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O mistério da encarnação de Jesus Cristo (24-12-2017)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Primeiro Livro de Samuel (1Sm), capítulo 7
(1) Vieram, pois, os habitantes de Cariatiarim, transportaram a arca do Senhor, puseram-na em casa de Aminadab, sobre a colina, e consagraram o seu filho Eleazar para que a guardasse. (2) E o tempo passou. Decorridos vinte anos desde o dia em que a arca fora levada para Cariatiarim, todo o Israel se lamentava, invocando o Senhor. (3) E Samuel falou a todo o povo de Israel, dizendo: Se voltardes de todo o vosso coração para o Senhor, tirando do meio de vós os deuses estranhos e as Astarot, se vos apegardes de todo o vosso coração ao Senhor e só a ele servirdes, então ele vos livrar das mãos dos filisteus. (4) Os israelitas afastaram os Baal e as Astarot, e serviram só ao Senhor. (5) Convocai todo o Israel em Masfa, disse Samuel, e orarei por vós ao Senhor. (6) Reuniram-se em Masfa, tiraram água, derramaram-na diante do Senhor, e jejuaram aquele dia, dizendo: Pecamos contra o Senhor. Samuel era juiz de Israel em Masfa. (7) Os filisteus foram informados de que os israelitas tinham-se juntado em Masfa, e os seus príncipes marcharam contra Israel. Os israelitas o souberam e ficaram aterrorizados. (8) Disseram a Samuel: Não cesses de clamar por nós ao Senhor, nosso Deus, para que ele nos salve das mãos dos filisteus. (9) Samuel tomou um cordeiro de leite e ofereceu-o inteiro em holocausto ao Senhor, depois clamou ao Senhor por Israel, e o Senhor o ouviu. (10) Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus começaram o combate contra Israel, o Senhor, porém, trovejou com a sua a voz fortíssima sobre os filisteus naquele momento, e eles se dispersaram, sendo batidos pelos israelitas. (11) Os vencedores, saindo de Masfa, perseguiram os filisteus e feriram-nos até o lugar que está por baixo de Bet-Car. (12) Tomou Samuel uma pedra e pô-la entre Masfa e Sen, dando-lhe o nome de Eben-Ezer, pois disse: Até aqui nos socorreu o Senhor. (13) Humilhados dessa forma, os filisteus não tentaram mais voltar ao território de Israel. A mão do Senhor pesou sobre o filisteus durante toda a vida de Samuel. (14) Foram devolvidas a Israel as cidades que os filisteus lhes tinham tomado, desde Acaron até Get. Israel livrou sua terra das mãos dos filisteus, e havia paz entre Israel e os amorreus. (15) Samuel foi juiz em Israel durante toda a sua vida. (16) Ia a cada ano visitar Betel, Gálgala e Masfa, onde pronunciava os seus juízos em favor de todo o Israel.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 16
(25) Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu Evangelho, na pregação de Jesus Cristo - conforme a revelação do mistério, guardado em segredo durante séculos, (26) mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, por meio das Escrituras proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência da fé - , (27) a Deus, único, sábio, por Jesus Cristo, glória por toda a eternidade! Amém.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 1
(26) No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
(27) a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
(28) Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
(29) Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
(30) O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
(31) Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
(32) Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente na casa de Jacó,
(33) e o seu reino não terá fim.
(34) Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
(35) Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
(36) Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice, e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
(37) porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
(38) Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

O Filho de Deus se faz Filho do Homem

O Filho eterno de Deus, gerado pelo Pai desde toda a eternidade, foi-nos dado na plenitude dos tempos, nascido da Virgem Maria, sob a forma de um Menino, frágil e onipotente, humilde e glorioso, simples e majestoso. No Natal celebramos, não o “aniversário” do Senhor, mas o mistério deste duplo nascimento do Verbo, que sem deixar de ser o Filho unigênito de Deus segundo a mesma substância divina, fez-se Filho do Homem segundo a carne tomada de uma Virgem puríssima.

Neste domingo, dia 24 de dezembro, celebra-se uma “dupla” liturgia: de um lado, a liturgia correspondente ao 4.º Domingo do Advento, em que a Igreja proclama aquele trecho do Evangelho segundo São Lucas onde nos é narrado o episódio da Anunciação; de outro, a partir do período de vésperas, a liturgia própria do Natal, com a conhecida Missa do Galo, em cuja leitura recordamos o mistério do nascimento temporal do Verbo encarnado. Trata-se, portanto, de duas liturgias em íntima sintonia e que se completam mutuamente, na medida em que nos propõem à reflexão dois momentos de um mesmo mistério: a Encarnação do Filho de Deus em Nazaré, no ventre de Maria SS., e seu posterior e milagroso nascimento na gruta de Belém.

Para compreendermos em profundidade o que a Santa Igreja celebra nestes dias santos, convém ter presente que no Natal não se comemora, em sentido próprio, o “aniversário” de Jesus Cristo. É claro que nesta solenidade nos alegramos com o nascimento de Nosso Senhor; as coisas, porém, não se reduzem a isso. O Natal é, mais do que tudo, a realização de um mistério: o mistério do Filho de Deus que, na plenitude dos tempos, se faz Filho do Homem; do Deus eterno, gerado pelo Pai celeste segundo a mesma e única divina substância, que assume no tempo uma natureza humana, frágil e passível; do Filho potentíssimo e glorioso que, cheio de amor, toma para si a condição de Menino, sujeito ao frio, ao desconforto, à humilhação de um nascimento sem brilhos nem faustos humanos.

Um Menino nasceu entre nós, e nele nos foi dado o Filho unigênito do Pai. Jesus se faz, pois, Filho de nossa fragilidade, ferido em sua carne santíssima da mesma mortalidade a que também nós, sem exceção, estamos submetidos. O Senhor, porém, ao chamar-se tantas vezes Filho do Homem, não está se referindo apenas à condição mortal que Ele quis assumir, mas também à procedência de sua carne sagrada, ou seja, àquela em cujas entranhas Ele se fez homem: Maria SS. Esta expressão, portanto — “Filho do Homem” —, deve fazer-nos lembrar sempre dessa dupla realidade: o Filho do Deus altíssimo é também, em sentido verdadeiro, Filho de Maria Virgem. O próprio Evangelho deste 4.ª Domingo do Advento no-lo recorda de maneira quase insistente, repetitiva (cf. Lc 1, 31-32.35): “Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus”.

Desse ponto de vista, podemos dizer que no Natal se comemoram “três nascimentos” de Cristo: em primeiro lugar, o seu nascimento temporal, como homem, do seio da Virgem Mãe; em segundo, a sua geração eterna no seio do Pai, como Filho único, co-eterno e co-igual, com a mesma glória e poder; e, por fim, o seu nascimento místico em nossas almas pela graça e pela fé. De fato, a vida cristã, em seu conjunto e em seus mais mínimos detalhes, “não é nem pode ser outra coisa que uma consequência, uma derivação, uma ressonância analógica em nós da vida mesma de Cristo” [1]. Se somos, como cremos e nos ensinam as SS. Escrituras em consonância com a Sagrada Tradição, outro Cristo, é preciso, sim, que o divino de alguma maneira se “encarne” em nós. Jesus, assim como nascera na alma daqueles pastores que acorreram pressurosamente a ver o acontecimento anunciado pela corte angélica, assim também precisa encarnar-se, ser gerado e nascer em nosso coração.

E este nascimento místico, como assinalado há pouco, se dá sobretudo por meio da fé. Foi pelo obséquio da fé, com efeito, que o glorioso patriarca S. José, à primeira vista tão “alheio” ao mistério da Encarnação, pôde associar-se intimamente ao mistério daquele Filho, posto sob seus cuidados, e daquela Mãe, por cuja integridade ele havia de zelar. Aquele justo e obedientíssimo israelita tinha diante dos olhos um Menino indefeso e uma Virgem dando à luz, e foi iluminado pela fé sobrenatural que o fez enxergar além e reconhecer, em meio àquela pobreza e desamparo, o mistério sublime operado pelo Espírito Santo. O Menino, que segundo a carne nascia de Maria, segundo a graça era gerado no coração castíssimo de José, e isto com tanta verdade que o Senhor não lhe recusará o doce nome de pai, não porque dele procedesse por geração física e natural, mas porque nele se deixara conceber de um modo tão misterioso como verdadeiro.

Mas como, na prática, podemos nós viver e experimentar este nascimento de Cristo em nossa alma? A resposta encontra-se num versículo de São João: “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Noutras palavras, Deus nos amou tanto que nos deu a graça de crermos no Filho — que hoje, sob a forma de um Menino, nos é dado e oferecido — e de, crendo, não perecermos, mas sermos salvos; temos, portanto, de crer nele, crer que naquela fragilidade, naquela pobreza, naquela simplicidade está presente, real e verdadeiramente, o Filho do Pai, Nosso Senhor e Salvador, no qual temos a redenção de nossos pecados.

Roguemos hoje, com especial devoção, a S. José e peçamos-lhe que nos aqueça o coração, que nos abra os olhos para a luz da fé que Jesus quer acender em nós. Não deixemos também de invocar o auxílio prestimoso de Nossa Senhora, em quem o Senhor foi gerado primeiro na fé para só então ser gerado na carne. Dirijamos por fim nossas pobres súplicas ao Filho encarnado, para que Ele se digne dar-nos uma fé mais viva e mais firme, que nos leve a crer em seu amor, tal como convém à salvação e santificação de nossas almas, berços místicos da graça do Deus feito homem.

Referências

  1. Antonio R. Marín, Jesucristo y la Vida Cristiana. Madrid: BAC, 1961, p. 381, n. 361.

Padre Paulo Ricardo


O mistério da encarnação

Eis! Estamos no último dos quatro Domingos do santo Advento! Estamos já em plena Semana Santa do Natal, iniciada no dia 17 de dezembro. A Igreja, a gora, é toda atenção, toda contemplação do mistério da Encarnação, preparando-separa celebrar o Natal do Senhor. Sua vinda é a nossa salvação, sua chegada é o anúncio da esperança a todos os povos, a toda a humanidade, a anual celebração do seu Natal recorda-nos que nosso Deus não é de longe, mas de perto, de pertinho da humanidade toda e de cada um de nós. O Filho eterno de Pai fez-se homem para encher de Vida divina a nossa existência humana. É esta o Mistério de que fala São Paulo na segunda leitura da Missa de hoje: “Mistério mantido em sigilo desde sempre. Agora, este Mistério dói manifestado e… conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé!” Antes, parecia que Deus era Deus somente de Israel, esquecendo os outros povos, a grande massa da humanidade. Agora, não! Com a aproximação do Santo Natal, contemplamos a benevolência de Deus para toda a humanidade: no segredo do seu coração havia um amoroso e misterioso projeto: salvar toda a humanidade pelo fruto que haveria de vir da raça de Israel, da tribo de Judá, da Casa de Davi.

O que nos deve encantar neste Domingo, caríssimos, não é somente a grandiosidade desse Mistério, dessa surpresa de um Deus que, desde sempre, preocupou-se com todos, com toda a humanidade e não só com Israel… o que nos deve encantar é também o modo como o Senhor realiza o seu desígnio: ele age nos escondido da história humana, no pequenininho de nossas vidas, nas humildes decisões de nossa existência. Pensemos bem! Primeiro, o rei Davi, humilde pastor de Belém, mais novo dos muitos filhos do velho Jessé. E Deus o escolheu: para rei e para dele fazer uma dinastia da qual nasceria o Santo Messias. Davi, que desejava humildemente construir uma Casa, um Templo para o Senhor, fica sabendo que é Deus quem lhe construirá uma Casa, isto é, uma Dinastia, uma descendência, da qual nascerá Aquele bendito Descendente que enche de alegria o nosso coração: “O Senhor te anuncia que te fará uma casa. Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realiza. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre!” Eis a bondade do Senhor, que de um simples pastorzinho fará nascer o Salvador que reina para sempre. Depois, podemos pensar em José, naquele que tinha recebido como prometida em casamento uma virgem mocinha chamada Maria… José, homem simples, moço de Deus. Membro pobre da família real de Davi, simples artesão. Moço de Deus, que vivia na justiça do Senhor, praticando a Lei do Deus de Israel. E o Senhor, misteriosamente o escolhe para ser o esposo daquela na qual se cumprirão as palavras do Senhor. Recordemo-nos do Evangelho segundo São Mateus: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,20-21). Pobre José! Bendito José! Jamais esperaria tal coisa, tal gesto imprevisto do Santo de Israel! Ele, um simples carpinteiro, cuidador, tutor, guardador, de um filho que não seria seu filho! Ele escutaria, doravante, o Filho eterno do eterno Pai, chamá-lo de pai!

Finalmente, pensemos em Maria. Aqui a surpresa de Deus chega ao máximo. Uma jovenzinha pobre, uma virgem sem nome importante, perdida nas montanhas do norte da Terra Santa, em Nazaré da Galiléia. E o Senhor Deus lhe dirige a palavra, faz-lhe a mais estonteante proposta que um pobre filho de Eva jamais escutara: ser, virginalmente, a mãe do Messias, a Mãe do Filho de Deus, a Terra bendita e santa na qual brotaria a Raiz de Jessé, o Rebento prometido; ser a doce a Aurora do Dia sem fim, ser a Estrela d’Alva que prenuncia o Sol eterno! “Alegra-te, Cheia de Graça! O Senhor é contigo, Virgerm Maria! Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!” São Bernardo de Claraval, no século XII, imaginando este encontro inaudito, entre a Virgem e o Anjo, diz a Nossa Senhora: “Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem, mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres; com uma breve resposta tua seremos chamados à vida! Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça. Apressa-te, ó virgem, em dar a tua resposta! Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe! Abre, Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. ‘Eis aqui a serva do Senhor, diz a Virgem; faça-se e mim segundo a tua palavra’!”

Eis, caríssimos, irmãos! Tão grande plano de Deus, tão grande salvação, deu-se na simplicidade de vidas humanas que foram dizendo sim ao Senhor, que foram se abrindo para ele nas pequenas e escondidas ocasiões da vida: Maria, a Virgem, José, o pobre descendente de Davi, Davi, o pastor que se tornou rei… E agora – ainda agora – o Senhor vem e nos convida a nós – a mim e a você – a que abramos nossa vida, nosso pequeno cotidiano, para a sua presença. Através de cada um de nós ele deseja continuar a obra de sua salvação, a marca da sua presença neste mundo enfermo e cansado.

Virgem Maria, Mãe de Deus, São José, esposo da virgem, São Davi, rei e profeta, intercedei por nós, para que sejamos dóceis e úteis instrumentos da salvação que Deus hoje quer revelar e atuar no coração dos homens e do mundo. Que através de nossa pobre vida, vivida com disponibilidade, o Senhor Jesus seja visto no nosso mundo tão confuso, tão disperso, tão superficial e ameaçado por tantas trevas. Amém.

Dom Henrique Soares