||  Início  ->  Cristo Rei

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo (20/11/2011)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 34
(11) Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas. (12) Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu, eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas. (13) Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região. (14) Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a gordos campos sobre as montanhas de Israel, elas repousarão sobre as verdes relvas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens. (15) Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Javé. (16) A ovelha perdida eu a procurarei, a desgarrada, eu a reconduzirei, a ferida, eu a curarei, a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça. (17) Quanto a vós, minhas ovelhas, eis o que diz o Senhor Javé: vou julgar entre ovelha e ovelha, vou julgar os carneiros e os bodes.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 15
(20) Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram! (21) Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. (22) Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. (23) Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo, em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. (24) Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. (25) Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. (26) O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés. (27) Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. (28) E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25
(31) Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
(32) Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
(33) Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
(34) Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
(35) porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes,
(36) nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava na prisão e viestes a mim.
(37) Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
(38) Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
(39) Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
(40) Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
(41) Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
(42) Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber,
(43) era peregrino e não me acolhestes, nu e não me vestistes, enfermo e na prisão e não me visitastes.
(44) Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
(45) E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.
(46) E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.
(193) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI

Viva Cristo Rei! - Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo

Sabe-se que a Igreja encerra seu Ano Litúrgico com a Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. No entanto, poucos se dão conta de que se trata de uma festa relativamente recente, pois só foi instituída em 1925, portanto há menos de cem anos.
Mas o que levou o papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica de seu pontificado à criação de uma festa de Cristo Rei? (cf. carta encíclica Quas primas, 11/12/1925).
No início do século XX, o mundo, que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçônica no México, anti-clericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.
É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorreto”, o papa Pio XI institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da humanidade.
Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…
Mesmo assim, nadando contra a correnteza e se opondo ao secularismo ateu e anti-clerical, o Vigário de Cristo na terra instituiu esta solenidade para nos recordar que todas as coisas culminam na plenitude do Cristo Senhor: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1, 8). É necessário reavivar a fé na restauração e na reparação universal realizadas em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.
Com esta solenidade o Papa Pio XI esperava algumas mudanças no cenário mundial:
Que as nações reconhecessem que a Igreja dever estar livre do poder do Estado (Quas primas, 32).
Que os líderes das nações reconhecessem o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas primas, 31).
Que os fieis, com a celebração litúrgica e espiritual desta solenidade, retomassem coragem e força e renovassem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas primas, 33).
Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.
Pilatos pergunta a Jesus se ele é rei. Nosso Salvador responde que seu Reino não é deste mundo. Ou seja, não é deste mundo “inventado” pelo homem e pelo pecado: o mundo da injustiça, da escravidão, da violência, do ódio, da morte e da dor. Ele é rei do Reino de seu Pai e, como rei-pastor, desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações.
Sabemos que o Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. É isto que nos recorda o Catecismo da Igreja Católica em seu número 677. Mesmo assim, no final, haverá sem dúvida uma vitória de Deus sobre o mal. Só que esta vitória acontecerá como acontecem todas as vitórias de Deus: através da morte e da ressurreição. A Igreja só entrará na glória do Reino se passar por uma derradeira Páscoa. A Esposa deve seguir o caminho do Esposo.
É assim que, nesta festa, o manto vermelho de Cristo assinala a realeza de Nosso Senhor, mas também nos recorda o sangue de tantos mártires Cristãos de nossa história recente. Foram fieis católicos que, ouvindo os apelos do Sucessor de Pedro, não tiveram medo de entregar suas próprias vidas e de morrer aos brados de “viva Cristo Rei!”

Bem-Aventurado Miguel Pró
23 de Novembro

Miguel Pró nasceu no dia 13 de janeiro de 1891, em Guadalupe, Zacatecas na República Mexicana. Desde sua infância, o sorriso e a alegria foram características importantes de sua personalidade. Aos 20 anos de idade ingressou no noviciado da Companhia de Jesus (Jesuítas). Muito pouco tempo depois, os noviços tiveram que sair do país por causa da Revolução Mexicana. Foi assim que chegou a ordenar-se Sacerdote Jesuíta na Bélgica, no dia 25 de agosto de 1925, no mesmo ano em que foi instituída a festa de Cristo Rei.
O Padre Pró sofreu gravemente de uma enfermidade de estômago e, mesmo depois de várias cirurgias, não obteve melhoras. Mais tarde, apesar da grande perseguição que a Igreja sofria em seu país, decidiu retornar ao México em 1926. Sentia o dever de gastar sua vida para levar Jesus a seus compatriotas. Esta foi sua grande missão.
Ainda por dois anos conseguiu atender secretamente aos corajosos católicos mexicanos, muitas vezes de forma incógnita ou disfarçada. Enfrentou inúmeros perigos até que foi decretada oficialmente sua prisão.
Foi acusado falsamente de traição e de envolvimento em um atentado, embora houvesse provas de sua inocência. Poucos dias antes de sua prisão, Padre Pró confidenciou a um amigo que havia entregue sua vida para salvar o México e que pensava que Deus tinha aceitado sua oferta.
No dia de sua execução, enquanto era levado para o paredão, perdoou o carcereiro e o pelotão de fuzilamento. Como seu último desejo, pediu permissão para orar; em seguida, recusando que lhe vendassem os olhos, estendeu seus braços em forma de cruz e com voz firme e forte exclamou: “VIVA CRISTO REI!” entregando assim sua vida consagrada a Deus Nosso Senhor.

Padre Paulo Ricardo

Catequese Bíblico-Missionária

Os textos fazem refletir sobre o julgamento derradeiro e, neste momento, o amor do Senhor fará justiça e tomará o partido dos menores entre os menores: a ovelha perdida que discriminamos; -a extraviada que excluímos; a da perna quebrada que não cuidamos, para não atrasar a caminhada; a doente que nos solicita todo tempo a atenção. E o Senhor, como diz o profeta, vigiará a ovelha gorda e forte, que sempre se fartou da comida que cabia às outras e roubou para si o abrigo que protegia a todas e sugou, como um vampiro, a força vital das que encontrou, convertendo-as em comida e bebida.

O Evangelho reafirma que o único critério no julgamento derradeiro será o amor aos menores insignificantes e de pouca valia para o mercado. O amor cristão é uma busca incessante de amar sem discriminação e sem pompas. O profeta nos adverte: "Sou contra, detesto as vossas festas, não sinto o menor prazer nas vossas celebrações. Afasta de mim a algazarra de teus cânticos e a música dos teus instrumentos nem quero ouvir" (erro).

O Ressuscitado, como um mendicante, bate à nossa porta e nos pede sempre alguma coisa. Ele estende a sua mão porque quer ser alimentado por nós e quer ser nosso devedor. Ele quer se apresentar ao mundo como Alguém a quem alimentamos, damos de beber, acolhemos, vestimos, visitamos na prisão, nos hospitais e hospícios. Como nos pregava São João Crisóstomo: "Rende-te ao meu modesto pedido: não peço nada que te custe: somente pão, teto e algumas palavras de consolo".

Os considerados supérfluos e descartáveis deste mundo é que são o rosto de Deus, pois neles, mais do que nunca, habita o Reino e são eles a realeza que será entregue ao Pai pelo Cristo Jesus depois de "destruir toda autoridade e poder. Não nos,esqueçamos que seremos julgados pelo que NÃO FIZEMOS: "Em verdade, em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a Mim que não o fizestes".

Pe. Paulo Botas, mts