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As Tentações no Deserto (26/02/2012)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 9
(8) Disse também Deus a Noé e as seus filhos: (9) “Vou fazer uma aliança convosco e com vossa posteridade, (10) assim como com todos os seres vivos que estão convosco: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, desde todos aqueles que saíram da arca até todo animal da terra. (11) Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.” (12) Deus disse: “Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras: (13) Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra. (14) Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, (15) e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura.
Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São Pedro (1Pd), capítulo 3
(18) Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. (19) É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, (20) quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água. (21) Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo. (22) Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 1
(12) E logo o Espírito o impeliu para o deserto.
(13) Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
(14) Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
(15) Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo, fazei penitência e crede no Evangelho.
(471) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético

Padre Paulo Ricardo

Primeiro domingo da Quaresma. Mc 1,12-15.
Trata-se do evangelho da tentação de Jesus no deserto. A narração de S. Marcos é breve e diz que Jesus é tentado no deserto por Satanás.

O que é uma tentação?
Somos tentados por três realidades. Os Santos Padres nos dizem que o ser humano é tentado pela carne, pelo mundo e pelo demônio.
Vamos examinar a tentação demoníaca primeiro.
Sabemos que os demônios existem, anjos decaídos que desobedeceram a Deus e pretendem fazer com que os seres humanos não amem a Deus.
Por que Deus permite que sejamos tentados pelo demônio?
O evangelho nos diz com toda a clareza que Jesus, filho de Deus declarado logo após o batismo, foi levado ao deserto pelo Espírito Santo onde foi tentado por 40 dias.
Deus permite porque da tentação Ele pode tirar um bem maior pois há virtudes que não apareceriam sem provação.
E que bem maior é esse?
A tentação vencida aumenta nossa glória no céu. Esta é uma verdade que as pessoas não se dão conta.
No céu, as glórias a serem recebidas são diferentes.
As tentações podem gerar em nós frutos de glória eterna.

Entramos no período da Quaresma. Como a Igreja quer que soframos, façamos penitência... essa coisa de carregar cruzes? Os cristãos são masoquistas?
Não. Deus quer a nossa glória no céu e precisamos crescer nessa entrega, nesse amor. Deus criou tudo e pode tudo, mas não pode obrigar você a amá-Lo. Amor obrigado não é amor, pois este só pode nascer da liberdade.
Deus é um grande pedagogo, que nos estimula em nossa caminhada espiritual. Ele então PERMITE que sejamos tentados.
Passar por provações por amor a Deus é uma grande alegria, como diz S. Tiago (1,2-3): 'considerai uma grande alegria quando tiverdes que passar por grandes provações (ou tentações)'.
A tentação produz virtudes e as virtudes aumentam nossa glória no céu.

Sem tentações e provações, nosso amor seria do tamanho de uma tampinha de garrafa. É preciso alargar o recipiente do amor para que maior seja a glória no céu.
Como diz Jó: 'a vida do homem sobre a terra é uma luta'.
A Quaresma é um tempo apropriado para treinarmos para a batalha, para essa luta espiritual.

E como é que podemos vencer uma tentação demoníaca?
Repelindo-a imediatamente e não lhe dando atenção. O demônio vence quando consegue iniciar um diálogo.

Há também tentações que vêem de nossa própria carne devido ao pecado original. Para resistir-lhes precisamos nos exercitar através da penitência e do cultivo das virtudes humanas.

E há tentações que vêem do mundo, que quer nos impedir que sejamos fiéis a Deus, como quando somos atacados ou caluniados por todos os lados, ou colocando-nos medo de fazer o que é certo.

E a tentação demoníaca? Pensamentos de maldade, por exemplo, como distinguir de onde vêm?
Grandes santos tinham o dom de discerimento dos espíritos.
Mas e nós?
A primeira coisa a fazer é não dialogar com esses pensamentos.
É capital não dar atenção ou importância às tentações do demônio.

O demônio é enganador e usa de muitas táticas para conduzir a pessoa ao pecado, sutilmente, atacando nossas fraquezas.
Quando somos tentados devemos estar sempre atentos aos nossos pontos fracos e uma grande ajuda é a oração, pedindo auxílio aos santos, à Maria Santíssima e a Deus.


Catequese Bíblico-Missionária

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