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Solenidade de Todos os Santos (06/11/2011)

Primeira Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 7
(2) Vi ainda outro anjo subir do oriente, trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo: (3) Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes. (4) Ouvi então o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel, (5) da tribo de Judá, doze mil assinalados, da tribo de Rubem, doze mil, (6) da tribo de Aser, doze mil, da tribo de Neftali, doze mil, da tribo de Manassés, doze mil, (7) da tribo de Simeão, doze mil, da tribo de Levi, doze mil, da tribo de Issacar, doze mil, (8) da tribo de Zabulon, doze mil, da tribo de José, doze mil, da tribo de Benjamim, doze mil assinalados. (9) Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, (10) e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro. (11) E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais, prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: (12) Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém. (13) Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm? (14) Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação, lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.
Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São João (1Jo), capítulo 3
(1) Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. (2) Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. (3) E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 5
(1) Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
(2) Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
(3) Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
(4) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
(5) Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
(6) Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
(7) Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
(8) Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
(9) Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
(10) Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
(11) Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
(12) Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
(143) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Solenidade de Todos os Santos

O Caminho da Glória

Jesus crucificado é o “pobre em espírito” por excelência. Ao esvaziar a si mesmo ( cf. Fil 2) e ser exaltado, Nosso Senhor nos ensina que o caminho da Glória é “para baixo”. Como mendigos da misericórdia divina, os Santos viveram a total confiança naquele que hoje os acolhe na Pátria celeste.

Neste domingo celebramos a festa de Todos os Santos.
É importante lembrar que a Igreja é uma realidade muito mais celeste do que terrestre.
Muitas pessoas gostam de ver o lado negativo, os pecados e erros cometidos por gente da Igreja. Entretanto a grande história da Igreja verdadeira que merece ser contada é a história dos santos.
Ao contar a história de um exército não se conta a história dos traidores, mas de seus heróis.

Nós todos somos chamados à santidade para participar da glória de Deus no céu.
Mas qual o caminho e a escala?
Há uma diferença entre ser santo no céu e ser santo na terra. O santo no céu não busca, nem tem a alma em perigo, já tendo encontrado seu lugar na pátria celeste.
Mas para nós a santidade é uma luta, é o dia a dia na luta pela fidelidade a Deus.
Santidade no céu é glória. Santidade na terra é santificação, é luta, estamos na igreja militante. No céu, estão na igreja triunfante.

Queremos celebrar neste domingo a alegria de que um dia estaremos no céu e de que numerosos de nossos irmãos já lá estão, os bem-aventurados, algo mais que uma simples alegria, mas alcançaram a felicidade.
E o que alcança a felicidade? O sumo bem, Deus, o bem acima de todos os outros bens, a maior de todas as felicidades, a bem-aventurança. Como chegar lá?

No sermão da montanha Jesus anuncia as bem-aventuranças.
E a primeira delas é a que resume todas elas. 'Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus'.
E o que quer dizer pobre em espírito?
No grego do novo testamento, a palavra usada para falar de pobre poderia ser traduzida por 'mendigo'.
Pobre em grego seria o que vive de forma frugal, mas não é totalmente miserável. A palavra que Jesus usa refere-se ao que vive da misericórdia dos outros, que não tem absolutamente nada.
Ou seja, os pobres de espírito são as pessoas que sabem que nada podem sem Deus.
A palavra grega significa aquele que vive agachado, abaixado. E como vive o mendigo? Fica na calçada, de pires na mão, encurvado, esperando a misericórdia. O pobre espera pelo fruto do seu trabalho, mesmo que pouco. Já o mendigo não espera nada, pois nada lhe é devido.

Nós sabemos que nossos méritos ou obras não são capazes de alcançar a salvação. Estamos portanto na situação do mendigo.
Tudo o que fazemos é uma forma de dizer: 'meu Deus, quero colaborar com minha salvação'. E confiamos que Deus nos dará sua graça conforme suas promessas por amor, não conforme o que fazemos.
Nós devemos ter essa atitude diante de Deus: confiança.
O caminho que os santos seguiram é o mesmo caminho que Jesus seguiu. Ele se esvaziou a si mesmo fazendo-se humilde e obediente até a morte na cruz. Jesus na cruz é o pobre em espírito, totalmente confiante e dócil com relação a Deus.

Em Jesus Deus reina completamente.
O caminho para a glória é esse abaixamento, como um mendigo diante de Deus, completamente dependente Dele. Para que Deus reine é necessário que nós destronemos a soberba de nosso coração.
Os santos aqui na terra foram todos pobres em espíritos, mendigos de Deus e a desproporção entre o que fizeram e a graça que receberam é imensa, não altera em nada sua situação de mendicância. Foram agraciados muito mais do que mereceram.

N.Sra é modelo dessa pobreza em espírito. Para ela estar cheia de garça, ela precisou se esvaziar de si mesma.
A mais perfeita de todas as criaturas foi a que mais se rebaixou e confiou em Deus.

Padre Paulo Ricardo