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Epifania do Senhor (07-01-2018)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 60
(1) Levanta-te, sê radiosa, eis a tua luz! A glória do Senhor se levanta sobre ti. (2) Vê, a noite cobre a terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti levanta-se o Senhor, e sua glória te ilumina. (3) As nações se encaminharão à tua luz, e os reis, ao brilho de tua aurora. (4) Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti, teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. (5) Essa visão tornar-te-á radiante, teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações. (6) Serás invadida por uma multidão de camelos, pelos dromedários de Madiã e de Efá, virão todos de Sabá, trazendo ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 3
(2) Vós deveis ter aprendido o modo como Deus me concedeu esta graça que me foi feita a vosso respeito. (3) Foi por revelação que me foi manifestado o mistério que acabo de esboçar. (4) Lendo-me, podereis entender a compreensão que me foi concedida do mistério cristão, (5) que em outras gerações não foi manifestado aos homens da maneira como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas. (6) A saber: que os gentios são co-herdeiros conosco (que somos judeus), são membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Jesus Cristo pelo Evangelho.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 2
(1) Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
(2) Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
(3) A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
(4) Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
(5) Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
(6) E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
(7) Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
(8) E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
(9) Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
(10) A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
(11) Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
(12) Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Anselmo Chagas
Canção Nova: Homilia

A fé cristã não é uma crença qualquer

Antes mesmo que os três reis magos O encontrassem, Jesus já os havia encontrado, inspirando-lhes o desejo de conhecer o verdadeiro Messias. Encontrando então o Salvador nos braços de Maria, aqueles três peregrinos abandonaram as próprias crenças e tiveram fé. A liturgia deste domingo, qual estrela de Belém, quer conduzir-nos também até a manjedoura de Cristo a fim de que, libertos de nossas próprias ideias religiosas, encontremos o verdadeiro Deus e Salvador da humanidade.

Neste domingo, a liturgia da Igreja dirige seu olhar aos três reis magos, aqueles que, de boa vontade, contemplaram a Epifania do Senhor, isto é, a manifestação pública de Cristo. Deus amou tanto o mundo, diz o apóstolo S. João, “que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Sim, podemos dizer, Jesus veio para alargar as portas do Céu e conceder a todas as nações aquilo que, antes, era reservado apenas ao “povo da Aliança”. Mas, para que essa salvação aconteça, não é suficiente que Jesus venha até nós; os homens precisam corresponder-lhe pela fé, imitando o exemplo dos três reis pagãos.

Os magos do Oriente não pertenciam ao povo de Israel; não conheciam a Revelação nem tinham acesso ao conteúdo das profecias. Foi a boa vontade de seus corações, com efeito, o que os levou a encontrar o Messias. Deus reconheceu o caráter dos três peregrinos e, querendo salvá-los, indicou-lhes o caminho para o menino Jesus. E, encontrando o menino, eles abandonaram a velha crença e tiveram fé.

No testemunho dos três reis magos podemos enxergar o projeto de Deus para toda a humanidade; Ele concede a todos a oportunidade de superar as próprias crenças e ter fé em Jesus. De acordo com o documento Dominus Iesus, a crença é “o conjunto de experiência e pensamento, que constitui os tesouros humanos de sabedoria e de religiosidade, que o homem na sua procura da verdade ideou e pôs em prática em referência ao Divino e ao Absoluto” (n. 7). Trata-se, portanto, de um esforço absolutamente humano, que ainda está à procura da verdade absoluta e carece do assentimento a Deus que Se revela (cf. Dominus Iesus, n. 7). A fé teologal, por outro lado, é aceitação da Revelação Cristã que, como ensina S. João Paulo II, “permite penetrar no seio do mistério, favorecendo a sua inteligência coerente” (Fides et Ratio, n. 13). É essa a fé que os reis magos experimentaram ao se encontrarem com Jesus em Belém.

É verdade que algumas crenças defendem práticas contrárias à dignidade da pessoa humana, como no caso dos astecas, que faziam sacrifícios humanos para acalmar os deuses. Deus, no entanto, vai ao encontro de todo homem, esteja ele onde estiver, e dispensa a sua graça para que ele consiga corresponder aos apelos divinos no íntimo de seu coração. O primeiro passo é sempre de Deus.

Neste domingo, a liturgia quer, qual estrela de Belém, nos conduzir até a manjedoura de Cristo, onde também estão Maria e José. Jesus quer nos conceder o dom da fé teologal para que, libertos de toda crença humana, conheçamos o verdadeiro Deus libertador, Aquele do qual procedem todo bem e toda graça.

Padre Paulo Ricardo


Epifania do Senhor

Caros irmãos e irmãs,

Celebramos neste domingo a Solenidade da Epifania do Senhor, o mistério da manifestação do Senhor a todas as nações, representadas pelos Magos, conhecidos, segundo a tradição, com os nomes de Melchior, Gaspar e Baltasar. Eles vieram do Oriente para adorar o Rei dos Judeus (cf. Mt 2,1-2). O Evangelista São Mateus, que narra o acontecimento, ressalta como eles chegaram a Jerusalém seguindo uma estrela, vista surgir e interpretada como sinal do nascimento do Rei anunciado pelos profetas, isto é, o Messias. Mas, tendo chegado a Jerusalém, os Magos precisaram das indicações dos sacerdotes e dos escribas para conhecer exatamente o lugar aonde ir, isto é, Belém, a cidade de David (cf. Mt 2,5-6; Mq 5,1). A estrela e a Sagrada Escritura foram as duas luzes que guiaram o caminho dos Magos, os quais são para nós modelos dos autênticos pesquisadores da verdade.

O itinerário seguido pelos Magos reflete a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus. Atentos aos sinais da estrela, percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar.  Chama a nossa atenção neste evangelho a disposição dos Magos: eles viram a estrela, deixaram tudo, arriscaram tudo e partiram à procura de Jesus.  Neste sentido, podemos dizer que os Magos representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo.

Não podemos deixar de prestar uma atenção particular ao símbolo da estrela, tão importante na narração evangélica (cf. Mt 2,1-12).  Esses Magos eram provavelmente astrônomos, tinham observado o surgir de um novo astro, e tinham interpretado este fenômeno celeste como anúncio do nascimento de um rei, precisamente, segundo as Sagradas Escrituras, do rei dos Judeus (cf. Nm 24,17), e puseram-se a caminho.  Na realidade, esta luz de Cristo se manifestou na inteligência e no coração dos Magos. “Eles partiram” (Mt 2, 9), narra o evangelista, lançando-se corajosamente por estradas desconhecidas e empreendendo uma longa e difícil viagem.

Neste caminho são guiados por uma luz. A primeira leitura já anuncia a chegada da luz salvadora de Deus, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo. O apóstolo João escreve na sua Primeira Carta: “Deus é luz e nele não há trevas” (1Jo 1,5); e mais adiante acrescenta: “Deus é amor”. A luz, que surgiu no Natal, que hoje se manifesta aos povos, é o amor de Deus, revelado na Pessoa do Verbo encarnado. Portanto, os Magos do Oriente são atraídos por esta luz. A adoração de Jesus por parte dos Magos é reconhecida como cumprimento das Escrituras proféticas, como podemos ler no Livro do Profeta Isaías: “À tua luz caminharão os povos e os reis andarão ao brilho do teu esplendor… trazendo ouro e incenso, e anunciando os louvores ao Senhor” (Is 60,3.6).

Cristo é a luz que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto redentor que o Pai nos quer oferecer.  Essa “luz” encarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva. O evangelista São Lucas também faz uma reverência a Cristo como luz: “Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo” (Lc 2,32), como, inspirado por Deus, exclamará Simeão tendo o menino entre os braços, quando os pais o apresentaram no templo.  Cristo é a luz que ilumina os povos e que provém da glória de Israel (cf. Lc 2,4).

Lemos ainda no Evangelho que “a estrela, caminhava à frente deles, até que, chegando ao lugar onde estava o Menino, parou”. Chegando a Belém, os Magos “ao entrar na casa, viram o menino com Maria sua mãe, e prostrando-se o adoraram” (Mt 2,11). A criança que eles descobrem não é uma criança como as outras: é rei, então oferecem-lhe ouro; é Deus, então queimam incenso; passará pela morte antes de ressuscitar, então apresentam a mirra. Os dons que os Magos oferecem ao Messias simbolizam a verdadeira adoração. Mediante o ouro eles realçam a realeza divina; com o incenso confessam-no como sacerdote da nova Aliança; oferecendo a mirra reconhecem que Jesus derramará o próprio sangue para reconciliar a humanidade com o Pai.

É este o ápice de todo o itinerário: o encontro se faz adoração, conduz a um ato de fé e de amor que reconhece em Jesus, nascido de Maria, o Filho de Deus feito homem.  Da adoração dos Magos fazem parte os presentes, como sinal de doação: ouro, incenso e mirra; oferendas que se faziam a um Rei considerado divino.

Uma vida frágil que necessita dos cuidados de uma mãe desperta nos magos a admiração. Eles prostram-se e adoram o Menino Jesus. Aqueles que conheciam bem a Palavra de Deus, sabiam interpretá-la, sabem também ler as estrelas e são capazes de ver mais além das aparências. E o que eles percebem nesse Menino é tão profundo que caem prostrados, tiram seus tesouros, esvaziam-se e enchem-se da nova Luz descoberta. Os Magos adoraram um simples Menino nos braços de Maria porque reconheceram Nele a fonte da dupla luz que os tinha guiado: a luz da estrela e a luz da Palavra de Deus. Reconheceram o Cristo recém-nascido como o Rei dos Judeus, mas também o Rei de todas as nações.

O Evangelho esclarece que, depois de ter encontrado Cristo, os Magos regressaram ao seu país “por outro caminho”. Esta mudança de caminho pode simbolizar a conversão daqueles que encontraram Jesus.  Quando se encontra Cristo e se acolhe o seu Evangelho, a vida muda e somos estimulados a comunicar aos outros a própria experiência.  Teria sido natural voltar a Jerusalém, ao palácio de Herodes e ao Templo, para dar realce à sua descoberta.  Mas eles escolheram o Menino como seu soberano e foram transformados pelo encontro com a Verdade; descobriram um novo rosto de Deus, uma nova realeza: a do amor. O caminho exterior daqueles homens tinha terminado. Tinham chegado à meta. Mas a este ponto, começa para eles um novo caminho, uma peregrinação interior que altera toda a sua vida.  Cristo também nos convida a esta peregrinação interior.

Os Magos que vieram do Oriente são apenas os primeiros de uma longa procissão de homens e mulheres que na sua vida procuraram constantemente com o olhar a estrela de Deus, que procuraram aquele Deus que está perto de nós, seres humanos, e nos indica o caminho. É a grande multidão de santos, mediante os quais o Senhor, ao longo da história, abriu diante de nós o Evangelho e folheou as suas páginas; ainda hoje Ele continua a fazer isto.

A vida dos santos revela a riqueza do Evangelho. Eles são o rastro luminoso de Deus que Ele mesmo traçou e continua a traçar ao longo da história.  O segredo da santidade é a amizade com Cristo e a adesão fiel à sua vontade.  Santo Ambrósio dizia: “Cristo é tudo para nós” (S. AMBRÓSIO, De virginitate 16, 99). E São Bento exorta aos seus monges: “Nada antepor ao amor de Cristo” (RB 4,21).  São Bento indica com isto que devemos dar sempre prioridade a Cristo, que não podemos colocar nada, nem ninguém em seu lugar. A palavra “antepor” significa colocar algo entre mim e Cristo, construir um muro, uma separação. O amor de Cristo deveria ser nossa meta e nosso caminho, nossa certeza e nossa busca, nosso conforto.  Este “nada antepor”, significa que devemos priorizar sempre a companhia de Cristo. Quando nada colocamos no seu lugar, aí sim, nada antepomos ao seu amor.

Possamos também nós imitar os Magos e colocarmo-nos a caminho do Senhor. Saibamos percorrer com decisão o caminho do bem.  E assim como a estrela esteve a serviço dos Magos, possamos também nós estar a serviço dos nossos irmãos, indicando a eles o Cristo Senhor. Também como a estrela, devemos resplandecer como filhos da luz, para atrair a todos à presença do Salvador que nasceu para nos trazer uma vida nova.  Assim seja.

Dom Anselmo Chagas