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O destino do homem (13-05-2018)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 1
(1) Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, (2) desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). (3) E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. (4) E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca, (5) porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. (6) Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? (7) Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, (8) mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. (9) Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.. (10) Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: (11) Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 4
(1) Exorto-vos, pois, - prisioneiro que sou pela causa do Senhor -, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, (2) com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. (3) Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. (4) Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. (5) Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. (6) Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. (7) Mas a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo, (8) pelo que diz: Quando subiu ao alto, levou muitos cativos, cumulou de dons os homens (Sl 67,19). (9) Ora, que quer dizer ele subiu, senão que antes havia descido a esta terra? (10) Aquele que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. (11) A uns ele constituiu apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores, doutores, (12) para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, (13) até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 16
(15) E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
(16) Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
(17) Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,
(18) manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal, imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
(19) Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
(20) Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Uma nova forma de presença

Ao subir aos céus, Nosso Senhor inaugura entre seus discípulos uma nova forma de presença, muito mais íntima e transformadora do que qualquer outra. Como Ele, desaparecendo à vista dos Apóstolos, quer entrar nos seus e nos nossos corações? O que precisamos fazer de especial para reconhecermos, no dia de hoje, as visitas do Ressuscitado? É o que Padre Paulo Ricardo explica na meditação deste domingo, solenidade da Ascensão do Senhor.

Meditação. — “Não vos deixarei órfãos”, promete Jesus aos Apóstolos antes de sua paixão, mas “voltarei a vós” (Jo 14, 18). Essa volta ainda não é a parusía. Trata-se, antes, da vinda do Espírito Santo, pela qual se inaugura uma nova modalidade da presença de Deus em nossas vidas: a inabitação trinitária. Após a ascensão de Jesus aos Céus, o Espírito Santo desce como línguas de fogo para iluminar a razão humana e tornar-nos partícipes da vida divina.

Essa promessa de Jesus sobre o Espírito Santo esclarece o Evangelho desta solenidade da Ascensão. Os Apóstolos não têm motivos para estarem tristes porque, diz-lhe Jesus, “eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria”. Depois de Pentecostes, Jesus torna-se virtualmente presente no meio de nós, isto é, a sua força (virtus) toca-nos pelo Espírito Santo e nos motiva a procurá-lo cada vez mais. Na verdade, o Espírito Santo prepara o nosso coração para ser morada de Deus, pois “aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele” (Jo, 14, 21).

O cristão que se dispõe à graça do Espírito Santo pode repetir aquelas mesmas palavras de São Paulo aos Gálatas: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (2, 20). E, por meio de uma oração fervorosa, essa vida de Cristo vai se tornando mais intensa na alma, de modo que o seu viver se torna Cristo e a morte, lucro. Aliás, é a esta experiência trinitária que Santa Teresa se refere naquele famoso poema:

Vivo já fora de mim,
desde que morro d’Amor,
porque vivo no Senhor
que me escolheu para Si.
Quando o coração Lhe dei,
com terno amor lhe gravei:
que morro porque não morro.

Nesta Solenidade da Ascensão, devemos, pois, pedir a Deus a graça de um coração apaixonado para que, desse modo, tornemo-nos felizes verdadeiramente pela presença da Trindade em nossas almas.

Oração. — Senhor Jesus, enviai o vosso Espírito Santo sobre o meu ser para que meu coração seja uma morada digna da vossa presença. Aumentai em mim o desejo de estar sempre na vossa presença, a fome da Eucaristia e de todos os sacramentos, que me fazem sentir o toque da vossa graça. Amém!

Propósito. — Aumentar ao menos dez minutos no meu tempo de oração íntima, a fim de meditar mais proveitosamente os mistérios do Espírito Santo.

Padre Paulo Ricardo


O destino do homem

Hoje, celebramos o mistério da Ascensão do Senhor. É mistério porque brota do coração de Deus, é mistério porque ultrapassa tudo quanto possamos imaginar, é mistério porque nos dá a vida eterna.

A hodierna Solenidade, caríssimos, é uma só com a do Dia de Páscoa: Aquele que admiramos ressuscitado em glória na Ressurreição, hoje, contemplamo-lo à Direita de Deus, com a mesma autoridade do Pai, e o proclamamos Cabeça da Igreja, Senhor sobre toda a criação, sobre toda a humanidade, Princípio e Fim da história humana e Juiz dos vivos e dos mortos. No Dia da Páscoa contemplamos o Cristo resplendente de Glória; na Festa de hoje, contemplamos o que essa glória significa para nós todos.

Eis, caríssimos no Senhor. Primeiramente, a Ascensão do Senhor nos faz compreender com o coração que o Cristo que por nós se fez homem, como um de nós viveu e por nós morreu, ele mesmo, agora, com a sua humanidade glorificada, está à Direita do Pai. Isto é admirável: um da nossa raça, o homem Jesus, participa agora do mesmo poder divino, acima de todas as criaturas. Que mistério: nele, a nossa humanidade está totalmente glorificada! Como dizia a oração inicial desta Santa Missa, “a Ascensão do Filho já é a nossa vitória” porque nós, enxertados nele, a ele unidos no Batismo e na Eucaristia, somos membros do seu Corpo, que é a Igreja; e sabemos: onde já está a nossa Cabeça, estaremos também nós um dia! Como diz a segunda leitura da Missa de hoje, chegaremos “todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude”. Vede, portanto, caríssimos, que destino a Festa deste hoje nos revela: chegar à estatura do Cristo em sua plenitude! Nada menos que isso pode saciar o coração humano; nada menos que isso pode nos contentar, pode nos dar paz! Olhemos para o Cristo glorioso à Direita do Pai e veremos a que somos chamados… Contemplai, pois o nosso destino! Pensai que miséria a do nosso mundo, que vive de bagatelas, empenha todo o seu afeto com futilidades e procura alegria e plenitude no que é efêmero! Tanto maior a grandeza que contemplamos em Cristo, mais deveria nos espantar a ilusão e alienação do mundo atual! Recordai, caros, a exortação do Apóstolo: “Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à Direita de Deus; aspirai Às coisas celestes e não às coisas terrestres. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,1-4).

Em segundo lugar, sentado como Senhor à Direita do Pai, Jesus é o Senhor do universo e de toda a história. Vede a criação, caríssimos! Pensai nas galáxias, recordai as estrelas, imaginai a riqueza de vida nas profundezas do mar, pensai ainda na sede de infinito do coração humano… De tudo isso Cristo é Senhor; tudo caminha para ele, ele é a Finalidade de tudo… também da história humana. Por mais que o homem pecador trame contra Cristo, por mais que o mundo hodierno volte suas costas ao Senhorio do Ressuscitado, tudo caminha para ele e ele triunfará ao fim de tudo – ele é o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Princípio e o Fim de todas as coisas!

Por tudo isso, ele é o Juiz de tudo quanto existe. Terá valido a pena, terá sentido, o que estiver sob o seu senhorio de paz, de amor, de vida, de justiça e de santidade. Tudo quanto não condisser com o seu reinado perecerá, passará, pois não servirá para mais nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens.

Mais ainda: o Senhor Jesus, hoje no mais alto dos céus, é Cabeça da Igreja. Aquele que é o Unigênito de Deus, pela sua ressurreição e pelo dom do seu Espírito, tornou-se o Primogênito de muitos irmãos, Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja. Eis, meus irmãos: o Cristo pleno de glória que está nos céus, é nossa cabeça e dele continuamos recebendo a vida, que é o próprio Espírito Santo. Esta vida vem-nos sobretudo nos sacramentos, especialmente da Eucaristia, na qual recebemos o Cristo morto e ressuscitado, pleno do Santo Espírito, Senhor que dá a vida. Olhando para Aquele que está à Direita do Pai e é nossa Cabeça e Princípio, como não nos alegrar? Como não nos encher de esperança? Como não ter a certeza que nossa vida caminha para a Plenitude? Não estamos sozinhos, irmãos! A Igreja jamais estará sozinha – seu Senhor é o mesmo que está à direita do Pai; seu Esposo e Cabeça é o Rei da Glória!

Por fim, caríssimos, a Festa de hoje – que, de certo modo já nos prepara para o encerramento do Tempo da Páscoa, com o Santo Pentecostes, no próximo Domingo -, a Festa de hoje nos convida a colocar os pés nas estradas do mundo – na nossa família, no nosso trabalho, entre os nossos amigos, na vida social… pés nas estradas do mundo para proclamar o Senhorio de Cristo. Lembrai-vos hoje da sua promessa, lembrai-vos da sua missão: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas até os confins da terra!” Coragem, pois, caríssimos! Se conhecermos Jesus de verdade, se o experimentarmos realmente na nossa vida, se crermos na sua glória e esperarmos com todo nosso coração participar dela, seremos, então, suas testemunhas e nossa convicção, nosso amor e nossa esperança invencível contagiarão a muitos.

Portanto, “homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de voltar, do mesmo modo que o vistes subir!” Façamos, pois, como nossos irmãos das origens que saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam”. Que assim seja! Amém.

Dom Henrique Soares