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A Misericórdia de Deus (11/09/2011)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiástico (Eclo), capítulo 27
(33) Cólera e furor são ambos execráveis, o homem pecador os alimenta em si mesmo.
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiástico (Eclo), capítulo 28
(1) Aquele que quer vingar sofrerá a vingança do Senhor, que guardará cuidadosamente os seus pecados. (2) Perdoa ao teu próximo o mal que te fez, e teus pecados serão perdoados quando o pedires. (3) Um homem guarda rancor contra outro homem, e pede a Deus a sua cura! (4) Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! (5) Ele, que é apenas carne, guarda rancor, e pede a Deus que lhe seja propício! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados? (6) Lembra-te do teu fim, e põe termo às tuas inimizades, (7) pois a decadência e a morte são uma ameaça (para aqueles que transgridem) os mandamentos. (8) Lembra-te do temor a Deus, e não fiques irado contra o próximo. (9) Lembra-te da aliança com o Altíssimo, e passa por cima do erro que o teu próximo cometeu inadvertidamente.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 14
(7) Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. (8) Se vivemos, vivemos para o Senhor, se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. (9) Para isso é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 18
(21) Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?
(22) Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
(23) Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos.
(24) Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
(25) Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
(26) Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!
(27) Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida.
(28) Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves!
(29) O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei!
(30) Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida.
(31) Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado.
(32) Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste.
(33) Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?
(34) E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.
(35) Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração.
(348) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Nunca desesperar da misericórdia de Deus

Jesus desafia São Pedro a viver o perdão sem limites. No entanto, aquilo que à primeira vista poderia se apresentar como um fardo insuportável ao Príncipe dos Apóstolos irá se revelar, mais tarde, durante a Paixão, como fonte de grande consolação. Ao negar Jesus três vezes, São Pedro experimenta em sua própria história o significado da parábola do perdão.

Nesta semana a ênfase é o perdão que deve ser vivido a partir de Deus e também dado aos nossos irmãos.
Primeiro, há uma pergunta de S. Pedro. Quantas vezes perdoar, sete vezes!?
E ditados como 'paciência tem limites', 'isso eu não perdôo'... fazem parte da experiência humana.
Antes de Cristo, os pagãos admitiam ofensas que podiam ser perdoadas e outras não.
Mas Jesus nos diz que não deve haver limites para o perdão e com isso nos ensina como é o coração de Deus. Esta é a mensagem principal deste evangelho.

Para mostrar isso, Jesus nos conta uma parábola de um rei que se põe a acertar as contas com seus empregados... empregados que deviam dívidas absurdas. Mas, apesar de dívidas tão grandes, quando o empregado implora mentindo que pagaria algo impossível de pagar, o patrão se comove e tem compaixão. Uma misericórdia (segundo o original grego) que mexe com o interior da pessoa.
E por que S. Pedro? Porque isso é necessário devido ao que irá acontecer com S. Pedro: 'antes que o galo cante tu me negarás três vezes' e por isso antes Jesus precisa ensinar o perdão de Deus a S. Pedro, que será o primeiro beneficiário do perdão do mestre.
Aqui se inaugura a ética cristã. A ética pagã era diferente, escolhendo entre os pecados que podiam ser perdoados e os imperdoáveis. Entre os cristãos, não existe pecado imperdoável, se houver no pecador uma atitude de arrependimento e de confiança na misericórdia do Senhor.

Esta lição Jesus dá não somente a Pedro, mas também a Judas, que estava junto ao ouvir a parábola. Pedro aprendeu e Judas não, Judas não confiou na misericórdia divina.
Aqui está a diferença entre as éticas cristã e pagã. Para o pagão o importante é a dívida, se é grande ou pequena. Para o cristão, o importante é o pecador. De certa forma o cristão não perdoa pecados, mas pecadores. O cristão separa o pecado e o pecador.
E aqui está a chave para perdoar, pois é preciso aprender que o irmão não é o pecado, mas cometeu um pecado. É preciso ter ódio pelo pecado e amor pelo pecador.

O mundo moderno voltou para o paganismo, pois não sabemos perdoar. Ou é decretado que o pecado é irrisório ou a ofensa é guardada para o resto da vida. Esta é a mentalidade do mundo atual e que está invadindo a Igreja. Quantas vezes já não ouvi de padres considerados 'abertos' a dizer 'não, isso não é pecado...'. Quantas vezes cristãos não se decepcionam nos confessionários!
Esses teólogos liberais e padres moderninhos que acham que nada é pecado, é porque não acreditam na misericórdia de Deus, pois nada é pecado, nada é ofensa... e a misericórdia torna-se desnecessária! É como se Deus nem existisse...

Em Deus existe um profundo ódio contra o pecado e um profundo amor pelo pecador.
Uma mãe que ama seus filhos drogados tem que odiar a droga.
Um Deus de amor não pode deixar de ter um ódio profundo contra o pecado e não fazer vista grossa.
Deus perdoa sempre não porque o pecado é uma bobagem, mas porque o pecador está disposto a mudar de vida, pedindo misericórdia e pedindo perdão.

A principal lição que Deus nos ensina neste evangelho é nunca desesperar da misericórdia de Deus.
Pedro aprendeu e Judas não. Este achou que seu pecado era maior que a misericórdia de Deus.
A segunda lição é que se confiamos na misericórdia de Deus não podemos ter a presunção de pensar que Deus ao nos perdoar não fez mais que sua obrigação, que a misericórdia de Deus é um nada... e assim eu posso viver tranquilamente sem precisar dar misericórdia aos meus irmãos.
No evangelho, o patrão condena o empregado que não deu valor ao perdão recebido e, por sua vez, não perdoou seus devedores!

Recordemos sempre o perdão imenso de Deus na cruz, para que estejamos sempre dispostos a perdoar nossos irmãos.

Padre Paulo Ricardo

Catequese Bíblico-Missionária

Jesus Cristo: ontem...

Em uma parábola rica em detalhes, Jesus faz uma bela relação entre dívida e ofensa, compaixão e perdão. Antigamente existia uma lei que permitia ao credor vender como escravo seus devedores para saldar dívidas ou até mesmo tomar sua família e bens como "propriedade" ou uma mera mercadoria (Lv 25,35-46; Ex 21,1-11).

Era comum contrair dívidas para com o 'patrão, mas Mateus exagera ao dizer que um dos empregados devia dez mil talentos e, um só talento correspondia a quase 35 kg de ouro, para ser exato 34,272kg, ou seja, uma enorme fortuna e por outro lado um dos seus companheiros lhe devia cem moedas o que corresponde a cem dias de trabalho. A atitude dos personagens desta parábola tem muito a nos dizer com relação à compaixão e ao perdão.

... hoje

O sistema econômico vigente respira dinheiro e tudo gira em torno da produção e neste capitalismo existem os patrões e os empregados, dívidas, e escravos disfarçados de pessoas livres. O que dizer do patrão que teve compaixão e perdoou a dívida? Existe isto hoje? O- que dizer do empregado que. agarra e sufoca o companheiro e ainda p leva a prisão?

Jesus mostra a importância da compaixão, do amor que brota das entranhas e da bondade verdadeira que é capaz de perdoar e estabelecer novas relações. Violência gera violência, ódio provoca vingança, morte, doença e prisão. Conforme a primeira leitura: "o rancor e a raiva são coisas detestáveis [...] e quem guarda raiva contra o outro como poderá pedir a Deus a cura"? Várias pessoas se deixam levar pela raiva, ficam literalmente doentes e a cura tem somente um remédio: o amor. O ódio só é vencido pelo amor que gera perdão, vida, saúde e bem-estar. Daí Jesus insistir tanto na necessidade de perdoar, não só sete ou setenta vezes sete, mas sempre.

... e sempre

Já foi comprovado que o amor e o ódio são as duas maiores forças existentes em um ser humano. A vida em sociedade, comunidade, família é marcada por conflitos, ofensas e desentendimentos e cabe a nós moldar nosso ser e viver no amor ou no ódio. A Palavra de Deus nos alerta para o perdão, não só da "boca pra fora". Assim sendo, somente as pessoas abertas para o amor poderão "perdoar de coração ao irmão".

Pé. Francisco Alhertin, Paragominas - PA