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Atraídos pela cruz, quem crer não será condenado (18/03/2012)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Segundo Livro das Crônicas (2Cr), capítulo 36
(14) Todos os chefes dos sacerdotes e o povo continuaram a multiplicar seus delitos, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs e profanando o templo que o Senhor tinha consagrado para si em Jerusalém. (15) Em vão o Senhor, Deus de seus pais, lhes tinha enviado, por meio de seus mensageiros, avisos sobre avisos, pois tinha compaixão de seu povo e de sua própria habitação, (16) eles zombavam de seus enviados, desprezavam seus conselhos e riam de seus profetas, até que a ira de Deus se desencadeou sobre o seu povo, e não houve mais remédio. (17) Então Deus suscitou contra eles o rei dos caldeus, que, no próprio edifício do santuário, mandou matar seus jovens, e não poupou o adolescente, nem a donzela, nem o ancião, nem a mulher de cabelos brancos. O Senhor lhe entregou tudo. (18) Nabucodonosor mandou tirar todo o mobiliário do templo, tanto os objetos grandes como os pequenos, os tesouros do templo, os do palácio real e os dos chefes, para transportá-los a Babilônia. (19) Incendiaram o templo, destruíram os muros de Jerusalém, entregaram às chamas seus palácios e todos os tesouros foram lançados à destruição. (20) Nabucodonosor deportou para Babilônia todos os que tinham escapado à espada, e eles se tornaram seus escravos, dele e de seus filhos, até o advento do domínio persa. (21) Assim se cumpria a profecia que o Senhor tinha dado pela boca de Jeremias - Até que a terra desfrutasse os seus sábados -, pois a terra ficou inculta durante todo esse período de desolação, até que se completaram setenta anos. (22) No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, a fim de que se cumprisse a profecia do Senhor, posta na boca de Jeremias, o Senhor excitou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, e este mandou fazer em todo o seu reino, à viva voz e também por escrito, a proclamação seguinte: (23) Assim fala Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, que está na terra de Judá. Todo aquele dentre vós que for de seu povo, esteja seu Deus com ele, e que ele para lá se dirija!
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 2
(4) Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, (5) quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos! -, (6) juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. (7) Ele demonstrou assim pelos séculos futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo. (8) Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. (9) Não provém das obras, para que ninguém se glorie. (10) Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 3
(14) Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem,
(15) para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.
(16) Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
(17) Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
(18) Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por que não crê no nome do Filho único de Deus.
(19) Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
(20) Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
(21) Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.
(384) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares

Atraídos pela cruz, quem crer não será condenado!

“Tu crês que há um só Deus? Fazes bem! Mas também os demônios crêem isso, e estremecem de medo” (Tg 2,19). Por isto não basta crer que Deus existe, é necessário dar um passo que os demônios não são capazes de dar: adorar o amor infinito de Deus que se manifesta na cruz.
A partir da fé no amor de Deus, somos capazes de transformar o espetáculo naturalmente repugnante da cruz em uma certeza reconfortante. Se assim cremos, não seremos condenados.

Quarto domingo da Quaresma, o domingo da alegria. Na caminhada quaresma, após 40 dias de penitência desde a quarta-feira de cinzas e termina no domingo de ramos.
Neste domingo, transpusemos a metade da quaresma. Ainda não é a alegria da Páscoa, mas o padre se veste com a cor rosa quando devemos amenizar um pouco a nossa penitência.
A pedagogia da Igreja quer nos ensinar que a alegria deste mundo é imperfeita. A alegria deste domingo é assim. Alegra-te Jerusalém! Mas, uma alegria transitória e incompleta.

Neste domingo temos o encontro de Jesus com Nicodemos que crê em Jesus, mas ainda não plenamente. A fé de Nicodemos é superficial porque ele ainda não encontrou a cruz de Cristo. Uma fé que ainda não entende e não quer abraçar a cruz.
A fé madura Nicodemos só irá se apresentar no final do evangelho, quando ele leva mirra e aloé para sepultar o corpo de Jesus crucificado.
A mensagem é que nós também precisamos fazer essa caminhada, dispondo-nos a sofrer com e por Ele.

Jesus faz uma alusão ao AT, livro dos números, ao dizer que Ele será "levantado" como a serpente no deserto.
S. João usa a expressão "levantado" ou "elevado" 3 vezes no seu evangelho para dizer que Jesus será erguido na cruz. E levantado para quê? Para atrair as pessoas e incutir a fé.
Fé em quê? O versículo seguinte, 16, responde.
Deus dá (doar, entregar) seu filho para que os que Nele crerem não morram e tenham a vida eterna.

Sim, é difícil crer que a cruz é um sinal de amor, pois não há nada de atraente no servo sofredor do qual todos querem afastar seu rosto (Isaías).
Jesus crucificado não tem nada de atraente. Mas quem tem fé, ao olhar para Jesus crucificado, cravado de espinhos e pregado, vê o amor de Deus.
Quem foge da cruz é o diabo porque ele não tem fé no amor de Deus.
Mas padre, eu creio que Deus existe, mas não gosto da cruz...
O diabo também acredita e sabe que Deus existe, mas isso não é para ele salvação, porque ele não crê no amor de Deus.
Não basta saber que Deus existe, que é o criador do universo, mas é necessário saber que Ele é amor e crer nesse amor, ter confiança no amor que se revela na cruz de Cristo, onde o próprio Deus veio morrer a nossa morte.
Não basta saber que Deus existe, mas é necessário abraçar a cruz.

Nicodemos acredita nos milagres ... mas o filho do homem precisa ser "elevado" para então atrair definitivamente Nicodemos.
Não basta a fé nos milagres e nas curas. Não basta crer que Deus existe. É preciso confiar no amor de Deus na cruz.
Os povos pagãos não aceitavam isso de forma alguma. "Não é justo que um deus sofra por causa dos homens", dizia Homero em sua Ilíada.
Mas, nós cremos que Deus fez o impossível.

Deus não enviou seu filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que este seja salvo por Ele.
Deus fez o impossível para nos resgatar. Mas existe um julgamento pela fé, pois quem nEle crer nao é condenado e quem não crer está condenado. Não crer no amor de Deus, condena.
O diabo não aceita o amor de Deus e duvida desse amor, porque a cruz cruficica suas idéias preconcebidas.

Nesta quaresma nós também somos chamados a crucificar nossos pensamentos humanos e assim poder abraçar a cruz.
Jesus suou sangue no Horto das Oliverias para abraçar sua cruz. E nós? Esperneamos.
Para que recebamos esse amor é necessário crer no Pai. Não devemos fugir da cruz. Deus não gosta da cruz, mas ela é necesária para amar. Ele nos amou e quer que nós respondamos com amor de volta.
Por isso a mortificação da quaresma, pois precisamos aprender.
Temos que ser homens e mulheres de Deus fortes, que seguem Jesus na quaresma abraçando a cruz, e então encontraremos a alegria de que fomos amados por um amor infinito e agora somos chamados para corresponder a esse amor.
Quem crer não será condenado!

Padre Paulo Ricardo