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A Assunção de Nossa Senhora (21/08/2011)

Primeira Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 12
(1) Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. (2) Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. (3) Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. (4) Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. (5) Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. (6) A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. (7) Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, (8) mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. (9) Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos. (10) Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 15
(20) Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram! (21) Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. (22) Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. (23) Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo, em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. (24) Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. (25) Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. (26) O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés. (27) Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 1
(39) Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
(40) Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
(41) Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
(42) E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
(43) Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
(44) Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
(45) Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
(46) E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
(47) meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
(48) porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
(49) porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
(50) Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
(51) Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
(52) Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
(53) Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
(54) Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
(55) conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
(56) Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.
(239) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

A Assunção de Nossa Senhora

“Exaltou os humildes” Maria, Mulher revestida de sol, é a antípoda de Satanás, o Dragão. Enquanto a antiga Serpente, por sua soberba, é lançada no abismo (Ap 20,3), a Mulher, humilde escrava do Senhor, “foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (Pio XII, Munificentissimus Deus, 01/11/1950).

O Papa Pio XII em 1950 estabeleceu o dogma da assunção, significando que a virgem Santíssima, por um privilégio particular, terminado seu tempo aqui na Terra, subiu aos céus, de corpo e alma, ressuscitada.

A fé católica estabelece que após a morte do corpo, a alma continua viva e vai ser julgada por Deus, indo para seu destino eterno, no céu, no purgatório ou no inferno.
Entrementes, o corpo enterado no cemitério aguarda a ressurreição do último dia.
Por isso que a palavra cemitério, em grego, significa "dormitório", para dizer que ali acontece uma espera.
No oriente, a festa da assunção é chamada de "dormição da virgem Maria. E o que é a dormição? Segundo a tradição da Igreja, significa a morte a a ressurreição da virgem Maria, com quem aconteceu algo diferente dos outros fiéis.
Ela morreu? Não temos certeza. Sabemos que Maria e Jesus viviam a fragilidade humana, embora preservados do pecado e, portanto, não estavam isentos da dor, do sofrimento e da morte. E sabemos que subiu aos céus ressuscitada.
O mesmo esperamos nós todos no fim dos tempos.

Neste evangelho Maria engrandece a Deus porque Ele olhou para a humildade de sua serva.
A palavra grega por trás desse versículo porém, não é apenas serva, mas tem o sentido de escrava, propriedade de Deus.

É fonte de alegria sabermos que nós nada somos e Deus é o Senhor, conhecer a grandeza de Deus.
Em grego, Maria coloca-se como o tapete de Deus, que se rebaixa ao rés do chão para um Deus imenso.
Mas apesar desse abismo imenso entre o Senhor e a escrava, Ele olhou para a humildade da sua serva, ela foi objeto do olhar misercordioso de Deus e será chamada por toda a eternidade de 'Bem-Aventurada'.

Maria não foi agraciada somente para ela, mas para todos nós. E a grandeza de Maria está no fato de que ela não se engrandece, pois reconhece que é Deus quem faz tudo.
A misericórdia de Deus se extende de geração em geração a todos que o temem (a expressão do original grego é mais que apenas respeito, significa temor). Ou seja, para obter a misericórdia de Deus é necessário temer a Deus, pois Deus está além de qualquer limite imaginado pelo ser humano.
A própria sagrada escritura nos diz que temer a Deus é o princípio do saber. O princípio. É o primeiro passo necessário ver a grandeza e imensidão de Deus.
O segundo passo é confiar na misericórdia de Deus que destrói a miséria o pecado, mas não destrói os pecadores. E qual é a condição? Que sejamos humildes e não soberbos.
Quando somos soberbos, tornamo-nos agitados, dispersos por inúmeros ídolos.
Esse é o grande contraste entre Maria e Satanás. Satanás foi soberbo e foi precipitado no abismo. Maria foi humilde e foi elevada acima de toda criatura, acima até dos anjos, a mais perfeita de todas as criaturas.

Lúcifer foi criado perfeitíssimo e por sua soberba terminou a pior de todas as criaturas.
Deus não fez Maria perfeitíssima, mas por sua humildade hoje é a mais perfeita de todas as criaturas!

Padre Paulo Ricardo

Catequese Bíblico-Missionária

Olhou para a Humildade de sua Serva!

O dogma da Assunção de Maria foi proclamado pelo papa Pio XII em n de novembro de .1950. Além do reconhecimento da total entrega de Maria aos desígnios de Deus, o dogma exalta principalmente o amor de Deus, que por mérito e intermédio de Cristo, dispôs-se gratuitamente a resgatar a humanidade. De fato, "na Virgem Maria, tudo é relativo a Cristo e dependente dele: foi em vista dele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedido” (Paulo VI, Marialis Cultue, 25).

A Fé da Igreja

As três leituras da festa de hoje dão a dimensão da importância de Maria na concretização das promessas divinas de redenção do gênero humano. Entre as leituras, a Carta aos Coríntios afirma a precedência de Cristo. Ou seja, Ele sendo Deus, por ter assumido a condição humana, passa necessariamente pela morte. Todavia, por sua natureza divina, ao ressuscitar dentre os mortos, Ele foi o primeiro e único a vencer a morte. Dessa forma, confirma-se aquilo que os cristãos desde início proclamam: não ressuscitamos por nosso mérito, mas por mérito de Cristo, que vencendo o pecado em sua raiz, supera a morte e decreta a vitória da vida e da liberdade.

A proclamação da Assunção de Maria parte desse pressuposto, estando em total comunhão com o credo cristão. Segundo a tradição cristã, pelo batismo somos inseridos em Cristo e, em Cristo, superamos o pecado e seu fruto: a morte.u Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim çtos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos se corrompem depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa" (Pio XII, Munificentissimus Deus, 4).

Partindo dessa crença, compreendemos que a proclamação da Assunção de Maria em nada nega a centralidade de Cristo, Na verdade, afirmando a humanidade de Maria, o dogma diz que Deus, por seu livre desígnio, ao elevá-la de corpo e alma aos céus, antecipou nela aquilo que Ele em Cristo, por ação do Espírito Santo, realizará com toda a humanidade.

A Humanidade Redimida

No Evangelho Maria proclama que Deus olhou para a humildade de sua serva. Humildade, além de significar a pequenez de estatura, indica a condição da humanidade em relação a Deus. Isto é, por sua condição o ser humano está infinitamente distante de Deus. No entanto, Deus por sua própria iniciativa rompe essa distância, e encontra acolhida em Maria. Olhar para a humildade de sua serva significa olhar para a sua humanidade. Por isso, na humanidade de Maria totalmente resgatada, vemos antecipadamente o que Deus realizará em Cristo a todo o gênero humano. A festa da Assunção de Nossa Senhora é carregada de esperança, porque na imagem de Maria assunta ao céu contemplamos a nossa humanidade definitivamente redimida em Cristo.

Pe. Marcelo C. Araújo, C.S.s.R.