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O pecado da presunção (10-12-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 40
(1) Consolai, consolar meu povo, diz vosso Deus. (2) Animai Jerusalém, dizei-lhe bem alto que suas lidas estão terminadas, que sua falta está expiada, que recebeu, da mão do Senhor, pena dupla por todos os seus pecados. (3) Uma voz exclama: Abri no deserto um caminho para o Senhor, traçai reta na estepe uma pista para nosso Deus. (4) Que todo vale seja aterrado, que toda montanha e colina sejam abaixadas: que os cimos sejam aplainados, que as escarpas sejam niveladas! (5) Então a glória do Senhor manifestar-se-á, todas as criaturas juntas apreciarão o esplendor, porque a boca do Senhor o prometeu. (6) Clama!, disse uma voz, e eu respondi: Que clamarei? Toda criatura é como a erva e toda a sua glória como a flor dos campos! (7) A erva seca e a flor fenece quando o sopro do Senhor passa sobre elas. (Verdadeiramente o povo é semelhante à erva.) (8) A erva seca e a flor fenece, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente. (9) Subi a uma alta montanha, para anunciar a boa nova a Sião. Elevai com força a voz, para anunciar a boa nova a Jerusalém. Elevai a voz sem receio, dizei às cidades de Judá: Eis vosso Deus! (10) Eis o Senhor Deus que vem com poder, estendendo os braços soberanamente. Eis com ele o preço de sua vitória, faz-se preceder pelos frutos de sua conquista, (11) como um pastor, vai apascentar seu rebanho, reunir os animais dispersos, carregar os cordeiros nas dobras de seu manto, conduzir lentamente as ovelhas que amamentam.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Segunda Epístola de São Pedro (2Pd), capítulo 3
(8) Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. (9) O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça, ao contrário, quer que todos se arrependam. (10) Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. (11) Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, (12) enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! (13) Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. (14) Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 1
(1) Princípio da boa nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías:
(2) Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho.
(3) Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas (Mal 3,1, Is 40,3).
(4) João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados.
(5) E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
(6) João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
(7) Ele pôs-se a proclamar: 'Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado.
(8) Eu vos batizei com água, ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.'
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

O pecado da presunção

Não pode ter esperança da felicidade do Céu quem já acredita estar gozando dela neste mundo. Não pode ter o coração nas coisas do alto quem se encontra apegado aos prazeres da carne. Nesta homilia, a partir de uma importante lição de Santo Tomás de Aquino, Pe. Paulo Ricardo fala de um drama típico de nossa época: o desespero que nasce da luxúria, do sexo vivido sem freios. Assista a este diagnóstico e faça conosco um exame de consciência!

O tempo do Advento é um tempo de esperança. Mas no que consiste essa esperança cristã e em que ela se diferencia daquilo que esperam os homens deste século?

A esperança cristã diz respeito à santidade e à nossa entrada no Céu, onde estaremos em perfeita comunhão com Deus.

No século XIX, os pregadores católicos tiveram de enfrentar uma dificuldade assaz complicada para motivar os cristãos a buscarem a santidade, por conta do jansenismo, uma heresia que defendia uma visão muito pessimista sobre as possibilidades de o homem ser salvo. Foi graças à “pequena via” de Santa Teresinha, sobretudo, que a Igreja se convenceu outra vez da grande vocação para qual todos estão ordenados, proclamando, no Concílio Vaticano II, o chamado universal à santidade.

Em nossa época, porém, as pessoas se desesperaram da santidade não por conta de uma visão pessimista, mas por acreditarem que o Céu é uma obviedade. Hoje é quase impossível pregar a esperança porque as pessoas acham que já estão salvas. Trata-se agora do pecado da presunção.

Como se chegou a isso? Santo Tomás diz que um dos frutos da luxúria é a presunção (S. Th. II-II, q. 20, a. 4.). Quando uma pessoa vive uma vida sexual desregrada, mergulhada na masturbação, na pornografia, nas relações sexuais desregradas, o seu coração se torna refém dessas paixões, a ponto de ela se convencer de que a felicidade se encontra na carne, e não nas coisas espirituais. Daí que muitos fiquem indignados quando a Igreja prega, por exemplo, contra os pecados sexuais: eles pensam que a Igreja está contra a sua felicidade.

Notem, portanto, que existem duas formas de desespero: uma é o desespero do século passado, que nasce da acídia; mas há o desespero da pessoa que acha que a felicidade é fácil, que basta ter acesso a prazeres sensuais... Essa pessoa não está com medo de perder o Céu, porque ela acredita na felicidade deste mundo. A verdade, porém, é que quanto mais se afundam no sexo desregrado, mais as pessoas se destroem.

É preciso desesperar-se de uma felicidade animal! Esse é o único caminho para a esperança cristã. Como ensinaram os santos de todas as épocas, a felicidade não está neste mundo, somente no próximo! Este é o tempo de clamarmos a Deus pela nossa verdadeira salvação, pela dom de amar!

Padre Paulo Ricardo


O espírito do Batista!

Advento! Tempo de se preparar para acolher o Senhor que vem! Por mais escuro que esteja o horizonte à nossa frente, precisamos acreditar que dias melhores virão, pois Deus é fiel e não abandona seu povo.

No segundo domingo do Advento, João Batista aparece como uma voz no deserto, fazendo um apelo à conversão, para preparar o caminho do Senhor!

Na linha da pregação de João Batista (cf. Mc 1, 1-8), acodem-me à mente as palavras do Profeta Isaías: “Uma voz

clama: abri no deserto um caminho para o Senhor  […]. Que todo vale seja aterrado, que toda montanha e colina sejam abaixadas… Subi a uma alta montanha, para anunciar a boa nova a Sião. Elevai com força a voz…, dizei às cidades de Judá: “Eis o vosso Deus!” (Is 40, 1-5.9-11).

Marcos e Isaías falam da mesma pessoa, porque “o nosso Deus” é um só e porque em Jesus Cristo é Deus mesmo que “visitou o seu povo” (Lc 7,16).

Está na hora de retomar a boa notícia sobre Jesus Cristo, Filho de Deus, para gritá-la com força (é o sentido do Kerigma!) em Jerusalém e nas cidades de Judéia, isto é, na Igreja e fora da Igreja.

João Batista nos oferece um esplêndido exemplo de proclamação do Evangelho. O que o Batista compreendeu a respeito de Jesus é que se trata de alguém de que ele não é sequer digno de aproximar-se para desatar-lhe as sandálias; que é “o mais forte”, aquele que batizará no Espírito Santo e que desafiará, por assim dizer, o mundo a ferro e fogo!

João Batista teve a capacidade de fazer sentir Cristo “perto”, às portas (Jo 1,26), como alguém que está “no meio” dos homens e não como uma abstração mental; como alguém que já tem na mão a pá (Mt 3,12) e se apresenta para atuar o juízo, por isso não há mais tempo a perder. A força de seu anúncio estava em sua humildade (Jo 3,30): Importa que ele cresça e eu diminua, em sua austeridade e em sua coerência.

Hoje precisamos de anúncios inspirados e corajosos, como os de Isaías e de João Batista; diante deles o mundo não poderia ficar insensível, como acontece quando se fala de Jesus Cristo só com sabedoria de palavras, com livros que não acabam mais, mas sem a força e sem a coerência de vida.

Toda a essência da vida de João, desde o seio materno, esteve subordinada a essa missão! João se entrega totalmente nessa missão, dedicando-se a ela, não por gosto pessoal, mas por ter sido concebido para isso. E vai realizar a sua missão até o fim, até dar a vida, no cumprimento da sua vocação.

Foram muitos os que conheceram Jesus graças ao trabalho apostólico do Batista. Os primeiros discípulos seguiram Jesus por indicação expressa dele e muitos outros se prepararam interiormente para segui-Lo, graças à sua pregação.

É bela a Vocação de João Batista! A vocação abarca a vida inteira e leva a fazer girar tudo em torno da missão divina. Cada homem, no seu lugar e dentro das suas próprias circunstâncias, tem uma vocação dada por Deus; de que ela se cumpra dependem outras coisas queridas pela vontade divina!

“Eu sou a voz que clama no deserto!” João Batista não é mais do que a voz, a voz que anuncia Jesus. Essa é a sua missão, a sua vida, a sua personalidade. Todo o seu ser está definido em função de Jesus, como teria que acontecer na nossa vida, na vida de qualquer cristão. O importante da nossa vida é Jesus!

À medida que Cristo se vai manifestando, João procura ficar em segundo plano, ir desaparecendo. Dizia São Gregório: “João Batista perseverou na santidade porque se conservou humilde no seu coração.”

Como precursor, indica-nos o caminho que devemos seguir! Na ação apostólica pessoal- enquanto preparamos os nossos amigos para que encontrem o Senhor-, devemos procurar não ser o centro. O importante é que Cristo seja anunciado, conhecido e amado.

Sem humildade, não poderíamos aproximar os nossos amigos de Deus. E então a nossa vida ficaria vazia.

Não somos apenas precursores! Somos  também testemunhas de Cristo. Recebemos, com a graça batismal e a Crisma, o honroso dever de confessar a fé em Cristo, com as nossas ações e com a nossa palavra.  Que tipo de testemunhas nós somos? Como é o nosso testemunho cristão entre os nossos colegas, na família?

Temos que dar testemunho e,  ao mesmo tempo, apontar aos outros o caminho. “Também conduzir-nos de tal maneira que, ao ver-nos, os outros possam dizer: este é cristão porque não odeia, porque sabe compreender, porque não é fanático, porque está acima dos instintos, porque é sacrificado, porque manifesta sentimento de paz, porque ama” (É Cristo que passa, nº 122).

Nesse tempo do Advento, encontramos muitas pessoas olhando em outra direção, de onde não virá ninguém; ou onde outros estão debruçados sobre os bens materiais, como se fossem o seu último fim; mas eles jamais satisfarão o seu coração!  Cabe a nós apontar-lhes o Caminho. A todos! Diz-nos Santo Agostinho: “Sabeis o que cada um de nós tem que fazer em casa, com o amigo, com o vizinho, com os dependentes, com o superior com o inferior. Não queirais, pois, viver tranquilos até conquistá-los para Cristo, porque vós fostes conquistados por Cristo.”

A nossa família, os amigos, os colegas de trabalho, as pessoas que vemos com frequência, devem ser os primeiros a beneficiar-se  do nosso amor por Deus. Com o exemplo e com a oração, devemos chegar até mesmo àqueles com quem não temos ocasião de falar habitualmente, porém, não devemos nos esquecer que é a graça de Deus, não as nossas forças humanas, que consegue levar as almas ao Senhor!

Que o Senhor nos ilumine para descobrirmos, em nossa vida, quais as estradas tortuosas temos que endireitar para chegar até Ele.  E quais os vales a preencher na vida profissional, na vida espiritual, na vida familiar, na vida de comunidade?

Possamos perceber que temos que abaixar nosso orgulho, nossa auto – suficiência!

Deus quer servir-se de nós para preparar os homens de hoje para a vinda de Cristo no Natal desse ano.

Temos o mesmo espírito de João Batista?

Mons. José Maria