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A Multiplicação dos Pães (31/07/2011)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 55
(1) Todos vós, que estais sedentos, vinde à nascente das águas, vinde comer, vós que não tendes alimento. Vinde comprar trigo sem dinheiro, vinho e leite sem pagar! (2) Por que despender vosso dinheiro naquilo que não alimenta, e o produto de vosso trabalho naquilo que não sacia? Se me ouvis, comereis excelentes manjares, uma suculenta comida fará vossas delícias. (3) Prestai-me atenção, e vinde a mim, escutai, e vossa alma viverá: quero concluir convosco uma eterna aliança, outorgando-vos os favores prometidos a Davi.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 8
(35) Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? (36) Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro, somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). (37) Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. (38) Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, (39) nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 14
(13) A essa notícia, Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé.
(14) Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes.
(15) Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia.
(16) Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer.
(17) Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes. _
(18) Trazei-mos, disse-lhes ele.
(19) Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo.
(20) Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios.
(21) Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.
(570) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Jesus encheu-se de compaixão...

Em claro contraste com o banquete de Herodes que levou à morte de João Batista, Jesus, como Bom Pastor, prepara-nos uma mesa bem à frente do inimigo (cf. Sl 23,1ss).
A multiplicação dos pães nos ensina a CRER na Eucarista, VIVER nosso sacrifício na entrega dos cinco pães e dos dois peixes e no serviço dos irmãos, e ESPERAR o banquete celeste que nos saciará abundantemente.

A Sagrada escritura tem dois sentidos: o literal (ao pé da letra) e o sentido espiritual.
Mas, a aplicação espiritual na fé da Igreja, no sentido moral do que devemos fazer, da vida eterna que esperamos, só pode ser feita baseada no sentido literal da palavra.
Primeiro precisamos entender o texto e depois aplicá-lo na fé da Igreja conforme as várias circunstâncias.

Primeiro há a morte de S. João Batista, em meio a uma festa e uma refeição mortífora.
Em seguida, há um deserto com uma multidão faminta. O contraste não poderia ser maior.
O banquete de Herodes levou as pessoas a uma saciedade física e o banquete de Jesus leva as pessoas a uma saciedade eterna.

Jesus tem compaixão do seu povo e lhe dá de comer. Literalmente lemos esse texto em que Jesus é o Bom Pastor que se compadece e cuida de seu povo, de suas ovelhas.
Todos os quatro evangelistas reportam esse milagre da multiplicação dos pães. Mas os homens modernos têm dificuldades de entender essa narrativa e fica-se buscando uma explicação não literal.
Mas, não há porquê duvidar da veracidade histórica da multiplicação dos pães relatada nos quatro evangelhos. Não pode Jesus, ressuscitado, multiplicar pães?
Jesus realiza um milagre mas é também um sinal, um prodígio visível que aponta para o invisível.
Não tenhamos medo de ter fé. Ensinar que esse suposto milagre significa simbolicamente ensinar a partilha, isso é não ter fé.

Há uma outra realidade no sentido literal contida nesta passagem que precede a profissão de fé de S. Pedro.
No capítulo seguinte Jesus pergunta quem Ele é?
E alguns respondem que teria sido João Batista que voltou à vida.
Outros, que seria Elias... pois no AT, o profeta Eliseu (2Rs 4,38-44) multiplica pães de cevada para alimentar 100 homens, permitindo uma analogia com um novo profeta ainda maior.
Todos os capítulos seguintes preparam a resposta de Pedro: "tu és o Messias, o Deus vivo" , a profissão de fé de Pedro sobre a qual será erguida a Igreja.

O que Jesus faz é preparar a fé de seus discípulos. Um sinal muito maior que apenas a solução de uma fome eventual.
Este é sentido espiritual que alimenta nossa alma.
Qual é a nossa fé?
Como devemos nos comportar?
Qual é a nossa esperança?

O sentido da fé
A multiplicação dos pães nos aponta para a Eucaristia. Isso fica claro nos termos eucarísticos que Jesus usa na descrição literal.
E isso faz de um pão que sacia a fome, o pão da vida eterna.

A aplicação moral do texto nos ensina que Jesus faz milagres a partir do pouco que nós lhe entregamos. Deus faz prodígios esperam de nós alguma doação, entrega, oblação.
Outra é o que foi dito aos discípulos (os que já têm fé): "dai-lhes vós mesmos de comer". Devemos dar ao povo o pão da fé e da Eucaristia.

Finalmente, o sentido da esperança é que aqui nesta Terra jamais iremos encontrar a plena saciedade.
Somos todos chamados para ser discípulos e missionários.