverá realizar – se. A Igreja nos põe de sobreaviso com quatro semanas de antecedência a fim de que nos preparemos para celebrar de novo o Natal e, ao mesmo tempo, para que, com a lembrança da primeira vinda de Deus feito homem ao mundo, estejamos atentos a essas outras vindas do Senhor: no fim da vida de cada um e no fim dos tempos. Por isso o Advento é o tempo de preparação e de esperança.

A palavra ADVENTO significa “Vinda”, chegada: nos faz relembrar e reviver as primeiras etapas da História da Salvação, quando os homens se preparam para a vinda do Salvador, a fim de que também nós possamos preparar hoje em nossa vida a vinda de Cristo por ocasião do Natal.

Os textos bíblicos deste primeiro domingo nos permitem descobrir o que é o Advento: é memória, presença e espera, como, aliás, toda a liturgia da Igreja: Memória e espera. Vejamos Isaías,  o profeta que viveu setecentos anos antes de Cristo: Sois vós, Senhor, o nosso pai, nosso Redentor (… ). Por que, Senhor, desviar – nos para longe de vossos caminhos (…). Voltai, por amor de vossos servos e das tribos de vossa herança! A lembrança da bondade de Deus nos faz descobrir a tristeza da situação presente, mas nos leva a esperar, para o futuro, uma nova intervenção divina.

O Evangelho (Mc 13, 33 –37) convoca os cristãos à vigilância: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento”. “ Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem…” Chegou a hora de acordar, para que não nos encontre dormindo! É preciso deixar as trevas e ser iluminados pela luz do dia, pela luz de Cristo. Trata-se da conversão: deixar as obras das trevas e fazer o bem revestindo-se do Senhor Jesus Cristo.

Preparemos o caminho para o Senhor que chegará em breve; e se notarmos que a nossa visão está embaçada e não distinguimos com clareza essa luz que procede de Belém, é o momento de afastar os obstáculos. É tempo de fazer com especial delicadeza o exame de consciência e de melhorar a nossa pureza interior para receber a Deus. É o momento de discernir as coisas que nos separam do Senhor e de lançá-las para longe de nós. Um bom exame de consciência deve ir até as raízes dos nossos atos, até os motivos que inspiram as nossas ações. E logo buscar o remédio no Sacramento da Penitência (Confissão)!

“Vigiai, não sabeis em que dia o Senhor virá”. Não se trata apenas da “parusia”, mas também da vinda do Senhor para cada homem no fim da sua vida, quando se encontrar face a face com o seu Salvador; e será esse o dia mais belo, o princípio da vida eterna! Toda a existência do homem é uma constante preparação para ver o Senhor, que cada vez está mais perto; mas no Advento a Igreja ajuda-nos a pedir de um modo especial: “Senhor, mostrai-me os vossos caminhos e ensinai-me as vossas veredas. Dirigi-me na vossa verdade, porque sois o meu Salvador” (Sl 24).

“Vigiai!” Essa palavra , no Evangelho, ressoa espera! É uma palavra que faz de nós discípulos, sentinelas ou, como disse Jesus, porteiros. Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa  e delega sua autoridade aos seus servos ( Mc 13, 34).

A vida do porteiro num prédio moderno de cidade é realmente uma parábola viva para o cristão. Nunca afastar – se sem ter um substituto, fechar as portas, vigiar quem sai e quem entra, cuidar para que não haja invasão de ladrões; enfim, vigiar sempre. Sua vida é uma vida de espera, ou melhor, de “atenção”. Ficai de sobreaviso, vigiai! É viver concentrando a atenção não só da mente, mas também do coração e de toda a vida; viver tendendo para alguma coisa, prontos a captar todos os sinais que anunciam sua presença.

É muito oportuno que no início do Advento a Igreja dê um grande destaque àquelas palavras de São Paulo: Já é hora de despertardes do sono ( Rm, 13,  11 ).

O Cristão não vive só na espera de Cristo, mas também em comunhão com Cristo, isto é, na posse daquilo que espera. Isto nos recorda o tempo do Advento.

Para manter este estado de vigília, é necessário lutar, porque a tendência de todo homem é viver de olhos cravados nas coisas da terra.

Fiquemos alertas! Assim será, se cuidarmos com atenção da oração pessoal, que evita a tibieza e, com ela, a morte dos desejos de santidade; estaremos vigilantes se não abandonarmos os pequenos sacrifícios, que nos mantêm despertos para as coisas de Deus. Diz-nos São Bernardo: “Irmãos, a vós, como às crianças, Deus revela o que ocultou aos sábios e entendidos: os autênticos caminhos da salvação. Aprofundai no sentido deste Advento. E, sobretudo, observai quem é Aquele que vem, de onde vem e para onde vem; para quê, quando e por onde vem. É uma curiosidade boa. A Igreja não celebraria com tanta devoção este Advento se não contivesse algum grande mistério”

Procuremos afastar os motivos que impedem a acolhida do Senhor:

– os prazeres da vida: a pessoa mergulhada nos prazeres fica alienada… No domingo, dorme… passeia… pratica esportes… mas não sobra tempo para a Missa.

– trabalho excessivo: a pessoa obcecada pelo trabalho esquece o resto: Deus, a família, os amigos, a própria saúde…

Como desejo me preparar para o Natal desse ano?

Apenas programando festas, presentes, enfeites, músicas?

Preparemos numa atitude de humildade e vigilância a chegada de Cristo que vem.

Fiquemos vigilantes! Porém, não vigiar apenas com as forças humanas, mas na oração para que Deus nos ajude a estar vigilantes!

Mons. José Maria