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Chegou a salvação! (21-01-2018)

Primeira Leitura:
PROFETAS MENORES: Livro de Jonas (Jn), capítulo 3
(1) A palavra do Senhor foi dirigida pela segunda vez a Jonas nestes termos: (2) Vai a Nínive, a grande cidade, e faze-lhe conhecer a mensagem que te ordenei. (3) Jonas pôs-se a caminho e foi a Nínive, segundo a ordem do Senhor. Nínive era, diante de Deus, uma grande cidade: eram precisos três dias para percorrê-la. (4) Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: Daqui a quarenta dias Nínive será destruída. (5) Os ninivitas creram (nessa mensagem) de Deus, e proclamaram um jejum, vestindo-se de sacos desde o maior até o menor. (6) A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive, ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. (7) Em seguida, foi publicado pela cidade, por ordem do rei e dos príncipes, este decreto: Fica proibido aos homens e aos animais, tanto do gado maior como do menor, comer o que quer que seja, assim como pastar ou beber. (8) Homens e animais se cobrirão de sacos. Todos clamem a Deus, em alta voz, deixe cada um o seu mau caminho e converta-se da violência que há em suas mãos. (9) Quem sabe, Deus se arrependerá, acalmará o ardor de sua cólera e deixará de nos perder! (10) Diante de uma tal atitude, vendo como renunciavam aos seus maus caminhos, Deus arrependeu-se do mal que resolvera fazer-lhes, e não o executou.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 7
(29) Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem, (30) os que choram, como se não chorassem, os que se alegram, como se não se alegrassem, os que compram, como se não possuíssem, (31) os que usam deste mundo, como se dele não usassem. Porque a figura deste mundo passa.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 1
(14) Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
(15) Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo, fazei penitência e crede no Evangelho.
(16) Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
(17) Jesus disse-lhes: 'Vinde após mim, eu vos farei pescadores de homens.'
(18) Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no.
(19) Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo.
(20) Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Por que você não se converte hoje?

O que você está esperando para se converter? É essa a pergunta que Jesus nos dirige no Evangelho deste domingo. Deus está dentro de nós, o tempo todo nos chamando para a verdade, ainda que sejamos pecadores terríveis. Ele nunca desiste de nós. Nesta pregação, Pe. Paulo Ricardo medita sobre a necessidade da conversão e mostra, com o exemplo de Santo Agostinho, como podemos escutar a Palavra que ecoa em nosso interior.

Depois da prisão de João Batista, Jesus vai para a Galileia pregar o Evangelho de Deus e anunciar o “tempo da conversão”. Ele diz: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”. No último domingo, meditamos sobre o chamado dos Apóstolos, segundo o relato de São João Evangelista. Para este domingo, porém, a Igreja deseja que contemplemos essa conversão de que fala Jesus, a fim de que, no tempo oportuno, enxerguemos em nossas almas a ação do Senhor, que busca, antes de tudo, a nossa salvação.

Na primeira leitura, acompanhamos os passos do profeta Jonas até a cidade de Nínive, onde se praticava toda sorte de pecados e injúrias contra Deus, para pregar a necessidade do arrependimento (cf. Jn 3, 1-5.10). Apesar da má vontade inicial, Jonas cumpre o chamado de Deus, anunciando a premente destruição dos ninivitas, caso não mudassem de vida. E a cidade, então, milagrosamente se converte, abandonando os atos que trariam a ira do Senhor sobre ela.

Essa conversão milagrosa, cujo instrumento foi o profeta Jonas, mostra-nos algo extraordinário: Deus pode usar das coisas mais débeis — um livro, uma música, uma conversa com um amigo ou a pregação de um profeta — até as mais sublimes— como a Encarnação de Jesus — para converter os corações. O que interessa saber, desde já, é que neste processo há uma ação misteriosa de Deus no coração de cada pessoa. E assim nós entendemos o Evangelho deste domingo.

A conversão é possível porque, dentro do coração de cada homem, seja ele o mais pecador de todos, está a presença do Verbo de Deus. Jesus envia o Espírito Santo aos corações, aquilo que em teologia se chama graça suficiente, para insistentemente nos chamar à verdade.

Quando Jesus diz que “o Reino de Deus está próximo”, o que isso quer dizer? O que é essa proximidade? Como demonstra São Lucas no seu Evangelho, trata-se da presença de Deus em nossos corações: “O Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17, 20-21). Esse “próximo” quer dizer “dentro de nós”. Isso significa que não existe lugar algum onde você possa ir que Deus não esteja próximo.

Jesus também fala do tempo de Deus. Em grego, a palavra “tempo” pode ser representada de duas maneiras. Χρόνος (“cronos”) refere-se ao tempo comum: um segundo é igual ao outro, um dia é igual ao outro etc.; καιρός (“cairós”), por sua vez, refere-se ao “tempo oportuno”, isto é, o tempo da colheita, quando os frutos estão maduros. O que Jesus está dizendo, portanto, é que “as frutas estão maduras”, que a hora certa para a conversão chegou, e, sendo assim, não podemos adiá-la jamais. Não podemos pensar em nossos projetos, em nossa juventude, porque a graça de Deus quer nos levar agora para Deus, como aconteceu a Santo Agostinho.

Depois de muito relutar, Agostinho escutou o verbum interior, como ele diz, e encontrou a força interior para vencer as vozes do pecado. De fato, o Evangelho é força de Deus para aquele que crê. Se você crê, Deus manifesta-se como uma força que vai aumentando, conforme a sua resposta. E, assim, Ele o capacita para abraçar radicalmente o Evangelho, como capacitou a tantos e tantos santos, que abraçaram a fé ao longo de suas vidas. Afinal, como disse Santo Agostinho, “se estes santos e santas conseguiram, por que não eu?”

Vamos, irmãos, porque o tempo chegou!

Padre Paulo Ricardo


Chegou a salvação!

Nestes inícios do Tempo Comum, a Liturgia apresenta-nos também os inícios do Evangelho segundo Marcos. Hoje Jesus aparece inaugurando seu ministério público. Suas palavras são consoladoras: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo!” Eis! A esperança de Israel até que enfim iria realizar-se: o Messias, o Salvador esperado estava chegando para instaurar o Reino! Com Jesus, com sua Pessoa, seus gestos e sua pregação, o Reinado de Deus, a proximidade do Santo de Israel, seria realmente tocada pelo povo de Deus. É isso o Reino de Deus: em Jesus, Deus fez-se próximo, Deus veio acolher, consolar, indicar o caminho, salvar! Em Jesus, o Filho amado, Deus veio revelar sua paternidade, debruçando-se sobre o aflito, o pobre, o pecador. Chegou o Reino: Deus veio consolar o seu povo!

Mas, há algo surpreendente nesse alegre anúncio de Jesus: logo após afirmar que o Reino chegou, o Senhor intima o povo: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” Por que Jesus dá esta ordem? Os israelitas não estavam esperando o Reino? Por que precisam se converter? Caríssimos: o Reino que Jesus veio trazer não é de encomenda, não é sob medida, como gostaríamos. O Senhor não vem nos trazer um Deus à nossa medida, à medida do mundo, um deus moderninho para consumo das nossas necessidades, interesses e expectativas. No mundo do fácil, do prático e do descartável, gostaríamos de um deusinho assim… Jesus nos grita: “Convertei-vos! Crede no Evangelho!” O Reino somente será Boa-Notícia para quem abrir-se à surpresa inquietante do Deus que Jesus anuncia. Acolher a novidade, a Boa-notícia, o Evangelho, acolher esse Deus que chega, exige que saiamos de nós mesmos, como os ninivitas que, escutando o apelo de Jonas, converteram-se! Mais tarde, Jesus irá criticar duramente o seu povo: “Os habitantes de Nínive se levantarão no Julgamento, juntamente com esta geração, e a condenarão, porque eles se converteram pela pregação de Jonas. Mas aqui está algo mais do que Jonas!” (Mt 12,41). Como é atual a Palavra deste Domingo! Cheios de nós, adormecidos e satisfeitos com nossos pensamentos, com nossa lógica cômoda e pagã, jamais poderemos acolher o Reino em nós e experimentar sua alegria e sua paz! Não esqueçamos, caros em Cristo: a primeira palavra do Senhor no Evangelho é “convertei-vos!” Não é possível domar Jesus, não é possível um cristianismo sob medida! Não é por acaso que o Evangelho de hoje começa falando da prisão de João Batista, aquele santo profeta que preparou a vinda do Reino. O Reino sofre violência; violência do mundo, violência do nosso coração envelhecido pelo pecado, da nossa razão tanta vez fechada para a luz do Cristo. Por isso mesmo, logo após apresentar o apelo de Jesus, são Marcos nos fala da vocação dos quatro primeiros discípulos. Certamente, esse chamado deve ser compreendido de modo muito particular como referindo-se à vocação sacerdotal, que faz dos chamados “pescadores de homens”. Mas, esse chamamento indica também a vocação de todo cristão: seguir Jesus no caminho da vida. Nesse sentido, a lição é clara: seguir Jesus exige deixar tudo, deixar-se e colocar a vida em relação com o Senhor! Somente assim poderemos acolher o Reino!

Nunca esqueçamos, irmãos: diante da urgência de estar com Jesus, de viver unido a ele, de acolher sua pessoa, tudo o mais é relativo! Daí a advertência de São Paulo na segunda leitura de hoje: “O tempo está abreviado. Então que, doravante os que têm mulher vivam como se não tivessem, os que choram, como se não chorassem e os que estão alegres, como se não estivessem; os que fazem compras como se não possuíssem; e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois passa a figura deste mundo”. Aqui, não se trata de desvalorizar o mundo e o que de belo e de bom há nele. Trata-se, sim, de colocar as coisas na sua real perspectiva, na perspectiva do Infinito de Deus e da urgência do Reino. O mundo atual, com sua cultura pagã, deseja que esqueçamos os verdadeiros valores, que absolutizemos aquelas coisas que são relativas, que deixemos de lado aquilo que realmente importa. E o que importa? Escutai, caríssimos: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado!” (Mt 6,33). Somos chamados a abrir nossa existência, abrir nosso coração, nossa vida, nossos valores para o Cristo que nos traz o Reino do Pai do Céu! Mas somente poderemos acolhê-lo de fato se nos colocarmos diante dele com um coração de pobre, com a consciência de que precisamos realmente do Senhor, que, sozinhos, não nos realizaremos, não seremos felizes, não alcançaremos a verdadeira vida!

É triste perceber hoje quantos cristãos se sentem tão à vontade nessa sociedade consumista, secularizada, pagã e satisfeita consigo própria. Esses, infelizmente, jamais experimentarão a doçura do Reino, que somente poderá ser compreendido por quem chorou, quem teve fome e sede de justiça (isto é de amizade com Deus), quem foi puro, que foi perseguido… É por isso que tantas vezes ouviremos, nos domingos deste ano, o Senhor afirmar que somente poderá compreender e acolher o Reino quem tiver um coração de pobre.

Caríssimos, convertamo-nos! Levemos a sério que o modo de pensar e sentir de Deus não são o nosso! Tenhamos a coragem de nos deixar por Cristo. São Jerônimo, comentando a atitude dos quatro primeiros discípulos chamados pelo Senhor, afirma: “A verdadeira fé não conhece hesitação: imediatamente ouve, imediatamente crê, imediatamente segue…” Seja assim a nossa fé no Senhor, seja assim nossa adesão ao nosso Salvador! Então, seremos felizes de verdade, porque perceberemos que o que Cristo nos trouxe é uma Boa Notícia, a melhor de todas: Deus nos ama, caminha conosco e, no seu bendito Filho, nos convida à amizade íntima com ele, nesta vida e por toda eternidade! Amém.

Dom Henrique Soares