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Qual o maior mandamento? Amor não é utopia (23/10/2011)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 22
(20) Aquele que oferecer sacrifícios a outros deuses fora do Senhor, será votado ao interdito. (21) Não maltratarás o estrangeiro e não o oprimirás, porque foste estrangeiro no Egito. (22) Não prejudicareis a viúva e o órfão. (23) Se os prejudicardes, eles clamarão a mim e eu os ouvirei, (24) minha cólera se inflamará e vos farei perecer pela espada, vossas mulheres ficarão viúvas e vossos filhos, órfãos. (25) Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que está contigo, não lhe serás como um credor: não lhe exigirás juros. (26) Se tomares como penhor o manto de teu próximo, devolver-lho-ás antes do pôr-do-sol,
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 1
(5) O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação. (6) E vós vos fizestes imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo, (7) de sorte que vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. (8) Em verdade, partindo de vós, não só ressoou a palavra do Senhor pela Macedônia e Acaia, mas também se propagou a fama de vossa fé em Deus por toda parte, de maneira que não temos necessidade de dizer coisa alguma. (9) De fato, a nosso respeito, conta-se por toda parte qual foi o acolhimento que da vossa parte tivemos, e como abandonastes os ídolos e vos convertestes a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro, (10) e aguardardes dos céus seu Filho que Deus ressuscitou dos mortos, Jesus, que nos livra da ira iminente.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 22
(34) Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se
(35) e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova:
(36) Mestre, qual é o maior mandamento da lei?
(37) Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5).
(38) Este é o maior e o primeiro mandamento.
(39) E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).
(40) Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.
(335) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Qual o Maior Mandamento?

Amor não é utopia
30o domingo do tempo comum, o evangelho do amor.

O amor que devemos dar a Deus é o primeiro mandamento, mas não é o primeiro capítulo da história. “Nós amamos, porque Ele nos amou por primeiro” (1Jo 4,19). E este amor primeiro se fez carne, tornou-se verdadeiro Corpo e morreu por nós na cruz. A partir disto o amor não é mais uma utopia, ele é “tópico”, ele tem um lugar: está no sacrário e, se o recebemos, está em nossos corações. Assim, podemos ter a esperança de amar a Deus e ao próximo.

Após entrar em Jerusalém, Jesus criou diversos conflitos com os chefes judeus.
Neste domingo, mais uma vez um grupo de líderes judeus tenta provar Jesus com uma pergunta mal-intencionada: 'Mestre, qual o maior mandamento?'

Jesus então resume todos os mandamentos a dois: 'Amar a Deus e ao próximo'.
De onde Jesus tirou esses mandamentos?
É interessante notar que esses dois mandamentos não estão na lista dos dez mandamentos revelados a Moisés (Êxodo).
Nestes dez, o primeiro é 'não terás outros deuses'.
É preciso compreender a história de Israel, pois quando Deus revelou a Moiséis os dez mandamentos, Ele queria que Israel não tivesse outros deuses. O povo ainda não estava em condições de amar a Deus; antes, o povo precisava entender que só existe UM Deus e abandonar a idolatria.
Deus se preocupou primeiro em mostrar o seu amor a um povo que tinha grande dificuldade de evitar a idolatria.
No retorno do exílio da Babilônia Deus finalmente pede ao povo que O ame (Deuteronômio cap 5): 'amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração', escrito muitos séculos depois de Moisés, no tempo do pós-exílio.
Deus nos amou durante séculos... e só depois de longos séculos de batalha contra a idolatria, Deus nos pede o amor. Ninguém jamais tinha imaginado que Deus quisesse ser amado. O povo de Israel sabia que Deus os amava, mas ninguém tivera a ousadia de amar a Deus, pois o povo apenas servia a um Deus poderoso e onipotente.

E nós? Vemos que não damos conta de amar a Deus de todo coração, algo que parece humanamente um peso insuportável, amar a Deus com tamanha perfeição! Estamos perdidos...
É neste momento que Deus se faz carne. Esta é a boa notícia.
O amor não é algo abstrato, uma quimera, uma fantasia. Ele se fez carne, ele se fez presente no meio de nós, Ele está conosco: Jesus.
Essa notícia precisa se dada repetidamente para que as pessoas não desanimem.

'Padre, eu não nasci para ser casto'.
Se você não nasceu para ser casto, então o amor é impossível, é um ideal inalcançável e você só nasceu para usar e ser usado. Mas isto não é verdade! Existe o amor que morreu na cruz por nós, que está vivo em nosso meio, ao alcance de nossas mãos na Eucaristia! Nós que vivemos rodeados de tantos corpos falsos, mulheres e homens que investem em seu próprio corpo a base de silicone, botox, pinturas, anabolizantes, academias ... um corpo falso que não ama, enquanto o corpo verdadeiro está pregado na cruz.
Corpos falsos porque não amam, porque só querem usar e serem usados.
Mas olhamos para a cruz e ali vemos o corpo verdadeiro, vivo no sacrário. Precisamos nos ajoelhar diante desse corpo verdadeiro, Salve Cristo! Um amor que se encarnou e não é utópico, não é abstrato!

Se o amor não tivesse encarnado, viveríamos um suplício de Tântalo, personagem da mitologia grega punido para ter uma sede eterna vivendo num paraíso. Ou seja, um desejo impossível. Ele vê a água, mas nunca consegue alcançá-la. Ele vê as frutas, mas não consegue comê-las. Uma tortura.

Deus é um deus ciumento, mas de um ciúme santo. O ciúme ruim diz 'e eu, como é que EU fico?'. O ciúme santo diz 'se você me trair, pobre de você... como é que VOCÊ fica?', porque se importa conosco, fruto do verdadeiro amor.
Não que Deus precise de nós, mas somos nós que precisamos Dele. Deus se ofende com nossas faltas porque Deus vê que assim nos detruímos.
Você que acha que a castidade é impossível, você fere o coração de Deus que lhe vê correndo atrás de ídolos falsos e se destruindo.

Deus nos amou primeiro. A graça veio e agora o Amor está ao nosso alcance. Ave Verum Corpus. Louvemos a Ele porque está conosco.
Mas, é preciso também que façamos a nossa parte. A segunda parte do mandamento: amar ao próximo. Quem não ama o próximo, não ama a Deus. Quem não ama a Deus, não ama o próximo.
E por que não somos capazes de amar o próximo?
Porque esquecemos que o Amor existe! Se você crê no amor de Deus, então você é capaz de amar. Por isso a fé é fundamento da caridade e do amor.
Você não é um sujeuito carente, você SABE, não é SENTIR; por causa de nossas feridas afetivas, sentimos e pensamos que não somos amados suficentemente, somos vítimas...
Ficamos mendigando amor e nos esquecemos do amor de Deus em Jesus! Pare de se fazer de vítima, de ser como criança não amada! Você É amado. Já fomos amados, Deus nos amou primeiro, CREIA. Se você CRÊ que é amado, então você pode amar os outros, você não é mais vítima, mas um vaso que transborda. Somente assim você vai vencer essa depressão estúpida, essa tristeza sem fim. CREIA, se ponha de joelhos diante do Corpo Verdadeiro, sabendo que você é amado com amor transbordante e vá, ame você também!

Padre Paulo Ricardo

Catequese Bíblico-Missionária

O único mandamento que conta para o Senhor é o de amar os seus filhos e filhas. Israel foi estrangeiro no Egito e o Senhor o amou como a seu filho e, por essa razão, o povo de Deus deve honrar a memória desse amor e tratar o estrangeiro, o órfão, a viúva e os pobres com o mesmo amor, generosidade e misericórdia.

Jesus unifica os dois maiores mandamentos da tradição judaica: o verdadeiro amor a Deus é um verdadeiro amor ao semelhante e todo verdadeiro amor ao semelhante é um verdadeiro amor a Deus. A encarnação de Jesus nos testemunha que não estamos mais divididos entre dois amores e que Deus não é rival do ser humano, pois tudo o que fizermos ao menor dos irmãos é a Deus que o fazemos (cf. Mt 25,40).

Não existe mais uma via direta que nos permita isolar o homem para se alcançar a Deus, uma vez que o amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos são inseparáveis, pois são o mesmo amor. No cristianismo, a oração, o culto, a contemplação e a mística só valem se exprimem e alimentam um amor autêntico como um serviço real e comprometido com os homens e mulheres de todos os tempos.

Jesus não reclama uma exclusividade de amor. Ele não nos diz: "Amai-me como eu vos amo", mas nos ensina a buscar uma relação de identidade e participação com e na sua vida: "Amai-vos como eu vos amo". Para Jesus, o amar é um processo permanente de aprender a sair de si mesmo para encohtrar o Outro divino no outro humano.

Deus se encarna no homem para, sobretudo, ternamente amar. Simplesmente amar. Incondicionalmente, completamente, universalmente, indiscriminadamente, descaradamente e despudoradamente amar como só o homem sabe e pode amar. [ ?? ]

Deus precisa do homem para ser Deus para sempre e eternamente Deus [ ?? ]. Deus para sempre, mas ternamente homem.

Pe. Pauto Botas, mts