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Viver segundo Cristo! (17-12-2017)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 61
(1) O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção, enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade, (2) proclamar um ano de graças da parte do Senhor, e um dia de vingança de nosso Deus, consolar todos os aflitos, (3) dar-lhes um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero. Então os chamarão as azinheiras da justiça, plantadas pelo Senhor para sua glória. (4) Reconstruirão as ruínas antigas, reerguerão as relíquias do passado, restaurarão as cidades destruídas, repararão as devastações seculares, (5) virão estrangeiros apascentar vosso gado miúdo, gente de fora vos servirá de lavradores e vinhateiros, (6) a vós chamar-vos-ão sacerdotes do Senhor, de ministros de nosso Deus sereis qualificados. Vós vos alimentareis com as riquezas das nações, e brilhareis com sua opulência. (7) Já que tiveram parte dupla de vergonha e tiveram como quinhão opróbrios e escarros, receberão em sua terra parte dupla de herança, e a alegria deles será eterna. (8) Porque eu, o Senhor, amo a eqüidade, e detesto o fruto da rapina, por isso vou dar-lhes fielmente sua recompensa, e concluir com eles uma aliança eterna. (9) Sua raça tornar-se-á célebre entre as nações, e sua descendência entre os povos: todos, vendo-os, reconhecerão que são a abençoada raça do Senhor. (10) Com grande alegria eu me rejubilarei no Senhor e meu coração exultará de alegria em meu Deus, porque me fez revestir as vestimentas da salvação. Envolveu-me com o manto de justiça, como um neo-esposo cinge o turbante, como uma jovem esposa se enfeita com suas jóias. (11) Porque, quão certo o sol faz germinar seus grãos e um jardim faz brotar suas sementes, o Senhor Deus fará germinar a justiça e a glória diante de todas as nações.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 5
(16) Vivei sempre contentes. (17) Orai sem cessar. (18) Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. (19) Não extingais o Espírito. (20) Não desprezeis as profecias. (21) Examinai tudo: abraçai o que é bom. (22) Guardai-vos de toda a espécie de mal. (23) O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! (24) Fiel é aquele que vos chama, e o cumprirá.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 1
(6) Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
(7) Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
(8) Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
(9) [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
(10) Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu.
(11) Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
(12) Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
(13) os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
(14) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.
(15) João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.
(16) Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.
(17) Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
(18) Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.
(19) Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: Quem és tu?
(20) Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo.
(21) Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o profeta? Ele respondeu: Não.
(22) Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?
(23) Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3).
(24) Alguns dos emissários eram fariseus.
(25) Continuaram a perguntar-lhe: Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
(26) João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.
(27) Esse é quem vem depois de mim, e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.
(28) Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Desesperar de si para esperar em Deus

A esperança cristã passa muito longe de ser um mero “sentimento positivo”, uma ingenuidade de quem se esforça para acreditar que, no futuro, as coisas talvez sejam melhores. Esperar, para quem crê, é ter a certeza de que Deus, apesar da nossa miséria, nunca deixará de estender-nos a mão e oferecer-nos todas as graças necessárias para sermos santos, nesta vida passageira, e eternamente felizes, na alegria do Céu.

Neste 3.º Domingo do Advento, também conhecido como o Domingo da alegria ou do Gaudete, a Santa Madre Igreja propõe-nos à meditação uma passagem do Evangelho segundo S. João em que nos é apresentada, de maneira bastante clara,  a missão do Precursor do Messias. S. João Batista, no dizer de S. Marcos (cf. Mc 1, 3), é uma voz que clama no deserto, e clama para dar testemunho de uma Palavra viva e permanente: Jesus Cristo, Verbo encarnado.

Ora, por ser voz e testemunha, João Batista tinha plena consciência de que seu papel era desaparecer cada vez mais, a fim de que Aquele a quem anunciava se fizesse mais evidente: “Importa”, pois, “que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).

Percebemos isso nitidamente na progressão das respostas, cada vez mais curtas e lacônicas, que ele dá aos sacerdotes e levitas. “Quem és tu?”, perguntam-lhe. E João não titubeia em confessar: “Eu não sou o Messias”. Como, porém, insistissem: “Quem és, então? És tu Elias?”, João só pôde responder: “Não sou”. À terceira tentativa, enfim: “És o Profeta?”, só uma sucinta negativa lhe saiu dos lábios: “Não”, expressão do apagamento a que ele mesmo se submeteu, para que a luz de Cristo começasse a brilhar diante dos homens.

Ora, também nós, se queremos dar a Jesus o espaço a que Ele tem direito em nossas vidas, temos de apagar-nos, para que Ele brilhe; rebaixar-nos, para que Ele cresça; negar-nos, para que O afirmemos e confessemos. É um trabalho que devemos tomar a peito, com ainda mais empenho, ao longo deste Advento, período de preparação para o Santo Natal.

Mas para sabermos de que maneira podemos receber melhor o Senhor que se aproxima, vale a pena considerar a virtude que mais se destaca neste tempo litúrgico: a virtude da esperança.

Antes de tudo, devemo-nos lembrar de que existem dois tipos de esperança: há, de um lado, uma esperança “carnal”, consistente num certo “sentimento positivo” em relação ao futuro e que pode, muitas vezes, ser fonte de ilusões e auto-enganos; há, de outro, uma esperança virtuosa, caracteristicamente cristã.

A primeira, a que chamamos esperança “carnal” e meramente sensitiva, manifesta-se também como um desejo de conquistar um bem árduo e difícil, cuja posse requer o vencimento de barreiras e obstáculos. Esperar, com efeito, significa certo movimento da vontade em direção a um bem possível (do contrário, cairíamos no mais completo desespero) e exigente (pois ninguém “espera”, em sentido próprio, aquilo que está ao alcance da mão).

A esperança, em resumo, está orientada a um bem a) futuro, ou seja, que ainda não possuímos, b) possível de obter, mas c) de difícil aquisição.

Trata-se aqui de uma realidade passional que até os animais podem experimentar. De fato, se neles não houvesse certa forma de esperança, enquanto movimento apetitivo ordenado aos bens convenientes, seriam criaturas inertes, carentes de qualquer motivação para sair de suas tocas à procura de alimento e de quanto lhes é necessário para viver. E por ser paixão, presente ao menos nos animais superiores, esse modo de esperar não é nem bom nem mau.

A virtude da esperança, ao contrário, encontra-se numa ordem completamente distinta. O bem que ele tem em mira não é outra coisa senão a própria salvação eterna, a alegria de possuir a Deus para sempre, ou seja: um bem que está muitíssimo além, não só de nossas forças e capacidades naturais, mas ainda de tudo o que seja devido à nossa natureza racional. É um bem tão sublime e transcendente que apenas Deus, por pura gratuidade, pode concedê-lo.

Ora, se a esperança cristã anela a tão alto fim, como não desesperar? Como não “jogar a toalha” diante da tarefa de ser santo como o Pai celeste o é para poder um dia gozar de sua presença no Céu? Justamente olhando para o Salvador em cujos méritos, em cuja santidade, em cujo amor podemos apoiar-nos a fim de alcançar tamanha meta. Temos nEle a garantia, firmíssima e inegável, de que não seremos abandonados; de que encontraremos nEle todos os meios, e até abundantes, de ser santos e irrepreensíveis aos olhos de Deus.

De maneira que a certeza e a segurança inabalável da esperança cristã em nada são atingidas pela grandeza de seu objeto, pois se fundam na garantia de que, apoiando-nos na onipotência dAquele que nos quer junto de si, poderemos, segundo suas promessas, superar qualquer obstáculo à nossa santificação e salvação. A esperança, portanto, nasce da  no poder e na veracidade de Deus, que não falta com sua palavra nem desampara nunca aqueles que não recusam sua mão estendida.

Esperamos, numa palavra, não porque somos capazes, mas porque sabemos pela fé que Ele, sim, pode fazer-nos santos e levar-nos para o Paraíso. Daí que o primeiro passo para crescermos nesta virtude é justamente desesperar de si mesmo, lutar contra essa tendência enfermiça de achar que sem a graça de Cristo, sem o auxílio do Espírito Santo, arrebataremos o Reino dos Céus. É de Deus, e não de nossas vísceras de pecado, que nasce a força de esperar, e esperando, cooperar com a graça para chegar ao termos desta peregrinação terrestre.

Olhemos, pois, para a miséria que somos e confiemos na Misericórdia; reconheçamo-nos fracos e indigentes, para que Aquele que é forte e rico em bondade se digne infundir em nossos corações a esperança sem a qual não poderemos alcançá-lO. Que São João Batista, em cuja mortificação e penitência temos um sinal extraordinário das maravilhas de amor que Deus pode operar através de suas criaturas, nos ajude a trilhar as veredas de Cristo, em quem temos a Vida, o Caminho, a Verdade, uma fonte superabundante de graça e ânimo para persistir no bem e chegar ao porto da salvação.

Padre Paulo Ricardo


Viver em Cristo!

A tradição litúrgica da Igreja chama este Terceiro Domingo do Advento de Gaudete, isto é “Alegrai-vos!” No Missal Romano, a antífona de entrada exclama: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4.5). Como expressão dessa alegria, pode-se usar no lugar do roxo, o cor-de-rosa, no tom conhecido como “rosa antigo”. É um roxo suavizado, que exprime a exultação pela aproximação do Santo Natal. Alegrai-vos! Alegremo-nos! O Senhor está perto! Está próximo o Natal; está próxima a Vinda do Senhor; está próximo de nós o Salvador nosso nos diversos momentos de nossa existência! Ele não é Deus de longe; é Deusde perto: seu nome será para sempre Emanuel, Deus-conosco!

Alegrai-vos! Há quem se alegre no pecado, há quem se alegre em futilidades, há quem, mesmo alegrando-se com coisas que valem a pena, esquece que toda alegria é passageira. Quanto a vós, caríssimos, alegrai-vos com tudo quanto é bom e louvável, mas colocai vossa maior e definitiva alegria no Senhor! Somente nele o coração repousa plenamente, somente nele encontra-se a paz que dura mesmo em meio à tribulação mais dura, somente nele o anseio mais profundo de nossa alma. Alegrai-vos! Mas seja o Senhor o fundamento da vossa alegria, a causa última da vossa exultação!

Mas, quem é esse Senhor em quem nos mandam que nos alegremos? O Batista, neste hoje, nos adverte: “No meio de vós está Aquele que vós não conheceis!” Quem é ele? Quem é este “Aquele”? João Batista, como bom mensageiro faz questão de desaparecer: “Não sou o Messias, não sou Elias (coitados dos espíritas!), não sou o Profeta anunciado por Moisés! Sou apenas a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor!’” Insistimos: quem é esse que está no nosso meio e que é preciso conhecer e reconhecer sempre de novo para ter a alegria verdadeira? Ele é o Messias, Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus, o Enviado para trazer a salvação, a alegria e a paz para todos os pobres de todas as pobrezas do mundo. Ouçamo-lo, deixemos que ele se nos apresente: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a Boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção aos cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor!” Eis, caríssimos, o Messias que esperamos, o Salvador que Deus nos concedeu. Ele, que veio em Belém, que virá no final dos tempos, ele mesmo vem a cada dia de nossa atribulada existência! – Vem, Senhor Jesus! Vem, santo Messias! Teu povo suspira por ti, tua Igreja sofrida e caminheira precisa de ti! Não nos abandones, não nos deixes sozinhos! Vem, Ungido de Deus, prometido aos nossos pais, anunciado pelos profetas, apontado pelo Batista, colocado sob a guarda do carpinteiro José, concebido e dado à luz pela Virgem Mãe! Vem, e a Mãe Igreja exclamará (e nosso coração exclamará  com ela):“Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se no meu Deus; ele me vestiu com vestes de salvação; adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas jóias!”

Caríssimos, eis a causa da nossa alegria. Nós, os cristãos, temos direito de nos alegrar, mesmo diante das tristezas do mundo; temos o dever de manter a esperança, mesmo quando as possibilidades humanas fracassam; temos a oportunidade de continuar esperando ainda quando os nossos cálculos mostrem-se errados. Porque nossa esperança e certeza não se fundam em nós nem em nossas possibilidades, mas naquele que vem, naquele que o Pai do céu nos envia, naquele que nunca conseguiremos conhecer totalmente, o Santo Messias do Pai, Jesus, nosso Deus-Salvador!

Resta-nos, então, escutar com atenção o conselho do Apóstolo: estar sempre alegre em Cristo; com os olhos fixos nele; orar sem cessar, buscando realmente ser amigo íntimo do Senhor, dando graças em todas as circunstâncias, sabendo que ele está próximo de nós, nunca longe de nossas aflições e desafios. E mais: afastarmo-nos de toda maldade, procurando viver segundo Cristo e não segundo o mundo, santificando no Senhor nosso corpo, nossa alma e nosso espírito ou, em outras palavras, nossa dimensão física, nossa vida inteligente e nossa sede de Deus, nossa saudade de Infinito.

Caríssimos, num mundo que nos despreza porque somos cristãos, numa sociedade pagã, que nos ridiculariza e nos olha com indiferença, tenhamos esta certeza: “Quem vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso!” Ele nunca nos deixará!

Que a escuta da Palavra santa do Senhor e a participação no mistério do seu Corpo e do seu Sangue nos preparem não somente para as festas que se aproximam mas, sobretudo para o Dia da Vinda do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo! Amém.

Dom Henrique Soares