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A Anunciação e o "Sim" de Maria Santíssima (18/12/2011)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Segundo Livro de Samuel (2Sm), capítulo 7
(1) Ora, tendo o rei Davi acabado de instalar-se em sua residência, e tendo-lhe o Senhor dado paz, livrando-o de todos os inimigos que o cercavam, (2) disse ele ao profeta Natã: Vê: eu moro num palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada numa tenda! (3) Natã respondeu-lhe: Pois bem: faze o que desejas fazer, porque o Senhor está contigo! (4) Mas a palavra do Senhor foi dirigida a Natã naquela mesma noite, e dizia: (5) Vai e dize ao meu servo Davi: eis o que diz o Senhor: Não és tu quem me edificará uma casa para eu habitar. (6) Desde que tirei da terra do Egito os filhos de Israel até o dia de hoje, não habitei casa alguma, mas, qual um viandante, tenho-me alojado sob a tenda e sob um tabernáculo improvisado. (7) E em todo esse tempo que andei no meio dos israelitas, falei eu porventura a algum dos chefes de Israel que encarreguei de apascentar o meu povo: por que não me edificas uma casa de cedro? (8) Dirás, pois, ao meu servo Davi: eis o que diz o Senhor dos exércitos: eu te tirei das pastagens onde guardavas tuas ovelhas para fazer de ti o chefe de meu povo de Israel. (9) Estive contigo em toda parte por onde andaste, exterminei diante de ti todos os teus inimigos, e fiz o teu nome comparável ao dos grandes da terra. (10) Designei um lugar para o meu povo de Israel: plantei-o nele, e ali ele mora, sem ser inquietado, e os maus não o oprimirão mais como outrora, (11) no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo. Concedo-te uma vida tranqüila, livrando-te de todos os teus inimigos. O Senhor anuncia-te que quer fazer-te uma casa. (12) Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino. (13) Ele me construirá um templo, e firmarei para sempre o seu trono real. (14) Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele cometer alguma falta, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de homens, (15) mas não lhe tirarei a minha graça, como a retirei de Saul, a quem afastei de ti. (16) Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 16
(25) Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu Evangelho, na pregação de Jesus Cristo - conforme a revelação do mistério, guardado em segredo durante séculos, (26) mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, por meio das Escrituras proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência da fé - , (27) a Deus, único, sábio, por Jesus Cristo, glória por toda a eternidade! Amém.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 1
(26) No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
(27) a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
(28) Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
(29) Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
(30) O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
(31) Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
(32) Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente na casa de Jacó,
(33) e o seu reino não terá fim.
(34) Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
(35) Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
(36) Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice, e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
(37) porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
(38) Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.
(241) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético

Catequese Bíblico-Missionária

A Realidade

"Por causa da crise, este Natal não será tão bom como o dos anos anteriores." É o que diz a televisão. Natal vale pelo consumo que provoca. Isso, porque consumo provoca produção e produção promove riqueza. Riqueza é o valor maior, acima de todos os outros, é o objetivo de todos e de tudo.

São Francisco inventou o presépio para lembrar o nascimento pobre de Jesus. A ternura do presépio fez do Natal uma grande festa. Uma grande festa é oportunidade de consumo. Quem quer vender, usa a festa. Mas o menino do presépio é muito pobre, não consome nem ajuda a consumir. Por isso ele é aposentado e dá lugar ao papai Noel.

A Palavra

No Evangelho de hoje o anúncio do nascimento de Jesus é feito a Maria, mulher, jovem, pobre e de uma aldeia desprezada. Ao contrário do que ocorria naquela sociedade machista, é ela quem dá nome ao filho. Além disso, o anjo explica e fica esperando a decisão dela. Aqui, mulher, jovem, pobre e da roça tem direito a dar alguma decisão?

Seu. filho realizará as melhores esperanças da humanidade toda. Seu nome significa Deus salva e ele é apresentado como grande rei, que vai governar para sempre. Ele realiza as esperanças depositadas num filho (uma dinastia ou uma "casa"), prometido a Davi, que pensava construir uma casa para Deus (1a - Leitura).

Maria não está pensando em grandeza. Já na saudação fica embaraçada, calculando o que significariam aquelas palavras dirigidas a ela, tão pequena. Depois do anúncio, não pensou nas grandezas de seu possível filho. O evangelista dá a entender que ela tinha o propósito de se manter virgem. Isso era importante para ela, isso ela considerava um apelo de Deus, mais válido do que a aparição de um anjo.

O projeto de Deus (2- Leitura) é salvar através do pequeno, o que é incompreensível para os homens, mas revelado em Jesus, o Messias crucificado.

O Mistério

A pequenez da Missa mostra o mistério (projeto sigiloso de Deus) que se celebra. Celebramos a salvação que não vem da riqueza nem do consumo, mas da pequenez e da obscuridade de Nazaré. Celebramos o que para uns é tolice; para outros, um absurdo, o fracasso da cruz que faz a partilha no meio de um mundo "dividido em contínua discórdia".

Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Diocese de Guaxupé-MG