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Solenidade de Pentecostes (12/06/2011)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 2
(1) Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. (2) De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. (3) Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. (4) Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (5) Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. (6) Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. (7) Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? (8) Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? (9) Partos, medos, elamitas, os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, (10) a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene, peregrinos romanos, (11) judeus ou prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 12
(3) Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo. (4) Há diversidade de dons, mas um só Espírito. (5) Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. (6) Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. (7) A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. (8) A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria, a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito, (9) a outro, a fé, pelo mesmo Espírito, a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito, (10) a outro, o dom de milagres, a outro, a profecia, a outro, o discernimento dos espíritos, a outro, a variedade de línguas, a outro, por fim, a interpretação das línguas. (11) Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz. (12) Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. (13) Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres, e todos fomos impregnados do mesmo Espírito.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 20
(19) Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco!
(20) Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.
(21) Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
(22) Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.
(23) Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.
(239) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Catequese Bíblico-Missionária

A Igreja vive do Espírito

Enquanto caminhavam com Jesus, os discípulos mantiveram-se presos à sua cultura e seus ideais políticos. Por isso, não puderam compreender a vida e missão de Jesus. Somente a ação do Espírito, que lhes abriu a consciência, dotou-lhes de capacidade de compreensão, para que na liberdade dessem sua adesão a Cristo.

Um Espírito de liberdade

São Paulo, na 1â Coríntios, afirma que "ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo" (12,3b). Essa frase resume toda a densidade do Pentecostes. A afirmação de Jesus como Filho de Deus não brota de mero raciocínio ou invenção humana. Somente chega a essa verdade quem, pela fé, abre-se à ação do Espírito Santo. Embora cada ser humano, ao ser criado, seja atraído ao eterno, ele somente torna-se capaz de Deus pela força do Espírito Santo. Como o grande educador e motivador da fé, o Espírito faz emergir em cada um de nós o amor e a bondade que Deus colocou em nosso ser.

Jesus torna-se assim, em sua natureza humana, a imagem do ser humano perfeito, porque em toda a sua história viveu sob a força do Espírito Santo. Ao comunicar esse mesmo Espírito aos discípulos, manifesta a santidade da Igreja, que deve ser "espaço" de contínua conversão e adesão a Deus. Dessa forma, compreendemos que a Igreja vive do Espírito, o qual, ao abrir a consciência dos fiéis para a compreensão do mistério de amor manifestado em Cristo, convoca-a à superação de suas fraquezas.

As cenas dos Atos dos Apóstolos e do Evangelho de João confirmam que a Igreja vive principalmente a partir dos dons ordinários do Espírito. Ela é fruto da iniciativa de Deus, que pelo Espírito abre nossa consciência para a compreensão do mistério da salvação. Mas também, a igreja é fruto da resposta humana de adesão e aceitação de Cristo como nosso único Redentor. Dessa iniciativa de Deus e da resposta humana, fomentadas pelo Espírito, nasce e se sustenta a comunhão da Igreja. "Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito' (1 Cor 12,4).

Guiados pelo Espírito

A solenidade de Pentecostes evoca a maturidade da Igreja. O Espírito Santo, comunicado por Jesus aos discípulos, leva-os a viver a comunhão na liberdade. A partir desse princípio, a adesão de todo cristão à Igreja não pode ser por imposição ou por expectativa de milagres, que vão além de sua liberdade. Ser cristão e, consequentemente ser Igreja, implica a escolha livre de andar na história sob a força do Espírito Santo, a exemplo de Jesus. Significa viver conscientemente a conversão como processo de escolha da verdade e do bem e de abandono do mal, na comunhão de irmãos.

Vinde Espírito Santo e guiai-nos no caminho da verdade!

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.