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Parábola dos Talentos (13/11/2011)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro dos Provérbios (Pr), capítulo 31
(10) Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. (11) Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. (12) Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. (13) Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. (14) Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. (15) Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. (16) Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. (17) Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. (18) Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite. (19) Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. (20) Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. (21) Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. (22) Faz para si cobertas: suas vestes são de linho fino e de púrpura. (23) Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra. (24) Tece linha e o vende, fornece cintos ao mercador. (25) Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos, ri-se do dia de amanhã. (26) Abre a boca com sabedoria, amáveis instruções surgem de sua língua. (27) Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. (28) Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. (29) Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas. (30) A graça é falaz e a beleza é vã, a mulher inteligente é a que se deve louvar. (31) Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 5
(1) A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos. (2) Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite. (3) Quando os homens disserem: Paz e segurança!, então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão. (4) Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. (5) Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. (6) Não durmamos, pois, como os demais. Mas vigiemos e sejamos sóbrios.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25
(14) Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.
(15) A um deu cinco talentos, a outro, dois, e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.
(16) Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles, fê-los produzir, e ganhou outros cinco.
(17) Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.
(18) Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.
(19) Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.
(20) O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos, eis aqui outros cinco que ganhei.'
(21) Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
(22) O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos, eis aqui os dois outros que lucrei.
(23) Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
(24) Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.
(25) Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.
(26) Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.
(27) Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.
(28) Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.
(29) Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.
(30) E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores, ali haverá choro e ranger de dentes.
(358) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Parábola dos Talentos - Servo mau e preguiçoso!

A preguiça mais grave é a preguiça vocacional. O Senhor nos chama à grandeza de multiplicar o dom da vida que recebemos na generosidade e no amor. O mau servo cai neste “mau obscuro”que é a acídia, uma preguiça que atinge a alma sugando-lhe as energias. A preguiça, como um câncer, se espalha na sua metástase: malícia, rancor, pusilanimidade, torpor (fuga dos bens espirituais) e vagabundagem da alma na direção das coisas ilícitas.

O evangelho deste domingo, 33o do tempo comum, é a famosa Parábola dos Talentos, Mt 25,14-30.

Primeiro, Jesus fala de um homem que vai viajar para o estrangeiro e chama seus 'empregados' (servos, escravos - esta é a tradução correta) para lhes entregar seus bens.
O filho pródigo diz: 'É melhor ser escravo na casa do meu pai do que ser livre longe de casa.'
O contexto exige lembrar que existiam realmente na época antiga escravos que eram muito agradecidos ao Senhor. Se não fossem escravos, provavelmente seriam mendigos sem ter para onde ir ou morreriam de fome.

O grande problema na parábola de hoje é essa falta de ânimo, de energia, de vontade.
O Senhor confia talentos para seus servos. Um, dois, cinco...
O evangelho nos chama a atenção ao afirmar 'após muito tempo...', ou seja, o retorno do Senhor há de possivelmente demorar mais do que imaginamos.
Ao retornar então, o Senhor cobra o que foi feito dos bens que não eram deles e lhes foram confiados.
Hoje em dia usamos a palavra talento como se os talentos fossem dons nossos, bens pessoais. Mas o evangelho deixa muito claro que o talento não é meu! Não sou dono dele, ele pertence ao Senhor e eu sou apenas seu servo. É importante nos darmos conta que tudo o que somos e recebemos nesta vida não é nosso, mas pertence a Deus.
Na continuação da parábola, há duas atitudes diferentes entre os diversos servos...
Os dois primeiros, embora fossem escravos, já tinham um coração de filhos e se importavam, preocupavam-se com os bens do Senhor, trabalhando para o crescimento da riqueza do pai.
A recompensa é a comunhão com o Senhor.
Mas ao terceiro que nada fez com os talentos, o Senhor diz 'servo mau e preguiçoso... quanto a este servo inútil jogai-o na escuridão onde haverá choro e ranger de dentes'.
Interessante notar que Jesus chama de servos fiéis aos que trabalharam para utilizar seus talentos, mas não chama de infiel ao servo que nada fez e sim de preguiçoso. Uma preguiça mais grave porém que a física, mas ontológica, preguiça da própria vocação.
Os santos padres chamam a essa preguiça de 'acídia', que afeta até a raiz do ser. Quem faz assim, nega a vocação para o amor! Os que se esforçaram para usar os talentos o fizeram não por uma recompensa, mas por amor. O que nada fez, demonstrou uma paralisia da alma, uma indiferença.
O contrário do amor nem sempre é o ódio, mas às vezes é a indiferença.
A palavra acídia significa (em grego) uma pessoa que não cuida das coisas, não está nem aí com a vida.
Nossa época moderna parece que inventou um novo tipo de preguiçoso: o vagabundo que vive agitado, mas se agita em nada fazer, muito ocupado em fazer coisas inúteis.

Para curar isso é importante receber os talentos de Deus com um coração agradecido. Olhar para vida com gratidão, com eucaristia, ou seja, ação de graças!
Como é belo os talentos recebidos, se alegrar com a beleza das coisas, com o amor, sonhar alto!
O preguiçoso é pusilânime, uma alma mesquinha que fica reclamando da vida ... 'ah, eu só recebi um talento e o outro recebeu cinco...'. Como disse o poeta: 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena'.
O pecado grave do servo deste evangelho é a preguiça da alma por não crer na vocação, em Deus, na verdadeira beleza.

São José Maria Escrivá nos recorda que existe uma santificação e uma alegria em poder trabalhar e trabalhar bem, que a vida sem o trabalho desaba numa espécie de morte, ela se perde, torna-se um despercídio.
S. Tomás de Aquino afirma que essa acídia se espalha na alma como uma metástase com seis consequências: malícia, rancor, pusilânimidade (alma pequena), desespero, torpor e vagabundagem mental em direção ao que não presta.

Trabalhemos com um coração de filhos para produzir os frutos de justiça que Deus espera de nós. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Padre Paulo Ricardo