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Homilia do Sétimo Domingo da Páscoa, A Ascensão do Senhor (05/06/2011)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 1
(1) Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, (2) desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). (3) E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. (4) E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca, (5) porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. (6) Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? (7) Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, (8) mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. (9) Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.. (10) Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: (11) Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 1
(17) Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele, (18) que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, (19) e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé. É o mesmo poder extraordinário que (20) ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, (21) acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro. (22) E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, (23) que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 28
(16) Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado.
(17) Quando o viram, adoraram-no, entretanto, alguns hesitavam ainda.
(18) Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
(19) Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
(20) Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
(370) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Catequese Bíblico-Missionária

Cremos na Ascensão de Jesus

Nossa fé ensina que Jesus subiu aos Céus. Assim rezamos na profissão de fé: Creio em Deus Pai... e em Jesus Cristo... que ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Essa é nossa fé em Jesus. Acreditamos com a mesma intensidade de fé todos os mistérios de Cristo.

A Ascensão tem sua parte importante em nossa fé e nos indica como vivê-la. Ela não é um momento de sua vida, mas um mistério presente em Cristo e na vida da Igreja.

Olhando para o alto

A atitude dos discípulos de olhar para o alto, para onde Jesus foi, não é um olhar perdido. Está a significar o mistério de Cristo como um todo que envolve sua Ascensão, Glorificação e união com o Pai em seu domínio sobre todas as coisas. Ensina que Jesus continua o mesmo, em outra dimensão. A partir da Ascensão, Cristo Ressuscitado envia o Espírito. Ele dissera: "Se Eu não for, não virá a vós o Consolador" (Jo16,7).

Ao contemplarmos os textos litúrgicos que iluminam o mistério celebrado, acende-se em nós a esperança. Ele nos atrai a si, como Cabeça do Corpo e nos faz viver em seu Reino. Unidos a Ele, participamos de sua Glória. O Espírito que Cristo nos concede dá-nos a sabedoria para conhecê-lo e assumir nossa realidade cristã, tornando-a fecunda e atuante no mundo.

Voltará do mesmo modo

Ao dizer que voltará, não se refere a um tempo sem atividade e relacionamento conosco, pois diz: "Estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos". Ele é Presença (Mt 28,20). Ele, junto do Pai, realiza sua missão de sacerdote no louvor eterno, na ação de graças e na intercessão. Nós estamos unidos a seu Sacerdócio. Participamos deste Sacerdócio em cada Liturgia. Por isso ela é um mistério permanente de glorificação.

Nossa humanidade une-se a Ele em sua glorificação: Ele está acima de tudo, como cabeça da Igreja, quê é seu corpo, a Plenitude daquele que plenifica tudo em todos (Ef 1,23). Ele exerce sobre nós uma contínua força de atração, pois "tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo" (oração).

Coberto pela nuvem da divina Presença, é glorificado, isto é, assume a Glória que, pela humilhação da encarnação O ocultara sob a forma de servo (Fl 2,6-11).

A missão que é confiada à Igreja e a cada um é a de ser suas testemunhas, fazendo discípulos seus todos os povos pela instrução e pelo batismo.

Cada discípulo descubra a esperança do seu chamado, a riqueza da herança, a grandeza de seu poder por nós. Ele não se afastou de nossa humildade, mas dá-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade (Prefácio).

A celebração da Ascensão é um convite a reconduzir este mistério à grandeza de seu lugar como coroamento de toda obra da Redenção. Sem ele não podemos dar por realizada a missão de Cristo nem participar de seu Sacerdócio eterno diante do Pai.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.