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Simão, tu me amas? (22-04-2018)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 4
(8) Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: Chefes do povo e anciãos, ouvi-me: (9) se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que nome foi ele curado, (10) ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós. (11) Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular. (12) Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São João (1Jo), capítulo 3
(1) Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. (2) Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 10
(11) Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
(12) O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge, o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
(13) O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
(14) Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
(15) como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
(16) Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.
(17) O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.
(18) Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

O Bom Pastor é o Cordeiro Imolado

“O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”: com essas palavras, Nosso Senhor fala de si próprio e faz, ao mesmo tempo, uma “radiografia” do que deve ser todo sacerdote católico e pai de família. Pastor verdadeiro não é simplesmente quem manda, mas também quem se oferece, como vítima, por todos que Deus confiou à sua responsabilidade. Assista conosco a esta meditação e deixe-se transformar pelo belo Evangelho deste domingo!

Meditação. — 1. Jesus preparou os seus discípulos para serem “bons pastores” e derramarem o próprio sangue pela salvação de suas ovelhas. Foi assim que esses homens, inicialmente covardes, que negaram Jesus, puderam caminhar bravamente ao martírio; transformados pela graça e o exemplo do verdadeiro “Bom Pastor”, eles mesmos seguiram os seus passos e, como diz São Pedro, viveram para a justiça (cf. 1Pd 2, 24). “Justiça”, nesse contexto, quer dizer “santidade”. Os discípulos foram santos pastores porque caminharam nas pegadas do verdadeiro pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas.

No Evangelho da Missa deste domingo, o tradicional Domingo do Bom Pastor, vemos esse retrato de pastor bondoso, que se sacrifica pelo rebanho, em contraposição ao mercenário, que age apenas pelo dinheiro e abandona as ovelhas ao menor sinal de perigo. Este é movido por interesses egoístas e deseja satisfazer a própria carne, ao passo que aquele age na caridade, pois “ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 13).

Jesus entregou-se por seus amigos na cruz, redimindo-os de suas misérias e conferindo-lhes uma vida nova — vida em abundância — para que, uma vez convertidos, fizessem o mesmo pelos outros.  “Também Cristo padeceu por vós”, recorda São Pedro, “deixando-vos exemplo para que sigais os seus passos”. E no que consistiu esse exemplo? São Pedro responde assim: “Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca. Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” (1Pd 2, 21-23). Com que constrangimento e gratidão São Pedro não deve ter escrito essas linhas? Ele mesmo, em cuja boca se encontrou falsidade um dia, exorta-nos agora ao arrependimento e a caminhar com Jesus na via da caridade.

Na verdade, o modelo de pastor proposto por Jesus é o do cordeiro imolado, como indica São João no livro do Apocalipse: “Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos” (7, 16). O Bom Pastor é uma vítima.

2. Todo cristão é chamado a ser pastor, segundo o seu próprio estado de vida, e deve sacrificar-se pelas suas ovelhas. Quando Jesus foi entregue aos algozes, cumpriu-se a profecia de Zacarias: “Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas” (Mt 26, 31). A princípio, somos essas ovelhas desgarradas e errantes. E nós, que um dia saímos fugindo, olhamos agora para a cruz de Cristo e para a sua glória e podemos retornar, podemos nos converter, de modo que, pela sua graça, podemos também ser essas vítimas de expiação que atraem de volta ao redil as ovelhas perdidas da Casa de Israel. O pastor é um ponto de unidade, sem o qual se perde toda referência.

Em sentido estrito, apenas os bispos e presbíteros têm o sacerdócio ordenado e exercem a função de supervisionar as ovelhas. A palavra epíscopos quer dizer exatamente isto: vigia. Mas os demais fiéis leigos têm o chamado sacerdócio batismal e devem exercê-lo como verdadeiros pastores e cordeiros imolados. O pai e a mãe de família precisam sacrificar-se totalmente um pelo outro e por seus filhos, santificando-os dia a dia. Aquele que não quiser viver esse sacrifício acabará em uma vida extremamente egoísta e vazia, pois não dará frutos.

3. O sacerdote é a vítima por excelência, e essa realidade deveria ser a sua marca inconfundível. O celibato, por exemplo, é um desses sinais distintivos de imolação e dedicação total dos padres às ovelhas do Senhor. O padre não é um funcionário da Igreja — como no caso dos pastores protestantes —, mas uma vítima imolada. A batina “é sinal exterior de uma realidade interior: ‘efetivamente, o presbítero já não pertence a si mesmo, mas, pelo selo sacramental por ele recebido é ‘propriedade’ de Deus’” (Diretório para o Ministério e a vida dos presbíteros, II, n. 61). Daí o contratestemunho que muitos seminaristas e padres dão ao usarem o hábito eclesiástico apenas como um traje de gala. A batina deveria falar da sua imolação, não do seu poder aquisitivo.

Infelizmente, há um número grande de sacerdotes que perderam o sentido do sacrifício. E se o padre não é vítima, ele, de fato, age segundo uma estrutura de poder opressora. Esses padres que fazem do sacerdócio um status social acabam reproduzindo um estilo de vida contrário ao Evangelho, e não é espantoso que terminem desistindo da missão. Se o sacerdote não morre por ninguém, o seu ministério perde o sentido.

O padre deve, acima de tudo, ser um pai. Trata-se de uma questão de maturidade humana e espiritual. Que grande serviço não fazem, pois, as chamadas “mães espirituais” que rezam pelos sacerdotes, a fim de que Deus e Nossa Senhora os sustente em sua missão! Os sacerdotes mantêm-se de pé quando são sustentados pelas preces do seu rebanho, de modo que eles se unem como uma verdadeira família espiritual.

Peçamos, portanto, à Virgem Santíssima que nos ensine a ser bons pastores, pastores que dão a vida pelas suas ovelhas.

Oração. — Ó Jesus, meu bom pastor e guia, dirigi meus caminhos para que, fortalecido por vossa graça, eu também seja capaz de dar a vida pelas minhas ovelhas, como um cordeiro imolado.

Propósito. — Rezar todos os dias um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória pelos sacerdotes de minha paróquia e por todos aqueles que se encontram em crise no próprio ministério.

Padre Paulo Ricardo


Simão, tu me amas?

Este Quarto Domingo da Páscoa é conhecido como Domingo do Bom Pastor, pois nele se lê sempre um trecho do capítulo 10 de São João, onde Jesus se revela como o Bom Pastor. Mas, o que isso tem a ver com o tempo litúrgico que ora estamos vivendo? A resposta, curta e graciosa, encontra-se na antífona de comunhão que o Missal Romano traz: “Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!” Aqui está tudo!

“Eu sou o bom pastor” – disse Jesus. O adjetivo grego usado para “bom” significa mais que bom: é belo, perfeito, pleno, bom. Jesus é, portanto, o pastor por excelência, aquele pastor que o próprio Deus sempre foi. Pela boca de Ezequiel profeta, Deus tinha prometido que ele próprio apascentaria o seu rebanho: “Eu mesmo cuidarei do meu rebanho e o procurarei. Eu mesmo apascentarei o meu rebanho, eu mesmo lhe darei repouso” (34,11.15). Pois bem: Jesus apresenta-se como o próprio Deus pastor do seu povo!

Mas, por que ele é o Belo, o Perfeito, o Pleno Pastor? Escutemo-lo, caríssimos: O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. Ninguém tira a minha vida; eu a dou por mim mesmo! Tenho o poder de entregá-la e o poder de retomá-la novamente; esse é o preceito que recebi do meu Pai”. Amados irmãos, são palavras de intensidade inexaurível, essas! Jesus é o pastor perfeito porque é capaz de dar a vida pelas ovelhas: ele as conhece, ou seja, é íntimo delas, as ama, e está disposto a dar-se totalmente pelo rebanho, por nós! E, mesmo na dor, faz isso livremente, em obediência amorosa à vontade do Pai por nós! Por amor, morre pelo rebanho; por amor ressuscita para nos ressuscitar! Nós jamais poderemos compreender totalmente este mistério! Jesus diz que conhece suas ovelhas como o Pai o conhece e ele conhece o Pai! É impossível penetrar em tão grande mistério! Conhecer, na Bíblia, quer dizer, ter uma intimidade profunda, uma total comunhão de vida. A comunhão de vida entre o Pai e o Filho é total, é plena. Pois bem, Jesus diz que essa mesma comunhão ele tem com suas ovelhas. E é verdade! No batismo, deu-nos o seu Espírito Santo, que é sua própria vida de ressurreição; na eucaristia, dá-se totalmente a nós, morto e ressuscitado, pleno desse mesmo Espírito, como vida da nossa vida! De tal modo é a união, de tal grandeza é a comunhão, de tal profundidade é a intimidade, que ele está em nós e nós estamos mergulhados, enxertados e incorporados nele! De tal modo, que somos uma só coisa com ele, seja na vida seja na morte! De tal sorte ele nos deu o seu Espírito de Filho, que São João afirma na segunda leitura de hoje: “Somos chamados filhos de Deus. E nós o somos!” Compreendamos, irmãos: somos filhos de verdade, não só figurativamente! Somos filhos porque temos em nós a mesma vida, o mesmo Espírito Santo que agora plenifica o Filho ressuscitado! E São João continua, provocante: “Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai!” Ou seja: se, para o mundo, nós somos apenas uns tolos, uns nada, se o mundo não consegue compreender essa maravilhosa realidade – que somos filhos de Deus – é porque também não experimentou, não conheceu que Deus é o Pai de Jesus, o Filho eterno, o Bom Pastor, que nos faz filhos como ele é o Filho único, agora tornado primogênito de muitos irmãos! Mas, a Palavra de Deus nos consola e anima: “Quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é!” Este é o destino da humanidade, este é o nosso destino: ser como Jesus ressuscitado, trazer sua imagem bendita, participar eternamente da sua glória! Para isso Deus nos criou desde o princípio! Não chegar a ser como Jesus ressuscitado, não ressuscitar com ele – nesta vida já pelos sacramentos, e na outra, na plenitude da glória – é frustrar-se. E isso vale para todo ser humano, pois “em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos!” Por isso mesmo, Jesus afirma hoje, pensando nos não-cristãos: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor!”

Caríssimos, voltemos o nosso olhar para Aquele que foi entregue por nós e por nós ressuscitou. Olhemos seu lado aberto, suas mãos chagadas. Quanto nos ama, quanto se deu a nós! Agora, escutemo-lo dizer: “”Eu sou o bom pastor! Eu conheço as minhas ovelhas! Eu dou a minha vida pelas ovelhas!” Num mundo de tantas vozes, sigamos a voz de Jesus! Num mundo de tantas pastagens venenosas, deixemos que o Senhor nos conduza às pastagens verdadeiras, que nos dão vida plena e sacia nosso coração! Num mundo que nos tenta seduzir com tantos amores, amemos de todo coração Aquele que nos amou e por nós se entregou ao Pai!

Hoje é também jornada mundial de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Peçamos ao Senhor, Bom Pastor, que dê à Igreja e ao mundo pastores segundo o seu coração, pastores que, nele e com ele, estejam dispostos a fazer da vida uma total entrega pelo rebanho; pastores que tenham sempre presente qual a única e imprescindível condição para pastorear o rebanho do Bom Pastor: “Simão, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21,15s). Eis a condição: amar o Pastor! Quem não é apaixonado por Jesus não pode ser pastor do seu rebanho! Não se trata de competência, de eficiência, de vedetismo ou brilhantismo; trata-se de amor! Se tu amas, então apascenta! Como dizia Santo Agostinho, “apascentar é ofício de quem ama”.

Que o Senhor nos dê os pastores que sejam viva imagem dele; que Cristo nos faça verdadeiras ovelhas do seu rebanho. Amém.

Dom Henrique Soares