Católicos Online

     ||  Início  ->  A sagrada família

A sagrada família (31-12-2017)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiástico (Eclo), capítulo 3
(3) Pois Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles. (4) Aquele que ama a Deus o roga pelos seus pecados, acautela-se para não cometê-los no porvir. Ele é ouvido em sua prece cotidiana. (5) Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro. (6) Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração. (7) Quem honra seu pai gozará de vida longa, quem lhe obedece dará consolo à sua mãe. (8) Quem teme ao Senhor honra pai e mãe. Servirá aqueles que lhe deram a vida como a seus senhores. (9) Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, (10) a fim de que ele te dê sua bênção, e que esta permaneça em ti até o teu último dia. (11) A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces. (12) Não te glories do que desonra teu pai, pois a vergonha dele não poderia ser glória para ti, (13) pois um homem adquire glória com a honra de seu pai, e um pai sem honra é a vergonha do filho. (14) Meu filho, ajuda a velhice de teu pai, não o desgostes durante a sua vida. (15) Se seu espírito desfalecer, sê indulgente, não o desprezes porque te sentes forte, pois tua caridade para com teu pai não será esquecida, (16) e, por teres suportado os defeitos de tua mãe, ser-te-á dada uma recompensa, (17) tua casa tornar-se-á próspera na justiça. Lembrar-se-ão de ti no dia da aflição, e teus pecados dissolver-se-ão como o gelo ao sol forte.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Colossenses (Cl), capítulo 3
(12) Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. (13) Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. (14) Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. (15) Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. (16) A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. (17) Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (18) Mulheres, sede submissas a vossos maridos, porque assim convém, no Senhor. (19) Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com aspereza. (20) Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. (21) Pais, deixai de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 2
(22) Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor,
(23) conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2),
(24) e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
(25) Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
(26) Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
(27) Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
(28) tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
(29) Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
(30) Porque os meus olhos viram a vossa salvação
(31) que preparastes diante de todos os povos,
(32) como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
(33) Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
(34) Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
(35) a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
(36) Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, era de idade avançada.
(37) Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
(38) Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
(39) Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
(40) O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

A santa obediência da família de Nazaré

Neste domingo, Solenidade da Sagrada Família, Pe. Paulo Ricardo conduz uma meditação a respeito do 5.º mistério gozoso do Santo Rosário: a perda e o encontro do Menino Jesus no templo. Com esse episódio da infância de Nosso Senhor, aprendemos que a obediência a Deus, “do qual provém toda paternidade”, foi a coluna vertebral da família de Nazaré e deve ser também uma virtude de toda família cristã.

Nesta última homilia dominical de 2017, Solenidade da Sagrada Família, somos chamados a olhar para Jesus, Maria e José como modelos de vida familiar. De fato, o grande mistério da Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — quis fazer-se família humana conosco, de modo que podemos dizer que é nessa realidade que se encontra a salvação, ou seja, em nos tornarmos família com Deus, filhos de Deus. Sendo assim, precisamos meditar mais detidamente sobre esse mistério, uma vez que esse é o objetivo de nossas vidas: fomos feitos para Deus.

De fato, a Família de Nazaré não é uma família convencional: temos um pai que não é biológico, uma mãe que é virgem e um filho que é Deus. Isso, à primeira vista, poderia nos desanimar de imitá-los, porque eles, deveras, não são uma família normal. Mas o que precisamos entender, por outro lado, é que a família, em sentido próprio, tem uma base biológica — os vínculos sanguíneos entre a prole e os genitores — e uma base espiritual — os vínculos estabelecidos pelas virtudes teologais da fé, da esperança e, sobretudo, do amor. E isso é o que nos diferencia dos animais, pois estes são incapazes de amar e respeitar os seus pais e irmãos.

Um macho, quando vê uma fêmea, não se importa se aquela fêmea é sua mãe, irmã ou tia. Ele fatalmente irá cobri-la. O ser humano, entretanto, enxerga alguns limites em suas relações, limites estes que são desenvolvidos pelo amor.

O mal de nossa sociedade é que ela perdeu a moral das virtudes. As famílias estão se destruindo porque estão se tornando empresas. Nas empresas, as pessoas são apenas um número, um CPF que, caso não se enquadre nos requisitos, pode ser descartado e substituído por outro. A família, no entanto, tem outra medida; os vínculos familiares são eternos: um pai continua a ser pai mesmo depois de morto, assim como uma mãe continua a ser mãe e um filho continua a ser filho etc. Mas a perda do senso das virtudes está fazendo com que as pessoas se esqueçam dessa verdade e transformem tudo em relações contratuais com prazo de validade. Tudo está descartável!

Os filhos tornaram-se descartáveis pelos anticoncepcionais e pelo aborto. Marido e mulher tornaram-se descartáveis pelo divórcio. Os pais tornaram-se descartáveis pelos asilos e pela eutanásia. Na verdade, a família está se tornando “chave de cadeia”, por assim dizer, porque qualquer desentendimento, do menor ao maior, termina em uma delegacia ou na mesa de um juiz. O ser humano está se convertendo em um animal irracional.

Acontece que, quando o homem se afasta de sua humanidade e passa a comportar-se como um animal, ele consegue ficar pior ainda que um animal, uma vez que as faculdades da alma — inteligência e vontade — têm uma sede insaciável e exigem do homem uma busca contínua pela felicidade, porque, como reza Santo Agostinho, fomos feitos para Deus e nosso coração não descansa enquanto não repousar nEle (cf. Confissões, I, 1, 1). Afastadas de Deus, porém, essas faculdades acabam se dirigindo às coisas secundárias, gerando uma enorme frustração no coração do homem, que termina escravizado pelos vícios.

Jesus encarnou-se no Natal para nos ensinar a ser família. No Evangelho deste domingo, vemos um Deus que se faz menino para obedecer à própria lei divina. Ele deve acompanhar seus pais até Jerusalém, para apresentar-se ao Senhor, conforme a Lei de Moisés. É essa obediência que precisa estar presente no coração da família, essa disposição de sempre cumprir a vontade de Deus, “do qual provém toda paternidade” (3, 15), isto é, do qual provém toda família. A família só é família se as pessoas são tementes a Deus, pois “quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados” (Eclo 3, 4).

No Evangelho de São Lucas, Jesus aparece como filho obediente a José e Maria (cf. 2, 51). José, embora seja o menos santo dos três, é o chefe da família, aquele a quem tanto Jesus e Maria devem ser submissos. E é nessa obediência que acontece a família, como ensina São Paulo na carta aos Colossenses: “Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor.” (Cl 3, 18-20)

Essa obediência, no entanto, não é uma obediência cega; Jesus e Maria obedecem a José porque José era um homem “justo” e “temente a Deus”. Notem na oração do Rosário que a quinta meditação dos mistérios gozosos nos apresenta a perda e o encontro de Jesus no Templo. Trata-se de um mistério interessantíssimo. Ali, com doze anos de idade, Jesus se perde de seus pais e é encontrado por José e Maria entre os doutores. Maria diz-Lhe: “Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.”

Embora soubesse que José não era o pai biológico de Jesus, Nossa Senhora o chama de “pai” e o coloca à sua frente: “teu pai e eu”. Jesus, por sua vez, diz o seguinte: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” Ora, com essa resposta, Jesus estava indicando o parâmetro para todas as demais famílias, de todos os tempos e lugares: uma família só tem sentido na obediência a Deus. Apesar de submisso a José e Maria, Jesus obedece, antes de tudo, a outro Pai.

Isso esclarece ainda uma confusão a respeito do quarto mandamento. Ele diz para “honrar” pai e mãe, não para os obedecer. A obediência aos pais só deve acontecer se eles nos pedem coisas que estão de acordo com a vontade de Deus. A partir da idade da razão, por volta dos sete anos, toda criança pode e deve desobedecer aos seus pais se eles lhe pedirem algo contrário à vontade de Deus. Na quinta meditação dos mistérios gozosos, por sua vez, vemos que, evidentemente, José e Maria não pediram nada a Jesus contra a vontade de Deus, mas que Jesus obedeceu antes à vontade dEste que daqueles. E depois de cumprida a sua obrigação para com o Pai do Céu, “era-lhes submisso”.

Outra coisa bonita que encontramos nessa meditação é que o primeiro ensinamento de Jesus no Evangelho de São Lucas contém a palavra “Pai”. Curiosamente, a última palavra dita por Jesus no mesmo Evangelho também é “Pai”. Isso revela que toda a vida de Cristo, desde a infância até a crucificação, foi uma vida marcada pelo cumprimento da vontade do Pai. A própria Carta aos Hebreus fala com clareza que a primeira ação de Jesus já no ventre de Maria foi a obediência a Deus. Quando Jesus assumiu o corpo humano no ventre de Maria, respondeu a Deus Pai: “Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (10, 7).

Eis a família: a obediência total de Jesus, de Maria e de José. A família existe porque existe uma obediência a Deus e é neste Pai do Céu que a família será estruturada.

Padre Paulo Ricardo


Lições da Família de Nazaré

No Domingo, após o Natal do Senhor, celebramos com alegria a Santa Família de Nazaré. O contexto é o mais adequado, porque o Natal é por excelência a festa da família. Deus quis manifestar-se aos homens, integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o verdadeiro Dia da Família!

A Palavra de Deus em (Eclo. 3, 3 – 7. 14 – 17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

São Paulo, em Cl 3, 12 – 21, enumera as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família, é aquele que tem o seu fundamento no Amor de Deus.

A Sagrada Família é proposta pela Igreja como modelo de todas as famílias cristãs: na casinha de Nazaré, Deus ocupa sempre o primeiro lugar e tudo Lhe está subordinado.

Os lares cristãos, se imitarem o da Sagrada Família de Nazaré, serão lares luminosos e alegres, porque cada membro da família se esforçará em primeiro lugar por aprimorar o seu relacionamento pessoal com o Senhor e, com espírito de sacrifício, procurará ao mesmo tempo chegar a uma convivência cada dia mais amável com todos os da casa.

A família é escola de virtudes e o lugar habitual onde devemos encontrar a Deus.

Cada lar cristão tem na Sagrada Família o seu exemplo mais cabal; nela, a família cristã pode descobrir o que deve fazer e como deve comportar-se, para a santificação e a plenitude humana de cada um dos seus membros. Diz o Papa Paulo VI: “Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa muito simples, muito humilde e muito bela manifestação do Filho de Deus entre os homens. Aqui se aprende até, talvez insensivelmente, a imitar essa vida”.

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família (como divórcio, aborto, união de pessoas do mesmo sexo) são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

O Messias quis começar a sua tarefa redentora no seio de uma família simples, normal. O lar onde nasceu foi a primeira realidade humana que Jesus santificou com a sua presença.

“Queridas famílias, não deixeis que o amor, que a abertura à vida e os vínculos incomparáveis que unem o vosso lar se desvirtuem. Pedi por isto constantemente ao Senhor, orai juntos, para que os vossos propósitos sejam iluminados pela fé e enaltecidos pela Graça divina no caminho rumo à santidade. Deste modo, com a alegria do vosso compartilhar todo o amor, dareis ao mundo um maravilhoso testemunho de quanto a família é importante para o ser humano e para a Sociedade. O Papa está ao vosso lado, pedindo sobretudo ao Senhor por quantos em cada família têm mais necessidade de saúde, de trabalho, de conforto e de companhia.” ( Papa Bento XVl, Angelus, 28 dezembro de 2008).

Hoje, de modo muito especial, pedimos à Sagrada Família por cada um dos membros da nossa família e pelo mais necessitado dentre eles.

Maria, Rainha da Família, rogai por nós!

Mons. José Maria Pereira