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O Banquete Nupcial e o Fim dos Tempos (09/10/2011)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 25
(6) O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos, nesse monte, um banquete de carnes gordas, um festim de vinhos velhos, de carnes gordas e medulosas, de vinhos velhos purificados. (7) Nesse monte tirará o véu que vela todos os povos, a cortina que recobre todas as nações, (8) e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o seu povo, porque o Senhor o disse. (9) Naquele dia dirão: Eis nosso Deus do qual esperamos nossa libertação. Congratulemo-nos, rejubilemo-nos por seu socorro, (10) porque a mão do Senhor repousa neste monte, enquanto que Moab é pisada no seu lugar como pisada é a palha no monturo.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 4
(12) Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. (13) Tudo posso naquele que me conforta. (14) Contudo, fizestes bem em tomar parte na minha tribulação. (15) Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente. (16) Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. (17) Não é o donativo em si que eu procuro, e sim os lucros que vão aumentando a vosso crédito. (18) Recebi tudo, e em abundância. Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. (19) Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a sua glória, em Jesus Cristo. (20) A Deus, nosso Pai, seja a glória, por toda a eternidade! Amém.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 21
(1) Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,
(2) dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos.
(3) Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá.
(4) Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta:
(5) Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9).
(6) Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus.
(7) Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar.
(8) Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada.
(9) E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!
(10) Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este?
(11) A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.
(12) Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas,
(13) e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)!
(14) Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou,
(372) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

O Banquete Nupcial e o Fim dos Tempos

28o domingo do tempo comum, Mt 22,1-14, esta é a última semana do conflito entre Jesus e os fariseus.
Mas a palavra de Jesus é dirigida também a nós, na última Páscoa de Jesus.

Ele nos conta a parábola do banquete nupcial, último banquete do cordeiro de Deus e falando do fim dos tempos.
Em Isaías 25 há a descrição desse último banquete em que Deus enxugará nossas lágrimas, na casa do Pai.
Mas não é só isso... há 3 realidades que não se contradizem: o último banquete no fim dos tempos, a Eucaristia e a última ceia de Jesus.
O que une essas três realidades é a última ceia de Jesus.
Meditemos sobre a parábola.

Os convidados desprezam o convite. Deus nos convida, Jesus nos deseja, Ele quer estar conosco nessa comunhão, um banquete de casamento entre Deus e a humanidade, de Jesus com a sua Igreja. Não é uma refeição qualquer, um lanchinho... é um banquete da união entre Deus e o homem. A união profunda entre Deus tão santo e glorioso e o homem tão miserável e egoísta. 'Eu desejei ardentemente celebrar esta ceia convosco', disse Jesus.
Deus me deseja e eu desejo Deus?
Na parábola o Senhor quase que suplica pela presença dos convidados...
No entanto, os convidados falam de nossa realidade... é uma profecia realizada na Igreja de hoje em que há lugares vazios nas igrejas, convidados que não querem estar com Deus.
Precisamos unir nosso coração ao de Deus e desejar ardentemente participar e desejar que outros irmãos também participem. Ver a humanidade unida a Deus. S. Francisco continuamente chorava repetindo esta frase: 'o amor não é amado'.
S. Domingos de Gusmão passava horas na igreja chorando e perguntando 'Sr, o que será dos pecadores?'

Esse casamento torna-se dramático, uma verdadeira luta em que alguns dos convidados agarraram os enviados e bateram neles e os mataram.
O Senhor então manda convidar a todos, maus e bons, pelos caminhos.
É claro aqui que Jesus falava dos judeus que não aceitaram o convite. Deus então abre as portas para todos, o chamamento universal, querendo que todos os homens sejam salvos.
O amor de Cristo nos impele e levar o evangelho às encruzilhadas, chamar a todos.

Mas o banquete fica cheio então de pessoas más e boas. De fato, a Igreja está cheia de pessoas santas, como S. Pio de Pietrelcina e tantos outros, pessoas que amam a Deus verdadeiramente e se entregam a Deus com todo o fervor. Mas também há na Igreja pessoas que não se entregam a Deus, que são más. Para nós essa parábola deve ser motivo de exame de consciência e lembrar que Judas também se sentou à mesa da ceia e recebeu a comunhão.
O Papa Bento XVI afirmou que há pessoas agnósticas que sofrem com a busca da verdade, que sofrem por seus pecados e muitas vezes estão mais próximas do reino de Deus que pessoas de dentro da Igreja, comodamente alojadas na instituição e sentadas nos bancos do banquete...

Na parábola, o Senhor expulsa um homem que estava sem o traje adequado para a festa, pois 'muitos são os chamados e poucos são os escolhidos'.
S. Gregório interpreta isso com a necessidade que temos de fé e de caridade ao mesmo tempo. A fé leva ao banquete, mas isso não basta, é necessário também amar, os frutos da fé.
Assim como Jesus dramaticamente assume a cruz, nós também precisamos reagir e agir com amor prático, real. O homem que no banquete não usa a veste é o homem que se recusa a amar. Ele está no banquete, mas só assiste à Missa, não tem um verdadeiro coração eucarístico. Deus assume nossas dores e é preciso amar de volta. Como não amar um Deus assim?
O amor humano é sempre resposta, nunca iniciativa. Que bom seria se todos tivessem um amor ardente. Que triste se não o somos. Vistamos a veste nupcial, a veste do amor e responder de volta com amor àquele que nos convida para o banquete nupcial do cordeiro que tira o pecado do mundo devido à nossa falta de amor.

Padre Paulo Ricardo

O Banquete Nupcial

A liturgia deste domingo nos propõe uma parábola que fala de um banquete nupcial ao qual muitos são convidados. A primeira leitura, tirada do Livro do Profeta Isaías, prepara esse tema, porque fala do banquete de Deus. É uma imagem – a do banquete – usada frequentemente nas Escrituras para indicar a alegria na comunhão e na abundância dos dons do Senhor, e deixa intuir algo da festa de Deus com a humanidade, como descreve Isaías: "O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos, nesse monte, um banquete de carnes gordas, um festim de vinhos velhos, de carnes gordas e medulosas, de vinhos velhos purificados" (Is 25,6). O profeta acrescenta que a intenção de Deus é colocar fim na tristeza e na vergonha; deseja que todos os homens vivam felizes no amor por Ele e na comunhão recíproca; o seu projeto, portanto, é eliminar a morte para sempre, enxugar as lágrimas de todo o rosto, tirar o opróbrio que pesa sobre seu povo, como escutamos (vv. 7-8). Tudo isso suscita profunda gratidão e esperança: "Eis nosso Deus do qual esperamos nossa libertação. Congratulemo-nos, rejubilemo-nos por seu socorro" (v. 9).

Jesus, no Evangelho, diz-nos a resposta que é dada ao convite de Deus - representado por um rei - para participar deste seu banquete (Mt 22,1-14). Os convidados são muitos, mas algo inesperado acontece: recusam-se a participar da festa, eles têm outras coisas para fazer; alguns mostram até desprezo pelo convite. Deus é generoso conosco, nos dá sua amizade, seus dons, sua alegria, mas muitas vezes nós não acolhemos as suas palavras, mostramos mais interesse por outras coisas, colocamos no primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses. O convite do Rei encontra até reações hostis, agressivas. Mas isso não freia a sua generosidade. Ele não desanima e manda seus servos convidarem muitas outras pessoas. A rejeição dos primeiros convidados tem como efeito a extensão do convite a todos, também aos mais pobres, abandonados e negligenciados. Os servos reúnem todos aqueles que encontram, e a sala fica repleta: a bondade do rei não tem limites e a todos é dada a possibilidade de responder ao seu chamado. Mas há uma condição para permanecer nesse banquete de núpcias: colocar a veste nupcial. E, entrando na sala, o rei vê alguém que não quis usá-la, e, por isso, é expulso da festa. Gostaria de fazer uma pausa por um momento sobre esse ponto com uma pergunta: por que esse comensal aceitou o convite do rei, entrou na sala do banquete, a porta lhe foi aberta, mas não colocou a veste nupcial? O que é essa veste nupcial? Na Missa in Coena Domini deste ano fiz referência a um belo comentário de São Gregório Magno a essa parábola. Ele explica que aquele comensal respondeu ao convite de Deus para participar do seu banquete, tem, de certa forma, a fé que lhe abriu a porta da sala, mas lhe falta algo de essencial: a veste nupcial, que é a caridade, o amor. E São Gregório acrescenta: "Cada um de vós, portanto, que, na Igreja, tendes fé em Deus, já tomeis parte do banquete nupcial, mas não podeis afirmar ter a veste nupcial se não preservais a graça da Caridade" (Homilia 38, 9: PL 76, 1287). E esta veste está interligada simbolicamente por duas varas, uma acima da outra: o amor de Deus e o amor ao próximo (cf. ibid, 10:. PL 76,1288). Todos nós somos convidados a ser comensais do Senhor, a entrar com fé no seu banquete, mas devemos usar e preservar a veste nupcial, a caridade, viver um profundo amor por Deus e pelo próximo.

Papa Bento XVI