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Excomunhão, Correção Fraterna e Comunhão (04/09/2011)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 33
(7) Filho do homem, eu te constituí sentinela na casa de Israel. Logo que escutares um oráculo meu, tu lhe transmitirás esse oráculo de minha parte. (8) Se eu disser ao pecador que ele deve morrer, e tu não o avisares para pô-lo de guarda contra seu proceder nefasto, ele perecerá por causa de seu pecado, mas a ti pedirei conta do seu sangue. (9) Todavia, se depois de receber tua advertência para mudar de proceder, nada fizer, ele perecerá devido a seu pecado, enquanto tu salvarás a tua vida.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 13
(8) A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco, porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. (9) Pois os preceitos: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e ainda outros mandamentos que existam, eles se resumem nestas palavras: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (10) A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 18
(15) Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente, se te ouvir, terás ganho teu irmão.
(16) Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.
(17) Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
(18) Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.
(19) Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus.
(20) Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
(267) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Excomunhão, Correção Fraterna e Comunhão

Jesus, que prega o perdão ilimitado (setenta vezes sete), também nos ensina a afastar os que não querem ser perdoados. A Igreja, como mãe que educa seus filhos, deve saber aplicar o remédio amargo da excomunhão que é capaz de restaurar a saúde do organismo eclesial.

A Igreja neste domingo proclama o evangelho de S. Mateus, cap. 18. O evangelho de S. Mateus é dividido em cinco grandes discursos e o deste domingo é o discurso eclesiástico, ou seja, da igreja, onde Jesus dá normas concretas sobre como vivermos como irmãos.
Como devemos tratar nosso irmão para corrigi-lo?
Buscá-lo e tratá-lo de forma íntima.
Depois com duas ou três testemunhas.
E depois toda a igreja, se necessário.
Finalmente, se nem a igreja ele ouvir, que seja tratado como um pagão, alguém que não faz mais parte do povo de Deus.
Esse é o fundamento da Igreja na prática chamada 'excomunhão'.
Não é portanto por falta de amor que existe a excomunhão. E como conciliar o amor que perdoa 70x7 e expulsar alguém da igreja, tratando-o como pagão, um pecador público?

Na carta aos Corintos, cap. 5, S. Paulo fala da excomunhão de um incestuoso, mostrando que o mecanismo da excomunhão já estava presente na prática da igreja primitiva.
S. Paulo repreende toda a comunidade de Corinto! Ele fica indignado vendo que a comunidade de Corinto ainda não expulsara o incestuoso.
S. Paulo coloca o dedo na ferida ao dizer "vós, tão orgulhosos, nem sequer vos entristeceis".
Nós estamos substituindo a ética pela estética, mais preocupados com a nossa própria imagem do que com o bem de nosso irmão.
Por isso hoje é tão difícil educar os filhos... porque quando os pais que eram os ídolos, se apresentam como sendo a lei, aí se quebra uma imagem, a de papai e mamãe cúmplices eternamente, tão bonzinhos, e o filho vira como que pequeno ditador, déspota, um pequeno rei. Tudo isso se dá por causa da vaidade, do orgulho da auto-imagem. Por isso muitos pais deixam o filho fazer tudo... e assim o filho se perde.
É caridade corrigir seu próprio filho e permitir que ele tenha 'raiva' dos pais. É preocupação com o futuro do filho que leva os pais a impor limites.

O que nos deve conduzir na correção de nossos irmãos é o amor fraterno, para que ele não se perca.
Mas, não tenhamos medo que, para o bem da própria pessoa, ela deva ser excluída a comunidade. S. Paulo não hesitou: 'entregai esse indivíduo para mortifcar a sua carne, para que seu espírito se salve no dia do retorno do Senhor'.
A preocupação de Paulo não era apenas com o irmão, mas com toda a comunidade. E isso precisamos entender na Igreja hoje.

O evangelho não fala apenas sobre a correção fraterna, mas sobretudo sobre a comunhão que deve haver entre os membros da Igreja, membros do Corpo de Cristo na mesma carta aos Corintos.
Um membro doente não pode por a perder todo o corpo.
A excomunhão é necessária para que fique bem claro para os membros da comunidade que determinado sujeito é um mau cristão. Não porque ele pecou, pois todos pecam, mas porque ele adotou o pecado como realidade de vida.
É preciso mostrar que atos têm consequência e não se pode viver como pequenos deuses, tiranos inconsequentes.

S. Paulo também diz para 'não vos mistureis com gente imoral'... 'não me referi em geral a uma gente deste mundo, as avaros, exploradores, idólatras etc .... mas com o irmão que é imoral, avaro, explorador, idólatra.... expulsai o malvado de vosso meio'.
A sabedoria de S. Paulo é compreender que os maus irmãos escandalizam e de alguma forma levam os demais ao equívoco de achar que tudo é permitido. Por isso é necessário excluí-los.
E quem tem autoridade para fazer isso?
A Igreja, pois Jesus diz: 'dize-o à Igreja inteira'. Esta define quem é herege e quem não é. Vários concílios da Igreja trataram desse assunto e determinaram critérios para saber quem é e quem não é herege.
Por isso, os pregadores, padres, bispos precisam dizer com toda clareza aos fiéis quando um comportamento, uma doutrina, uma atitude, está tirando a pessoa da comunhão com a Igreja.

Uma pessoa excomungada não significa criar uma não comunhão, mas é uma declaração que essa pessoa já não está mais em comunhão há tempos por causa de sua atitude.
Quando a pessoa já não quer mais a comunhão de amor, mas quer destruir, quer matar, roubar como diz o evangelho, não há outra saída.

No evangelho deste domingo NSJC não quer impor um limite ao perdão, mas este só pode ser exercido quando o irmão se arrepende. Se este não quer ter fé, se fecha e insiste na heresia, na imoralidade, na apostasia, faz parte do amor da Igreja dizer-lhe: 'irmão, você está tão longe de Deus, que pena, volte para casa!'. Isto é um decreto de excomunhão, que diz: tu estás longe de Deus, volta para o Pai.

Nossa Senhora disse aos três pastorinhos em Fátima que eles deveriam se sacrificar pelos pecadores, para que os irmãos afastados e perdidos se salvem. Ainda disse Nossa Senhora: 'quantos almas se perdem no inferno por não haver ninguém que reze por elas!'.
Nós, que estamos na comunhão da Igreja, oremos pelos que estão afastados do Corpo de Cristo e possam ser salvos.

Padre Paulo Ricardo

Catequese Bíblico-Missionária

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