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Três pessoas em um só Deus (10-06-2018)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 3
(9) Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?”
(10) E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim, tive medo, porque estou nu, e ocultei-me.”
(11) O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?”
(12) O homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.”
(13) O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?” “A serpente enganou-me,– respondeu ela – e eu comi.”
(14) Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos, andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida.
(15) Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
(16) Disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto, darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio.”
(17) E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida.
(18) Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra.
(19) Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado, porque és pó, e pó te hás de tornar.”
(20) Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 4
(13) Animados deste espírito de fé, conforme está escrito: Eu cri, por isto falei (Sl 115,1), também nós cremos, e por isso falamos.
(14) Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco.
(15) E tudo isso se faz por vossa causa, para que a graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para glória de Deus.
(16) É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia.
(17) A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas.

EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 5
(1) Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 3
(20) Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.
(21) Quando os seus o souberam, saíram para o reter, pois diziam: 'Ele está fora de si.'
(22) Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: 'Ele está possuído de Beelzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios.'
(23) Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: 'Como pode Satanás expulsar a Satanás?
(24) Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar.
(25) E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer.
(26) E se Satanás se levanta contra si mesmo, está dividido e não poderá continuar, mas desaparecerá.
(27) Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhe os bens, se antes não o prender, e então saqueará sua casa.
(28) Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias,
(29) mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno.
(30) Jesus falava assim porque tinham dito: 'Ele tem um espírito imundo.'
(31) Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
(32) Ora, a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: 'Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.'
(33) Ele respondeu-lhes: 'Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?'
(34) E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: 'Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
(35) Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.'
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

A doutrina de Cristo sobre os demônios

O Evangelho deste domingo mostra os fariseus dizendo de Cristo: “Ele está possuído por um espírito mau”, e ainda O acusando de fazer exorcismos pelo poder dos demônios. Nosso Senhor, em resposta, rejeita-lhes a acusação, mas, ao contrário do que as teologias modernas nos fariam imaginar, também confirma a existência desses seres espirituais. Sim, os demônios existem, e eles não estão de férias!

A malícia é um obstáculo à conversão porque cega o coração do homem. Vemos essa realidade no Evangelho da Missa deste domingo, que narra a resistência dos fariseus e dos parentes de Jesus diante dos seus milagres. Estes o consideram louco e pretendem amarrá-lo, ao passo que aqueles o acusam de ser movido pelo diabo. Por esse motivo, Cristo os repreende alertando-os para o pecado contra o Espírito Santo, para o qual não existe perdão.

A cegueira espiritual é, muitas vezes, fruto da soberba. São Marcos nota que os fariseus, quando vêm de Jerusalém para interrogar Jesus, vêm já com uma sentença pronta. Não lhes interessa a verdade sobre Cristo. O que desejam, afinal, é a sua desmoralização pública, a fim de que não precisem seguir os seus ensinamentos. Trata-se de uma resistência diabólica que, ao fim e ao cabo, leva o coração do homem à incredulidade.

Jesus, por outro lado, não só reafirma a existência do diabo, mas refuta a acusação farisaica, explicando que “se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se”; portanto, Jesus não poderia expulsar demônios com o poder do próprio demônio. Ao contrário, é pela ação do Espírito Santo que o Senhor nos liberta da escravidão demoníaca, tornando-nos outra vez amigos de Deus. Mais do que uma libertação física, o que Cristo nos oferece é uma nova vida, totalmente cheia da graça de Deus, para que, uma vez transformados pela caridade, estejamos face a face com Ele no Céu.

A Igreja Católica crê absolutamente na existência do diabo e que, pela influência maligna dele, nossos primeiros pais caíram em desgraça. Desde então, afirma o Concílio de Trento, “o pecado original é transmitido juntamente com a natureza humana, pela propagação e não por imitação, e se acha em cada um como próprio” (Decreto sobre o pecado original). Neste sentido, Jesus oferece-nos à sua família, a Igreja, como remédio para a mancha do pecado: Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Na unidade da Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, cada homem encontra as forças necessárias para resistir às ciladas do diabo. De fato, é uma luta a vida do homem sobre esta terra ( 7, 1). E só a venceremos se estivermos dispostos a pertencer a Sua Igreja, da qual fazem parte a Virgem Maria, os anjos e todos os grandes santos da história.

Oração. — Livrai-nos, Senhor, da ignorância e da malícia que nos impedem de aceitar a vossa graça em nossas vidas. Tornai o nosso coração como o vosso, para que sejamos sempre “mansos e humildes” e nunca pequemos contra o Espírito Santo.

Propósito. — Meditar sobre os pecados contra o Espírito Santo, que são seis: desespero da própria salvação; presunção da própria salvação; negação das verdades conhecidas pela fé; inveja da graça fraterna; obstinação no erro; e impenitência final.

Padre Paulo Ricardo


Fazer a vontade de Deus

Jesus foi por toda a Galiléia pregando o Evangelho nas sinagogas e expulsando os demônios. O fato despertava tanto entusiasmo entre o povo, que os escribas- incrédulos e perversos-, sem poder negar tal evidência e não querendo reconhecer em Jesus o Messias, atribuem o Seu poder à influência de Belzebu. E o Mestre reage a esta insinuação: “Se, portanto, satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído” (Mc 3, 26).

Jesus coloca as coisas no seu lugar! Nele trava-se o grande combate entre o bem e o mal, entre Deus e satanás, o adversário da humanidade. Jesus é mais forte do que o príncipe dos demônios. Veio a este mundo para combatê-lo. Vence-o no deserto após o seu batismo; vence-o expulsando os demônios. É Ele o homem forte que guarda a casa. Tudo isso Ele o faz pelo Espírito Santo e não por algum espírito imundo.

O Senhor convida os fariseus, obcecados e endurecidos, a fazer uma consideração simples: se alguém expulsa o demônio, isto quer dizer que é mais forte do que ele. É uma exortação a mais a reconhecer em Jesus o Deus “forte”, o Deus que com o Seu poder liberta o homem da escravidão do demônio. Terminou o domínio de satanás: o príncipe deste mundo está a ponto de ser expulso. A vitória de Jesus sobre o poder das trevas, que culmina como na Sua Morte e Ressurreição, demonstra que a luz está já no mundo. Disse-o o próprio Senhor: “Agora é o julgamento deste mundo. Agora que o príncipe deste mundo vai ser lançado fora (cf. Jo 12, 31-32).

Portanto, este tempo é para nós de vigilância e decisão. A diferença entre agora e antes de Cristo é que agora nós podemos vencer, ou melhor, “vencer de virada” ( Cf. Rm 8,37); antes, – sob a Lei – não! Mas, para vencer é preciso suar, é preciso participar na luta e na vitória de Jesus, tomando nossa cruz no dia a dia e seguindo – O ( Cf. Lc 9,23; Mt 16,24; Mc 8,34). Devemos completar o que falta à vitória de Jesus.  São Paulo ( 2 Cor, 3 -18 – 5, 1) nos encoraja a seguir esta estrada, lembrando – nos de que a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Não fiquemos nas generalidades; procuremos “inventar” ocasiões de vitória. Hoje mesmo! Melhor, procuremos descobri – las , porque tais ocasiões já existem em nosso dia a dia e se chamam caridade, paciência, humildade, tolerância…

Por isso, acreditar no poder de Cristo Jesus é confiar na misericórdia e no perdão de Deus. Ele tem o poder de perdoar pecados, pois por sua morte e ressurreição há de vencer definitivamente a satanás e o pecado. Este é, na verdade, o maior adversário do ser humano, pois o afasta da comunhão com Deus.

Agora nos espera um grande encontro: voltando de sua vitória sobre o “forte”, vem a nós “o mais forte”; vem o nosso Redentor. Vem reparar nossas perdas e as feridas da luta cotidiana; vem alimentar nossa fé e nossa coragem. Podemos dizer: “O Senhor é minha rocha e minha fortaleza, é Ele, o meu Deus, que me liberta e me ajuda”.

“Saíram para agarrá-Lo, porque diziam que estava fora de si” (Mc 3 , 21). Alguns de seus parentes, deixando-se levar por pensamentos meramente humanos, interpretavam a absorvente dedicação de Jesus ao apostolado como um exagero, explicável- na sua opinião- apenas por uma perda de juízo. Ao ler estas palavras do Evangelho pensemos no que Jesus se submeteu por nosso amor: disseram que Ele tinha “perdido o juízo”. Muitos santos, a exemplo de Cristo, passarão também por loucos, mas serão loucos de amor, loucos de amor a Jesus Cristo!

Comunicam a Jesus que a Sua Mãe e alguns parentes vieram à sua procura. Jesus respondeu-lhes: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3 , 35). Todos aqueles que, seguindo o Seu exemplo, abraçam a vontade do Pai e a cumprem, ficam unidos a Ele com vínculos tão íntimos, só comparáveis aos mais estreitos laços familiares. E desta união a Cristo, na mesma vontade do Pai, é que se tiram forças para vencer satanás.

Por isso, a Igreja recorda-nos que a Santíssima Virgem “acolheu as palavras com que o Filho, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática; coisa que Ela fazia fielmente” (Lumen Gentium, 58).

São Tomás de Aquino diz: “Todo o fiel que faz a vontade do Pai, isto é, que simplesmente Lhe obedece, é irmão de Cristo, porque é semelhante Àquele que cumpriu a vontade do Pai. Mas, quem não só obedece, mas converte os outros, gera Cristo neles, e desta maneira chega a ser como a Mãe de Cristo” ( Comentário sobre S. Mateus, 12, 49 – 50).

O Senhor, pois, nos ensina também que seguí-Lo nos leva a compartilhar a Sua vida até tal ponto de intimidade que consistiu um vínculo mais forte que o familiar.

A verdadeira família de Jesus é formada pelos que estão ao redor dele e que fazem a vontade de Deus.

Maria era mãe duplamente: porque gerou Jesus e porque mais do que ninguém soube fazer sempre a vontade de Deus.

Mons. José Maria