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Comércio no Templo (11/03/2012)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 20
(1) Então Deus pronunciou todas estas palavras: (2) “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. (3) Não terás outros deuses diante de minha face. (4) Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. (5) Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, (6) mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (7) “Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro. (8) Lembra-te de santificar o dia de sábado. (9) Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. (10) Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. (11) Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia, e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou. (12) Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. (13) Não matarás. (14) Não cometerás adultério. (15) Não furtarás. (16) Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. (17) Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.”
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 1
(22) Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria, (23) mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, (24) mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. (25) Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 2
(13) Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
(14) Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas.
(15) Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas.
(16) Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.
(17) Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10).
(18) Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?
(19) Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.
(20) Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!
(21) Mas ele falava do templo do seu corpo.
(22) Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
(23) Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia.
(24) Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos.
(25) Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.
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Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
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Catequese Bíblico-Missionária

A Palavra vivifica leis e estruturas

A Liturgia de hoje traz para nós três elementos significativos: palavra, lei e templo. Essas três palavras são fundamentais para uma ressignificação de nossa prática religiosa, recobrando suas raízes humanas e transcendentes.

Da Palavra à Lei

Normalmente, os Dez Mandamentos são vistos como leis a serem cumpridas. No entanto, o livro do Êxodo nos indica que antes da sistematização da lei está a palavra. Tal palavra procede do próprio Deus e é anterior à lei, pronunciada na sequência. Parece estabelecer aqui uma oposição entre lei e palavra. Não na perspectiva do significado de ambas, mas em relação à forma.
A palavra é algo dinâmico que se identifica à vida, ao passo que lei, no sentido da ordem, é mais estática, vinculando-se à estrutura. Quando a lei se identifica totalmente com uma estrutura, perde seu dinamismo e torna-se fonte de opressão. A palavra que sai da boca de Deus, recorda sua ação libertadora e, ao apresentar os mandamentos, coloca-os como práticas fundamentais para cultivo da verdadeira liberdade.
Nessa mesma perspectiva encontramos o Templo. No contexto da Jerusalém do primeiro século, ele se tornou centro da vida religiosa, política e econômica do povo judeu. Como síntese da lei, o Templo oferecia o suporte de sustentação da estrutura socior-religiosa, que deixava de fora a maior parte do povo.
O evangelho de João afirma Jesus como a Palavra encarnada (Jo 1,14). Por isso, aqui, Jesus se opõe a essa estrutura esclerosada e opressora, ao revelar que a casa de Deus, que significa presença de Deus, não combina com exploração ou opressão. Jesus faz assim um deslocamento radical, ao retirar a presença de Deus do templo e colocá-la no seu corpo (ser).

No Espírito, a Força da Lei

Em Jesus se realiza uma união plena entre a prática da fé e a ação quotidiana do ser humano. Por isso, São Paulo se opõe ao pedido dos gregos e dos judeus (sabedoria / milagre), afirmando a pessoa de Jesus como manifestação explícita da presença de Deus. Em Jesus, mesmo que a história humana comporte contradições, pela força da Palavra, cada pessoa é chamada a fazer da história lugar de salvação. No exemplo de Jesus, a pessoa de fé é chamada a ser manifestação da presença salvadora de Deus na história. Por isso, a religião quando não se deixa questionar pela Palavra, torna-se caduca, deixando de servir a Deus e à humanidade, transformando-se em estrutura idolátrica.
Sob essa ótica, o tempo da Quaresma, como tempo de conversão, não se restringe à questão moral (do pecado). À conversão quaresmal compreende o sentido vivencial. Somos chamados a retomar a força vivificante da Palavra, para que ela impulsione com seu dinamismo nossa vivência da fé, renovando estruturas e leis, segundo o Espírito de Deus.

Pe. Marcelo Araújo, C.Ss.R.