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A cura do paralítico na casa de Pedro (19/02/2012)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 43
(18) Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, (19) porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe. (20) Dar-me-ão glória os animais selvagens, os chacais e as avestruzes, pois terei feito jorrar água no deserto, e correr arroios na estepe, para saciar a sede de meu povo, meu eleito, (21) o povo, que formei para mim, contará meus feitos. (22) No entanto, não foste tu que me chamaste, Jacó, tu não te fatigaste por mim, Israel. (23) Não me ofereceste carneiros em holocausto, nem me honraste com sacrifícios, não cobrei de ti um pesado imposto em oblações, nem te sobrecarreguei exigindo incenso. (24) Não me compraste, a preço alto, cana perfumada, nem me fartaste com a gordura das vítimas. Mas me atormentaste com teus pecados, cansaste-me com tuas iniqüidades. (25) Sempre sou eu quem deve apagar tuas faltas, e não mais me lembrar de teus pecados.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 1
(18) Deus é testemunha de que quando vos dirijo a palavra, não existe um sim e depois um não. (19) O Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós, Silvano, Timóteo e eu, vos temos anunciado, não foi sim e depois não, mas sempre foi sim. (20) Porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos Amém à glória de Deus. (21) Ora, quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. (22) Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 2
(1) Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa.
(2) Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía.
(3) Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens.
(4) Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico.
(5) Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: 'Filho, perdoados te são os pecados.'
(6) Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros:
(7) Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?
(8) Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito tios seus íntimos pensamentos, disse-lhes: 'Por que pensais isto nos vossos corações?
(9) Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
(10) Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho do homem sobre a terra (disse ao paralítico),
(11) eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.'
(12) No mesmo instante, ele se levantou e, tomando o leito, foi-se embora à vista de todos. A, multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: 'Nunca vimos coisa semelhante.'
(750) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético

Padre Paulo Ricardo

Blasfemar ou glorificar?

Na verdade é Jesus quem “destelha a casa” dos Escribas quando, de forma desconcertante, perdoa os pecados do paralítico. O amor de Deus é livre e soberano e age de forma surpreendente.

Quem crê em Jesus compreende seu dever de carregar os pecadores até a presença de Jesus (suportar – ἀνέχομαι cf. Ef 4,2 e Cl 3,13). E glorifica a Deus pelo seu perdão.

Quem não crê, no entanto, gera no seu coração colérico uma filha da ira, a blasfêmia, deixando de reconhecer a presença do dedo de Deus (cf. Lc 11,20).

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Neste domingo Jesus cura o paralítico que é descido do teto por quatro homens. Antes de curá-lo, porém, Jesus perdoa seus pecados.

O evangelho inicia com um esclarecimento: 'Jesus estava em casa, em Cafarnaum'. Jesus adotou a casa de Pedro como sendo a sua casa. Interessante notar que S. Marcos, ligado à pessoa de Pedro pois era seu intérprete, salienta ser a casa de Pedro como a casa de Jesus.
Segundo a tradição, S. Marcos teria escrito esse evangelho durante o período de sua estadia em Roma quando, acompanhando S. Pedro, era seu auxiliar e intérprete. Devemos sempre considerar que no evangelho de S. Marcos há detalhes biográficos da vida de S. Pedro.
Uma vez Jesus estando na casa de Pedro, uma multidão passou a visitá-la. S. Pedro nem tinha mais casa.. que chegou a ser destelhada... mas não parece que isso tenha sido motivo de preocupação, pelo contrário, pois o evangelho atesta o clamor da multidão que dá glória a Deus pela ações de Jesus.

Também os escribas que ali estavam tiveram uma reação, mas de indignação... porque Jesus se apresenta como alguém que perdoa os pecados!
Diante da fé dos quatro homens e do paralítico, Jesus usa uma palavra carinhosa ao paralítico: 'filho...'. Do original grego, a palavra está mais para 'criança' e afirma: 'teus pecados te são perdoados'.
Todos viam a paralisia como sua maior necessidade, mas Jesus vê além, e vê sua necessidade de ser 'recriado' por Deus e ter os pecados perdoados, 'manda embora', 'largar' os pecados (do original grego).
O centro dramático desse evangelho está no perdão as pecados.
Mas a reação dos mestres da lei, homens letrados, questionam: só Deus pode perdoar pecados! É um blasfemador! Jesus estaria se colocando no lugar de Deus, apropriando-se de sua glória, um prepotente.
A palavra 'blasfêmia' significa não dar e reconhecer a glória a Deus, o que é devido a Deus.
Porém, sem saber, quem blasfema são os escribas. Como Jesus depois nos recorda sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo, não reconhecer Deus que aje, sua obra.
Essa blasfêmia dos escribas porém não brota da prepotência, mas da ira. Esses homens ficam irados porque Jesus não está agindo conforme a doutrina que têm na cabeça.
Foi a casa de S. Pedro que foi destelhada, mas Pedro não ficou irado, ao contrário. Os escribas tiveram seu 'teto' (suas idéias) também destelhado, mas estes ficaram irados.

Jesus nos revela Deus. Mas não podemos ficar com um deus preconcebido, conforme nossas cabeças, e precisamos deixar que Ele renove nossas idéias, nos converta.

Deus é desconcertante, Ele não segue nossos manuais. Ele morre numa cruz para perdoar nossos pecados. Escândalo para os judeus, loucura para os gregos, como nos diz S. Paulo.
Assim, Jesus escandaliza os letrados escribas. Aqui temos uma escolha: blasfemar (como os escribas) ou glorificar (como a multidão)?

Às vezes parece que Deus permite coisas absurdas acentecerem dentro de sua Igreja. Como Deus permite que sua casa seja 'destelhada'?
Se existe arrependimento, existe lugar para os pecadores dentro de sua Igreja. Mas existe uma condição: o doente precisa querer ser curado, um pecador arrependido que deseja ser perdoado.

Outro ensinamento: devemos carregar o peso uns dos outros como os quatro que ajudaram o paralítico a descer pelo telhado.
S. Paulo diz: "suportai-vos uns aos outros na caridade".
Se queremos viver dentro da Igreja de Deus, precisamos viver essa paciência e esse amor, calando a boca do nosso coração que murmura.
Você que fica escandalizado porque há pecadores dentro da Igreja... você que fica blasfemando contra Deus e sua Igreja... devemos suportar o pecador e ter a paciência e a misericórdia que o próprio Deus exerce conosco.
Nós que somos abençoados por essa paciência de Deus que nos surpreende, saibamos também dominar a ira e suportarmos uns aos outros, ajudar-nos uns aos outros.

Olhemos uns para os outros não vendo o óbvio, a necessidade física de cada um, mas vendo com o olhar misericordioso de Cristo que vê o invisível, capaz de perceber a necessidade do irmão de ser perdoado. Com grande paciência, carreguemo-nos uns aos outros como Cristo nos carregou (na cruz).


Catequese Bíblico-Missionária

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