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Os três inimigos da alma (18-02-2018)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 9
(8) Disse também Deus a Noé e as seus filhos: (9) “Vou fazer uma aliança convosco e com vossa posteridade, (10) assim como com todos os seres vivos que estão convosco: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, desde todos aqueles que saíram da arca até todo animal da terra. (11) Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.” (12) Deus disse: “Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras: (13) Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra. (14) Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, (15) e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São Pedro (1Pd), capítulo 3
(18) Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. (19) É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, (20) quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água. (21) Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo. (22) Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 1
(12) E logo o Espírito o impeliu para o deserto.
(13) Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
(14) Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
(15) Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo, fazei penitência e crede no Evangelho.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

As tentações de Cristo e os três inimigos da alma

Nosso Senhor “ficou no deserto durante quarenta dias”, diz o Evangelho deste domingo, “e aí foi tentado por Satanás”. Jesus Cristo, indo para o deserto, venceu o mundo; jejuando, venceu a carne; e resistindo às tentações, venceu o demônio. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo faz uma importante meditação sobre essas três vitórias de Cristo, mediante as quais recebemos a graça para enfrentar a “quaresma” desta vida e vencermos, também nós, os inimigos de nossa salvação eterna.

Neste 1.º Domingo da Quaresma, a Igreja medita sobre as tentações de Cristo no deserto, a fim de nos orientar acerca das lutas que temos de travar contra o diabo, o mundo e a carne, os três grandes inimigos da alma que impedem a nossa comunhão com Deus.

A ida de Jesus ao deserto representa a sua compaixão pelo gênero humano. Embora não precise de penitências nem de jejuns, Ele quis assumir toda a nossa condição para que fôssemos redimidos de nossos pecados. Ele foi ao deserto para nos ensinar uma maneira de vencer o diabo e alcançar a coroa do Céu. Como dizia Santo Agostinho: “Aquele que te criou sem ti não te salvará sem ti”. No deserto, portanto, Cristo mostra como devemos abrir nosso coração para a graça santificante.

A primeira grande vitória de Cristo no deserto deu-se sobre o mundo. Recolhendo-se no silêncio de um deserto, Jesus venceu os apelos do mundo e ensinou que temos de ter tempo para Deus, um momento de intimidade com Ele, ou seja, vida de oração. Pois, sem essa vida de oração, é impossível agradar a Deus, e a alma logo se perde nas tentações mundanas.

Como dizia Santa Teresa d’Ávila, a vida de oração requer uma determinada determinação da alma; ela deve estar disposta a orar ainda que isso represente grandes sacrifícios: “Surja o que surgir, aconteça o que acontecer, sofra-se o que se sofre, murmure quem murmurar, mesmo que não se tenha força para prosseguir, mesmo que se morra no caminho não se suporte os padecimentos que nele há, ainda que o mundo venha abaixo” (Caminho de Perfeição, XXI).

A segunda vitória de Cristo no deserto foi a vitória contra a carne, esta alma dominada pelas paixões. Trata-se do inimigo mais perigoso porque está dentro de nós, como um cavalo de Troia. Para vencer a carne, o homem precisa moderar os seus apetites pelo jejum e a penitência, a fim de que a alma governe o corpo e ela seja guiada pelo Espírito Santo. Daí a urgência dos exercícios quaresmais. Eles têm o objetivo de nos ajudar a vencer a carne.

Finalmente, a terceira vitória de Cristo no deserto foi contra o diabo. Jesus permite que sejamos tentados pelo diabo para que aprendamos a lutar o bom combate da fé e a amar, como ocorreu na famosa história de Santo Antão, narrada por Santo Atanásio. Conta-se que, depois de uma grave luta contra o diabo, Jesus apareceu de repente a Antão. “Mas Jesus, onde estavas? Por que não apareceste no início para fazer com que minhas dores cessassem?”, perguntou o santo. “Antão, eu estava aqui. Mas eu esperei para ver a tua luta”, respondeu Jesus.

No período da Quaresma, muitas serão as nossas lutas. Os contatos do WhatsApp, as más companhias, os vícios etc.: precisamos dar um basta nessas realidades, caminhando para o deserto quaresmal e imitando as virtudes de Cristo. Na verdade, devemos rasgar nossos corações para a sua graça santificante, para que ela nos transforme em homens e mulheres novos, livres de todo pecado. Portanto, vivamos esse tempo santo, esse kairós, na presença de nossos anjos e da Virgem Maria, para pisarmos a cabeça da serpente e alcançarmos as graças da Paixão do Senhor.

Padre Paulo Ricardo


Tentação e conversão!

O 1º Domingo da Quaresma nos apresenta todos os anos o mistério do jejum de Jesus no deserto, seguido das tentações (Mc 1, 12-15).

Quaresma é para nós um tempo forte de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas TENTAÇÕES, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.

A Quaresma comemora os quarenta dias que Jesus passou no deserto, como preparação para esses anos de pregação que culminam na CRUZ e na glória da Páscoa. Quarenta dias de oração e de penitência que, ao findarem, desembocam na cena que Marcos narra no cap. 1, 12-15. É uma cena cheia de mistério, que o homem em vão pretende entender – Deus que se submete à tentação, que deixa agir o Maligno –, mas que pode ser meditada se pedirmos ao Senhor que nos faça compreender a lição que encerra. São Leão Magno comenta que “o Senhor quis padecer o ataque do tentador para nos defender com a sua ajuda e para nos instruir com o seu exemplo”. Que nos pode  ensinar este episódio? Como lemos no Livro da Imitação de Cristo, “o homem nunca está totalmente isento da tentação, enquanto viver… mas é com a paciência e a verdadeira humildade que nos tornaremos mais fortes do que todos os inimigos” ( Livro l, c. Xlll ), a paciência e a humildade de seguir o Senhor todos os dias, aprendendo a construir a nossa vida sem O excluir, ou como se Ele não existisse, mas nele e com Ele, porque é a fonte da vida verdadeira. A tentação de eliminar Deus, de pôr ordem sozinho em si mesmo e no mundo, contando unicamente com as próprias capacidades, está sempre presente na história do homem.

É a primeira vez que o demônio intervém na vida de Jesus, e faz isto abertamente. Põe à prova Nosso Senhor; talvez queira averiguar se chegou a hora do Messias. Jesus deixa-o agir para nos dar exemplo de humildade e para nos ensinar – diz São João Crisóstomo –, quis também ser conduzido ao deserto e ali travar combate com o demônio a fim de que os batizados, se depois do batismo sofrem maiores tentações, não se assustem com isso, como se fosse algo de inesperado. Se não contássemos com as tentações que temos de sofrer, abriríamos a porta a um grande inimigo: o desalento e a tristeza.

Jesus proclama que “o tempo se cumpriu, e o Reino de Deus está perto” ( Mc1, 15), anuncia que nele acontece algo de novo: Deus dirige – se ao homem de modo inesperado, com uma proximidade singular, concreta, cheia de amor; Deus encarna – se e entra no mundo do homem para assumir sobre si o pecado, para vencer o mal e restituir o homem ao mundo de Deus. Mas este anúncio é acompanhado pelo pedido de corresponder a um dom muito grande. Com efeito, Jesus acrescenta: “Arrependei –vos e crede no Evangelho” ( Mc1, 15); é o convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias a nossa vida à sua Vontade, orientando para o bem todas as nossas obras e pensamentos. O tempo da Quaresma é o momento propício para renovar e tornar mais sólida a nossa relação com Deus, através da oração quotidiana, dos gestos de penitência e das obras de caridade fraterna.

A narrativa das tentações que Jesus sofreu mostra que Jesus “foi experimentado em tudo” (Hb 4, 15), comprovando também a veracidade da Encarnação do Verbo de Deus.

Diz Santo Agostinho que, na sua passagem por este mundo nossa vida não pode escapar à prova da tentação, dado que nosso progresso se realiza pela prova. De fato, ninguém se conhece a si mesmo sem ser experimentado, e não pode ser coroado sem ter vencido, e não pode vencer, se não tiver combatido e não pode lutar se não encontrou o inimigo e as tentações.

Por isso, a existência do ser humano nesta terra é uma batalha contínua contra o mal. É esta luta contra o pecado, a exemplo de Cristo, que devemos intensificar nesta Quaresma; luta que constitui uma tarefa para a vida toda.

O demônio promete sempre mais do que pode dar. A felicidade está muito longe das suas mãos. Toda a tentação é sempre um engano miserável! Mas, para nos experimentar, o demônio conta com as nossas ambições. E a pior delas é desejar a todo o custo a glória pessoal; a ânsia de nos procurarmos sistematicamente a nós mesmos nas coisas que fazemos e projetamos. Muitas vezes, o pior dos ídolos é o nosso próprio eu. Temos que vigiar, em luta constante, porque dentro de nós permanece a tendência de desejar a glória humana, apesar de termos dito ao Senhor que não queremos outra glória que não a dEle. Jesus também se dirige a nós quando diz: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”. E é isto o que nós desejamos e pedimos: servir a Deus, alicerçados na vocação a que Ele nos chamou.

O Senhor está sempre ao nosso lado, em cada tentação, e nos diz afetuosamente: “Confiai: Eu venci o mundo” (Jo16, 33). E com o salmista podemos dizer: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?” (Sl 26, 1).

“Procuremos fugir das ocasiões de pecado, por pequenas que sejam, pois aquele que ama o perigo nele perecerá” (Eclo 3, 27). Como Jesus nos ensinou na oração do Pai Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação”; é necessário repetir muitas vezes e com confiança essa oração!

Contamos sempre com a graça de Deus para vencer qualquer tentação. Usemos as armas para vencermos na batalha espiritual, que são: a oração contínua, a sinceridade com o diretor espiritual, a Eucaristia, o sacramento da Confissão (Penitência), um generoso espírito de mortificação cristã, a humildade de coração e uma devoção terna e filial a Nossa Senhora.

No caminho de conversão quaresmal, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos apresenta a Campanha da Fraternidade com o tema : “Fraternidade e superação da violência”, e o lema, Em Cristo somos todos irmãos” ( Mt23,8).

Segundo o Arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, a escolha do tema e do lema,  são justificados a partir dos números relacionados ao avanço da criminalidade no mundo, no Brasil e no Estado.

— É preciso inverter essa cultura que enxerga com normalidade a violência. Para isso, se deve querer bem e ajudar o próximo. Ninguém nasce violento, o que acontece é que esse comportamento pode ser aprendido na família e replicado ao longo da vida em outras relações sociais. É aí que a Igreja Católica deve atuar — explica o religioso.

Dom Wilson acrescenta que as forças de segurança não estão dando uma resposta satisfatória ao avanço da criminalidade. E, nesse sentido, coloca a Igreja à disposição para que uma nova estratégia seja repensada, especialmente se as ações estiverem voltadas à educação pela prevenção.

— Não adianta deixar essa missão só nas mãos das forças de segurança. Nós precisamos do momento anterior, que é o da família, da igreja, da escola, da comunidade, das empresas. Todos nós somos responsáveis por uma formação moral — salienta.

Ações de superação da violência

No texto-base da Campanha da Fraternidade 2018, sugere-se que a superação da violência seja de diversos modos:

— Na relação com o outro;

— No cuidado, no jeito de agir, perdoar, amar, viver e ouvir;

— Na cultura da paz, que acontece em todas as realidades da vida, na relação com todos os seres;

— Na família, o primeiro lugar onde o ser humano aprende a se relacionar;

— Na conversão pessoal e social, nas mudanças de atitudes e comportamentos, na oração e na espiritualidade, principalmente no tempo da Quaresma.

Mons. José Maria Pereira